domingo, 28 de setembro de 2014

O homem e seus pecados

O pecado aumenta

À medida que os homens crescem em seu estado não regenerado, o pecado ganha terreno subjetiva e objetivamente. Subjetivamente, os desejos naturais do corpo ficam mais fortes; objetivamente, os órgãos físicos para a consecução desses desejos se desenvolvem. Portanto, aqueles desejos subjetivos regidos pelo pecado tornam-se desejos pecaminosos, e os órgãos para a concretização de tais desejos tornam-se instrumentos de pecado.

Assim, Paulo ao ser confrontado pelos mandamentos de Deus que o proibiam de atender àqueles desejos pecaminosos, era tentado mais fortemente a satisfazer a sua lascívia (Rm 7.8). Timóteo é instado: “Foge, outrossim, das paixões da mocidade” (2Tm 2.22). Davi orou para que os pecados da sua mocidade não fossem lembrados e usados contra ele (Sl 25.7).

Tais pecados da mocidade são, muitas vezes, o tormento da velhice (Jó 20.11). Deus costuma permitir que os homens caiam em grandes e reais pecados para lhes despertar a consciência, ou para juízo deles (At 2.36, 37). Deus lhes permite atender aos desejos do próprio coração. E o dominante hábito de pecar assenhoreia-se deles. Os homens endurecem-se no pecado e perdem todo o senso de vergonha. Contudo, ainda há esperança para o pior dos pecadores (1Co 6.9-11; Mt 12.31, 32; Lc 12.10).

Em primeiro lugar, porque a despeito de toda a corrupção da natureza, vários sentimentos, temores, pressentimentos, ou o que foi ensinado ou ouvido nos sermões, podem atiçar a quase extinta “chama celestial” dentro dos homens. Isto é, as noções inatas de bem e mal, certo e errado, recompensas e punições, associadas à noção de que Deus nos pode ver, e de que pode estar disposto a nos ajudar, se apenas não nos aterrorizássemos de encará-lo. Em segundo lugar, Deus opera no homem pelo seu Espírito através de muitos meios externos para que passem a considerá-lo. “Não há Deus, são todas as suas cogitações” (Sl 10.4). Nada do que fazem na religião é para glorificar a Deus (Am 5.25).

A variedade dos modos de Deus

Deus pode começar a sua obra de várias maneiras. Pode começá-la por súbitos e surpreendentes juízos (Rm 1.18; Sl 107.25-28; Jn 1.4-7; Êx 9.28). Pode começá-la por aflição e desastres pessoais (Jó 33.19, 20; Sl 78.34, 35; Os 5.15; 1Rs 17.18; Gn 42.21, 22; Ec 7.14). Pode começá-la por um notável livramento da morte, juntamente com outras grandes manifestações de misericórdia (2Rs 5.15-17).

Pode começá-la pelo testemunho de outros (1Pe 3.1, 2); pode começá-la pela Palavra de Deus (1Co 14.24; Rm 7.7). Entretanto, a despeito de todas essas coisas, os homens nem sempre o percebem porque a mente deles ainda está entenebrecida. Pensam que são bons até onde o podem ser. Amam a popularidade e temem perder os seus amigos. Têm boas intenções que não resultam em nada. Satanás lhes cega o entendimento e estão cheios de paixão por suas concupiscências e prazeres.
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Por John Owen
Fonte: Livro, O Espírito Santo.
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