sábado, 29 de novembro de 2014

Carta ao Papa Pio IX

A seguinte carta foi transcrita de um esboço manuscrito de Charles Hodge, que a escreveu em nome de duas Assembléias Gerais da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos, para explicar por que motivo declinou-se do convite do Papa aos Protestantes para enviarem delegados ao Primeiro Concílio Vaticano de 1869 a 1870.
A Pio IX, Bispo de Roma.

Pela vossa encíclica, datada de 1869, convidais os protestantes a enviarem delegados para o Concílio convocado a reunir-se em Roma durante o mês de dezembro, do corrente ano. Esta carta foi levada ao conhecimento de duas Assembléias Gerais da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos da América. Estas Assembléias representam cerca de cinco mil ministros e um número bem maior de congregações cristãs.

Crendo, como cremos, que é a vontade de Cristo que a Sua Igreja na terra deva ser unida, e reconhecendo que temos o dever de fazer coerentemente tudo que pudermos para promover a caridade e a comunhão crista, julgamos por certo apresentar resumidamente as razões que nos proíbem de participar nas deliberações do Concílio vindouro.

Não é que tenhamos rejeitado nenhum artigo da fé católica. Não somos heréticos. Recebemos sinceramente todas as doutrinas contidas no Símbolo conhecido como o Credo dos Apóstolos. Consideramos todas as decisões doutrinárias dos primeiros seis concílios ecumênicos como consistentes com a Palavra de Deus, e por causa disso os recebemos como expressão da nossa fé. Cremos portanto na doutrina da Trindade e da pessoa de Cristo conforme expressas nos símbolos adotados pelo Concílio de Nicéia (321 A.D.), nos do Concílio de Constantinopla (381 A.D.), e mais inteiramente nos do Concílio de Calcedônia (451 A.D.). Cremos que há três pessoas na Divindade, o Pai, o Filho, e o Espírito Santo; e estes três são de uma mesma substância e iguais em poder e glória.

Cremos que o Eterno Filho de Deus tornou-se homem ao tomar sobre si um corpo verdadeiro e alma racional, e assim foi e continua a ser, igualmente Deus e homem, em duas naturezas distintas numa pessoa para todo sempre. Cremos que o nosso adorável Senhor e Salvador Jesus Cristo é o profeta que deveria vir ao mundo, em cujos ensinamentos devemos crer, e em cujas promessas, confiar. Ele é o Sumo Sacerdote de quem a infinita satisfação meritória à justiça divina, e intercessão sempre eficaz, é a única base para a aceitação e justificação do pecador diante de Deus.

Reconhecemo-Lo como nosso Senhor não apenas por sermos Suas criaturas, mas por termos sido comprados pelo Seu sangue. À Sua autoridade devemos nos submeter, em Seu cuidado confiar, e todas as criaturas no céu e na terra devem ser consagradas ao Seu serviço.

Recebemos todas aquelas doutrinas concernentes ao pecado, à graça e a predestinação — conhecidas coma Agostinianas — que foram sancionadas não apenas pelo Concilio de Cartago e outros Sínodos provinciais, mas também pelo Concílio Ecumênico de Éfeso (431 AD.), e por Zózimo, bispo de Roma.

Não podemos, por essa causa, ser acusados de heréticos sem que, conjuntamente, se condene toda a antiga igreja.

Tampouco somos cismáticos. Afetuosamente reconhecemos como membros da Igreja visível de Cristo na terra, todos aqueles que, juntamente com seus filhos, professam a verdadeira religião. Não só estamos dispostos, mas também ardentemente desejosos em manter comunhão cristã com eles, desde que não exijam, como condição desta comunhão, que professemos doutrinas que a Palavra de Deus condena, ou que devamos fazer o que ela proíbe. Em todo caso, qualquer igreja que estabelece tais termos antibíblicos para a comunhão, o erro e a falta está nesta igreja, e não em nós.

Embora não declinamos do vosso convite por sermos heréticos ou cismáticos, somos, entretanto, impedidos de aceitá-lo porque adotamos, com uma confiança cada vez maior, os princípios pelos quais nosso pais foram excomungados e amaldiçoados pelo Concílio de Trento, que representou, e ainda representa, Igreja sobre a qual presidis.

O mais importante desses princípios são: primeiro, que a Palavra de Deus, contida nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento é a única e infalível regra de fé e de prática.

O Concílio de Trento, contudo, declarou anátema todo aquele que não recebe o ensinamento da tradição “pari pietatis affectu” (com igual sentimento piedoso) como as próprias Escrituras. Não podemos fazer isso sem incorrer na condenação que nosso Senhor pronunciou contra os fariseus que invalidavam a Palavra de Deus pelas tradições deles (Mt. 15:6). Em segundo lugar, o direito de julgamento individual. Quando abrimos as Escrituras, descobrimos que elas são voltadas paraas pessoas. Elas falam conosco. Somos ordenados a buscá-las (Jo 5:39), a crer no que elas ensinam.

Somos pessoalmente responsáveis pela nossa fé. O apóstolo nos ordena a denunciar como anátema, apóstolo ou anjo descido do céu que ensine qualquer coisa contrária à Palavra de Deus divinamente autenticada (Gal.1:8). Ele nos tornou juizes, colocando em nossas mãos o preceito do julgamento, e nos fez responsáveis pelos nossos julgamentos.

Ainda mais, encontramos que o ensinamento do Espírito Santo foi prometido por Cristo não apenas ao clero, muito menos a uma específica ordem clerical, mas a todos os crentes. Está escrito: “E serão todos ensinados por Deus”. O apóstolo João diz aos crentes: E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento [...] Quanto a vós outros, a unção que dEle recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, com a Sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nEle, como também ela vos ensinou” (1 João 2:20,27).

Este ensinamento do Espírito autentica a si mesmo, como o mesmo apóstolo nos ensina, quando diz; : “Aquele que crê no Filho de Deus tem, em si, o testemunho” (1 João 5:10).

Não vos escrevi porque não saibais a verdade: antes, porque a sabeis e porque mentira alguma jamais procede da verdade” (1 João 2:21). O julgamento particular, é, portanto, não apenas um direito, mas um dever, do qual homem algum pode isentar-se a si mesmo, ou ser desobrigado por outros.

Cremos, em terceiro lugar, no sacerdócio universal dos crentes, isto é, todos os crentes têm através de Cristo acesso ao Pai em um Espírito (Ef 2:18); para que possamos nos achegar com ousadia ao trono da graça, para alcançarmos misericórdia e encontrar graça para socorro em tempo de necessidade (Hb.4:16); “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela Sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura” (Hb. 10:19-22).

Admitir, portanto, o sacerdócio do clero, como intervenção necessária para nos assegurar a remissão do pecado e outros benefícios da redenção de Cristo, é renunciar ao sacerdócio de nosso Senhor, ou a suficiência deste sacerdócio em nos assegurar a reconciliação com Deus. Em quarto lugar, negamos a perpetuidade do apostolado. Assim como nenhum homem poder ser apóstolo sem o Espírito de profecia, também nenhum homem pode ser apóstolo sem os dons de apóstolo. Tais dons, como aprendemos pela Escritura, eram o conhecimento plenário da verdade derivada de Cristo pela revelação imediata (Gal.1:12), e infalibilidade pessoal como mestres e legisladores. Paulo nos ensina quais eram os selos do apostolado, quando diz aos Coríntios: “Pois as credenciais do apostolado foramapresentadas no meio de vós, com toda persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos” (2Cor. 12:12). Não podemos nos submeter a prelados que reivindicam ser apóstolos, e que requerem a mesma confiança em seus ensinamentos, e a mesma submissão à sua autoridade, como a que é devida aos inspirados mensageiros de Cristo. Isto seria conceder a homens falíveis a submissão devida somente à Deus ou aos seus mensageiros divinamente autenticados e infalíveis.

