segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A Nossa Batalha Espiritual - 1ª mensagem

O Príncipe do Mal 


Por Leandro Lima

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Panorama da História da Igreja [02/13]

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Apenas os crentes é que são santificados [01/02]


Todos os que sinceramente creem no Senhor Jesus Cristo, e em Deus através de Jesus Cristo — e somente os que creem — são santificados (Jo 17.17, 19, 20; 7.38, 39; 1Ts 1.1; 5.23).

Objeção. Se o Espírito de santificação é dado apenas aos crentes, então como é que os homens se tornam crentes? Se não temos o Espírito Santo senão depois de crermos, então, temos de crer por nossos próprios esforços. Não é isso o que Pedro diz em Atos 2.38? Ele afirmou que primeiro era necessário se arrepender e ser batizado e só então se receberia o dom do Espírito Santo. E não nos disse Jesus que o mundo não pode receber o Espírito Santo? (Jo 14.17). Parece que fé e obediência são exigidas como os requisitos necessários ao recebimento do Espírito Santo. Se isso for verdade, então fé e obediência são obras nossas, e não obras produzidas em nós pela graça de Deus, e isso é Pelagianismo.

Resposta. Em primeiro lugar se diz que o Espírito Santo nos foi prometido e por nós recebido para uma obra em particular. Embora seja “um só e o mesmo Espírito”, sendo ele mesmo prometido, dado e recebido, não obstante tenha muitas e diferentes obras a realizar. Assim, por muitas e diferentes razões é que recebemos nós o Espírito Santo. Aos incrédulos é prometido e por eles recebido como aquele que vem para torná-los crentes. Aos crentes é prometido e por eles recebido como aquele que vem para santificá-los e torná-los santos.

Em segundo lugar, o Espírito Santo é prometido e recebido para efetuar duas obras principais. É prometido aos eleitos e por eles recebido para regenerá-los. Aos assim regenerados é prometido e por eles recebido para santificá-los, ou torná-los santos.

Essa obra de santificação deve ser considerada de duas formas: primeira, que o Espírito Santo mantém vivo o princípio de santidade dado aos crentes; segunda, que é sua a obra de santificação progressiva, inclusive o crescimento na fé. A fé também precisa ser considerada de duas maneiras: primeira, quanto à sua infusão original na alma, como um dom de Deus; segunda, quanto à sua atividade e frutos, vistos na profissão de fé de toda uma vida e em santa obediência.

Em terceiro lugar, o Espírito Santo é prometido como o Consolador. Para essa obra ele não é prometido ao regenerado em si, porque muitos que podem ser regenerados não devem receber consolação, nem dela precisam, como no caso de criancinhas regeneradas. Nem é prometido total e absolutamente em toda a sua magnitude aos crentes adultos, pois muitos deles não chegaram àquela condição em que a consolação do Espírito Santo lhes fosse benéfica.

Em quarto lugar, o Espírito Santo é prometido e recebido como o doador de dons espirituais para a edificação da igreja (At 2.38, 39).

A razão por que o Espírito é concedido para a regeneração é a eleição. A razão por que é concedido para a santificação é a regeneração. A razão por que é concedido para a consolação é a santificação, juntamente com as tentações e os dissabores que passam os que estão sendo santificados. É por causa de tais dificuldades que os crentes necessitam do Espírito Santo como Consolador.

Mas por que razão é concedido o Espírito para a edificação da vida espiritual da igreja? É esta a razão: a profissão e o louvor da verdade do evangelho, juntamente com a convocação para o encorajamento e auxílio mútuos (1Co 12.7).

Devemos aqui chamar a atenção particularmente para as duas seguintes observações. Primeira, o Espírito Santo não concede os seus dons para a edificação da igreja a ninguém que se encontre fora dos seus muros, ou a quem não professe a verdade e o louvor do evangelho. Segunda, o Espírito Santo é soberano, é ele quem decide a quem conceder os seus dons. E não pode ser forçado a concedê-los nem a um nem a todos (1Co 12.11).

Pergunta. Por ser prometido aos crentes o Espírito de santificação, podemos em nossas orações apelar para o fato de que somos crentes, regenerados, como uma razão para persuadir a Deus a nos conceder mais graça pelo seu Espírito?

Resposta. Não podemos apelar apropriadamente para qualquer qualidade presente em nós mesmos, como se Deus fosse obrigado a nos conceder um aumento de graça porque o mereçamos. Disse Jesus, “vós, depois de haverdes feito tudo quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc 17.10). Mas podemos apelar à fidelidade e à justiça do Deus que cumpre as suas promessas. Devemos orar para que ele “não se esqueça das obras da sua própria mão”; porque “aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”; para que, quanto ao seu pacto e promessas, ele conserve seguramente em seu cuidado aquela nova criatura, aquela divina natureza que formou e implantou em nós. Quando nos conscientizamos da fraqueza de qualquer graça, devemos humildemente confessá-la e orar para que essa graça seja fortalecida em nós.

Pergunta. Os crentes em tribulação podem, por causa das suas angústias, orar ao Espírito como o Consolador por entenderem que ele lhes fora prometido?

Resposta. Podem e devem orar pela consolação do Espírito em todas as suas tribulações. Se não o fazem, é sinal de que estão buscando consolação em outro lugar. As tribulações podem ser de dois tipos: espirituais e temporais. É principalmente por causa daquelas que o Espírito Santo foi prometido como Consolador. As tribulações espirituais tanto podem ser subjetivas, decorrentes das trevas e angústias íntimas por causa dos pecados, quanto objetivas, decorrentes da perseguição por causa do nome de Cristo e do evangelho.

As angústias temporais, por outro lado, são comuns a todos os homens. Surgem de coisas tais como a privação e a perda de propriedade ou de liberdade. Os cristãos devem orar pelo Espírito como o Consolador para que as consolações de Deus possam sobrepujar em muito às suas angústias e que por elas possam encorajar-se a outros deveres.

Pergunta. Podem os que sinceramente creem no evangelho orar para que o Espírito lhes conceda dons espirituais para a edificação de outros, e especialmente da igreja, tendo em vista que foi por essa razão que ele foi prometido?

Resposta. Podem, mas com as seguintes restrições: devem orar submissos à soberania do Espírito que dá a cada um “segundo a sua vontade”; devem orar com vistas à posição e deveres que têm na igreja pela providência e chamado de Deus. Aquele que não foi chamado para pregar não pode orar pelo dom da pregação. Aqueles que não foram chamados para pregar, ensinar ou ministrar à igreja não têm qualquer respaldo para orar por dons ministeriais. Devem orar por aqueles dons que melhor os capacite a cumprir os seus próprios deveres. Os genitores, por exemplo, devem orar por dons parentais.

