segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Deus escolheu alguns porque previu a fé neles? Doce ilusão!

A teologia arminiana afirma que Deus escolheu os que seriam salvos com base em sua presciência. Segundo essa concepção, Deus olhou para o futuro e viu os homens que creriam, elegendo-os então. Isso levanta a seguinte pergunta: Quem fixou o futuro para o qual Deus olhou? Se foi ele mesmo (e ao crente não resta outra opção), por que teve que consultá-lo? E mais: Se foi o próprio Deus quem estabeleceu o futuro no qual poderia ver de antemão quem creria, isso não equivale a dizer que ele próprio estabeleceu quem creria? Ora, é exatamente isso o que os calvinistas afirmam. Então, por que não concordar com eles de uma vez? Dentro ainda dessa discussão, deve-se considerar que a Bíblia diz que a fé é dom de Deus (Ef 2.8 [o "isto" mencionado nesse versículo se refere ao processo todo que abrange a fé]; Fl 1.29; Hb 12.2). Se é, pois, o Senhor quem concede a fé, por que ele teria que “descobrir” quem creria e, então, escolhê-los?
A posição arminiana, contudo, nesse aspecto, não enfrenta dificuldades apenas por causa da falta de lógica em seus argumentos. A idéia de que Deus elege com base no que antevê também encontra problemas teológicos insolúveis. Por exemplo: se Deus escolhe o homem baseando-se em algum bem visto nele previamente, então a graça de Deus desaparece para dar lugar a uma forma disfarçada de retribuição. Com efeito, se a visão arminiana estivesse correta, a eleição divina deixaria de ser gratuita e incondicional, tornando-se a recompensa dada por Deus àqueles em quem anteviu algo que o agradou, a saber, a fé resultante do uso adequado da graça preveniente. No arminianismo, portanto, a gratuidade da eleição é demolida e, em seu lugar, é edificada uma escolha divina meritória. No fim das contas, o homem é salvo porque Deus o considera digno disso, ao descobrir previamente que ele, de si mesmo e por si mesmo, fará bom uso da graça capacitadora dada a todos.
Ora, o Novo Testamento não dá margem alguma para essa hipótese. De fato, Paulo ensina que a graça de Deus não procura homens dignos, mas sim cria homens dignos (Cl 1.12). A triste realidade é que se Deus procurasse homens dignos para então escolhê-los, ninguém seria salvo. Aliás, a beleza, infinitude e magnificência da graça de Deus é percebida precisamente no fato dele ter escolhido homens que mereciam somente a sua ira (Ef 2.3), pessoas em quem o Senhor não viu virtude alguma, mas sim pecado, maldade, rebelião e ódio contra ele (Rm 5.6-10).
Contrariando o ensino arminiano, o Novo Testamento também realça que a eleição não é a recompensa da fé, mas sim a sua causa (2Ts 2.13), de modo que o indivíduo não é eleito porque vai crer, mas sim vai crer porque é eleito. Realmente, o texto sagrado sempre coloca a eleição como a razão da fé e não o contrário. A escolha de Deus não depende, assim, da fé prevista. É a fé que depende da escolha prévia. É por isso que em Atos 13.48, Lucas afirma que entre os gentios que ouviam a pregação de Paulo em Antioquia da Pisídia, “creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna”. Na dinâmica da frase de Lucas, a eleição é a causa, não o efeito da fé.
Como então lidar com Romanos 8.29 e 1 Pedro 1.2? Uma análise simples mostrará que esses textos, na verdade, não amparam em nada a concepção arminiana. Considere-se, a princípio, a frase, “aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou” encontrada em Romanos 8.29. Será que essa frase corrobora mesmo a tese de que Deus primeiro anteviu quais pessoas creriam e então as predestinou para a salvação? De modo nenhum! Para descobrir o verdadeiro significado da expressão “conheceu de antemão” basta observar a sua única outra ocorrência nos escritos de Paulo.
Essa expressão é, na verdade, a tradução do verbo grego proginósko e é usada outra vez pelo apóstolo somente em Romanos 11.2, onde escreve sobre Israel: “Deus não rejeitou o seu povo, o qual de antemão conheceu”. Ora, é evidente que aqui, conhecer de antemão não significa prever a fé, uma vez que Israel nunca creu na mensagem de Deus (At 7.51-53). Resta, pois, somente um sentido possível para a fórmula sob análise, a saber: Deus conheceu de antemão a quem mostraria seu favor. Esse é, portanto o modo como Romanos 8.29 deve ser entendido. Não se trata de Deus saber previamente quem creria, mas sim de Deus saber previamente a quem favoreceria. Esse entendimento, aliás, se harmoniza plenamente com outras passagens do Novo Testamento onde ser conhecido por Deus significa ser alvo do seu favor (1Co 8.3; Gl 4.9; 2Tm 2.19). Aliás, Em 1Pedro 1.20, existe a evidência de que o verbo proginósko também pode significar “fazer algo a fim de assegurar que um evento realmente ocorra”. Esse sentido também corrobora a tese defendida aqui (Veja-se ARICHEA, D. C.; NIDA, E. A. A handbook on the first letter from Peter. UBS handbook series. Helps for translators (42). New York: United Bible Societies, 1994.).
É assim também que o texto de Pedro deve ser interpretado na parte que diz: “escolhidos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai”. Note-se que nesse versículo, Pedro usa a preposição grega katá, traduzida como “de acordo com”, indicando que a escolha de Deus foi feita conforme ele sabia previamente que iria fazer. É, portanto, como se Pedro dissesse: “Vocês foram escolhidos conforme Deus Pai havia previsto que vocês seriam”. Ora, isso indica que Deus não escolheu os crentes porque anteviu a fé neles, mas sim porque sabia previamente a quem mostraria favor.
Na verdade, se Pedro quisesse indicar que Deus escolheu porque anteviu a fé, como ensinam os arminianos, ele certamente usaria a preposição diá, extremamente comum na língua grega e cujo significado, quando usada com o modo acusativo (como é o caso em 1Pe 1.2) é “por causa de”. A tradução, então, ficaria assim: “Vocês foram escolhidos por causa do pré-conhecimento de Deus Pai”. Isso sim indicaria que Deus previu a fé e, por causa disso, teria escolhido alguns. Porém, não é esse o caso aqui, de modo que a Bíblia permanece silente no tocante a qualquer suposta eleição divina alicerçada numa fé prevista.
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Por Marcos Granconato
Fonte: Perfil no Facebook
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domingo, 27 de dezembro de 2015

Se já Sou Eleito mesmo, pra que Viver em Santidade?