Muito menos podemos reconhecer o Bispo de Roma como o vigário de Cristo sobre a terra, coberto da autoridade que Cristo exerceu sobre a Igreja e o mundo, quando aqui esteve encarnado.

É patente que ninguém que não tenha os atributos de Cristo não pode ser o vigário de Cristo. Considerar o Bispo de Roma como vigário de Cristo, é, portanto, reconhecê-lo virtualmente como divino. Devemos permanecer firmes na liberdade com que Cristo nos libertou. Não podemos ser despojados da nossa salvação por colocarmos um homem no lugar de Deus; concedendo a alguém semelhante a nós, o controle interior e exterior de nossa vida, o que é devido unicamente Àquele em quem estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, e em quem habita a plenitude da Divindade.

Poder-se-iam assinalar outras razões, igualmente compulsórias, pelas quais não podemos, de boa consciência, ser representados no Concílio proposto. Entretanto, como o Concilio de Trento, cujos cânones ainda vigoram, declarou maldito todo aquele que crê nos princípios enumerados acima, nada mais é necessário para demonstrar qual a razão por que declinamos do vosso convite.

Conquanto não possamos voltar à comunhão com a Igreja de Roma, desejamos viver em caridade com todos os homens. Amamos todos aqueles que sinceramente amam ao nosso Senhor Jesus Cristo. Consideramos como irmãos em Cristo todos aqueles que O adoram, O amam, e O obedecem como seu Deus e Salvador; e esperamos estar juntos no Céu com todo aquele que juntamente conosco na terra, declara:

“Àquele que nos ama, e, pelo Seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o Seu Deus e Pai, a Ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém” (Ap.1:6).

Assinado em nome das duas Assembléias Gerais da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos da América,

Charles Hodge.
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Fonte: Monergismo
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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Doutrina da Depravação Total com base em Êxodo 20

Culto em Ação de Graças ao Senhor pela Reforma Protestante em 1517 e pelos 155 anos da IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil). Culto realizado pelo Presbitério Metropolitano de Goiânia, em 31/11/2014, na Igreja Presbiteriana Maranatha, Goiânia, GO.


Rev. Augustus Nidocemus Lopes
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Se o cristianismo for falso...


C. S. Lewis disse certa vez algo que tem sido esquecido hoje:
“O cristianismo se for falso, não tem importância nenhuma, e se for verdadeiro, tem uma importância infinita. A única coisa que ele não pode ser é moderadamente importante”.
Em um mundo onde tudo gira em torno de auto-proteger-se, se promover, se preservar, divertir-se, se consolar, cuidar de si mesmo... Jesus disse: “Negue-se!... Morra!... Mate-se!...” – Em algum ponto do caminho, em meio a muitas marés culturais e populares, minimizamos o chamado de Cristo ao abandono total de nós mesmos.

Com a intenção de alcançar o máximo possível de pessoas, temos de maneira sutil, enganosamente, mas sistematicamente, minimizado a magnitude do que significa seguir a Cristo. Substituímos as palavras desafiadoras de Cristo por frases banais na pregação de nossos dias. As consequências são catastróficas... multidões de homens e mulheres, neste instante, acham que são salvos de seus pecados e não são. Milhões pensam que são cristãos e não são... Discípulos como Pedro, Tiago, João... nos mostram que o chamado a seguir a Cristo não é aceitar um convite, fazer uma oração... é uma convocação para perder a vida: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará.” - Lucas 9:23-24

Honestamente olhemos para o teste que João, o apóstolo do amor, nos convoca a fazer em sua Primeira carta:

1) Se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos nas trevas –então... mentimos, e não praticamos a verdade – 1 João 1.6.

2) Se andarmos na luz, como Ele está na luz – então... temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado – 1 João 1.7

3) Se dissermos que não temos que não temos pecado – então... enganamos a nós mesmos e a verdade não está em nós – 1 João 1.8

4) Se confessarmos os nossos pecado – então... Ele é fiel e justo par nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça – 1 João 1.9

5) Se dissermos que não temos pecado – então... o fazemos mentiroso, e a sua palavra não está em nós. 1 João 1.10

6) Não pequeis.. mas Se alguém pecar – então... temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo – 1 João 2.1

7) Se guardamos os seus mandamentos – então... sabemos que o conhecemos de fato – 1 João 2.3

8) Se alguém diz: eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos –então... é mentiroso, e nele não está a verdade – 1 João 2.4

9) Se alguém ama o mundo – então... o amor do Pai não está nele – 1 João 2.15

10) Se fossem dos nossos (Regenerados) – então teriam permanecido – 1 João 2.19

11) Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes – então permanecereis no Filho e no Pai – 1 João 2.24

12) Se sabeis que ele é justo – então sabeis que aquele que pratica a justiça é nascido dele – 1 João 2.19

Poderíamos continuar indefinidamente olhando a seriedade do que é ter nascido de novo. Ou se de fato nascemos de novo. João diz: “ TODO aquele que é nascido de Deus vence o mundo!” – 1 João 5.4 – Mas vamos encerrar com um “se” do apóstolo Paulo: “Se alguém não ama o Senhor Jesus Cristo, seja maldito (anátema) – 1 Coríntios 16.22.

O critério é amar como Senhor!! E a única alternativa a este amor a Cristo como SENHOR, é a condenação. Paulo poderia ter dito: “Se alguém não tiver fé em Jesus seja anátema” – Mas, em vez disso, ele fala de amor a Cristo e as implicações disso são tremendas. Uma primeira lição é de que a verdadeira fé não é um ato momentâneo e fugaz... um vai e volta... mas um compromisso com Cristo que resulta em uma ligação permanente com Ele.Ele não recebe lealdade dividida – Como vimos, João disse: “E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.” - 1 João 2:3-4 ou – “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” -1 João 2:15 – 

É um compromisso total no amor e devoção porque descobrimos nele o que exige todo o nosso ser. Fé salvadora significa SENHORIO absoluto de Cristo, e é significativo que é o título de SENHOR que Paulo empurra para o primeiro plano quando fala do verdadeiro amor a Cristo – “Se alguém não ama o SENHOR...” – Não ama o senhorio absoluto de Cristo, (o negar a si mesmo, o amar a obediência irrestrita, o não amar o mundo...) seja maldito.”
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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A Bethlehem Baptist Church e sua posição sobre a homossexualidade


Em vista das recentes ações da Corte Suprema com respeito às leis sodomitas, e das controvérsias sobre bispos homossexuais em atividade na denominação Episcopal e Anglicana, é importante apresentar novamente a posição da Igreja Batista Belém, que os presbíteros estabeleceram no outono de 1992. Eu esbocei esta declaração com a ajuda de Joe Hallet, que saiu de uma vida homossexual pelo poder de Cristo e viveu fielmente com AIDS, e eventualmente com sua esposa, até sua morte em 1997.

Crenças Sobre o Comportamento Homossexual e o Ministério com Pessoas Homossexuais

Nossa afirmação de que a Bíblia é a infalível Palavra de Deus com "suprema autoridade em todos os assuntos de fé e conduta", e nossa afirmação de que "um Cristão deve viver para a glória de Deus", incluem as seguintes seis crenças sobre a heterossexualidade e homossexualidade:

1. Cremos que a heterossexualidade é a vontade revelada de Deus para a humanidade e que, visto que Deus é amor, uma casta e fiel expressão desta orientação (seja a pessoa solteira ou casada) é o ideal para o qual Deus chama todo o Seu povo.

2. Cremos que uma orientação homossexual é resultado da queda da humanidade numa condição pecaminosa, que permeia toda e qualquer pessoa. Não importa quais raízes biológicas ou familiares possam ser descobertas, não cremos que estas sancionem ou escusem o comportamento homossexual, embora elas possam aprofundar nossa compaixão e paciência para com aqueles que estão lutando para se livrar das tentações sexuais.