Pergunta. Alguém não regenerado pode orar para que o Espírito da regeneração opere tal obra nele? O Espírito da regeneração, como tal, só está prometido ao eleito. Assim, pois, como poderia um incrédulo saber se é um dos eleitos?

Resposta. Não podemos, de nossa parte, utilizar a condição de eleito como argumento na oração. A eleição é o propósito secreto de Deus. Os que são eleitos só nos são revelados ao se tornarem crentes. Os convictos de pecado podem e devem orar para que Deus lhes envie o seu Espírito e os regenere. Deus lhes enviará o seu Espírito e os regenerará. Esse é um dos meios pelo qual podemos “fugir da ira vindoura” (Mt 3.7). O objeto especial das suas orações é a graça soberana, bondade e misericórdia segundo nos foi declarada em e por Jesus Cristo. Na verdade, aos que se encontram sob tais convicções de pecado já foram conferidas, algumas vezes, as sementes da regeneração. Vão, portanto, continuar a orar de fato para que a obra de regeneração seja apropriadamente produzida neles. Assim, no tempo oportuno, ser-lhes-á concedida a indicação de que tal obra neles se operou.
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Por John Owen.
Fonte : Livro, O Espírito Santo. Capítulo 13.
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domingo, 28 de setembro de 2014

O homem e seus pecados

O pecado aumenta

À medida que os homens crescem em seu estado não regenerado, o pecado ganha terreno subjetiva e objetivamente. Subjetivamente, os desejos naturais do corpo ficam mais fortes; objetivamente, os órgãos físicos para a consecução desses desejos se desenvolvem. Portanto, aqueles desejos subjetivos regidos pelo pecado tornam-se desejos pecaminosos, e os órgãos para a concretização de tais desejos tornam-se instrumentos de pecado.

Assim, Paulo ao ser confrontado pelos mandamentos de Deus que o proibiam de atender àqueles desejos pecaminosos, era tentado mais fortemente a satisfazer a sua lascívia (Rm 7.8). Timóteo é instado: “Foge, outrossim, das paixões da mocidade” (2Tm 2.22). Davi orou para que os pecados da sua mocidade não fossem lembrados e usados contra ele (Sl 25.7).

Tais pecados da mocidade são, muitas vezes, o tormento da velhice (Jó 20.11). Deus costuma permitir que os homens caiam em grandes e reais pecados para lhes despertar a consciência, ou para juízo deles (At 2.36, 37). Deus lhes permite atender aos desejos do próprio coração. E o dominante hábito de pecar assenhoreia-se deles. Os homens endurecem-se no pecado e perdem todo o senso de vergonha. Contudo, ainda há esperança para o pior dos pecadores (1Co 6.9-11; Mt 12.31, 32; Lc 12.10).

Em primeiro lugar, porque a despeito de toda a corrupção da natureza, vários sentimentos, temores, pressentimentos, ou o que foi ensinado ou ouvido nos sermões, podem atiçar a quase extinta “chama celestial” dentro dos homens. Isto é, as noções inatas de bem e mal, certo e errado, recompensas e punições, associadas à noção de que Deus nos pode ver, e de que pode estar disposto a nos ajudar, se apenas não nos aterrorizássemos de encará-lo. Em segundo lugar, Deus opera no homem pelo seu Espírito através de muitos meios externos para que passem a considerá-lo. “Não há Deus, são todas as suas cogitações” (Sl 10.4). Nada do que fazem na religião é para glorificar a Deus (Am 5.25).

A variedade dos modos de Deus

Deus pode começar a sua obra de várias maneiras. Pode começá-la por súbitos e surpreendentes juízos (Rm 1.18; Sl 107.25-28; Jn 1.4-7; Êx 9.28). Pode começá-la por aflição e desastres pessoais (Jó 33.19, 20; Sl 78.34, 35; Os 5.15; 1Rs 17.18; Gn 42.21, 22; Ec 7.14). Pode começá-la por um notável livramento da morte, juntamente com outras grandes manifestações de misericórdia (2Rs 5.15-17).

Pode começá-la pelo testemunho de outros (1Pe 3.1, 2); pode começá-la pela Palavra de Deus (1Co 14.24; Rm 7.7). Entretanto, a despeito de todas essas coisas, os homens nem sempre o percebem porque a mente deles ainda está entenebrecida. Pensam que são bons até onde o podem ser. Amam a popularidade e temem perder os seus amigos. Têm boas intenções que não resultam em nada. Satanás lhes cega o entendimento e estão cheios de paixão por suas concupiscências e prazeres.
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Por John Owen
Fonte: Livro, O Espírito Santo.
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Conversão seguida de frutos

"Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu." (1 João 3.6)

Pastor Paulo Junior 
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sábado, 27 de setembro de 2014

O plano de Deus incluía o pecado desde o início?

"Cosmovisões fracas produzem cristãos fracos, e cristãos fracos não sobreviverão aos dias que estão vindo."


John Piper
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O Caminho de Deus - 8ª Mensagem

Andando Piedosamente em Nossos Lares


Joel Beeke
Ano: 2010
26ª Edição da Conferência Fiel para Pastores e Lí­deres
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Redescobrindo o Hinário de Jesus