Por causa do texto que escrevi na semana passada, um leitor me enviou a mensagem abaixo:
Prezado Pr. Marcos: 
Eu gostaria de dizer que concordo com o que o senhor escreveu no boletim da semana passada, mas minhas dúvidas são outras. 
Tendo em vista a eleição incondicional, qual o ponto chave para que um crente não esfrie seu amor por Deus ou deixe de fazer boas obras por saber que é eleito? Outra coisa: Por que ele se sentiria no dever de evangelizar, se Deus já tem seus eleitos que fatalmente irá salvar? Devo orar para que Deus salve os outros? Será que adiantaria orar por isso se Deus já elegeu os seus? Já que somos eleitos, é necessária a comunhão? 
Minha dúvida é nesses pontos, pois parece que a doutrina da eleição deixa os crentes “de mãos atadas”. Não importa o que eu faça, Deus já elegeu os seus, seja para o seu amor ou para a sua ira. 
Irmão Y 
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Sei que os questionamentos do irmão Y são muito comuns. Por isso, publico aqui a resposta dada a ele também.
Prezado irmão Y: 
Obrigado por ter coragem de levantar essas questões. Você não tem ideia de como exatamente essas perguntas incomodam os crentes que aprendem a doutrina da eleição incondicional. Aliás, muitas vezes, os arminianos as fazem para atacar essa doutrina, acreditando ingenuamente que elas são um “xeque-mate” para a teologia bíblica da soberania de Deus na salvação. De antemão, porém, deixe-me tranquilizá-lo. Essas perguntas não são um xeque-mate. Como você verá, elas são apenas os movimentos inofensivos de um peão nas mãos de um aprendiz de xadrez. Vamos por partes. 
A figura de alguém que nasceu de novo pela fé em Cristo e passa a vida sem amor por Deus, sem boas obras e sem preocupação com a vida de santidade é uma invenção. Essa figura não existe. Vou explicar por quê. 
Note bem: para o arminianismo a fé salvadora é apenas uma decisão humana, algo de origem natural que procede da mente da pessoa, como a decisão de fazer um curso de espanhol ou a opção de acreditar nas histórias contadas por nossos avós. Para eles, a fé salvadora é algo só da gente — uma reação natural, humana e, às vezes, passageira. 
Segundo a Bíblia, porém, a fé salvadora não é assim. Ela é uma fé santa, sobrenatural e transformadora, cuja fonte é Deus, sendo ele também quem a concede aos seus eleitos (Jo 6.37,44,65; Ef 2.8; Fp 1.29; Hb12.2). Aliás, seria uma piada acreditar que uma fé dessa natureza pudesse ser gerada pelo depravado e enganoso coração humano (Jr 17.9). Isso seria o mesmo que acreditar que uma fossa produza orquídeas ou que uma lesma possa dar à luz um querubim. Um absurdo! 
Pois bem, essa fé santa, segundo a Bíblia, não é somente santa. Ela também é santificadora. Isso significa que ela é dinâmica e atuante, trabalhando na vida de quem a recebeu e produzindo transformações na vida dessa pessoa. Um professor meu dizia que o homem salvo é salvo pela fé somente, mas essa fé somente não é uma fé sozinha. Ela é acompanhada de poder purificador. Assim, o indivíduo que tem essa fé sobrenatural é transformado numa nova criatura (2Co 5.17), sua culpa diante de Deus desaparece (Rm 5.1; 8.1), o amor de Deus passa a ser derramado em seu coração (Rm 5.5), a inclinação do Espírito (uma nova atração e tendência para as coisas santas) passa a ser experimentada por ele (Rm 8.5), o domínio da carne sobre ele começa a se enfraquecer (Rm 6.6; Cl 3.9-10), uma obra de aperfeiçoamento espiritual tem início na vida desse indivíduo (2Co 3.18; Fp 1.6), a iluminação especial do Espírito Santo passa a operar em sua mente, fazendo-o aceitar coisas que antes ele via como absurdas (1Co 2.14-15). Enfim, essa fé muda tudo, não deixando espaço para a hipótese que você levantou de um crente com as mãos atadas para a obra do bem; alguém que passa a vida no chiqueiro do mundo, sem ligar pra nada e pensando: “Já sou eleito mesmo (óinc!)”. 
Você deve estar pensando: “Ei, espere um momento! A Bíblia fala de crentes carnais! Pastor, você se esqueceu da igreja de Corinto? Havia ali gente imoral, gente briguenta e até gente que se embriagava durante a ceia? E aí? Cadê a obra santificadora da fé nesses crentes?”. 
Opa! Boa pergunta! De fato, os coríntios eram encrenca! E não adianta tentar fugir do problema dizendo que eles não eram crentes de verdade, porque eles eram sim. Paulo chega a dizer que eles eram santificados! (1Co 1.2). Como, então, harmonizar a fé santificadora com a realidade de crentes assim? 
Irmão Y, algo muito evidente no Novo Testamento é que a fé salvadora não garante a ausência de períodos temporários de fraqueza. A fé salvadora atua aos poucos na pessoa (2Co 3.18; Fp 1.6). Ela não erradica de uma vez a natureza pecaminosa do crente, nem garante que ele não caia em tentações. No entanto, mesmo em meio a tudo isso, ela continua atuando, impedindo que a pessoa viva no desagrado de Deus por um tempo sem fim. Você sabe quanto tempo durou a carnalidade dos coríntios? Durou mais ou menos três anos (talvez menos). Durante esse tempo, Paulo escreveu três cartas a eles (duas delas nós não temos mais hoje) e enviou dois mensageiros para admoestá-los (Timóteo e Tito). Então, os coríntios se arrependeram e Paulo lhes escreveu uma quarta carta (é a nossa 2Coríntios) elogiando a atitude deles (2Co 7.9-11). 
Está vendo? A fé salvadora, ainda que não faça um trabalho de transformação imediata, é sempre atuante. O Espírito que habita naquele que a tem opera no coração dessa pessoa e a incomoda. Então esse indivíduo se arrepende logo e prossegue em sua vida cristã normal. Assim, a figura do eleito do Senhor que pensa “já sou eleito, vou deixar Deus de lado, abandonar meus irmãos e cair na farra” e passa a vida inteira assim é um mito. Aliás, não acredite na conversão de gente que está desviada há dez, vinte ou trinta anos. O crente verdadeiro tem uma fé viva (diferente da fé morta mencionada por Tiago). E essa fé viva produz frutos de santidade, amor e pureza (Mt 13.23). Se em algum momento, isso tudo parecer sumir no crente verdadeiro, essa fase durará pouco, pois o Autor da fé é também seu Consumador (Hb 12.2) e ele fará com que essa fé volte a frutificar bem depressa, como fez em Corinto. 
Bom, você também perguntou sobre evangelismo e oração. Sobre isso vou escrever na semana que vem, ok? Meu espaço acabou! 
Forte abraço, 
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O que a Bíblia quer ensinar quando afirma que o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo?

E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Apocalipse 13:8

Convidados da noite: Rev. Ricardo Moura Lopes Coelho e o Bp. José Ildo Mello
Exibido: 28-08-2015

O Vejam Só! é um programa de debates e reflexões transmitido de segunda a sexta-feira, às 23:00 horas, pela Rede Internacional de Televisão - RIT TV.
Tem como apresentador, o Rev. Eber Cocareli.
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Como Posso Saber se Sou um Eleito de Deus?

A doutrina da eleição é claramente exposta na Bíblia. Isso não significa que é uma doutrina fácil de ser aceita por nosso intelecto decaído. Significa apenas que ela está nitidamente presente nos Escritos Sagrados e nenhuma pessoa que aceita a Bíblia como revelação perfeita de Deus pode negar que os seus escritores a expuseram enquanto eram movidos pelo Espírito Santo a escrever.

Sendo uma doutrina de difícil compreensão, várias perguntas a cercam. Uma delas, talvez das mais comuns, é “como posso saber se sou um eleito de Deus?”. A resposta básica a essa pergunta é bem simples: se você crê em Cristo tendo-o como salvador suficiente e único, você é um eleito, pois esse modo de crer se constitui precisamente na “fé dos eleitos” (Tito 1.1). Se, por outro lado, você rejeita essa fé e, ao longo da vida, perseverar nessa postura até a morte, você não é um eleito, pois ninguém que tenha sido escolhido por Deus morre na incredulidade. De fato, todos os eleitos são também chamados por Deus, depois justificados e, finalmente, glorificados (Rm 8.30). Assim, nenhum deles morre fora da fé!