3. Cremos que há esperança para a pessoa com uma orientação homossexual, e que Jesus Cristo oferece uma cura alternativa na qual o poder do pecado é quebrado e a pessoa é livre para conhecer e experimentar sua verdadeira identidade em Cristo, e na comunhão de Sua Igreja.

4. Cremos que esta liberdade é adquirida através de um processo que inclui o reconhecimento do comportamento homossexual como pecado, renunciando a prática do comportamento homossexual, redescobrindo amizades saudáveis e não-eróticas com pessoas do mesmo sexo, abraçando um estilo de vida sexual moral, e na era porvir, levantando-se dos mortos com um novo corpo livre de todo impulso pecaminoso. Este processo é paralelo ao processo similar de santificação, necessário no tratamento de tentações heterossexuais também. Cremos que esta liberdade vem através da fé em Jesus Cristo, pelo poder do Seu Espírito.

5. Cremos que todas as pessoas foram criadas à imagem de Deus e que devem ser tratadas com dignidade humana. Cremos, portanto, que o assédio odioso, atemorizante e indiferente deve ser repudiado. Cremos que este respeito para com pessoas com uma orientação homossexual envolve um compartilhamento de fatos honestos, fundamentados e não-violentos, com respeito à imoralidade e responsabilidade do comportamento homossexual. Por outro lado, endossar um comportamento que a Bíblia desaprova, põe em perigo as pessoas e desonra a Deus.

6. Cremos que as igrejas Cristãs devem estender a mão em amor e verdade para ministrar às pessoas tocadas pela homossexualidade, e que aqueles que contendem biblicamente contra sua própria tentação sexual, devem ser pacientemente assistidos em sua batalha, não banidos ou desprezados. Contudo, quanto mais proeminente o papel de liderança ou de uma pessoa exemplar for sustentado numa igreja ou instituição da conferência, mais altas serão as expectativas para os ideais de obediência e integridade sexual estabelecidos por Deus. Afirmamos que tanto as pessoas heterossexuais como homossexuais devem encontrar ajuda na igreja, para ajudá-los na batalha bíblica contra todos pensamentos e comportamento sexuais impróprios.
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Pastor John Piper
06 de Agosto de 2003

Fonte: Monergismo
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O que significa buscar ao Senhor?


Meditação no Salmo 105:4

Mas não estão seus filhos sempre na sua presença? Sim e não. Sim, em dois sentidos: Primeiro, no sentido de que Deus é onipresente e, portanto, sempre perto de tudo e de todos. Ele mantém tudo que existe. Seu poder está sempre presente em sustentar e governar todas as coisas.

E, segundo, sim, ele está sempre presente com seus filhos no sentido da sua promessa da aliança a sempre estar do nosso lado e trabalhar por nós e transformar tudo para o nosso bem. "Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28:20).

Mas há um sentido em que a presença de Deus não está conosco sempre. Por esta razão, a Bíblia repetidamente nos convoca a "buscar o Senhor ... buscai a sua presença continuamente". A manifestação de Deus, consciente, presença confiável não é a nossa experiência constante. Há épocas em que nos tornamos negligentes ao Senhor e nem sequer pensamos nele e não colocamos a confiança nele e nós o encontramos "imanifestado", isto é, despercebido como grande e belo e valioso pelos olhos dos nossos corações.

Seu rosto — o brilho de seu caráter pessoal está escondido atrás da cortina de nossos desejos carnais. Esta condição está sempre pronta para nos alcançar. É por isso que nos é dito para "buscar a sua presença continuamente." Deus chama-nos a desfrutar da consciência continua de sua suprema grandiosidade e beleza e valor.

Isto acontece através da "busca". Busca contínua. Mas o que isso significa na prática? Tanto o Antigo e Novo Testamentos dizem que é um "ajuste da mente e do coração" em Deus. É a fixação consciente ou foco de atenção da nossa mente e a afeição do nosso coração em Deus.

"Disponde, pois, agora o vosso coração e vossa almapara buscardes ao Senhor vosso Deus." (1 Cronicas 22:19)

"Portanto, se já, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que que são da terra. "(Colossenses 3:1-2)

Este ajuste da mente é o oposto do acostamento mental. É uma escolha consciente para dirigir o coração para Deus. Isto é o que Paulo ora pela igreja: "Ora, o Senhor encaminhe os vossos corações na caridade de Deus e na paciência de Cristo" (2 Tessalonicenses 3:5). É um esforço consciente de nossa parte. Mas aquele esforço para buscar a Deus é um dom de Deus.

Nós não fazemos esse esforço mental e emocional para buscar a Deus porque ele está perdido. Isso faríamos para procurar uma moeda ou uma ovelha. Mas Deus não está perdido. No entanto, há sempre algo através do qual ou em torno do qual devemos ir para encontrá-lo conscientemente. Este atravessando ou passando ao redor é o que busca significa. Ele frequentemente está escondido. Velado. Precisamos ir através de mediadores e obstáculos.

Os céus proclamam a glória de Deus. Assim, podemos procurá-lo através disso. Ele se revela em sua palavra. Assim, podemos procurá-lo através disso. Ele mostra-se a nós nas evidências da graça em outras pessoas. Assim, podemos procurá-lo através disso. A busca é o esforço consciente para obter através de um meio natural ao próprio Deus—para constantemente ajustar as nossas mentes a Deus em todas as nossas experiências, para dirigir nossas mentes e corações em direção a ele através dos meios de sua revelação. Isto é o que significa buscar a Deus.

E há obstáculos intermináveis que temos que contornar a fim de vê-lo claramente, para que possamos estar na luz de sua presença. Devemos fugir toda atividade espiritualmente torpe. Devemos fugir dela e contorna-la. Está bloqueando nosso caminho.

Nós sabemos o que nos torna vitalmente sensível as aparições de Deus no mundo e na palavra. E nós sabemos o que nos entorpece e nos cega e nos faz nem mesmo se quer procurá-lo. Devemos nos afastar dessas coisas e contorná-las se quisermos ver a Deus. Isso é o que buscar a Deus envolve.

E enquanto nós direcionamos nossas mentes e corações direcionados à Deus em todas as nossas experiências, clamamos a ele. Isso também é o que buscar a ele significa.

"Buscai ao Senhor enquanto se pode achar; invocai-o enquanto está perto" (Isaías 55:6)

"Se buscares a Deus eimplorares ao Todo-Poderoso misericórdia..." (Jó 8:5)

Buscar envolve chamado e súplica. Ó Senhor, abre os meus olhos. Ó Senhor, abre a cortina da minha própria cegueira. Senhor, tem piedade e revele-se a si mesmo. Desejo muito ver a sua face.

O grande obstáculo em buscar ao Senhor é o orgulho. "No orgulho do seu rosto o ímpio não o busca (Salmos 10:4). Portanto, a humildade é essencial para buscar o Senhor.

A grande promessa para aqueles que buscam o Senhor é que ele será encontrado. "Se o buscares, ele será achado de ti." (1 Crônicas 28:9). E quando ele for encontrado, há grande recompensa. "Aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos o que o buscam" (Hebreus 11:6). O próprio Deus é a nossa maior recompensa. E quando o temos, temos tudo. Portanto, "Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua presença continuamente!"
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By John Piper. ©2014 Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org
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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Culto na Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia

Momento : Domingo: Culto Matutino 
Data: 23/11/2014 
Pregador : Rev. Augustus Nicodemus Lopes 

Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados.
Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; 
E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; 
Para que nenhuma carne se glorie perante ele. 
Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; 
Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor. 