Quão interessado você ficaria se arqueólogos desenterrassem um hinário gravado com o nome “Jesus de Nazaré”? Deixando de lado por um momento o anacronismo, será que o “Hinário de Jesus” não seria imediatamente republicado e alçado às listas de livros mais vendidos? Será que aqueles cânticos não alcançariam popularidade instantânea nos cultos de adoração por todo o mundo?
Nós temos aquele hinário. Nós sabemos quais cânticos Jesus cantava: ele cantava os salmos.
Então surge uma pergunta: se você ficaria empolgado por cantar os hinos do nosso fictício achado arqueológico, então por que não está mais empolgado para cantar os salmos? Dois eventos na minha vida me conduziram significativamente a responder essa pergunta.
O primeiro evento foi um semblante estupefato, na livraria do seminário, quando eu era aluno do primeiro ano do curso de teologia. Eu estava conferindo as leituras exigidas para a disciplina de Grego do Novo testamento, quando vi o Trinity Psalter [Saltério da Trindade] listado como uma compra obrigatória. Por que estavam me pedindo para comprar um livro do Antigo Testamento, em inglês, para uma disciplina de Grego do Novo Testamento? Acontece que meu professor tinha o hábito de começar cada aula pedindo que seus alunos cantassem juntos um salmo. Então eu me tornei um cantor dos salmos, por exigência.
O segundo evento aconteceu nas montanhas peruanas. Eu liderei um grupo de estudantes em uma viagem missionária de curto período. A nossa tarefa era cavar um fosso ao redor de uma igreja em construção. O nosso anfitrião peruano era um ministro da Igreja Presbiteriana Peruana, e eles cantavam primordialmente os salmos.
Tivemos uma longa conversa sobre por que essa era a sua prática, mas um motivo chamou a minha atenção. Ele estava enfrentando heresia nas igrejas que pastoreava. O falso ensino havia entrado sorrateiramente em suas igrejas por meio de canções populares adaptadas para o culto. A salmodia era a sua tentativa de proteger o seu povo da heresia cantada em uma melodia familiar. Os salmos serviram para aquela crescente comunidade de igrejas como um baluarte bíblico contra o sincretismo que tentava invadi-la. Ao refletir sobre aquela conversa, percebi que eu havia me tornado um cantor de salmos por meio de missões.
Você não precisa ser um aluno de seminário ou um missionário no Peru para entrar no mundo da salmodia. Você só precisa fazer duas coisas. Primeiro, considere os benefícios que Deus vincula à adoração por meio de salmos. Segundo, decida de modo prático como você começará a cantar os salmos.
Seis benefícios da salmodia
Aqui estão, pois, seis benefícios do cântico congregacional dos salmos.
1. Ao cantar os salmos, você literalmente canta a Bíblia.
Bons hinos são teologicamente profundos, artisticamente profundos e bíblicos em seu conteúdo, mas eles não são as próprias palavras da Escritura. Contudo, quando cantamos os salmos, estamos cantando a própria Bíblia. A estrutura poética, os temas e o conteúdo dos salmos são a Palavra inspirada de Deus para a sua igreja em todas as eras.
2. Ao cantar os salmos, você interage com uma riqueza de teologia.
Martinho Lutero disse acerca do Saltério: “Ele poderia ser apropriadamente intitulado uma Pequena Bíblia, na qual tudo o que há na Bíblia inteira é bela e brevemente abrangido”. Os 150 salmos cobrem a orla da teologia. Salmodia é estudo teológico.
3. Ao cantar os salmos, você memoriza a Escritura.
Uma parte importante da maturidade cristã é a habilidade de recordar passagens da Escritura conforme a necessidade. Os educadores há muito têm reconhecido o papel da música no auxílio à memorização. Isso não é por acidente; antes, reflete a mão providencial do nosso Deus Criador. Ele deseja que você memorize a sua Palavra e providenciou um meio de facilitar a memorização – o Saltério, que é, e deve ser usado assim, a Escritura em forma musical.
4. Ao cantar os salmos, você se protege da heresia.
Andrew Fletcher disse: “Deixe-me escrever as canções de um país, e eu não importo com quem escreve as suas leis”. Isso faz sentido. Cânticos gravam informações no profundo de nosso coração. Contudo, esse poder pode ser usado de modo maligno. Desde que a igreja existe, canções têm sido usadas para inculcar heresias. Os salmos são recursos contra heresias.
5. Ao cantar os salmos, você canta com toda a extensão das emoções humanas.
Ira piedosa, tristeza comovente, depressão profunda, alegria exultante, dúvida honesta e louvor exuberante são apenas alguns exemplos da extensão de emoções abarcada pelos salmos. A maioria das igrejas compreende o encargo de ensinar o seu povo a como pensar. Muito poucas consideram a sua responsabilidade de ensinar o seu povo a como sentir. Os salmos servem como os tutores das nossas afeições.
6. Ao cantar os salmos, você louva a pessoa e a obra de Jesus Cristo.
Uma das afirmações mais desinformadas que um cristão pode fazer contra a salmodia é: “Eu não canto os salmos porque eles não falam sobre Jesus”. Quando os cristãos primitivos desejavam cantar acerca da morte expiatória de Jesus e da sua gloriosa ressurreição, eles se voltavam para os salmos. Um rápido passeio pelas referências cruzadas no Novo Testamento seria suficiente para convencer até o mais ferrenho crítico de que cantar os salmos é cantar sobre a pessoa e a obra de Cristo.
Quatro passos para começar a cantar os salmos
Se esses benefícios despertaram o seu interesse, então estes quatro passos devem ajudá-lo a começar a cantar os salmos.
1. Encontre um Saltério que você possa cantar.
Observe que eu não disse simplesmente: “Encontre um saltério”. O melhor saltério é aquele que você cantar de fato. Diferentes saltérios são adequados para diferentes habilidades musicais. Alguns adaptam cada salmo a uma melodia específica, enquanto outros simplesmente sugerem a métrica, permitindo que você escolha a melodia.
Aqui estão algumas opções em inglês 1:
  • TheTrinity Psalter [O Saltério da Trindade, publicado em inglês pela editora Crown and Covenant] sugere uma única melodia para cada salmo, assim como a divisão dos salmos longos em porções.
  • The Book of Psalms for Singing ou The Book of Psalms for Worship [O Livro dos Salmos para o Canto ou O Livro dos Salmos para o Culto, publicado em inglês pela editora Crown and Covenant] também sugere melodias para cada salmo, mas apresenta múltiplas versões e porções menores para cada salmo, extraídas de diferentes saltérios históricos.
  • O saltério que eu mais uso é The Psalms of David in Metre [Os Salmos de Davi em Métrica, publicado em inglês pela Trinitarian Bible Society], desenvolvido a partir do Saltério Escocês de 1650. Ele apresenta cada salmo na métrica comum. Embora careça de sofisticação musical, essa versão é imediatamente cantável se você conhece um punhado de melodias em métrica comum, como “Crimond” 2 ou “Amazing Grace” 3.
2. Conheça a sua Bíblia.
Dedique especial estudo ao pano de fundo dos salmos. Dedique algum ensino público e pregação aos salmos. Compre uma Bíblia com referências cruzadas e observe onde os salmos são citados no Novo Testamento.
Permita-me sugerir também que você leia um bom livro sobre história redentiva, como God’s Big Picture, de Vaughan Roberts, ou From Eden to the New Jerusalem, de T.D. Alexander 4. Um bom fundamento quanto ao plano da redenção, que abrange toda a Bíblia, e ao modo como ele culmina em Jesus Cristo é essencial para cantar os salmos bem.
3. Para cantar os salmos bem, é preciso entender como os salmos nos conduzem para a pessoa e a obra de Jesus Cristo.
Muitos salmos são diretamente cumpridos na vida e ministério de Jesus. Os autores do Novo Testamento regularmente aproximavam-se dos salmos para descrever o que fora realizado na cruz. A beleza dos salmos é magnificada à medida que eles são colocados no cenário da obra redentiva de Deus em Jesus Cristo.
4. A quarta coisa de que você e sua congregação precisarão é a disposição de tentar algo novo.
A salmodia pode ser difícil para alguém que nunca tenha sido exposto a ela. A salmodia pode ser completamente estranha para alguém que apenas conheça cânticos de louvor modernos. Mas os benefícios em potencial são imensos! Não é trabalho fácil, mas é um bom trabalho. Não é um trabalho rápido, mas ele provê alegrias duradouras no longo prazo. E a verdadeira questão é: “Por que você não iria querer cantar os salmos?”.
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Notas:
1 - N.T.: No Brasil, o único saltério de que dispomos, ainda incompleto, é o Saltério Reformado ou Saltério Brasileiro, elaborado pela Comissão Brasileira de Salmodia.
2 - N.T.: Em português, essa melodia é usada em “O meu pastor é o bom Jesus”, hino 187 do Hinário para o Culto Cristão (HCC)
3 - N.T.: Em português, apenas o Hinário Adventista do Sétimo Dia inclui uma versão desse hino (n.º 208, “Graça excelsa”).
4 - N.E.: Os livros Pregando Toda a Bíblia como Escritura Cristã e Evangelho Explícito, da Editora Fiel, abordam em nível introdutório o assunto.
Por Joe Holland
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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Panorama da História da Igreja [01/13]