Como se vê, a prova da eleição é a fé em Cristo. Jesus disse aos judeus que tinha outras ovelhas fora do aprisco de Israel (Jo 10.16; veja-se também João 11.51-52). Essas ovelhas eram pessoas de todas as nações, homens e mulheres escolhidos pelo Senhor que ainda não tinham sequer ouvido sua mensagem. Mesmo assim, uma vez que eram eleitas, Jesus as chamou de “minhas ovelhas”. Como, porém, os pregadores enviados pelo Mestre conseguiriam distinguir essas ovelhas das outras pessoas espalhadas pelo mundo? A resposta do Senhor foi simples: “Elas ouvirão a minha voz!” Com efeito, sendo a fé salvadora um dom de Deus (Jo 6.44,65; Ef 2.8; Hb 12.2), somente seus escolhidos experimentariam a alegria de nutri-la no coração, sendo esta a principal marca da eleição divina.

Há, porém, outros fatores que podem ser observados como provas da eleição de uma pessoa. Um texto importante que auxilia na compreensão disso é 1Tessalonicenses 1.3-4. Nesse texto, Paulo afirma que reconhecia a eleição dos crentes de Tessalônica ao observar a operosidade da sua fé, a abnegação do seu amor e a firmeza da sua esperança.

A operosidade da fé mostrava que o evangelho não havia chegado àquelas pessoas somente em palavras, mas com poder ministrado pelo Espírito Santo (v.5), de modo que a fé que tinham era produtiva, ou seja, não se tratava de uma fé morta ou estéril, mas uma fé que realizava algo e produzia frutos. No texto, é possível perceber que essa fé fora operante no sentido de fazer com que os tessalonicenses se tornassem imitadores de Paulo e de Cristo, tornando-se modelos para os crentes de toda a Grécia (vv.6-7).

A abnegação do amor apontava para a disposição amorosa de trabalhar para o Senhor mesmo sob um custo alto, enfrentando oposição, perseguição e lutas sem esmorecer (v.6). Os crentes de Tessalônica serviam ao Senhor com amor e isso lhes custava caro numa sociedade pagã — mas eles permaneciam firmes e Paulo viu nisso mais uma prova de que eram eleitos.

Finalmente, a firmeza da esperança diz respeito a uma esperança paciente na vinda do Filho de Deus (v.10). O homem salvo não fixa seu coração nas coisas do presente século na expectativa de que a felicidade venha delas. Em vez disso, desfruta da realidade que o circunda sabendo que é apenas uma dádiva temporária e que a real satisfação se encontra no divino Doador que um dia virá. Com essa percepção, ele aguarda com doce expectativa o dia em que o Reino de Deus se estabelecerá neste mundo e no porvir, não se deixando dominar pelas propostas ilusórias do pecado.

Eis aí, portanto, algumas evidências da eleição. Como se vê, não é difícil detectá-las na vida de alguém. Paulo as encontrou nos crentes recém-convertidos de Tessalônica. Ele as encontraria em você?

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Deus Ama Todos, mas não Salva Todos!

Recentemente, recebi a seguinte mensagem:
Paz e Graça, Pr. Marcos. 
Eu tenho uma dúvida sobre 1Timóteo 2.3-4. O senhor disse certa vez que esse texto significa que Deus realmente quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.
Entretanto, acho que isso contraria a doutrina da eleição incondicional. Veja a contradição no silogismo abaixo: 
1) Deus escolhe os eleitos de acordo com a sua soberana vontade;
2) Deus quer que todos os homens se salvem;
3) Deus escolhe apenas alguns para a salvação.
Conclusão: a vontade de Deus NÃO foi satisfeita. De acordo com esse raciocínio, haveria algo maior que limitaria a vontade de Deus. Logo, parece-me que o único meio de o calvinismo resolver essa questão é dizer que no texto de 1Timóteo 2.3-4 “todos os homens” não significa “todos”. Se significasse, a vontade de Deus seria limitada por algum fator. Que fator seria esse? 
Desculpe prolongar-me na pergunta. Aguardo ansioso pela resposta.
Irmão Z
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A pergunta do irmão Z circula pela cabeça de muita gente. Por isso, resolvi compartilhar com todos a resposta que enviei para ele:
Prezado irmão Z, 
Obrigado por levantar essa importante questão. Espero poder ajudá-lo com o que escrevo a seguir. 
De antemão, queria destacar que o silogismo não é a melhor maneira de se fazer teologia. Já usaram bastante esse método no período escolástico (quando tentaram casar teologia com filosofia) e o resultado não foi a obtenção de verdades bíblicas, mas sim um modelo tão distante das Escrituras que foi necessário o advento da Reforma pra tentar resolver um pouco as coisas. 
Outra ressalva que quero apresentar é que eu creio sim que Deus quer que todos os homens sejam salvos. No entanto, penso que o texto de 1Timóteo não seria interpretado de forma absurda se entendermos “todos os homens” no sentido expresso nos vv.1-2. Veja com atenção esses versículos, em que Paulo manda orar por “todos os homens” e então dá um exemplo do que tem em mente, dizendo “em favor dos reis...”. Isso mostra que “todos os homens”, nessa passagem, pode sim se referir a classes de homens: reis, governadores, escravos, gentios, judeus... É esse o sentido claro de “todos os homens” no v.2 (aliás, seria impossível orar em favor de cada indivíduo que há no mundo) e pode muito bem ser também o sentido da expressão no v.4. 
Mesmo assim, creio que Deus quer que todos os homens sejam salvos. Só estou dizendo que o texto de 1Timóteo 2 não é o melhor texto para se defender isso, como pensam os arminianos. 
O que eu disse, porém, leva à questão levantada por seu silogismo. Como se pode conciliar isso com a doutrina da eleição? Vou tentar explicar apresentando uma sequência de verdades: 
1. Deus quer que todos os homens se salvem, pois é um Deus de amor infinito; 
2. Deus quer também mostrar a sua justa ira sobre a humanidade pecadora — Rm 9.22 (essa parte dos fatos não foi levada em conta no seu silogismo); 
3. Para conjugar esses dois anseios, Deus age não com base em suas “inclinações” (somente seu amor ou somente sua ira), mas sim por meio de um decreto eletivo (o beneplácito ou conselho de sua vontade, mencionado em Efésios 1). É aí que sua vontade afetiva cede lugar à sua vontade decretiva; 
4. Assim, por meio da eleição, Deus realiza tanto o seu amor infinito como a sua ira justa. 
Veja que, para entender isso, é preciso considerar que Deus quer TAMBÉM mostrar sua ira contra o pecado. Os arminianos não entendem (ou não aceitam isso), pois pintam um deus meio papai-noel, que só quer mostrar amor — um deus criado pela mentalidade popular. Eles erram não obedecendo ao que Paulo diz em Romanos 11.22: “Considerai, pois, a bondade e a SEVERIDADE de Deus...”. Note que seu silogismo o deixou numa situação difícil porque você não considerou a severidade de Deus, mas somente sua bondade. Aí se deparou com o dilema de qual fator impede a suposta vontade de Deus de somente salvar. Quando, porém, se olha para o ensino bíblico completo, percebemos que a vontade completa de Deus (que envolve salvar e PUNIR) não foi frustrada. Antes, pela eleição, seu desejo de salvar e seu desejo de punir foram ambos satisfeitos. 
Agora, gostaria de olhar para o problema que você apresentou destacando o drama arminiano. Os arminianos insistem que Deus quer que todos sejam salvos e ponto final. O problema é que, obviamente, nem todos são salvos. Aí entra o problema que você levantou: qual é o fator que impede que a vontade de Deus se realize? A resposta arminiana é simples: o “livre arbítrio”, ou seja, a vontade humana impede que a vontade divina se realize. Opa! Você percebe aonde estamos chegando? A vontade humana impede que a vontade divina se realize! 
Isso já é de doer, mas os arminianos saem dessa muito facilmente, dizendo: “Deus permite que seja assim porque ele respeita a vontade humana e, por isso, deixa a decisão com o homem”. Opa! Como é que é? Um Deus de amor, cujo único desejo é salvar todos, vê milhões de pessoas tomarem uma decisão que as leva ao inferno eterno e ele as deixa seguir em frente por respeito!!! 
Traga isso para nossa experiência humana. Eu vejo uma pessoa tomar a decisão de beber veneno. Então, como eu a amo muito e respeito sua liberdade, eu permito que ela beba. O que você acha? Tudo bem pra você? Sabendo disso, você diria: “Que pessoa fantástica é esse Granconato! Quanto respeito ele tem pela liberdade das pessoas!”. Você diria isso? Ora, por favor! Em vez disso você me perguntaria: “Pastor, por que você não a impediu? Como pôde ser tão indiferente e deixá-la seguir naquela decisão maluca?”. Se eu respondesse que agi assim por amor e respeito você não diria que eu sou louco? 
Pois bem, o deus arminiano é assim: ele deseja apenas salvar a todos, mas, por “respeito”, ele permite que milhões tomem o veneno sem fazer nada, deixando tudo para o homem decidir. Quem decidir ter fé, sorte dele. Quem não quiser ou não conseguir ter fé, sinto muito... 
Já o Deus bíblico interfere. Ele sabe que os homens, por causa da natureza pecaminosa e da corrupção de seu coração, se forem deixados à mercê de si mesmos, todos optarão por tomar o veneno. Então ele interfere, livrando milhões de pessoas, falando ao coração delas, convencendo-as do perigo, trabalhando docemente em sua vontade, quebrantando sua mente perversa, concedendo-lhes a fé (dom de Deus), chamando-as pelo nome com sua doce voz e conduzindo-as ao Filho. 
Por que esse Deus não age assim com todos? Porque ele quer também mostrar sua ira. 
Por que ele escolheu a mim para mostrar seu amor e ao meu vizinho para mostrar sua ira? Esse é o abismo da cruz! Nada de bom foi visto em nós. Eis o mistério! É a graça totalmente gratuita. Diante do abismo eu me curvo com uma mente cheia de perguntas (por que ele me escolheu?), mas também com o coração cheio de gratidão (obrigado porque o Senhor me escolheu). 
Bem, acho que já escrevi muito. Espero ter ajudado um pouquinho. 
Deus o abençoe em sua busca. A teologia da salvação é uma aventura fantástica. Espero que você cresça nesse caminho e vibre com as verdades da graça inescrutável do nosso soberano Deus. 
Abraço fraternal, 
Pr. Marcos Granconato 
Soli Deo gloria
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Fonte: Igreja Batista Redenção
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A depravação adâmica propagada a todos os seus descendentes