1 Coríntios 1:26-31


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A Doutrina da Trindade [16/29]


NAS ESCRITURAS, DESDE A PRÓPRIA CRIAÇÃO, SE ENSINA UMA ESSÊNCIA ÚNICA DE DEUS, QUE EM SI CONTÉM TRÊS PESSOAS

16. A unidade de Deus à luz do batismo

Entretanto, uma vez que Deus se revelou mais claramente na vinda de Cristo, também se fez assim mais familiarmente conhecido em três pessoas. Contudo, dentre muitos testemunhos, nos é suficiente este único. Ora, Paulo [Ef 4.5] vincula este três: Deus, Fé e Batismo, de tal modo que de um arrazoa em relação ao outro, isto é, visto que há uma só fé, daí demonstra que há um só Deus; visto que há um só batismo, daí também demonstra que existe uma só fé. Portanto, se mediante o batismo somos iniciados na fé e religião de um só Deus, necessário nos é ter pelo Deus verdadeiro esse em cujo nome somos batizados.

Aliás, não resta dúvida que, ao dizer: “Batizai-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” [Mt 28.19], Cristo, mediante esta solene injunção, desejava testificar que a perfeita luz da fé já então se manifestara, visto que, na realidade, isto equivale exatamente a serem eles batizados no nome de um só e único Deus, o qual, em plena evidência, se mostrou no Pai, no Filho e no Espírito. Do quê se faz meridianamente claro que na essência de Deus residem três pessoas, nas quais, todavia, se conhece um só e único Deus.

E, naturalmente, como a fé não deve lançar a vista à sua volta, a olhar para cá e para lá, nem correr a esmo em direções diversas, ao contrário, deve mirar unicamente a Deus, volver-se unicamente para ele, a ele apegar-se, disto se conclui facilmente que, caso haja variados gêneros de fé, necessário se faz que também haja muitos deuses.

Ora, visto que o batismo é o sacramento da fé, ele nos confirma a unidade de Deus partindo do fato de que ele é um só e único. Daqui também se conclui que não é permissível batizar-se a não ser no Deus único, uma vez que abraçamos a fé pró- pria daquele em cujo nome somos batizados. Portanto, quando ordenou que se batizasse em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, o que Cristo quer dizer senão que, mediante uma fé una e indizível, deve-se crer no Pai, e no Filho, e no Espírito? Aliás, que outra coisa claramente se atesta aqui senão que Pai, Filho e Espírito são o Deus único? Dessa forma, como isto fica estabelecido, a saber, que há um único Deus, e não muitos, concluímos que o Verbo e o Espírito nada mais são do que a própria essência de Deus.

E, com efeito, mui nesciamente os arianos parolavam em delírio, dizendo que, confessando a divindade do Filho, lhe recusavam a substância de Deus. Tampouco uma raiva diferente afligia os macedônios, os quais, pelo termo Espírito, queriam que se entendessem apenas os dons da graça derramados sobre os homens. Ora, como dele procedem a sabedoria, o entendimento, a prudência, o poder, o temor do Senhor, assim ele é o próprio Espírito de sabedoria, de prudência, de poder, de piedade. Tampouco está ele dividido em conformidade com a distribuição das graças; antes, por mais variadamente que essas sejam distribuídas, contudo ele permanece “o mesmo e um só”, diz o Apóstolo [1Co 12.11].
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Fonte: As Institutas. Volume I, capítulo XIII
Por: João Calvino
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terça-feira, 25 de novembro de 2014

A Nossa Batalha Espiritual - 9ª mensagem

Como Vencer a Luta Espiritual?


Por Leandro Lima
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Qualificações dos Presbíteros: Tem domínio de si

antes, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si Tt 1:8
Introdução

Qualificação muito parecida com temperante, de 1 Timóteo, mas a palavra é outra. Aliás, essa palavra só aparece aqui neste versículo em todo o Novo Testamento. É uma palavra que significa forte, poderoso.

Grego

• Em Tito εγκρατηζ - egkrates

Strongs - forte, robusto, que tem poder sobre, possuído de (algo), que domina, controla, modera, restringe, que se controla, temperado, continente.

Rienecker e Rogers auto-controle. Significa completo auto-domínio, que controla todos os impulsos apaixonados e mantém a vontade leal à vontade de Deus.

Outras versões

Outras traduções do mesmo termo em português:
Almeida Revista e Atualizada (ARA)que tenha domínio de si
Nova Versão Internacional(NVI)tenha domínio próprio
Almeida Revista e Corrigida(ARC)temperante
Nova Tradução na Linguagem de Hoje(NTLH)disciplinado
Tradução Brasileira(TB)que se governe a si mesmo

Comentários

• Broadman – (-)
• D. A. Carson (-)
• Jamieson, Fausset e Brown "Alguém que tem suas paixões, língua, mãos e olhos, sob controle" [Crisóstomo]; "continente".
• João Calvino (-)
• John Gill no comer e beber; continente nas luxúrias da carne; e até mesmo se privando das coisas que poderiam ser usadas legitimamente, entretanto que não convém, por causa do fraco, da paz da igreja e da glória de Deus.
• John MacArthur (-)
• Matthew Henry vem de uma palavra que significa força e denota alguém que tem poder sobre seus apetites e afeições, ou, em coisas legítimas, pode, para bons fins, restringir-se e refrear-se.
• New American Commentary Ele deve ser "disciplinado" (egkrate). Esta característica final também conclui a lista de frutos do Espírito de Paulo em Gal 5:23. O termo denota "poder de senhorio - sobre a si mesmo ou sobre alguma coisa".
• William MacDonald Quanto a ele mesmo, deve ter domínio de si. É a isso que Paulo se referia em Gálatas 5:22-23: "O fruto do Espírito é (...) domínio próprio". Isso significa que a pessoa tem sob controle toda paixão e apetite para obedecer a Cristo. Embora o poder para isso possa vir apenas do Espírito Santo, deve haver disciplina e cooperação da parte do cristão.
Conclusão

Não há muita diferença entre essa qualificação e o temperante de 1 Tm 3:2. Aparentemente Paulo usou uma palavra que é um sinônimo, mas a intenção era a mesma. O presbítero é alguém controlado, capaz de se refrear, se dominar. Como dizem Rienecker e Rogers, "significa completo auto-domínio, que controla todos os impulsos apaixonados e mantém a vontade leal à vontade de Deus".

Notas
Comentário Bíblico Popular – Novo Testamento – William MacDonald – Ed. Mundo Cristão
The Broadman Bible Commentary – Broadman Press
The MacArthur Bible Commentary – Thomas Nelson Publishers
Bíblia OnLine 3.00 – SBB
Definindo o que são presbíteros – artigo de D.A.Carson - http://www.bomcaminho.com/dac001.htm
The New American Commentary – Broadman Press
Chave Linguística do Novo Testamento Grego – Ed. Vida Nova

Tradução (onde necessário): Juliano Heyse
Fonte: Bom Caminho
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O que rege o mundo é a providência, não o acaso, nem a sorte


Para que melhor se patenteie esta diferença, deve-se ter em conta que a providência de Deus, como ensinada na Escritura, é o oposto de sorte e dos acontecimentos atribuídos ao acaso. Ora, uma vez que, em todos os tempos, geralmente se deu a crer, e ainda hoje a mesma opinião avassala a quase todos os mortais, a saber, que tudo acontece por obra do acaso, aquilo que se devera crer acerca da providência, certo é que não só é empanado por esta depravada opinião, mas inclusive é quase sepultado em trevas.

Se alguém cai nas garras de assaltantes, ou de animais ferozes; se do vento a surgir de repente sofre naufrágio no mar; se é soterrado pela queda da casa ou de uma árvore; se outro, vagando por lugares desertos, encontra provisão para sua fome; arrastado pelas ondas, chega ao porto; escapa milagrosamente à morte pela distância de apenas um dedo; todas essas ocorrências, tanto prósperas, quanto adversas, a razão carnal as atribui à sorte. Contudo, todo aquele que foi ensinado pelos lábios de Cristo de que todos os cabelos da cabeça lhe estão contados [Mt 10.30], buscará causa mais remota e terá por certo que todo e qualquer evento é governado pelo conselho secreto de Deus.