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Qualificações dos presbíteros: Apto para ensinar

É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar 1 Tm 3:2
Introdução

Este atributo só aparece, nesta forma, em 1 Timóteo. Em Tito a ênfase é mais expressamente doutrinária, como Calvino nos lembra abaixo. Aqui ocorre uma ênfase maior na capacidade de transmitir a verdade a outros, conforme os comentaristas apontam.

Grego

• Em 1 Timóteo διδακτικοζ - didaktikos

Strongs - apto e hábil no ensino

Rienecker e Rogers - capaz de ensinar, hábil para ensinar.

Outras versões

Outras traduções do mesmo termo em português:
Almeida Revista e Atualizada (ARA)apto para ensinar
Nova Versão Internacional(NVI)apto para ensinar
Almeida Revista e Corrigida(ARC)apto para ensinar
Nova Tradução na Linguagem de Hoje(NTLH)ter capacidade para ensinar
Tradução Brasileira(TB)capaz de ensinar

Comentários

• Broadman – (-)
• D. A. Carson O item "capaz de ensinar" nós voltaremos a considerar mais à frente, mas por enquanto nós podemos dizer que, pelo menos, o critério pressupõe conhecimento da verdade e de Deus, e a habilidade para comunicar tal verdade. Ocasionalmente você encontrará pessoas que são comunicadores maravilhosos, mas que não têm muito para dizer. Por outro lado, você encontra algumas pessoas que têm sólido conhecimento, mas não conseguem transmiti-lo a ninguém. Em ambos os casos, eles estão desqualificados para esse ofício. Habilidade para ensinar pressupõe conhecimento da Bíblia e do Deus da Bíblia, e a habilidade para comunicar tal conhecimento. (...)

Passo agora a uma característica excepcional: "capaz de ensinar". É excepcional dentro da lista porque não pode ser exigido de todos os crentes (a não ser no sentido mais geral de que todos os cristãos "ensinam" a outros de alguma forma genérica - mas certamente não no sentido de Tiago 3:1 que especifica que não deveria haver muitos mestres na igreja, pois sabemos que eles serão julgados mais severamente). Essa é uma característica que nunca é exigida dos diáconos. Em outras palavras, um diácono pode ensinar, mas isso não é uma parte necessária do papel dele como diácono.

(...) Há algumas pessoas que discutem que há duas ordens de presbíteros no Novo Testamento, aqueles cuja tarefa é principalmente a administração, e aqueles cuja tarefa é principalmente ensinar. Essa distinção é inteiramente baseada em um versículo, 1 Timóteo 5:17 que diz "Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino". Assim alguns discutiram que há duas ordens de presbíteros: aqueles que dirigem os negócios da igreja, e um outro grupo, os "com especialidade" que acrescentam a isso o dom de ensinar. Minhas hesitações quanto a isso são duas.

Número um: este é o único texto no Novo Testamento que poderia ser usado para apoiar essa visão, e eu reluto em impor à consciência da igreja algo que aparentemente só é dito uma vez - não porque algo tem que ser dito muitas vezes para que seja verdade, mas porque algo tem que ser dito mais de uma vez para eu poder estar seguro de que entendi corretamente. (...) o fato de que a expressão relevante só aparece uma única vez me faz relutar em deduzir uma estrutura eclesiástica inteira apenas desse texto. Número dois: a palavra "especialmente" dita nesse verso não se refere a uma categoria separada de presbíteros mas acentua o que todos os presbíteros têm que fazer: "esses que dirigem o trabalho da igreja, efetivamente esses que ensinam ou pregam a Palavra de Deus" - algo assim. Veja bem, no Novo Testamento, a autoridade que rege a igreja não é principalmente uma autoridade de um ofício independente; é uma autoridade que é ministrada pela Palavra. Não tenho como dar ênfase demasiada a isso. Nós não obedecemos os pastores / presbíteros / bispos porque eles são os pastores / presbíteros / bispos, porque eles têm o cargo e então eles estão "por cima", e nós estamos "por baixo" - porque eles são os administradores e portanto nós os obedecemos; e aí também há alguns deles que nos ensinam. Não é essa a idéia.