Ouvimos que a depravação dos pais de tal modo se transmite aos filhos, que todos, sem qualquer exceção, se fazem poluídos em sua concepção. Não se achará, porém, o ponto de partida desta poluição, se, como à fonte, não remontarmos ao primeiro genitor de todos. Desse modo deve-se, por certo, sustentar  que Adão não foi apenas o progenitor, mas ainda como que a raiz da natureza humana, e daí, na corrupção daquele, foi com razão corrompido todo o gênero humano. Isto o Apóstolo faz claro pela comparação daquele com Cristo. Diz ele: “Assim como através de um só homem entrou o pecado no mundo inteiro, e através do pecado a morte, que foi propagada a todos os homens, uma vez que todos pecaram, assim também, pela graça de Cristo, nos foram restituídas a justiça e a vida”  [Rm 5.12, 17].

O que os pelagianos grasnarão aqui? O pecado de Adão propagado por imitação? Logo, outra coisa não usufruímos da justiça de Cristo, senão que ela nos é um exemplo proposto para imitação? Quem suportaria tão grande sacrilégio? Porque, se está fora de controvérsia que, mediante comunicação, a justiça de Cristo é nossa, e desta  a decorrer  a vida, segue-se, ao mesmo tempo, que em Adão foram ambas assim perdidas, como em Cristo ambas são recuperadas. De igual modo, assim se infiltraram o pecado e a morte através de  Adão como são abolidos por meio de Cristo. Estas não são palavras obscuras: que muitos são justificados pela obediência de Cristo, da mesma forma que haviam sido constituídos pecadores pela desobediência de  Adão [Rm 5.19].

E por isso, entre estes dois [Cristo e  Adão], a relação é esta: que este,  a nós  envolvendo em sua ruína, consigo nos perdeu; Aquele, por sua graça, nos restituiu à salvação. Em luz tão meridiana da verdade, sou de parecer que não se faz necessária nenhuma comprovação mais extensa ou mais laboriosa. Assim, na Primeira Epístola aos Coríntios, como visa a firmar os piedosos na confiança da ressurreição, o Apóstolo mostra que em Cristo é recuperada a vida que fora perdida em Adão [1Co 15.22].

Quem declara que todos nós morremos em Adão, já, ao mesmo tempo, também atesta abertamente estarmos enredilhados no estigma de seu pecado. Pois a condenação não alcançaria àqueles que não foram tocados pela culpa de iniqüidade. Mas, ao que  Paulo  visa, não se pode entender mais claramente que  à luz  da relação do outro membro  da cláusula, onde ensina ser em Cristo restaurada a esperança de vida. Sabe-se sobejamente, porém, que isso não se pode dar de outra maneira senão onde, mercê dessa admirável comunicação, Cristo transmite a nós o poder de sua justiça, tal como está escrito em outro lugar: “O Espírito nos é vida em razão de  sua  justiça” [Rm 8.10].

Portanto, nem é defensável interpretar-se de outra forma o que se diz: que em Adão todos nós morremos;  senão que ele, em pecando, não apenas acarretou a si próprio a miséria e a ruína, como também precipitou nossa natureza em semelhante derrocada. Isso não se deu somente por sua corrupção pessoal, a qual não nos diz respeito; ao contrário, porque infeccionou a toda sua descendência com essa depravação em que caíra. Tampouco se manteria, de outra maneira, também a  declaração de Paulo de que todos são por natureza filhos da ira [Ef 2.3], a não ser que, já no próprio ventre, estivessem sob a maldição da culposidade. Depreende-se facilmente que por certo aqui não se deve entender natureza como foi criada por Deus; antes, como foi corrompida em Adão, pois que estaria muito longe de ser procedente que Deus se fizesse o autor da morte.

Portanto, de tal forma se corrompeu Adão que o contágio se transmitiu dele a toda a descendência. Além disso, onde ensina que todo o que é gerado da carne é carne [Jo 3.6], o próprio Juiz celestial, Cristo, proclama com sobeja clareza que todos nascem ímpios e depravados, e por isso a todos está fechada a porta da vida, até que sejam gerados de novo [Jo 3.6].
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Por João Calvino
Fonte : As Institutas, volume 2, capítulo 1.6
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Patrística - Aula 8/8


Por Marcos Granconato
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sábado, 19 de dezembro de 2015

Se o homem tem livre-arbítrio, como explicar as ações de Pilatos e Herodes?

Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel;
Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.
 Atos 4:27,28

Convidados: Rev. Welerson Alves Duarte e o Pr. Daniel M. Costa.
Exibido: 02-06-2015

O Vejam Só! é um programa de debates e reflexões transmitido de segunda a sexta-feira, às 23:00 horas, pela Rede Internacional de Televisão - RIT TV.
Tem como apresentador, o Rev. Eber Cocareli.
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A diferença entre Arrependimento e Fé


O Arrependimento pode ser definido como a volta para Deus, em fé, a qual é indissoluvelmente associado, porém inconfundivelmente distinto.