E quanto às coisas inanimadas, por certo assim se deve pensar: embora a cada uma, individualmente, lhe seja por natureza infundida sua propriedade específica, entretanto não exercem sua força senão até onde são dirigidas pela mão sempre presente de Deus. Portanto, nada mais são do que instrumentos aos quais Deus instila continuamente quanto quer de eficiência e inclina e dirige para esta ou aquela ação, conforme seu arbítrio. De nenhuma criatura é a força mais admirável ou mais destacada do que a do sol. Pois, além de iluminar com seu fulgor a todo o orbe, quão ingente é que, com seu calor, nutre e vitaliza a todos os seres animados; com seus raios insufla fecundidade à terra; acalentadas no seio desta são as sementes; daí retira herbescente verdura, a qual, mantida por novos elementos, faz crescer e fortalece, até que se eleve em hastes; que nutre de contínuo e tépido alento, até que a flor cresça, e da flor o fruto; que ainda então, sazonando, conduz ao amadurecimento; que, de igual modo, árvores e vides, por ele acalentadas, primeiro despontam em brotos e se cobrem de folhas, depois emitem floração, e de floração geram o fruto? 

Mas o Senhor, para que a si reivindicasse o pleno louvor de tudo isso, não só quis que, antes que criasse o sol, existisse a luz; mais ainda: que a terra fosse repleta de toda espécie de ervas e frutos (Gn 1.3, 11, 14). Portanto, o homem piedoso não fará do sol a causa quer principal ou necessária destas coisas que existiram antes da criação do sol, mas apenas o instrumento de que Deus se serve, porque assim o quer, já que pode, deixado este lado, agir por si mesmo com nenhuma dificuldade. Quando, além disso, lemos em duas ocasiões, que às preces de Josué o sol se deteve em um grau (Js 10.13), e que, em atenção ao rei Ezequias, sua sombra retrocedeu dez graus (2Rs 20.11; Is 38.8), com estes poucos milagres Deus testificou que não é por cego instinto da natureza que o sol nasce e se põe diariamente, mas porque ele próprio, para renovar a lembrança de seu paterno favor para conosco, governa seu curso. Nada é mais natural do que sucedam, cada um por sua vez, a primavera ao inverno, o verão à primavera, o outono ao verão. Com efeito, nesta seqüência observa-se diversidade tão grande e tão desigual, que transparece facilmente que os anos, os meses e os dias, um a um, são governados por nova e especial providência de Deus. 
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Por João Calvino
Fonte : As Institutas, volume 1. Capítulo XVI
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domingo, 23 de novembro de 2014

Como não ler a Bíblia!


Em sua carta aos Filipenses Paulo faz uma declaração incrível: “Posso todas as coisas... posso tudo...” – O que Paulo quer dizer com isso?

Quando diz isso é claro que ele não está dizendo, por exemplo, que ele pode voar como um pássaro, viver sob a água como um peixe... Ele não está dizendo que pode ir até o cemitério da cidade e levantar todos os mortos, que pode ir até a lua... Não está dizendo que pode viver sem o descanso necessário, ou que pode ganhar o Império Romano para Cristo, não está dizendo que pode pintar como Leonardo da Vinci, compor como Mozart, esculpir como Rodin, cantar como Freddie Mercury, correr como Isaim bolt, escrever como Shakespeare, teorizar como Newton...

O que Paulo está dizendo não está relacionado a nada disso. Ele não está ensinando a “reivindicar” algo a Deus. Usando textos assim líderes manipulam membros da igreja. Não é o pensamento do tipo – “Você pode realizar isso, você pode tudo em Deus... podemos todas as coisas... é o que Deus disse...” – Isso é horrível, degradante, manipulador e engano fatal.

Paulo não podia fazer tudo o que ele queria. Ele estava preso ao escrever esta carta. Ele não podia se libertar da prisão. Não podia arrebentar as cadeias em seus pulsos e tornozelos, evitar que os chicotes marcassem suas costas... Ele não podia ordenar que o anjo que tirou Pedro da cadeia o tirasse também. Ele não podia remover o espinho em sua carne. Ele que sofreu naufrágios, não podia simplesmente sair andando sobre as águas. Não podia ordenar o Mediterrâneo que se acalmasse. Ele não podia com um gesto calar a boca dos falsos líderes hereges gálatas que estavam destruindo aquela igreja, ele não podia ordenar que o Império Romano não o condenasse a morte... Ele não podia muitas coisas e o texto ficaria longo se mencionássemos tudo.

Este texto então, é um bom exemplo de como a Bíblia deve ser lida e de como a Bíblia não deve ser lida. Não se pode pegar uma única promessa em toda Bíblia, uma única declaração, ou testemunho de um apóstolo... fora do seu contexto. O entendimento de algo tão simples já faria uma diferença gigantesca em nossa geração cheia de heresias e enganos.

O que Paulo estava ensinando? Seu contexto, o lugar onde Paulo põe esta verdade, é quando ele está falando de abundância e também de momentos de necessidades, de estar bem alimentado ou estar passando fome... Paulo tinha aprendido a se contentar com o que Deus queria para sua vida. “Eu posso viver esta situação”, Paulo está dizendo. “Eu não vou ficar amargo... não vou ficar paralisado... foi continuar proclamando a glória de Cristo nesta situação...” Tudo que Deus atribuiu a ele, Paulo pode responder de uma maneira em que Deus fosse honrado.

Deus é surpreendente, Ele pode e tem o prazer de promover o evangelho e sua glória, seja pela vida curta de Estevão ou pela longa vida do apóstolo João. Sua vontade será feita. Paulo então está dizendo: “Eu aprendi o segredo de enfrentar muita abundância ou severa fome, pois posso todas as coisas naquele que me fortalece”. Ele está dizendo que nessas situações ele era capacitado a viver em contentamento como um filho de Deus, em paz e comunhão com Deus, realizando o Seu propósito, em todas as circunstâncias em que Deus se agradasse em colocá-lo. Quaisquer que fossem as tentações, provações, pressões sobre seu frágil corpo ou mente, em meio a qualquer aflição, ou sucesso e prosperidade, com todas as tentações que isso possa trazer... ou acorrentado numa cela úmida, ou se estava em um navio afundando no Mediterrâneo... que por meio de Cristo, ele poderia realizar o propósito de Deus em todas essas circunstâncias, mostrando como um filho de Deus enfrenta todas essas coisas sem se desviar do único propósito da existência que é em tudo glorificar a Deus.

“Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.” - Filipenses 4:12-13
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Pneumatologia Reformada de verdade! Definições e desafios contemporêneos


O que é ser "reformado"?

A primeira questão com a qual nos defrontamos ao abordar o tema desse pequeno ensaio é a de definir exatamente sobre o que estamos falando. O nosso assunto gira em torno da compreensão reformada sobre a pessoa e a obra do Espírito Santo. Mas, o que queremos dizer por "reformada"? 

Não existe unanimidade entre os que se consideram herdeiros da Reforma protestante quanto ao sentido do termo. Historicamente, o termo "reformados" foi usado a princípio indistintamente para todos os protestantes, calvinistas, luteranos e zwinglianos. Com as controvérsias entre eles sobre a Ceia, "reformados" passou a designar zwinglianos e calvinistas somente, em contraponto aos luteranos. E com o arrefecimento da importância de Zwinglio no cenário protestante, "reformados" passou a designar os calvinistas. Portanto, é historicamente correto afirmar que um entendimento reformado sobre o Espírito Santo tem a ver primaria e basicamente com a teologia calvinista sobre o Espírito Santo. Hoje em dia, muitas igrejas e denominações se utilizam do nome "reformada", mesmo que já tenham abandonado em grande medida partes fundamentais da teologia calvinista, inclusive a pneumatologia. O mesmo acontece com alguns pastores que consideram-se reformados apesar do fato de que não são calvinistas em sua doutrina. Assim, embora para alguns hoje ser reformado seja pertencer a uma igreja que historicamente descende da reforma protestante, ou ainda manter o espírito reformista que marcou os reformadores, é mais exato dizer que o conceito está ligado às principais convicções doutrinárias dos reformadores, particularmente às de João Calvino.