A idéia é que a autoridade que eles exercem no ministério é precisamente a autoridade de ministrar a Palavra de Deus. É por isso que, se eles reivindicam estar ensinando a Palavra de Deus, contudo estão transparentemente emprestando o apoio deles a ensinamento falso, você tem todo direito de desafiá-los, porque eles não podem se colocar acima da Palavra de Deus: eles estão sempre sob a Palavra. Mas se eles estiverem ensinando a Palavra genuinamente, então é claro que cristãos devotos perceberão que a verdadeira autoridade está na Palavra, e no Senhor da Palavra, mesmo se depois de algum tempo tais presbíteros adquirirem uma enorme quantia de credibilidade e autoridade funcional, porque eles sempre serão vistos como mestres fiéis da Palavra de Deus. Assim, a administração da autoridade na igreja não é tão amarrada ao ofício, ou meramente à manipulação de líderes administrativos, embora em qualquer organização há grande necessidade de administração e de tipos de administração. Na verdade, a fonte de autoridade é sempre a Palavra. E dessa estrutura vêm mestres que explicam e aplicam bem aquela Palavra, de forma que os crentes digam, "Sim, essa é a mente de Deus".
• Jamieson, Fausset e Brown implicando não só ensino sólido e facilidade em ensinar, mas paciência e diligência no ensino.
• João Calvino – Na epístola a Tito, é mencionada a doutrina expressamente; aqui ele só fala brevemente sobre a habilidade em comunicar instrução. Não é suficiente ter conhecimento profundo, se não for acompanhado de talento para ensinar. Há muitos que, seja porque a expressão vocal deles é defeituosa, ou porque não têm boas habilidades mentais, ou porque não empregam aquele idioma familiar que é adaptado às pessoas comuns, mantém dentro das suas próprias mentes o conhecimento que eles possuem. Tais pessoas, como diz a frase, deveriam cantar para si mesmos e para as musas. Aqueles que têm o encargo de governar as pessoas, devem ser qualificados para ensinar. E aqui ele não exige loquacidade da língua, porque nós vemos muitas pessoas cuja conversa fluente não é adequada para a edificação; mas ele recomenda sabedoria em aplicar a palavra de Deus judiciosamente para benefício das pessoas.
• John Gill que tem uma considerável quantidade de conhecimento; é capaz de interpretar a Bíblia para edificação de outros; é capaz de explicar, expor e ilustrar as verdades do Evangelho e defendê-las e refutar o erro; e que não é somente capaz, mas pronto e disposto a comunicar a outros o que ele sabe; e que tem também expressão vocal, o dom da elocução e consegue transmitir suas idéias de forma simples e com linguagem fácil, em palavras hábeis e aceitáveis; porque não fará sentido o que um homem sabe, a menos que ele tenha uma capacidade de comunicar isso a outros, para a compreensão e benefício deles.
• John MacArthur –Esta palavra é usada somente aqui e em 2 Tm 2:24. É a única qualificação relacionada ao talento e habilidade espiritual do presbítero, e a única que distingue presbíteros de diáconos. A pregação e o ensino da Palavra de Deus são os deveres principais do bispo/pastor/presbítero (1 Tm 4:6,11,13; 5:17; 2 Tm 2:15,24; Tt 2:1).
• Matthew Henry Portanto é um bispo pregador que Paulo descreve, um que é ao mesmo tempo capaz e disposto a comunicar a outros o conhecimento que Deus lhe deu, um que é talhado para ensinar e pronto a aproveitar todas as oportunidades de dar instruções, e que é, ele mesmo, bem instruido nas coisas do reino do céu, e é comunicativo do que sabe a outros.
• New American Commentary – O apelo a ser "apto a ensinar" exige competência e habilidade em comunicar a verdade cristã. A característica requer habilidade intelectual e didática. Alguém que pode ensinar a outros precisa também ter vontade de aceitar ensino. A presença desta exigência indica que um bispo precisaria ter habilidade tanto para explicar a doutrina cristã quanto para refutar ou opor-se ao erro. Ele utilizaria esta habilidade dando instrução a convertidos, edificando a igreja, e corrigindo o erro.
• William MacDonald Quando visita pessoas com problemas espirituais, ele deve ser capaz de citar as Escrituras e explicar o desejo de Deus em tais questões. Ele deve estar apto para alimentar o rebanho de Deus (1 Pe 5:2) e usar a Bíblia para refutar os que apresentam falsas doutrinas (At 20:29-31). Não significa necessariamente que um bispo deve ter o dom do ensino, mas que em seu ministério de casa em casa, assim como na assembléia, ele pode apresentar as doutrinas da fé, compartilhar corretamente a palavra de verdade e estar pronto e motivado para fazer isso.
Conclusão

Portanto, o presbítero deve ser alguém que conhece consideravelmente a Palavra e é capaz de manejá-la bem para o ensino e correção da igreja. A igreja é governada por Jesus Cristo mediante a Sua Palavra. Se os líderes não sabem manejá-la bem, não serão capazes de dirigir o povo de Deus da forma que o Supremo Pastor deseja. Como vários apontam (Calvino e MacArthur, por exemplo) este atributo implica em um talento especial e, portanto, reduz bastante o número de homens realmente aptos a assumirem o ofício (Tg 3:1). Como Carson indica, não parece haver espaço para a figura do presbítero que não é capaz de ensinar, comum em algumas igrejas. A autoridade de um presbítero reside, em grande parte, na Palavra que Ele maneja (2 Tm 2:15).

Notas
Comentário Bíblico Popular – Novo Testamento – William MacDonald – Ed. Mundo Cristão
The Broadman Bible Commentary – Broadman Press
The MacArthur Bible Commentary – Thomas Nelson Publishers
Bíblia OnLine 3.00 – SBB
Definindo o que são presbíteros – artigo de D.A.Carson - http://www.bomcaminho.com/dac001.htm
The New American Commentary – Broadman Press
Chave Linguística do Novo Testamento Grego – Ed. Vida Nova

Tradução (onde necessário): Juliano Heyse
Fonte: Bom Caminho
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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A resposta da Bíblia para o problema do mal

"As respostas que a Bíblia dá para o que nós chamamos de 'O Problema do Mal', são imensamente diversas. Mas imensamente diversa não necessariamente significa multiplamente contraditória."