Se bem que estas coisas todas são verdadeiras, contudo o termo arrependimento, em si, até onde posso alcançar das Escrituras, deve ser tomado em acepção diferente. Visto que querem confundir a fé com arrependimento, se põem em conflito com o que Paulo diz em Atos [20.21]: “Testificando a judeus e gentios o arrependimento para com Deus e a fé em Jesus Cristo”, onde enumera arrependimento e fé como duas coisas diversas. E então? Porventura pode o verdadeiro arrependimento subsistir à parte a fé? Absolutamente, não. Mas, embora não possam ser separados, devem, no entanto, ser distinguidos entre si. Da mesma forma que a fé não subsiste sem a esperança, e todavia fé e esperança são coisas diferentes, assim o arrependimento e a fé, embora sejam entre si ligados por um vínculo perpétuo, no entanto demandam que permaneçam unidos, e não confundidos.

Certamente não ignoro que sob o termo arrependimento se compreende toda a conversão a Deus, da qual a fé é parte não mínima; contudo, claramente se verá em que sentido se afirma isto, quando se explica sua força e natureza. O termo arrependimento foi, para os hebreus, derivado da palavra que significa expressamente conversão ou retorno; para os gregos, ele veio do vocábulo que quer dizer mudança da mente e de desígnio. À etimologia de um e outro desses dois termos não se enquadra mal o próprio fato, cuja síntese é que, emigrando de nós mesmos, nos voltemos para Deus; e, deposta a mente antiga, nos revistamos de uma nova. Isto posto, pelo menos em meu modo de julgar, não se poderá assim definir mal o arrependimento: é a verdadeira conversão de nossa vida a Deus, procedente de um sincero e real terror de Deus, que consiste da mortificação de nossa carne e do velho homem e da vivificação do Espírito.

Nesse sentido devem ser tomadas todas as alocuções com que ou os profetas outrora ou os apóstolos, mais tarde, exortavam os homens de seu tempo ao arrependimento. Pois, estavam pleiteando apenas que, confundidos por seus pecados e trespassados pelo medo do juízo divino, se prostrassem e se humilhassem diante desse contra quem haviam se revoltado e, em verdadeiro arrependimento, a seu reto caminho se volvessem. Por isso usaram esses termos indiscriminadamente, com o mesmo sentido: converter-se ou volver-se para o Senhor, arrepender-se e fazer penitência.

Quando até mesmo a História Sagrada diz que arrepender-se é ir após Deus, a saber, quando os homens, que não tinham a Deus em mínima conta, se esbaldavam em seus deleites, agora começam a obedecer-lhe à Palavra e se põem à disposição de seu Chefe para avançar aonde quer que ele os houver de chamar. E João Batista e Paulo usaram da expressão produzir frutos dignos de arrependimento [Lc 3.8; At 26.20; Rm 6.4] em lugar de levar uma vida que demonstre e comprove, em todas as ações, arrependimento desta natureza.
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Por João Calvino (1509-1564)
Fonte: O Calvinista
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Exposição na Carta aos Efésios

Razões para você largar a imoralidade e a cobiça
Mas a fornicação, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos;
Nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações de graças.
Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.
Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.
Portanto, não sejais seus companheiros. Efésios 5:3-7 

Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
Culto Noturno
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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A diferença entre uma fé autêntica e uma fé falsa

… Como o solo pedregoso na parábola de Cristo, você pode receber a palavra de Deus com alegria (Mt 13:20). Pode mudar seu modo de vida, evitar o pecado e fazer o que é certo, como o fariseu que disse corretamente: “ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens” (Lc 18:11). Você pode aprovar os ensinamentos de Cristo, como aqueles que disseram de Jesus, em João, capítulo 7, versículo 46: “Nunca homem algum falou assim como este homem. Você pode ser assim, e entretanto não ser um cristão autêntico. Do mesmo modo, aqueles que não são verdadeiros cristãos podem falar de modo muito semelhante aos crentes. Podem falar sobre o evangelho, admitir seus pecados perante os outros, se entristecer por seus pecados, podem aprender o que Deus que que façam, podem se juntar aos cristãos por um tempo e trabalhar com eles, podem dar dinheiro para o trabalho de Deus. Podem fazer tudo isso, entretanto ainda assim não ser cristão autêntico.

Ademais, os que de fato não são cristãos podem se tornar dolorosamente conscientes de seus pecados. Podem ficar preocupados sobre o mal neles mesmos, como Judas ao dizer: “Pequei, traindo o sangue inocente” (Mt 27:4). Podem ficar profundamente perturbados quando ouvem pregações sobre a santidade de Deus, e Seu futuro julgamento contra o pecado, a necessidade de auto controle e santidade de vida. Félix foi assim, quando Paulo pregou a ele: enquanto Paulo argumentava sobre honradez, auto controle e julgamento, Félix teve medo (At 24:25). Mais tarde, essas mesmas pessoas, que estavam preocupadas com a verdade de Deus, podem encontrar alguma paz e tranquilidade, esperando que Cristo as salve. Tudo isso pode se seguir a uma grande reforma de caráter e uma mudança no modo de viver. De fato, toda essa preocupação com o pecado e mudança de conduta pode parecer endossado por algumas experiências especiais da bondade de Deus. Hebreus, capítulo 6, versículo 4 e 5, até mostra que tais pessoas podem encontrar um certo tipo de satisfação no que Deus diz. No entanto, apesar de tudo, elas ainda podem estar longe de Deus, sem ter sido mudadas por Sua bênção de uma nova vida. …

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Por William Guthrie – As Raízes de Uma Fé Autêntica, p. 38
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Patrística - Aula 7/8


Por Marcos Granconato
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domingo, 13 de dezembro de 2015

Uma conversa entre Charles Simeon e John Wesley...

Numa conversa que Charles Simeon, ministro da Holy Trinity Church, em Cambridge, teve com John Wesley, em 1784:

- Senhor, sei que o chamam de arminiano; e algumas vezes sou chamado de calvinista; portanto, deveríamos desembainhar as espadas. Porém, antes de consentir em iniciar o combate, permita-me fazer-lhe algumas perguntas.
Diga-me: O senhor se sente uma criatura depravada, tão depravada que nunca teria pensado em voltar-se para DEUS, se ELE não tivesse colocado isso em seu coração?

-Sim (replicou Wesley), sinto-o realmente.

- E não tem esperança alguma tornar-se aceitável perante DEUS por qualquer coisa que possa fazer por si; e espera na salvação exclusivamente através do sangue e da justiça de CRISTO?

-Sim, unicamente por meio de CRISTO.

-Mas, senhor, supondo-se que foi inicialmente salvo por CRISTO, não poderia de alguma outra forma salvar-se depois, através de suas próprias obras?

-Não, mas terei de ser salvo por CRISTO do principio ao fim.

-Admitindo, portanto, que foi inicialmente convertido pela graça de DEUS, o senhor, de um modo ou de outro não tem que se manter por suas próprias forças?

-Não.

-Nesse caso, então, o senhor tem que ser mantido, cada hora e momento, por DEUS, tal como uma criança nos braços de sua mãe?

-Sim, inteiramente.

-E toda sua esperança está firmada na graça e misericórdia de DEUS, para ser preservado até o seu reino celeste? 

-Sim, não tenho esperanças senão NELE.