Consequentemente, uma pneumatologia reformada é necessariamente aquela adotada pelas igrejas que são herdeiras do Cristianismo bíblico. É uma pneumatologia originada nas Escrituras e defendida por Agostinho, Calvino, e os puritanos, tendo sua expressão adequada nas confissões de fé reformadas. É uma pneumatologia derivada de uma leitura das Escrituras a partir dos pressupostos principais que guiaram esses homens, a começar com o alto apreço pelas Escrituras como Palavra de Deus, inspirada e infalível, e única regra de fé e prática da Igreja. À luz desta visão podemos definir pneumatologia reformada como sendo aquela compreensão da pessoa e da obra do Espírito Santo que parte da revelação divina grafada nas Escrituras, lida e interpretada da ótica da hermenêutica reformada, tendo como alvo a glória de Deus e o avanço do seu reino neste mundo.

Se considerarmos que apenas os que se mantém leais aos principais pontos da doutrina calvinista podem ser realmente chamados de reformados, verificaremos que são poucos os verdadeiros reformados. Escreve o ex-calvinista Clark Pinnock:
Tenho a forte impressão, confirmada até mesmo pelos que discordam dela, que o pensamento de Agostinho está perdendo sua influência nos evangélicos de hoje. Não são apenas os evangelistas que estão pregando um evangelho arminiano. É difícil até mesmo achar um teólogo calvinista hoje que esteja disposto a defender a teologia reformada em seus detalhes mais peculiares, em particular as opiniões de Calvino e Lutero. Eu não estou sozinho, especialmente agora que Gordon Clark faleceu e John Gerstner aposentou-se.
Numa época em que o número de "reformados" comprometidos com a teologia calvinista é tão pequeno, não é de se estranhar que tendências teológicas, filosóficas e hermenêuticas, trazidas no bojo do pós-modernismo e do crescente movimento neopentecostal, se infiltrem nas igrejas historicamente reformadas, e descaracterizem, onde aceitas, a compreensão correta acerca do Espírito Santo. Tais ameaças já estão presentes, e que aparentemente vieram para ficar por um longo tempo. Entende-las agora é essencial para a preservação da identidade reformada quanto à obra do Espírito Santo no mundo e na Igreja. No que se segue, procuro detectar e analisar alguns destes desafios

O Desafio Teológico: Pelagianismo

O que é o Pelagianismo

O primeiro desafio vem da área teológica, representado pelo pelagianismo, heresia antiga e já condenada pela Igreja, mas jamais erradicada do seu meio. O pelagianismo sustenta basicamente que todo homem nasce moralmente neutro, e que é capaz, por si mesmo, sem qualquer influência externa, de converter-se a Deus e obedecer à sua vontade, quando assim o deseje. Uma das grandes disputas durante a Reforma protestante versou sobre a natureza e a extensão do pecado original. Ele afetou Adão somente, ou todo o gênero humano? A vontade do homem decaído é ainda livre ou escravizada ao pecado? No século V Pelágio havia debatido ferozmente com Agostinho sobre este assunto. Agostinho mantinha que o pecado original de Adão foi herdado por toda a humanidade e que, mesmo que o homem caído retenha a habilidade para escolher, ele está escravizado ao pecado e não pode não pecar. Por outro lado, Pelágio insistia que a queda de Adão afetara apenas a Adão, e que se Deus exige das pessoas que vivam vidas perfeitas, Ele também dá a habilidade moral para que elas possam fazer assim. Ele reivindicou mais adiante que a graça divina era desnecessária para salvação, embora facilitasse a obediência.

Agostinho teve sucesso refutando Pelágio, mas o pelagianismo não morreu. Várias formas de pelagianismo recorreram periodicamente através dos séculos. Lutero escreveu um livro "A Escravidão da Vontade" em resposta a uma diatribe de Erasmo, onde o mesmo defendia conceitos pelagianos. Lutero acreditava que Erasmo era "um inimigo de Deus e da religião Cristã" por causa do ensino dele sobre o pecado original. É bom notar que o Catolicismo medieval, sob a influência de Aquino, adotara um semi-pelagianismo, mesmo que na antigüidade houvesse rejeitado o pelagianismo puro. Neste sistema, acreditava-se que o homem cooperava com a graça de Deus para a salvação.

No século XVIII, uma forma nova e levemente modificada de pelagianismo, apareceu, que foi o arminianismo. Existem algumas diferenças entre as duas posições, mas ambas são sinergistas (o homem coopera para sua salvação) e mantém o mesmo conceito de fé (uma decisão puramente humana de receber a Jesus Cristo, e não como um dom misericordioso de Deus).

A influência de Charles Finney

No século XIX, o evangelista americano Charles Grandison Finney reavivou o puro pelagianismo. Ele repudiou abertamente quase todas as principais doutrinas calvinistas (mesmo que tenha sido ordenado na Igreja Presbiteriana), em particular a doutrina de pecado original e da depravação total. É um grave erro histórico e teológico considerar Finney como "reformado" (alguns, exagerando, diga-se, nem desejam considerá-lo como evangélico). A metodologia evangelística de Finney teve tanto êxito, que ele se tornou um modelo para os evangelistas mais recentes. Embora o evangelicalismo americano não tivesse aceitado integralmente o pelagianismo de Finney, abraçou, entretanto, sua metodologia, uma forma de semi-pelagianismo que infectou a alma da sua teologia até o dia de hoje. Vários movimentos nasceram conscientemente da teologia de Finney, como a teoria do governo moral.

Ameaças à doutrina do Espírito Santo

O pelagianismo, em suas variadas formas contemporâneas, ameaça a doutrina reformada do Espírito Santo especialmente nas áreas da regeneração e da chamada eficaz, das seguintes maneiras:

a) Reduz a regeneração do pecador a uma decisão de sua própria vontade. Finney rejeitou a idéia de que a regeneração fosse um milagre, uma transformação sobrenatural produzida pela ação soberana do Espírito no coração dos eleitos. Para ele, regeneração era a decisão do pecador em se voltar para Deus e obedecê-lo. Não poderia haver nenhuma transformação miraculosa, pois não havia o que transformar, já que o pecador é moralmente capaz de obedecer a Deus. Após a negação de pecado original, foi somente um passo para que Finney negasse a doutrina da regeneração sobrenatural. O sermão mais popular de Finney, pregado na Igreja da Rua do Parque, em Boston, foi intitulado "Os Pecadores Devem Mudar os Próprios Corações". Para ele, não há nada na religião que ultrapasse os poderes ordinários de natureza. "Religião é obra do homem", disse ele. "Consiste tão somente no emprego apropriado dos poderes naturais. É somente isso e nada mais"

b) Reduz a chamada eficaz do Espírito Santo a uma mera persuasão moral. Para Finney, a obra do Espírito limita-se ao exercício de influências morais no pecador, mas "a conversão em si ... é ato do próprio pecador", afirma ele em sua Teologia Sistemática (p. 236). O ensino calvinista é que o Espírito de Deus, através do ministério da Palavra, chama irresistivelmente o eleito, regenerando-o e assim habilitando-o a responder positivamente em fé à oferta das boas novas do Evangelho. Essa chamada é irresistível, embora não se constitua uma violação da vontade do pecador. No conceito pelagiano (ou semi-pelagiano), o Espírito de Deus apenas se esforça para persuadir os pecadores, cabendo a estes em última análise a decisão e a capacidade de converter-se e tornar para Deus, exercendo fé em Cristo.