D. A. Carson
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Você se preocupa com o Inferno?

Nós somos pechincheiros inveterados. Somos adeptos da arte de barganhar. Romanos 1 nos ensina que, em nossa condição caída, todos nós negamos o Deus que sabemos existir. Nós sabemos que somos culpados diante dele, mas nós suprimimos essa verdade pela injustiça. Todavia, nós não queremos ser completa e definitivamente egoístas, absolutamente desenfreados. Então, nós nos sujeitamos a diversas criaturas, deuses que nós mesmos criamos. Nós estamos dispostos a ter alguém que chamemos de Deus, desde que isso mantenha o Deus vivo em xeque. Estamos dispostos a admitir alguma medida de culpa – “ninguém é perfeito” – a fim de evitarmos penetrar na plenitude da nossa perversidade. E estamos dispostos a temer alguns inconvenientes menores, desde que isso nos mantenha longe do terror.
Quando Jesus pregou o seu Sermão do Monte, ele tratou a sua audiência como se composta de crentes. Ele disse aos que estavam reunidos que eles eram a luz do mundo e o sal que preserva o mundo. Os descrentes, contudo, não deixaram de ser abordados. Ao ordenar que os crentes deixassem de lado seus ínfimos temores e abraçassem uma paixão resoluta pelo reino de Deus, ao repreender os que estavam ajuntados por se preocuparem com o que haveriam de comer e o que haveriam de vestir, ele disse: “Porque os gentios é que procuram todas estas coisas” (Mateus 6.32).
Esse preocupar-se é, também, barganhar. É uma tentativa de silenciar aquele temor horripilante, trocando-o por um temor meramente incômodo. É uma grande vitória poder suspirar, com alívio, depois de honestamente perguntar-se: “Qual a pior coisa que poderia acontecer?”. Se eu não tiver o bastante para comer, isso poderia ser ruim, sob certa perspectiva. Se eu não tiver nada para vestir, isso também poderia ser ruim, sob certa perspectiva. Qualquer uma dessas privações poderia, no máximo, levar-me à morte, por inanição ou por exposição a intempéries. Parece que, em nossos dias, isso está na raiz de nossos temores. Nós vivemos em uma cultura em que a morte é vista como uma opção a ser retardada. Exercícios, dietas, cirurgias, cosméticos e Photoshop são as ferramentas de trabalho pelas quais nós desviamos os nossos olhos da verdade de que estamos morrendo.
Nós não chegamos, contudo, ao fim da nossa barganha. Nós preferimos nos preocupar com o que comeremos ou vestiremos a nos preocupar com a morte. Mas nós preferimos nos preocupar com a morte a nos preocupar com o inferno. Afinal de contas, a morte acontece apenas uma vez, e acabou. O inferno, por outro lado, é para sempre. Eu diria que, muito mais aterrorizante do que a dor do inferno, é a sua duração. Uma grande medida de dor por um tempo relativamente curto é menos do que uma dor que dura para sempre. O que deveria preocupar os descrentes não é aquele que pode matar o corpo, mas aquele que pode matar tanto o corpo como a alma (Mateus 10.28).
Isso, por outro lado, deveria nos ensinar pelo que deveríamos ser mais gratos. Esse grande temor já não está diante daqueles que confiam somente na obra consumada de Cristo. O que nós estamos fazendo, desperdiçando nosso tempo preocupando-nos com os temores barganhados dos gentios, quando nós já estamos livres do seu supremo temor? Por que nós deveríamos nos preocupar com o que comeremos, quando nos fartamos no corpo e no sangue de nosso Senhor? Por que deveríamos nos preocupar com o que vestiremos, quando estamos vestidos da sua justiça?
O inferno, contudo, não deveria sair de nosso radar, ainda que não mais precisemos temê-lo. Primeiro, nós somos chamados a constantes agradecimentos e ações de graças pelo fato de que jamais experimentaremos o inferno. Somos chamados a lembrar-nos de que, na cruz, Cristo desceu ao inferno por nós, de que ele recebeu toda a ira e o furor do Pai que eram devidos a nós por nossos pecados. Mas, em segundo lugar, o inferno não desapareceu. Por que nós estamos preocupados com o que comeremos ou vestiremos, enquanto há pessoas lá fora que terminarão no inferno, a menos que se arrependam, mas que estão preocupadas apenas com o que comerão ou vestirão? Já é ruim o suficiente que os que desejam negar que o inferno exista se preocupem com bobagens. Quão pior é que nós, os quais afirmamos a realidade do inferno, nos preocupemos com bobagens?
Quando nós buscamos em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, não estamos meramente buscando passar pelos portões antes que eles fechem. Não é meramente a nossa entrada que buscamos, ao buscarmos o reino. Em vez disso, nós estamos envolvidos no projeto de ver a glória do reinado de Cristo sobre todas as coisas ser conhecida por todo o globo. O que significa que nós buscamos o reino ao buscarmos ser usados pelo Rei para ajuntar os eleitos dos quatro cantos do mundo. Nós buscamos o reino ao proclamarmos as boas novas a um mundo perdido e moribundo. Nós buscamos o reino quando o Espírito nos usa para tirar os tições não apenas do fogo, mas do fogo que nunca se apaga.
Nenhum de nós está consciente o bastante do inferno. Se estivéssemos, seríamos marcados tanto por gratidão como por urgência: gratidão pelo nosso próprio resgate, trabalhando com urgência para o resgate de outros. O inferno é real, e o inferno é para sempre.
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Por R. C. Sproul
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Espiritualidade Reformada

Espiritualidade é um tema recorrente nas mentes das pessoas modernas. Com o seu secularismo e materialismo prevalecentes, a cultura moderna tem falhado em satisfazer seus consumidores. Muitos estão se dando conta da veracidade do que disse Moisés aos filhos de Israel: “Não só de pão viverá o homem” (Dt 8.3). Com Cristo, em seu Sermão do Monte, indaga-se: “Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?” (Mt 6.25). O resultado é um novo interesse em descobrir e abraçar com apreço as dimensões interiores e espirituais da vida humana.
O Cristianismo histórico sempre partilhou deste interesse. Fundamental à fé cristã é a convicção de que “Deus é Espírito” (Jo 4.24), e que os seres humanos são criados à imagem de Deus (Gn 1.26,27). Avaliando o estado do homem caído, o apóstolo Paulo declarou que os homens estão “alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração” (Ef 4.18). Cristo mesmo declarou “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3).
O cultivo da vida espiritual se tem direcionado por caminhos diferentes e por tradições cristãs diferentes. O catolicismo romano tem oferecido uma espiritualidade de ritualismo e administração sacramental e, alternativamente, as disciplinas da vida monástica e a busca do misticismo. A tradição metodista wesleiana, o movimento de santidade e, mais recentemente, o pentecostalismo e o movimento carismático têm oferecido uma espiritualidade com menos conteúdo cerimonial ou intelectual e uma grande porção de emoção e subjetivismo.
O problema com grande parte da espiritualidade atual é que ela não está atada solidamente à Escritura e com muita frequência se degenera em misticismo antibíblico. Em contraste, o Cristianismo Reformado tem seguido uma vereda propriamente sua, fortemente determinada por sua preocupação em testar todas as coisas pela Escritura e em desenvolver uma vida espiritual moldada pelos ensinos e diretrizes bíblicos. A espiritualidade reformada é a solidificação da convicção de que “Toda a Escritura é dada por inspiração de Deus e útil para a doutrina, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3.16). Em plena dependência do Espírito Santo, ela almeja empreender o que John Murray chamou de “a piedade inteligente”, unindo o conhecimento bíblico com a piedade profundamente sincera. Dos pregadores, estudiosos e escritores que têm fomentado este tipo de espiritualidade bíblica, nenhum jamais excedeu os puritanos ingleses e seus contemporâneos escoceses e holandeses. Seu legado supera em embasar na Bíblia toda a espiritualidade, a experiência e os afetos.
Hoje se faz extremamente necessária a dupla ênfase de promover a nutrição tanto da mente quanto da alma. De um lado, confrontamos o problema da ortodoxia reformada árida, que possui o ensino doutrinário correto, porém carente da ênfase no viver vibrante e santo. O resultado é que as pessoas se curvam diante da doutrina de Deus sem aquela união vital e espiritual com o Deus da doutrina. Do outro lado, um cristianismo pentecostal e carismático oferece emocionalismo em protesto contra um cristianismo formal e sem vida, porém não está radicado solidamente na Escritura. O resultado é que as pessoas se curvam diante do alimento humano, e não diante do Deus Trino.
Desejo assim encorajar o estudo cuidadoso desta rica herança da reforma, a qual nos move mais profundamente à amizade íntima com Deus, através de nosso Irmão mais velho, o Senhor Jesus Cristo.
Soli Deo Gloria!
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Fonte: trecho do livro "Espiritualidade Reformada" de Joel Beeke.
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5 motivos por que você deve pregar sobre a ira de Deus

