sábado, 30 de agosto de 2014

O Princípio do Santuário (Parte 3)

O culto puro
Outra verdade que deriva da análise do templo do Antigo Testamento advém do seu papel na centralização da religião israelita. O estudo do templo mostra que Deus se preocupou muito em criar um núcleo central para o culto verdadeiro. Com efeito, o Senhor proibiu que diversos templos fossem construídos em Canaã. Sua ordem era que somente um fosse edificado no lugar que ele próprio escolhesse (Dt 12.4-14). Na verdade, construir um santuário em outro local (como o que foi construído recentemente no Brás, em São Paulo) equivaleria a criar uma nova religião, sujeita a outro deus (1Rs 12.26-33).
Evidentemente, a centralização do culto determinada pelo Senhor tinha por propósito preservar a unidade nacional e evitar que as doze tribos de Israel espalhadas pela Palestina, em contato com as diferentes formas cananitas de culto pagão, dessem origem a alguma espécie de sincretismo religioso, comprometendo com isso a qualidade moral e espiritual de toda a nação que, então, sofreria fatalmente as terríveis consequências da quebra da aliança (Dt 28.15-68).
Para evitar, ou pelo menos retardar tudo isso, a lei de Deus determinava que o templo fosse um só, sendo instalado no local que Deus escolhesse (Dt 14.23; 15.20; 16.2; 17.8), ao que Josué obedeceu e instalou o tabernáculo em Siló (Js 18.1), onde permaneceu por cerca de trezentos anos, até os dias de Samuel (1Sm 1.3).
Posteriormente, nos dias de Davi, um novo local para o templo foi escolhido pelo Senhor na cidade de Jerusalém (1Cr 21.18–22.1; 2Cr 6.6). Nesse lugar, Salomão construiu um magnífico santuário (2Cr 3.1). Depois disso, nenhum outro local foi escolhido por Deus para a edificação de sua casa. Os templos edificados pelos judeus depois do exílio babilônico foram todos construídos no mesmo lugar que o Senhor indicara a Davi.
De todo esse cuidado de Deus em exigir a manutenção de um núcleo central e singular para a adoração, se depreende que ele quer que o culto ao seu nome seja sempre livre de contaminações. O sincretismo religioso e o tão pregado ecumenismo são abomináveis aos olhos dele, pois implicam a mistura de atos legítimos de culto com práticas e crenças supersticiosas, próprias de religiões demoníacas.
Fuja, portanto, a igreja cristã de qualquer tipo de associação com o romanismo, o islamismo, o hinduísmo e com as seitas que parecem cristãs e não são. Que esse zelo ocupe mais a mente dos pastores de Cristo do que o vão cuidado de consagrar paredes de tijolo e móveis de madeira.
É também estudando o ensino bíblico sobre o templo judaico que o crente descobre princípios eternos acerca da contribuição financeira para a obra de Deus. Sabe-se, por exemplo, que no Antigo Testamento o dízimo devia ser levado ao templo (Ml 3.10). Ora, essa determinação tinha por objetivo proteger o princípio de que os bens materiais devem ser usados para honrar a Deus, sendo aplicados em seu serviço (Pv 3.9).
Portanto, ainda que, pelo fato de não haver mais o templo, seja impossível hoje cumprir à risca o preceito deMalaquias 3.10, permanece intocável o princípio acima exposto. Assim, todo cristão que quer agir de maneira responsável deve cooperar financeiramente para que a obra de Deus seja mantida e levada adiante neste mundo (At 4.34-37; 11.29,30).
Eis, assim, alguns exemplos do aspecto interno do ensino bíblico sobre o templo. O problema de muitas igrejas, conforme visto, é o apego às normas acerca do santuário em sua face externa, ignorando que a época do santuário de pedras ficou para trás.
Isso tem gerado preocupações e enormes gastos com a construção de suntuosos edifícios, tem levado pessoas a gastar tempo precioso com o planejamento de cultos solenes de consagração de santuários e seus utensílios e tem feito pastores se desgastarem com a criação e manutenção de regras acerca do que pode ou não ser feito na “nave” dos seus templos.
Todas essas enormes parcelas de tempo, trabalho e dinheiro poderiam ser mais bem direcionadas se uma compreensão maior das Escrituras reinasse no meio evangélico. Com efeito, quantos esforços deixariam de ser empregados em vão se todos os crentes atentassem para o ensino de Jesus à samaritana, quando disse que o período de adoração a Deus em templos ou lugares sagrados havia chegado ao fim (Jo 4.19-24)! E que dizer dos ensinos de Paulo, de Pedro e do autor de Hebreus que, unânimes, insistem em afirmar que o templo cristão são os próprios crentes (1Co 3.16; 6.19; Hb 3.6; 1Pe 2.5)?
Quem quiser, pois, consagrar um templo a Deus, consagre-se a si mesmo; e quem quiser ter reverência dentro de um templo, tenha reverência em si mesmo. Da mesma forma, se alguém quiser glorificar a Deus num santuário, glorifique-o em seu próprio corpo, com cada membro que o compõe; e se algum cristão quiser adorar o Pai num lugar sagrado, adore-o dentro de si mesmo, no templo de sua alma, e de todo o coração, pois é esse o tipo de adorador que o Pai procura (Jo 4.23,24).
Ora, o que é numeroso e patente não exige busca cuidadosa. Só o que é raro e difícil de ver requer a diligência da procura. Que todo crente seja, pois, parte da classe quase extinta de homens e mulheres que se preocupam em adorar a Deus no verdadeiro santuário do coração.
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Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

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