- Então, senhor, com sua permissão embainharei novamente a minha espada; pois este é todo o meu calvinismo; está é a minha eleição, minha justificação pela fé, minha perseverança final; em suma, é tudo quanto sustento, e como o sustento; portanto, se lhe parecer bem, em lugar de buscarmos termos e frases que serviriam de base para luta entre nós, unamo-nos cordialmente naquelas cosias sobre as quais concordamos.
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Por Franklin Ferreira
Livro: Servos de Deus | Editora Fiel
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sábado, 12 de dezembro de 2015

Da leitura das Sagradas Escrituras

1.Nas Sagradas Escrituras deve procurar a verdade, não a eloquência.
Devem ser lidas com o mesmo espírito com que foram ditadas.
Busque-se antes a utilidade que a subtileza da linguagem.
Devemos ler, com igual boa vontade, tanto os livros simples e piedosos, como os sublimes e profundos.
Não te mova a autoridade de quem escreve, se é de pouca ou de muita erudição; seja o puro amor da verdade que te leve à leitura.
Não procures saber quem disse, mas o que foi dito. 
2.Os homens passam, mas a verdade do Senhor permanece eternamente.
De vários modos ela nos fala de Deus, sem acepção de pessoa.
Nossa curiosidade, muitas vezes, nos prejudica na leitura das Escrituras; porque pretendemos entender e discernir tudo, quando conviria, simplesmente, ir além.
Se queres tirar proveito, lê com humildade, com fé e simplicidade, e não aspires jamais ter a fama de letrado.
De boa vontade consulta e ouve calado as palavras dos santos; nem te enfades com as sentenças dos mais velhos, porque eles não as proferiram sem razão.
Reflexão

O que é que a razão compreende? Quase nada; mas a fé abraça o infinito. O que crê está muito acima do que discorre, e a simplicidade do coração é preferível à ciência que alimenta a soberba.
O desejo de saber foi quem perdeu o primeiro homem: buscava a ciência, achou a morte.
Deus que nos fala na Escritura não quis satisfazer nossa vã curiosidade, mas alumiar-nos acerca de nossos deveres, exercer nossa fé, purificar e nutrir nossa alma com o amor dos verdadeiros bens, que todos estão encerrados n'Ele.
A humildade de espírito é, pois, a disposição mais necessária para ler com fruto os livros santos; e já não é pouco compreender quanto eles são superiores à nossa razão fraca e limitada.
Aparecestes, Luz divina, à gente que estava em trevas de pecados; aparecei também a meu espírito, quando leio e medito Vossa Palavra na Sagrada Escritura. Ó Luz divina que nunca escureceis, ó resplendor celeste que nunca tendes trevas, ó dia formoso que nunca anoiteceis, ó sol rutilante que não tendes ocaso, caminhai com Vossa formosura e entrai nesta alma que está desejosa de Vossa claridade; enchei-a de Vosso clarão divino para que em Vós entenda a verdade, por Vós a pratique, e goze de Vós que sois a eterna verdade.
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Por Thomas à Kempis
Livro: A Imitação de Cristo (Tradução: Ed. Paulus)
¹ Saint Bernard Philippe de Champaigne (d'après) Saint Etienne du Mont
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No princípio Deus

“No princípio Deus”. As três primeiras palavras da Bíblia são mais que uma introdução à história da criação ou ao livro de Gênesis. Elas fornecem a chave que abre a nossa compreensão da Bíblia como um todo, revelando-nos que na religião bíblica a iniciativa é de Deus.

Ninguém consegue surpreender Deus. Não podemos nos antecipar a Ele. Ele sempre faz o primeiro movimento. Ele está sempre ali, “no princípio”. Antes que o homem existisse, Deus agiu. Antes que o homem se movesse para buscar a Deus, Deus buscou o homem. A Bíblia não mostra o homem tateando em busca de Deus; o que vemos é Deus alcançando o homem.

Muitas pessoas imaginam Deus como alguém assentado confortavelmente em um trono distante, remoto, isolado, desinteressado e indiferente às necessidades dos mortais, até que alguém consiga aborrecê-Lo a ponto de fazê-Lo agir em seu favor. Uma visão assim é totalmente falsa. O Deus revelado pela Bíblia é um Deus que saiu em busca do homem, muito antes que o homem pensasse em voltar-se para Deus. Enquanto o homem ainda estava perdido na escuridão e mergulhado no pecado, Deus tomou a iniciativa, ergueu-se de Seu trono, deixou de lado a Sua glória, e inclinou-Se para procurá-lo, até encontrá-lo.

A iniciativa e a soberania de Deus podem ser vistas em várias situações. Ele tomou a iniciativa na criação, trazendo o universo e seus elementos à existência: “No princípio criou Deus os céus e a terra”. Ele tomou a iniciativa na revelação, manifestando à humanidade Sua natureza e Sua vontade: “Havendo Deus outrora falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho”. Ele tomou a iniciativa na salvação, vindo em Jesus Cristo para libertar homens e mulheres de seus pecados: “[Deus]… visitou e redimiu o seu povo”.
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John Stott, Cristianismo Básico.

John Stott (1921 -2011) era conhecido no mundo inteiro como teólogo, escritor e evangelista. Quando faleceu, era pastor emérito da All Souls Church, Langham Place, em Londres, e presidente do London Institute for Contemporary Christianity. Foi indicado pela revista “Time” como uma das personalidades mais influentes do mundo.

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O Clamor por Reavivamento

"Não tornarás a vivificar-nos, para que o teu povo se alegre em ti?" Salmos 85:6
Nota sobre o Autor: Robert M. M'Cheyne nasceu em 21/05/1813, em Edinburgh, Escócia. Foi autorizado a pregar aos 22 anos, ordenado ao pastorado da Igreja de S. Pedro, em Dundee - Escócia, aos 23 anos e morreu 6 anos mais tarde. Ele raramente pregava fora da sua terra nativa. Também não escreveu livros e era extremamente frágil de saúde. Entretanto, o impacto do "profeta de Dundee", como era conhecido, permanece até hoje. A História registra que toda a Escócia foi sacudida por ele, e com a sua morte, ela pranteou.

A presente mensagem foi pregada por McCheyne durante seu breve ministério. Ela nos permite olhar o coração de um homem totalmente entregue ao seu Senhor, que experimentou um reavivamento pessoal e sabia quão necessária era esta mensagem para a Igreja.

Introdução

É interessante notar o contexto em que esta oração(Sl.85:6) foi feita. Era tempo de misericórdia. Tempo em que Deus conduziu muitos aos conhecimento de Cristo e cobrira muitos pecados (Sl 85:2) "Perdoaste a iniqüidade do teu povo; cobriste todos os seus pecados. (Selá.)". Neste tempo eles começaram a sentir necessidade de outra visita de misericórdia.

O pedido desta oração foi "'vivificar novamente", ou , literalmente, "retornar a nos fazer viver de novo". É a oração daqueles que receberam alguma vida, mas sentem necessidade de mais. Receberam vida pelo Espírito Santo. Eles sentiram o prazer e a excelência desta nova vida, divina vida. Eles suspiram por mais.

Seu argumento é: "para que Teu povo se alegre em Ti". Eles rogam a Deus que faça isto pelo bem do Seu povo, para que a alegria deles seja completa no Senhor; no Senhor sua Justiça, no Senhor sua Força.

I. Quando esta Oração é Necessária?

1. Em Tempos de Apostasia - Há tempos quando, como em Éfeso, muitos dos filhos de Deus abandonam seu primeiro amor. A iniquidade abunda e o amor esfria em muitos. Crentes abandonam sua íntima comunhão com Deus. Apartam-se da santidade e oram à distância com um véu entre eles. Perdem seu fervor, prazer e satisfação na oração secreta. Eles não derramam seus corações para Deus.