O reformador de Genebra João Calvino disse: “A pregação é a exposição pública da Escritura pelo homem enviado de Deus, na qual o próprio Deus está presente em juízo e em graça”. O fiel ministério do púlpito requer a declaração tanto do juízo como da graça. A Palavra de Deus é uma espada afiada de dois gumes, que suaviza e endurece, conforta e aflige, salva e condena.
A pregação da ira divina serve como um pano de fundo negro, que faz o diamante da misericórdia de Deus brilhar mais do que dez mil sóis. É sobre a tela escura da ira divina que o esplendor da sua graça salvadora irradia mais plenamente. Pregar a ira de Deus exibe do modo mais resplandecente a sua graciosa misericórdia para com os pecadores.
Como trombeteiros sobre a muralha do castelo, que anunciam a vinda de uma catástrofe, os pregadores devem proclamar todo o conselho de Deus. Aqueles que ocupam os púlpitos devem pregar por inteiro o corpo de verdade das Escrituras, o que inclui tanto a ira soberana quanto o supremo amor. s não podem pegar e escolher o que querem pregar. Abordar a ira de Deus nunca é algo opcional para um pregador fiel – é um mandato divino.
Tragicamente, a pregação que lida com o juízo iminente de Deus está ausente de muitos púlpitos contemporâneos. Os pregadores se escusam ao falar da ira de Deus, isso quando não se silenciam por completo. Para magnificar o amor de Deus, muitos argumentam, o pregador deve minimizar a sua ira. Mas omitir a ira de Deus significa obscurecer o seu maravilhoso amor. Parece estranho, mas é falta de misericórdia omitir a declaração da vingança divina.
Por que a pregação da ira divina é tão necessária? Primeiro, o caráter santo de Deus a exige. Uma parte essencial da perfeição moral de Deus é o seu ódio pelo pecado. A.W. Pink assevera: “A ira de Deus é a santidade de Deus incitada a agir contra o pecado”. Deus é um “fogo consumidor” (Hebreus 12.29) que “sente indignação todos os dias” (Salmo 7.11) contra os ímpios. Deus “odeia a iniqüidade” (45.7) e se enfurece contra tudo o que é contrário ao seu perfeito caráter. Ele irá, portanto, destruir (5.6) os pecadores no Dia do Juízo.
Todo pregador deve anunciar a ira de Deus, ou irá marginalizar a sua santidade, amor e justiça. Porque Deus é santo, ele está separado de todo pecado e, por conseguinte, em oposição a todo pecador. Porque Deus é amor, ele se deleita na pureza e, por necessidade, odeia tudo aquilo que é profano. Porque Deus é justo, ele deve castigar o pecado que viola a sua santidade.
Segundo, o ministério dos profetas a exige. Os profetas do passado proclamavam com frequência que os seus ouvintes, por causa de sua contínua impiedade, estavam acumulando para si mesmos a ira de Deus (Jeremias 4.4). No Antigo Testamento, mais de vinte palavras são usadas para descrever a ira de Deus, e essas palavras são usadas, em suas várias formas, num total de 580 vezes. De novo e de novo, os profetas falavam com imagens vívidas para descrever a ira de Deus derramada contra a impiedade. O último dos profetas, João Batista, escreveu acerca da “ira vindoura” (Mateus 3.7). De Moisés ao precursor de Cristo, houve um contínuo esforço para alertar os impenitentes do furor divino que os espera.
Terceiro, a pregação de Cristo a exige. Ironicamente, Jesus teve mais a dizer acerca da ira divina do que qualquer outro na Bíblia. Nosso Senhor falou sobre a ira de Deus mais do que falou sobre o amor de Deus. Jesus alertou acerca do “inferno de fogo” (Mateus 5.22) e da “destruição” eterna (7.13) onde há “choro e ranger de dentes” (8.12). Sem rodeios, Jesus foi um pregador do fogo do inferno e da condenação. Os homens nos púlpitos fariam bem em seguir o exemplo de Cristo em sua pregação.
Quarto, a glória da cruz a exige. Cristo sofreu a ira de Deus por todos aqueles que haveriam de invocá-lo. Se não há nenhuma ira divina, não há nenhuma necessidade da cruz, muito menos da salvação das almas perdidas. De que os pecadores precisariam ser salvos? Apenas quando reconhecemos a realidade da ira de Deus contra aqueles que merecem o juízo é que nós descobrimos que gloriosa notícia é a cruz. Muitos ocupantes de púlpito de hoje se vangloriam de terem um ministério centrado na cruz, embora raramente, se é que o fazem, pregam a ira divina. Isso é uma violação da própria cruz.
Quinto, o ensino dos apóstolos a exige. Aqueles que foram diretamente comissionados por Cristo foram incumbidos de proclamar tudo o que ele lhes havia ordenado (Mateus 28.20). Isso requer a proclamação da justa indignação de Deus contra os pecadores. O apóstolo Paulo advertia os descrentes do Deus que aplica ira (Romanos 3.5) e declara que somente Jesus pode nos “livrar da ira vindoura” (1Tessalonicenses 1.10). Pedro escreve sobre o “Dia do Juízo e da perdição dos homens ímpios” (2Pedro 3.7). Judas aborda a “pena do fogo eterno” (Judas 7). João descreve “a ira do Cordeiro” (Apocalipse 6.16). Claramente, os escritores do Novo Testamento reconheceram a necessidade da pregação da ira de Deus.
Os pregadores não devem se esquivar de proclamar o justo furor de Deus contra os pecadores que merecem o inferno. Deus tem um dia determinado no qual ele há de julgar o mundo com justiça (Atos 17.31). Este dia está despontando no horizonte. Assim como os profetas e apóstolos, e como o próprio Cristo, nós também devemos advertir os descrentes deste terrível dia vindouro e compeli-los a correrem para Cristo, o único que é poderoso para salvar.
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Por Steven J. Lawson
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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Entrevista sobre "Profundidade Doutrinária" John Piper e Rick Warren

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terça-feira, 23 de setembro de 2014

A Doutrina da Trindade [05/29]


NAS ESCRITURAS, DESDE A PRÓPRIA CRIAÇÃO, SE ENSINA UMA ESSÊNCIA ÚNICA DE DEUS, QUE EM SI CONTÉM TRÊS PESSOAS

5. Sentido e distinção de termos fundamentais, a saber, substância, consubstancial, essência, hipóstase, Pessoa e Trindade.