O desafio do pelagianismo em suas formas contemporâneas para a identidade reformada é alarmante. O pentecostalismo, em seu crescimento assombroso na América Latina e no Brasil, traz em seu bojo, além de várias outras ameaças e desafios, os principais conceitos do antigo pelagianismo, e desafia as igrejas reformadas a rever o conceito calvinista da atuação do Espírito Santo na regeneração e salvação do pecador. Os pentecostais são hoje mais de 450 milhões no mundo. Com o crescimento do pelagianismo no Brasil, a identidade reformada das igrejas que assim se consideram fica ameaçada, no que respeita à obra do Espírito Santo na conversão dos pecadores.

Mas o desafio maior vem de dentro das próprias igrejas históricas. Não são muitos os "reformados" que aderem coerentemente à doutrina calvinista da depravação total. Embora possam afirmá-la em princípio, acabam sendo incoerentes por também acreditar que o pecador tem a "capacidade moral de se voltar para Deus". Praticamente ninguém hoje declararia, "eu sou um pelagiano, ou semi-pelagiano", primeiro, por que toda a Cristandade condenou no passado essa heresia, e segundo, por que poucos que adotam esta linha têm idéia do que o pelagianismo significa. Muitos ministros de igrejas reformadas provavelmente ofereceriam as respostas corretas em um exame teológico, entretanto, operam em seus ministério como se essas convicções não tivessem absolutamente nenhuma conseqüência.

Os Desafios Filosóficos: Pluralismo e Pragmatismo

O pluralismo religioso

Um outro desafio de imensas proporções vem de duas filosofias características do período pós-moderno em que vivemos. A primeira delas é o pluralismo. Como o nome já indica, essa filosofia defende a pluralidade da verdade, ou seja, que não existe uma verdade absoluta, mas sim verdades diferentes para cada pessoa. Esse conceito é ambíguo, mas definitivamente já faz parte integrante da nossa cultura presente. Ele defende o relacionamento de pessoas com ideologias diferentes, sem que uma tenha de sujeitar suas convicções ao domínio da outra. A ideia de converter alguém às suas próprias convicções é politicamente incorreto. A chave está na valorização da negociação e da cooperação em lugar de se tentar provar que se está certo ou errado. 

O pluralismo religioso, por sua vez, prega o abandono da "arrogância" teológica do cristianismo, nega que exista verdade religiosa absoluta, e exalta a experiência religiosa individual como critério último para cada um. Por exemplo, o padre católico Raimundo Panikkar, descendente de hindus, escreveu um artigo onde defende que isolacionismo já não é mais possível na sociedade globalista em que vivemos. Embora afirme que aceitar o pluralismo religioso não signifique o mesmo que aceitar o relativismo, deixa claro que a experiência religiosa individual é a chave para a convivência pluralista. Diz ele, "No momento eu estou experimentando o amor de Deus por mim em Cristo Jesus, e por este motivo eu sei com perfeita clareza que ele é o caminho, a verdade e a vida".

O pluralismo religioso defende uma nova teoria missiológica, onde não mais se prega a necessidade de conversão de outras religiões ao cristianismo, e sim a cooperação entre todas as religiões, naquilo que têm em comum. O pressuposto é que o cristianismo não é o único caminho para Deus, embora seja o melhor, e que Deus está agindo salvadoramente no âmbito de outras religiões, como as religiões orientais.

O pragmatismo religioso

A outra filosofia é o pragmatismo. Seu popularizador, o psicólogo americano William James, afirmou que idéias humanas eram verdadeiras se funcionassem ou fossem úteis para resolver problemas. Já que o funcionamento e utilidade das idéias variam de contexto para contexto, segue-se que a verdade é relativa. No dizer de Francis Schaeffer, é um sistema de pensamento que faz das conseqüências práticas de uma crença o critério supremo da sua verdade. O pragmatismo dominou rapidamente a cultura americana e estendeu-se para além das suas fronteiras. Adotar as coisas que realmente preservam a paz individual e uma situação financeira confortável, sem qualquer preocupação com princípios fixos de certo ou errado é evidentemente a ideia que controla procedimentos internacionais, domésticos e individuais. Princípios absolutos tem pouco ou nenhum lugar no pensamento ocidental moderno.

Não devemos, portanto, pensar que o pragmatismo é um fenômeno ocidental. Seu princípio fundamental é inerente ao coração humano. Uma das 4 premissas básicas do substrato filosófico e religioso da Ásia, por exemplo, pode ser resumida neste parágrafo: "É direito de cada pessoa religiosa aceitar e praticar qualquer maneira de viver que achar útil ao seu modo de pensar e às suas circunstâncias sociais peculiares".

Desafios do Pluralismo e do Pragmatismo para a doutrina do Espírito Santo

O pluralismo e o pragmatismo andam geralmente de mãos dadas. Onde o conceito de verdade absoluta deixa de existir (pluralismo), as pessoas e as organizações passam a orientar as suas decisões em termos daquilo que mais satisfaz as suas necessidades (pragmatismo). A combinação destas duas filosofias aparece claramente em vários movimentos presentes nas igrejas evangélicas, e representam um novo desafio ao cristianismo em geral e aos calvinistas em particular. A pergunta que as pessoas fazem com relação ao cristianismo não é se ele é a verdade ou não, mas simplesmente se funciona. Elas querem saber se vai mudar a vida delas para melhor, se Cristo realmente é poderoso para transformá-las, e pode dar-lhes paz, alegria, esperança e propósito às suas existências. 

Ambas as filosofias trazem sérios desafios a alguns aspectos da pessoa e obra do Espírito Santo:

1) Quanto à extensão da operação ou atividade salvadora do Espírito Santo. O calvinismo ensina uma distinção nas operações do Espírito Santo, que está relacionada com os conceitos de graça comum e de graça especial. A graça comum refere-se à atuação do Espírito Santo no mundo em geral, preservando valores morais e trazendo benefícios materiais, sobre todos os homens indistintamente de suas crenças religiosas. A graça especial refere-se à operação salvadora do Espírito, restrita apenas aos eleitos, regenerando-os, iluminando-os e santificando-os pelo Evangelho de Cristo. O pluralismo religioso ameaça esse conceito, pois ensina que o Espírito de Deus age salvadoramente em todos os homens indistintamente de suas religiões, sem se restringir ao âmbito do cristianismo. Um exemplo de pluralista cristão que defende esse ponto é o ex-calvinista Clark Pinnock.

2) Quanto à relação entre a Palavra e o Espírito. O calvinismo ensina a relação indissolúvel entre a atuação do Espírito Santo e a Palavra de Deus. O Espírito atua graciosamente através da Palavra; por sua vez, a Palavra funciona como critério para reconhecermos a atividade do Espírito, em contraste com a atividade de espíritos malignos ou do espírito humano. O pluralismo e o pragmatismo ameaçam este conceito. O primeiro, porque divorcia a atuação salvadora do Espírito da verdade bíblica, como vimos no item anterior. E o segundo por enfatizar a validade de experiências religiosas à parte de seus conteúdos teológicos, ameaçando assim da mesma forma a relação entre o Espírito e a Palavra. 

