quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Apenas os Crentes é que São Santificados [02/02]


A fé é essencial à santificação

Aprendemos, portanto, que ninguém é santificado, ninguém é tornado santo, senão os que verdadeiramente creem em Deus por meio de Cristo para a salvação eterna. Isso porque “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6). Essa fé é a fé que “justifica”. Mas a santidade, onde quer que esteja, agrada a Deus. Logo, sem fé, nos é impossível ser santos e agradar a Deus (1Ts 4.3, 7). O nosso Senhor Jesus Cristo disse que os homens são santificados pela fé nele (At 26.18). Se existisse qualquer outro meio pelo qual os homens pudessem ser santificados ou tornados santos, ele não o haveria limitado à “fé em Cristo”. Crer que podemos ser santos sem fé em Jesus é desprezá-lo. A fé é o meio pelo qual se produz a nossa santificação. Assim, onde não existe a fé, não pode haver a operação da santificação em nós (At 15.9; Rm 1.5; 1Pe 1.20-22; Cl 2.12-14; 3.7-11). Toda a graça está, primeiramente, confiada a Jesus Cristo. Por isso precisamos estar unidos a ele, em quem habita toda a plenitude, para podermos dele auferir alguma coisa (Jo 15.4). Para termos uma santificação real, próspera e duradoura temos de começar com fé em Cristo.

A verdadeira santificação renova

A verdadeira santificação é a completa renovação de toda a nossa pessoa, corpo, alma e espírito. O homem foi criado à imagem de Deus. Se o pecado não houvesse entrado, o homem haveria de ter filhos à mesma imagem de Deus, em virtude do pacto da criação. Contudo, ao entrar o pecado, essa imagem, que era a justiça e a santidade da humanidade perante Deus, foi totalmente desfigurada e perdida. Assim, toda a natureza do homem, cada parte dele, tornou-se corrupta. “Era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gn 6.5). Assim, todas as atitudes das pessoas nesse estado e condição são más, sendo obras infrutíferas das trevas. A Escritura inclui o corpo nessa corrupção da natureza humana pelo pecado (Rm 6.19; 3.12-15). Portanto, a santificação tem de ser a renovação de toda a nossa natureza, corpo, alma e espírito, e em especial a mente (Rm 12.2; Ef 4.23; Cl 3.10).

A renovação de toda a nossa natureza

Então, o objeto da santificação do evangelho é toda a nossa natureza. Assim, a nova natureza é denominada de “novo homem” (Ef 4.24). É dado um novo coração. Na Escritura o coração é tomado como toda a alma e todas as suas potencialidades. Portanto, tudo aquilo que é produzido no coração é produzido na alma toda. Um novo coração é, portanto, um coração governado por um novo princípio regente de santidade e obediência a Deus. Assim, a santificação afeta tanto a nossa alma quanto o nosso corpo, liberando toda a sua energia e capacidade para agir de uma santa maneira. A santidade, portanto, habita em todas as partes da alma, preenchendo-a completamente sem deixar nenhuma delas intocada pela sua influência. O corpo também está envolvido na santificação (1Ts 5.23). É-nos dito que o pecado reina em nosso corpo mortal, e que os membros do corpo são servos da injustiça (Rm 6.12, 19). Assim, o corpo também entra na obra de santificação. Mas como? Nossa alma é o primeiro e apropriado sujeito do hábito ou princípio santificador nela infundido. E nosso corpo, como parte essencial da nossa natureza, é também feito participante da santificação. E isto por uma especial influência da graça de Deus sobre ele, pois nosso corpo é membro de Cristo (1Co 6.15). É também feito participante da santificação porque o Espírito Santo nele habita, tornando-o templo seu (1Co 3.16, 17). O resultado é que os membros do corpo tornam-se agora em membros para a justiça (Rm 6.19). A santificação, portanto, não modifica a pessoa em sua natureza ou constituição, mas, moralmente.
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Por John Owen. 
Fonte : Livro, O Espírito Santo. Capítulo 13.
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