Se portanto estes termos não foram inventados temerariamente, devemos acautelar-nos para que não sejamos arguidos de presunçosa temeridade, os repudiando. Prouvera que realmente fossem sepultados, contanto que entre todos esta fé se patenteasse: que o Pai e o Filho e o Espírito são um e único Deus, todavia de modo que o Filho não é o Pai como tal; ou o Espírito, o Filho; ao contrário, que são distintos entre si por determinada propriedade.

Na verdade, não sou de uma intransigência tão categórica que porfie por digladiar por causa de meros palavretes! Pois tomo em consideração que os antigos, de outra sorte a falar destas coisas com muita reverência, não concordam nem entre si, nem ainda a todo tempo consigo próprios, individualmente. Ora, que formas de expressão usadas pelos concílios que Hilário justifica? Com que liberdade por vezes Agostinho62 prorrompe! Quão antagônicos os latinos são dos gregos! Desta diversidade, porém, baste apenas um exemplo. Quando os latinos quiseram traduzir o termo homousious, empregam consubstantiâlis [consubstancial], indicando assim que uma é a substância do Pai e do Filho e dessa forma usando substância por essência. Donde também Jerônimo, da epístola a Damaso, diz ser sacrilégio atribuir três substâncias em Deus, e no entanto que há em Deus três substâncias se achará em Hilário mais de cem vezes!

Quão confuso, porém, se mostra Jerônimo com a palavra hipóstase! Pois quando se referem três hipóstases em Deus, suspeita ele que há veneno escondido embaixo. E se alguém faz uso desta palavra em sentido piedoso, mesmo assim ele não esconde que é uma forma imprópria de falar. Se, afinal, é que haja assim falado sinceramente e não antes diligenciada, cônscia e deliberadamente, por infamar com injusta calúnia aos bispos do Oriente, a quem detestava. Por certo que assevera isto com bem reduzida lucidez: que em todas as escolas profanas, ouvsiva [ousía] outra coisa não era senão hipóstase, o que reiteradamente se refuta pelo uso comum e constante.

Mais comedido e compreensivo é Agostinho63 que, embora afirme ser novel o termo hipóstase aos ouvidos latinos, nesta acepção, contudo, tanto não deprecia aos gregos sua maneira de expressar-se, que até mesmo tolera placidamente aos latinos que passaram a imitar a terminologia grega. E o que também Sócrates escreve a respeito, no livro VI da História Tripartite, leva a isto: que o termo hipóstase foi originalmente aplicado a esta matéria, em moldes improcedentes, pode-se dizer, por homens ignorantes. Aliás, o mesmo Hilário acusa os hereges de grande crime, por- quanto, pela improbidade deles, é forçado a sujeitar ao perigo do discurso humano coisas que fora conveniente que se contivessem na sacralidade das mentes, não dissimulando que isto é fazer coisas impermissíveis, dizer coisas inexprimíveis, presumir coisas não admitidas. Pouco depois, ainda se desculpa longamente porque ousa introduzir termos novos, pois, empregado que haja os designativos de natureza, Pai, Filho e Espírito, acrescenta que tudo quanto se busca além disso ultrapassa o sentido da linguagem, o alcance dos sentidos, a capacidade da inteligência. E, em outro lugar,64 proclama os bispos da Gália bem-aventurados, os quais não haviam elaborado, nem recebido, nem sequer conhecido outra confissão além daquela antiga e mui simples, que havia sido recebida entre todas as igrejas desde o tempo dos apóstolos. Nem é diferente a escusa de Agostinho, de que, em razão da pobreza da linguagem humana em matéria de tão alto importe, esta palavra hipóstase havia sido forçada pela necessidade, não para que se expressasse o que é, mas apenas para que não se passasse em silêncio o fato de que são três o Pai, o Filho e o Espírito.

E, por outro lado, esta sobriedade dos santos varões nos deve advertir, para que não marquemos de imediato, com tanta severidade, como por um estilete censório, aqueles que não se disponham a jurar por palavras concebidas por nós, desde que não façam isto ou por arrogância, ou por mero capricho, ou por maldoso intento; ao contrário, por sua vez, eles próprios ponderem ser levados de quão impiedosa necessidade por assim falarmos, para que, aos poucos, afinal se acostumem a esta relevante forma de expressão. Aprendam também a acautelar-se, para que, ao ter de enfrentar, de um lado, os arianos; de outro, os sabelianos, enquanto se agastam de que a uns e outros se corte a oportunidade de tergiversar, nenhuma suspeita instilem de que são discípulos, seja de Ário, seja de Sabélio.

Ário afirma que Cristo é Deus, porém resmunga que ele foi criado e teve começo. Diz que é um com o Pai, mas, às escondidas, sussurra aos ouvidos dos seus que ele está unido ao Pai como os demais fiéis, se bem que em prerrogativa singular. Digas que ele é consubstancial: terás removido a máscara a um hábil dissimulador e no entanto nada assim acrescentas às Escrituras.

Diz Sabélio que os termos Pai, Filho e Espírito não expressam nenhuma distinção em Deus. Digas que na essência una e única de Deus subsiste uma trindade de pessoas: terás dito em uma palavra o que as Escrituras dizem e terás refreado a loquacidade vazia.

Se todavia a alguns constringe superstição tão inquietante que não suportam estes termos, contudo ninguém poderá agora negar isto, nem ainda que estoure: quando ouvirmos falar de um, devemos entender a unidade de substância; quando ouvimos falar de três em uma essência, denotam-se as pessoas nessa trindade. Quando se confessa isto, sem subterfúgios nem reservas, já não nos detemos mais em questão de palavras. Tenho, porém, de longa data experimentado, e na verdade não poucas vezes, que todos quantos mais pertinazmente litigam acerca de palavras, nutrem peçonha secreta, de sorte que é preferível provocá-los abertamente do que falar de maneira menos explícita para ser-lhes agradável.
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Fonte: As Institutas, Capítulo XIII
Por: João Calvino

Notas
62. Da Trindade, livro V, capítulos 8 e 9.
63. Da Trindade, livro II, capítulo 2.
64. Dos Concílios, 69.
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