Eles perderam o conhecimento límpido de Cristo. Eles O vêem mas obscuramente. Perderam a visão da Sua beleza, o perfume do Seu bom ungüento, o tocar das suas vestes. Eles O procuram, mas não O acham. Eles não podem mover seus corações para se agarrar em Cristo.

O Espírito habita de forma escassa em suas almas. A água da vida parece quase esgotar-se dentro deles. A alma é sem vida e infrutífera. As corrupções são fortes; a graça é muito fraca.

O amor aos irmãos desvanece. A reunião de oração é desprezada. A pequena assembléia não parece mais bonita. A compaixão pelo inconverso é pequena e fria. O pecado não é reprovado, pesar de cometido embaixo dos seus olhos. Cristo não é confessado diante dos homens. Talvez a alma caiu em pecado e teme retornar; permanece longe de Deus, e habita no deserto. Ó! Este é o caso de muitos, eu temo. É um período temerariamente perigoso. Nada, senão a visita do Espírito Santo a suas almas, pode persuadi-los a voltar. Não é o tempo de orar: "Não tornarás a vivificar-nos?"

A alma do crente necessita da graça a cada momento. "Pela graça de Deus eu sou o que sou"(1Co. 15:10). Mas há momentos quando ela precisa mais dela. Assim como o corpo precisa de comida continuamente, mas em tempos de grande esforço físico, quando toda a força está para ser empregada, ele precisa do alimento ainda mais.

Algumas vezes, a alma do crente é exposta a perseguição. A acusação fere o coração ou ele lateja como o sal ardente sobre a cabeça. "Em paga do meu amor são meus adversários"(Sl.109:4). Às vezes os filhos de Deus nos reprovam e isto é ainda mais difícil de suportar. A alma está prestes a submergir.

Às vezes é a lisonja que tenta a alma. O mundo nos louva e somos tentados ao orgulho e à vaidade. Isto é muito difícil resistir. Às vezes satanás contende conosco, ativando corrupções temerárias, até que haja uma tempestade dentro de nós. Ó! Há alguma alma tentada ouvindo estas palavras? Jesus ora por ela. Você precisa de mais paz. Nada a não ser o óleo do Espírito alimentará o fogo da graça quando satanás está jogando água nele. Clame aos céus "Não tornarás a vivificar-nos?"

2. Em Tempos de Inquietação - "Pedi ao Senhor chuva no tempo da chuva serôdia, sim, ao SENHOR que faz relâmpagos; e lhes dará chuvas abundantes, e a cada um erva no campo."(Zc 10:1). Quando Deus começa um tempo de inquietação num lugar, quando o orvalho está começando a cair, então é tempo de orar, Senhor não retenhas Tua mão, dá-nos chuvas completas, não deixe nenhum secar. "Não tornarás a vivificar-nos?"

II. Quem Precisa de Reavivamento?

1. Os Pastores Precisam - Como todos os homens, eles também são endurecidos de coração e incrédulos (Mc. 6:14). A fé que possuem vem toda do alto. Eles devem receber de Deus tudo que eles dão. A fim de falar a verdade com poder; eles precisam se apoderar dela. É impossível falar com poder de uma mero conhecimento intelectual ou mesmo de experiências passadas. Se formos falar com vigor, deve advir de um sentimento atual da verdade em Jesus. Não podemos falar do misterioso maná a não ser que tenhamos seu gosto em nossa boca. Não podemos falar da água viva a não ser que ela brote em nós. Como João Batista, nós devemos ver Jesus e dizer: "Este é o Cordeiro de Deus". Devemos falar com Cristo face a face, como Estevão fez: "Eis que vejo Jesus em pé à destra de Deus". Devemos falar como fruto do sentimento de perdão e acesso a Deus existente em nós, ou nossas palavras serão frias e sem vida. Mas como podemos fazer isto se não formos vivificados do alto? Pastores são mais expostos a ser abatidos do que outros homens. Eles são líderes e satanás adora quando um líder falha. Ó! que necessidade de um revestimento da plenitude de Cristo!

Ore, amado, que seja assim "Não tornarás a vivificar-nos?"

2. Os Filhos de Deus - A vida divina é toda do alto. Eles não tem vida até que venham a Cristo. "Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos." (Jo. 6:53). Agora esta vida é mantida pela união com Cristo e pelo suprimento obtido, a cada momento, da Sua plenitude. "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." (Jo. 6:56).

Em alguns crentes esta vida é mantida por uma constante afluência do Espírito Santo. "Eu ... a cada momento a regarei" Is. 27:3 - como o constante suprimento que o ramo recebe da videira. Estes são os mais alegres e mais justos cristãos. Outros tem enchentes do Espírito, carregando-os para mais e mais alto. Algumas vezes eles obtêm mais em um dia do que em meses anteriores. Num dia como este, a graça é como um rio; no outro, é como uma chuva de estação. Não obstante, em ambos os casos há necessidade de reavivamento. O coração natural é todo tendente a definhar. Como um jardim no verão, ele seca, a menos que seja aguado. A alma cresce débil. e sem vigor nas boas obras. Graça não é natural ao coração. 0 velho coração está sempre secando e definhando. Assim sendo, o filho de Deus precisa, continuamente, vigiar, como o servo de Elias, para a pequena nuvem sobre o mar. Você necessita estar continuamente perto da Fonte da água da vida, descansar na fonte da nossa salvação e beber dela. "Não tornaras a vivificar-nos?"

3. Os que Outrora Foram Despertados - Uma gota caiu do céu sobre seus corações. Eles estremeceram, choraram e oraram. Mas as chuvas passaram e o coração de pedra parou de estremecer. O olho novamente fechou de sono; os lábios esqueceram de orar. Ah, quão comum e triste é este caso! O Rei de Sião levantou Sua voz neste lugar e chorou. Alguns que estavam em suas covas ouviram Sua voz e começaram a viver. Mas isso passou e agora eles começaram a naufragar, outra vez, da graça para a alma sem vida. Ah! este e um estado terrível! Voltar a morte, amar a morte e fazer mal a sua alma O que pode salvar tal pessoa, a não ser outro chamado de Jesus? "Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará." (Ef. 5:14. Para o seu próprio bem, mais do que tudo eu oro: "Não tornarás a vivificar-nos?"

4. As Figueiras Infrutíferas - Alguns de vocês foram plantados nesta vinha. Experimentaram sol e chuva. Você passou por todo este tempo de despertamento sem sofrer nenhuma mudança. Você ainda está morto, infrutífero, inconvertido e estéril. Ah! Não há esperança para você a não ser nesta oração.

Tempos ordinários não lhe moverão. Seu coração está mais endurecido do que de outros homens. Quanta. necessidade você tem de orar por uma profunda, pura e efetiva obra de Deus, e que você não seja ignorado. Muitos de vocês podem suportar o choque melhor agora, Muitos de vocês tem resistido a Deus e extinguido o Espírito. Ó, ore por tempos que removam montanhas. Ninguém a não ser o Todo-Poderoso Espírito, pode tocar seu coração de pedra. "Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel serás uma campina." (Zc. 4:7) "Não tornarás a vivificar-nos?"

III. Sobre Quem o Reavivamento Vem?

É Deus quem deve nos reavivar de novo. Não é um trabalho humano. É todo divino. Se você espera que homens o façam, você receberá somente a imprecação de Jeremias 17: "Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço".

O Senhor tem todos os homens em suas mãos. O Filho do Homem tem na Sua mão direita as sete estrelas. As estrelas são Seus ministros. Ele as exalta ou humilha, conforme Sua vontade soberana. Ele lhes dá toda Sua luz, ou Ele a tira delas. Ele as levanta e permite que brilhem, ou as mantêm no centro de Sua mão, como Lhe parecer melhor. Algumas vezes Ele as faz brilhar numa região do país, outras vezes, em outra. Elas brilham somente ao Seu comando. A estrela que se afasta dEle, é uma estrela cadente e Cristo irá lançá-la na escuridão para sempre. Devemos pedir a Cristo que faça Seus ministros brilharem sobre nós.