3) Quanto à soberania do Espírito de Deus em converter pecadores e aumentar a Igreja. Segundo o ensino calvinista, o aumento da Igreja através da conversão de pecadores é uma obra soberana do Espírito Santo, através dos meios secundários que Deus mesmo determinou. A Igreja deve evangelizar ardorosamente, dependendo porém da operação soberana do Espírito Santo quanto aos resultados. O pragmatismo representa um desafio para essa convicção calvinista, pois enfatiza o emprego de métodos, estratégias e técnicas tiradas do marketing secular e de ciências sociais como sociologia e psicologia, através das quais a igreja poderá crescer. O sucesso ou fracasso de igrejas locais no aumentar o número de seus membros é relacionado, não à soberania do Espírito de Deus, mas ao uso desses métodos. Embora calvinistas defendam o planejamento das atividades missionárias e evangelísticas da Igreja, têm entretanto sérias reservas quanto ao planejamento de resultados, uma estratégia que faz parte do pragmatismo do moderno movimento de crescimento de igrejas.

Influência generalizada do pluralismo e do pragmatismo entre os protestantes

O pluralismo e o pragmatismo têm infectado o cristianismo mundialmente. O tema da salvação em outras religiões foi discutido recentemente na Assembléia Geral do Concílio Mundial de Igrejas. O relatório apresentado trouxe debate considerável. Uma consulta teológica na suíça patrocinada pelo CMI, composta por 25 teólogos, trouxe as seguintes conclusões:
  1. Através da história, pessoas tem encontrado a Deus no contexto de várias religiões e culturas diferentes.
  2. Todas as tradições religiosas são ambíguas, isto é, uma combinação do que é bom e do que é ruim.
  3. É necessário progredir além de uma teologia que confina a salvação a um compromisso pessoal explícito com Jesus Cristo.
Em algumas denominações o pluralismo tem sido proposto como filosofia oficial, como na Igreja Metodista Unida, dos Estados Unidos. Nas igrejas brasileiras que se consideram reformadas, a ameaça vem por diversas avenidas, trazendo sérios desafios à doutrina calvinista do Espírito Santo. Eis algumas dessas maneiras pelas quais o pragmatismo e o pluralismo têm invadido as igrejas históricas:

a) A adoção de uma liturgia neopentecostal, particularmente a ênfase na experiência. O culto hoje em igrejas evangélicas que adotaram esta ênfase, é geralmente uma adaptação comunitária do pragmatismo americano, onde todos fazem o que gostam, e todos gostam do que fazem.

b) O impacto do movimento de crescimento de igreja na área de missões e evangelização das denominações, missões paraeclesiásticas, e das igrejas locais. Mesmo as igrejas reformadas não tem escapado à penetração dessas influências mencionadas acima. Embora o movimento tenha levado a Igreja a repensar mais corretamente a sua metodologia missionária, por outro lado, tem provocado reações por parte de calvinistas quanto à seus pressupostos semi-pelagianos e sua metodologia claramente pragmatista.

A influência dessas filosofias pós-modernas pode ser percebida ainda de outra maneira. Uma equipe de pesquisa composta de 60 estudiosos e mais de 100 sócios completou um estudo sobre o presbiterianismo americano, no seminário presbiteriano de Louisville, nos EUA. Uma das suas conclusões é que no século XX a denominação sofreu de uma doença teológica, com muitos presbiterianos evitando posições firmes e claras na área teológica porque diferenças doutrinais tendem a produzir conflito ou divisão. Essa é a razão por que eles tentaram em anos recentes resolver problemas potencialmente divisivos em termos políticos e não teológicos.

A diversidade de perspectivas teológicas dentro das denominações presbiterianas tem origem na escolha enfrentada em 1927 pela Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos de América (PCUSA). A denominação teve que decidir entre subscrever a um conjunto fixo de doutrinas ou permitir uma diferença maior entre opiniões teológicas. A Igreja decidiu por não delinear as doutrinas exatas que todos os presbiterianos teriam que aceitar, uma decisão consistente com o presbiterianismo histórico daquele país. Debates doutrinários haviam sido freqüentes no passado, com divisões acontecendo sempre que as disparidades ficavam intoleráveis. A pergunta agora é se o pluralismo teológico produziu alguma teologia que tenha bastante substância. O pluralismo promete enriquecer a teologia mas na realidade tende a dilui-la em opções múltiplas que não são coerentes nem persuasivas. E a identidade reformada quanto à ação do Espírito tende a desaparecer.

O Desafio Hermenêutico: Neopentecostalismo

O que é o neopentecostalismo

Por neopentecostalismo quero dizer aqueles movimentos surgidos em décadas recentes, que são desdobramentos do pentecostalismo clássico do início do século, mesmo que abandonaram algumas de suas ênfases características e adquiriram marcas próprias, como ênfase em revelações diretas, curas, batalha espiritual, e particularmente uma maneira sobrenaturalista de encarar a realidade espiritual.

A hermenêutica destes movimentos é caracterizada por uma leitura das Escrituras e da realidade sempre em termos da ação sobrenatural de Deus. Deus é percebido somente em termos de sua ação extraordinária. Para o neopentecostal típico, Deus o guia na vida diária através de impulsos, sonhos, visões, palavras proféticas, e dá soluções aos seus problemas sempre de forma miraculosa, como libertações, livramentos, exorcismos e curas. A doutrina que define, mais que qualquer outra, as igrejas evangélicas no Brasil hoje, é a crença em milagres. É claro que não estou dizendo que crer em milagres seja errado. O que estou dizendo é que, na hora que a crença em milagres contemporâneos e diários passa a ser a característica maior da igreja evangélica, algo está errado.

Desafios para a doutrina do Espírito Santo

A hermenêutica sobrenaturalista do neopentecostalismo representa um desafio para a identidade reformada pois tende a menosprezar uma das doutrinas típicas do calvinismo, que é a providência de Deus. Partindo das Escrituras, os reformados usam o termo providência para se referir à ação de Deus, pelo seu Espírito, agindo no mundo através de pessoas e circunstâncias da vida para atingir seus propósitos. Esses meios não são intervenções miraculosas ou extraordinárias de Deus na vida humana, mas simplesmente meios naturais secundários. Os calvinistas reconhecem que Deus intervém miraculosamente neste mundo, mas sempre em regime de exceção. Normalmente, ele age através dos meios naturais.

O neopentecostalismo, por enfatizar a ação sobrenatural e miraculosa de Deus no mundo (a qual não negamos, diga-se), acaba por negligenciar a importância da operação do Espírito Santo através de meios secundários e naturais. Essa negligência torna-se mais séria quando nos conscientizamos que o Espírito normalmente trabalha através de meios secundários e naturais para salvar os pecadores. Acredito não ser difícil de provar que a esmagadora maioria dos cristãos foram salvos através de meios naturais – como o testemunho de alguém, a leitura da Bíblia, a pregação da Palavra – e não através de intervenções miraculosas e extraordinárias, como foi a conversão de Paulo.

Como resultado do sobrenaturalismo neopentecostal, as igrejas reformadas por ele afetadas tendem a considerar os meios naturais como sendo espiritualmente inferiores. Um bom exemplo é a tendência de não se tomar remédios, como sendo falta de fé. Um outro resultado é a diminuição da pregação do Evangelho como meio de salvação dos pecadores, e a ênfase nos milagres como meio evangelístico. Assim, a obra do Espírito na Igreja e no mundo através dos meios naturais secundários é negligenciada, com graves e perniciosos efeitos nas vidas dos que abraçam a cosmovisão neopentecostal.

Conclusão

Esses desafios à identidade reformada quanto à ação do Espírito Santo já se encontram presentes em nosso meio, e prometem persistir por ainda muito tempo. Alguns dos movimentos contemporâneos que trazem no bojo de seus pressupostos e de sua metodologia esses desafios, continuam a crescer no Brasil, e a influenciar as igreja reformadas. Esses movimentos, como o reavivalismo, crescimento de igrejas, batalha espiritual e ecumenismo forçam as igrejas reformadas a reavaliar o que crêem quanto à ação do Espírito na Igreja e no mundo. O desafio é que façamos isso procurando cada vez mais conformar essas crenças com o ensino das Escrituras Sagradas, a Palavra de Deus, e com a nossa tradição calvinista.
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Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes 
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