sábado, 22 de novembro de 2014

As obras de Deus e Suas regras

John Wesley pregando em Epworth

“Nada pode ser concluído com certeza unicamente a partir do fato de uma obra ter sido realizada de maneira muito incomum e extraordinária, uma vez que a variedade ou diferença ainda está dentro dos limites das regras das Escrituras. As coisas e os eventos com que a igreja está acostumada não servem como regras para julgarmos as obras, pois é possível que Deus aja de formas novas e extraordinárias. É evidente que várias vezes no passado Deus já agiu de maneira extraordinária. Ele fez coisas inéditas acontecerem, obras singulares, agindo de tal forma que surpreendeu tanto homens como anjos. Já que Deus agiu assim em tempos passados, não temos nenhuma razão para pensar que Ele não continue a agir dessa forma. As profecias das Escrituras nos dão motivo para crer que Deus tem coisas inéditas a realizar. Se uma obra por maior que seja, não estiver em desacordo com as regras estabelecidas por Deus, o simples fato de se desviar daquilo que até agora tem sido o padrão não serve como argumento de que ela não provém do Espírito de Deus. Ele é soberano em suas ações. Sabemos que Deus lança mãos de uma grande variedade de ações e não podemos definir a extensão dessa diversidade dentre o dos limites das regras que Ele mesmo não se limitou.

Portanto, não é lógico julgar que uma obra não é do Santo Espírito de Deus por causa do extraordinário nível de influência que exerce na mente das pessoas. Ainda que elas pareçam ter uma percepção fora do comum sobre a terrível natureza do pecado e uma consciência excepcional da desgraça de uma vida sem Cristo; ainda que tenham visões extraordinárias da realidade e da glória das coisas divinas, sendo por isso proporcionalmente levadas a inclinações bastantes incomuns de temor, contrição, desejo, amor ou alegria; ainda que aparente mudança seja muito repentina e a ação seja levada a efeito com uma rapidez bastante rara; ou ainda que o número de pessoas afetadas seja muito grande, e muitas delas sejam bem jovens; de todas as circunstâncias – além de outras que sejam incomuns, nenhuma delas, porém, infringindo as regras das Escrituras – nenhuma delas, prova que a obra não seja do Espírito de Deus. Antes se sua natureza estiver de acordo com as regras e sinais dados nas Escrituras, o grau de influência e o poder de atuação extraordinários e incomuns são argumentos a seu favor; pois quanto mais alto for o grau em que sua natureza se aproximar das regras, maior será sua conformidade a elas e tanto mais evidente será tal conformidade. Quando as coisas acontecem em uma escala menor, ainda que realmente estejam de acordo com as regras, não é tão fácil perceber se sua natureza está de acordo com tais regras.”
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Jonathan Edwards, A verdadeira obra do Espírito, (Ed. Vida Nova)
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