A plenitude do Espírito pertence ao Senhor. 0 Pai confiou todo o trabalho de redenção a Jesus, e por isso o Espírito é dado a Ele. "Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer." (Jo. 5:21) "Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo" (Jo. 5:26).

É Ele que mantêm os Seus próprios filhos vivos dia a dia. Ele é a fonte da água da vida e Seus filhos repousam nas águas tranqüilas e bebem cada momento, vida eterna que provêm dEle.

É Ele quem derrama o Espírito, em Sua soberania, naqueles que nunca O conheceram. "Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas " (Zc. 12:10) . Na verdade, toda a obra, do início ao fim, é dEle.

Qualquer meio será vão, até que Ele derrame o Espírito. "Sobre a terra do meu povo virão espinheiros e sarças, (Is. 32:13) ... "Até que se derrame sobre nós o espírito lá do alto; então o deserto se tornará em campo fértil, e o campo fértil será reputado por um bosque" (Is. 32:15). Nós podemos pregar publicamente, e ir de casa em casa, podemos ensinar os jovens, e avisar o idoso, mas tudo será vão; até que o Espírito seja derramado sobre nós do alto, espinhos e abrolhos crescerão. Nossa vinha será como o jardim do preguiçoso. Nós necessitamos que Cristo nos desperte, que Ele mostre Seus braços como nos dias passados; que Ele possa derramar o Espírito abundantemente.

Os filhos de Deus deveriam argumentar com Ele. Coloque seu dedo na promessa e argumente: "Os aflitos e necessitados buscam água e não há, ... Eu o Senhor os ouvirei" (Is.41:17). Diga a Ele que você é pobre e necessitado. Derrame suas súplicas diante dEle. Leve o seu vazio a Sua plenitude. Existe uma infinidade de suprimento em Cristo para toda sua necessidade e a cada momento que você necessitar.

Homens incrédulos, vocês estão dizendo, não existe promessa para nós. Mas existe, se vocês a receberem. "Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens, e até para os rebeldes, para que o Senhor Deus habitasse entre eles." (Sl. 68:28). Vocês são rebeldes? Vão e digam isso a Ele. Ó, se vocês estão dispostos a serem justificados por Ele e terem seus corações rebeldes transformados, vão e peçam-Lhe, e Ele lhes dará da água da vida. "Atentai para a minha repreensão; eis que derramarei copiosamente para vós outros o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras" (Pv. 1: 23). ". Vão e digam-Lhe que vocês são simples e escarnecedores. Peçam-Lhe que faça aquilo que Ele prometeu em Ezequiel 34:26 " Delas (das minhas ovelhas) e dos lugares ao redor do meu outeiro eu farei bênção; farei descer a chuva a seu tempo, serão chuvas de bênção." Agora vocês não podem dizer que pertencem ao monte Sião, mas podem dizer que estão ao redor dele. Ó, clame : "Não tornaras a vivificar-nos?"

IV. Os Efeitos do Reavivamento

1. Os Filhos de Deus se Regozijam nEle - Eles se alegram em Jesus Cristo. A alegria mais pura no mundo é a alegria em Cristo Jesus. Quando o Espírito é derramado, Seu povo se aproxima muito dEle e tem uma clara visão do Senhor Jesus. Eles comem Sua carne e bebem Seu sangue. Eles tem um apego pessoal ao Senhor. Eles provam que o Senhor é gracioso. Seu sangue e justiça se mostram infinitamente perfeitos, suficientes e libertadores para suas almas. Eles sentam sob Sua sombra com grande deleite. Eles descansam na Rocha. A defesa deles é a munição proveniente da Rocha. Eles repousam no Amado. Nele, eles encontram força infinita para suas almas; graça sobre graça, tudo que precisam em toda e qualquer hora de provação e sofrimento.

Então, vão através dEle, até o Pai. Nós nos alegramos em Deus, através do nosso Senhor Jesus Cristo. Nós encontramos uma porção lá, um escudo e uma grande recompensa. Isto nos concede uma alegria indizível e cheia de glória. Deus gosta de ver Seus filhos se alegrarem nEle. Ele se agrada em ver que toda nossa fonte provêm dEle. Então peçam-lhe isto. Orem para que Ele dê água ao sedento. Coloquem diante dEle todas as suas tristezas, alegrias, preocupações, consolos. Tudo deve ser falado para Ele.

Muitos se Unem a Cristo - " Quem são estes que vêm voando como nuvens, e como pombas às suas janelas?" (Is. 60:8). "E a Ele se congregarão os povos"(Gn. 49:10). Assim como todas as criaturas vieram para dentro da arca, assim também pobres pecadores vem em tempos como este. Lançando de si a capa (Mc. 10:50), suas aflições, eles procuram refúgio na arca Jesus. Ó, não há visão mais bela em todo o mundo.

Almas são Salvas - "Não é este um tição tirado do fogo?" (Zc. 3:2). " "... Não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida." (Jo. 5:24).

Deus é Glorificado - " Aquele que aceitou o Seu testemunho (de Cristo), esse confirmou que Deus é verdadeiro." (Jo. 3:33). Ele confessa a santidade de Deus, Seu amor e graça. Sua boca se enche de louvor. "Bendize, ó minha alma, ao Senhor" (Sl. 103:1). Ele anela pela imagem de Deus., em confessá-lO diante dos homens, andar em Seus caminhos. Isto nos concede alegria no céu e alegria na terra. Ó, ore para que venham tempos como este.

Há um Novo Despertamento Naqueles que se Afastaram - Se não tivermos tempos de derramamento do Espírito, muitos que antes buscavam a Cristo, mas voltaram atrás, perecerão de maneira terrível, porque eles se tomam piores do que eram antes. Algumas vezes, eles escarnecem e zombam de tudo isto. Satanás é o pior de todos, pois ele já foi um anjo, uma vez Assim também os que voltam atrás, tornam-se piores do que eram. Eles geralmente penetram mais profundamente na lama de pecados. Mas se Deus, graciosamente, derrama Seu Espírito, o coração endurecido se enternece. Ore por isso.

Pecadores são Despertados - É triste quando pecadores são audaciosos em seus pecados, quando multidões abertamente não guardam o dia do Senhor e abertamente freqüentam as tavernas. É um pecado horrível quando pecadores vivem em pecado e até sentam imóveis sob a pregação da Palavra, sem medo, e se opõem a orar diante de Deus. Mas se o Senhor se agradasse em reavivar-nos, este estado de coisas mudaria.

Estou certo de que seria uma visão fascinante vê-los indo acompanhados à casa de oração, ao invés de ir às tavernas ou antros de pecado e vergonha, que trarão ruína eterna as suas pobres almas. Seria doce ouvir o clamor das orações nos seus aposentos, ao invés de ouvir os sons de zombarias profanas, discursos duros e reprovações aos filhos de Deus. Muito melhor ver seus corações suspirando por Cristo, Seu perdão, Sua santidade, Sua glória, do que vê-los voltando-se para o mundo e seus ídolos vãos.

Ó, ergam seus corações ao Senhor por tempos como este. Peçam fervorosamente pela promessa, "... Derramarei o meu Espírito sobre toda a carne" (Jl. 2:28). Então, este deserto se transformará em um campo frutífero e seu nome será Jeová-Shammah, o Senhor está aqui.
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Fonte: Monergismo
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