quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A santificação num mundo ímpio


Temos a obsequiosa obrigação de professar que a vida de Cristo é o nosso exemplo. Mas, como é que poderemos testemunhar da santidade da vida de Cristo contra a blasfêmia do mundo e contra a incredulidade de uma maioria desinteressada? Podemos fazê-lo pela santidade de coração e de vida, conformando-nos a Cristo em nossa alma e vivendo para Deus em frutífera obediência.

Envergonhamos o nome de Cristo quando pecamos, quando seguimos e somos levados por nossas concupiscências e prazeres, quando preferimos as coisas do presente e não as glórias eternais, e a todo instante proclamamos por todas as partes que Cristo é o nosso exemplo.

Só poderemos glorificar a Cristo se testemunharmos de seus ensinamentos. Mas como poderemos fazer isso? Testemunhamos dos seus ensinamentos quando os tornamos a nossa regra de vida e de santificação, manifestando, assim, ao mundo, que o seu ensinamento é santo e procede do céu, cheio de sabedoria e graça divinas. Pela santa obediência a Cristo e a seus ensinamentos revelamos a natureza, o propósito e a utilidade da sua doutrina (Tt 2.11, 12). Ao longo das eras milhares foram conquistados para a obediência do evangelho e para a fé em Jesus Cristo por meio do santo, fiel e útil proceder dos que mostraram por suas vidas o poder e a pureza dos seus ensinamentos.

Temos também de testemunhar do poder e da eficácia da morte de Cristo que, primeiramente, nos purificou de toda a iniquidade e, em segundo lugar, livrou a nossa consciência das obras mortas para servirmos ao Deus vivo. Se não formos limpos dos nossos pecados pelo sangue de Cristo, se não formos purificados de toda a iniquidade, seremos abomináveis a Deus e sujeitos à sua ira para sempre. Quanto a isso, entretanto, Cristo, o Senhor, nada exige de seus discípulos senão que professem que o seu sangue os limpa de todos os pecados, e que, pela santidade de vida, mostre-lhes a verdade disso; assim haveremos de glorificá-lo.

Sem a santificação prescrita no evangelho nada daremos a Cristo daquela indispensável glória que ele requer de nós. Se amamos a Cristo, então temos de ser santos. Se desejamos glorificar a Cristo, então temos de ser santos. Se não quisermos ser tidos por traidores no último dia para a sua coroação, honra e dignificação, então temos de ser santos. Se temos a graça de Cristo ou buscamos ser aceitos por ele no final, trabalhemos com empenho para sermos santos em todo o nosso comportamento de modo que possamos adornar o seu ensinamento, manifestar as suas virtudes e glórias e nos transformar à semelhança daquele que é o primogênito e a imagem do Deus invisível.

“Santificai-vos e sede santos, pois eu sou o Senhor, vosso Deus”.
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Livro : O Espírito Santo. Capítulo 26.
Por John Owen. 
Editora : Os Puritanos.
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