terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Mozart - Requiem

História

Em Março de 1791, Mozart rege em Viena um de seus últimos concertos públicos; tocando o Concerto para piano n.º 27 (KV 595). Seu último filho, nasceu em 26 de Julho.

Poucos dias antes, bateu à sua porta um desconhecido, que se recusou a identificar-se e deixou Mozart encarregado da composição de um Réquiem em Ré menor. Deu-lhe um adiantamento e avisou que retornaria em um mês. Mas pouco tempo depois, o compositor é chamado de Praga para escrever a ópera A clemência de Tito, para festejar a coroação de Leopoldo II.

Quando subia com sua esposa Constanze na carruagem que os levaria a esta cidade, o desconhecido ter-se-ia apresentado outra vez, perguntado por sua encomenda.

Posteriormente supôs-se que aquele sombrio personagem era um enviado do conde Walsegg-Stuppach, cuja esposa havia falecido. O viúvo desejava que Mozart compusesse a missa de requiem para os ritos fúnebres no enterro de sua esposa, mas faria crer - como diz-se que já fizera antes - aos presentes que fora ele quem compôs a obra (por isso o anonimato).

Diz-se que Mozart, obsessivo com ideias de morte desde o falecimento de seu pai, Leopold, debilitado pela fadiga e pela doença que lhe atingia, muito sensível ao sobrenatural devido às suas vinculações com a franco-maçonaria e impressionado pelo aspecto misterioso do homem que encomendou a missa, terminou por acreditar que este era um mensageiro do Destino e que o requiem que iria compor seria para seu próprio funeral.

Antes de sua morte, Mozart, conseguiu terminar apenas três secções com o coro e composição completa: Introito, Kyrie e Dies Irae. Do resto da sequência deixou os trechos instrumentais, o coro, vozes solistas e o cifrado do contrabaixo e órgão incompletos, deixando anotações para seu discípulo Franz Xaver Süssmayer. Também havia indicações para o Domine Jesu e Agnus Dei. Não havia deixado nada escrito para o Sanctus nem para o Communio. Seu discípulo Süssmayer completou as partes em falta da composição, agregou música onde faltava e compôs completamente o Sanctus. Para o Communio, simplesmente utilizou dos temas do Introito e do Kyrie, à maneira de uma reexposição, para dar sentido integral à obra.

Uma das principais influências para a obra é o requiem de Michael Haydn.

A obra teve a sua estreia em Viena, 2 de Janeiro de 1793, num concerto em benefício da viúva de Mozart, Konstanze Weber. Foi interpretado novamente em 14 de Dezembro de 1793, durante uma missa para a esposa da Walsegg.


Requiem

1. Requiem

Requiem aeternam dona eis, Domine
Et lux perpetua luceat eis
Te decet hymnus, Deus in Sion
Et tibi reddetur votum in Jerusalem
Exaudi orationem meam
Ad te omnis caro veniet
Requiem aeternam dona eis, Domine
Et lux perpetua luceat eis

2. Kyrie Eleison

Kyrie eleison, Christe eleison, Kyrie eleison

3. Dies irae

Dies irae
Dies illa
Solvet saeclum in favilla
Teste cum David Sybilla
Quantus tremor est futurus
Quando judex est venturus
Cuncta stricte discussurus

4. Tuba mirum

Tuba mirum spargens sonum
Per sepulchra regionum
Coget omnes ante thronum
Mors stupebit et natura
Cum resurget creatura
Judicanti responsura
Liber scriptus proferetur
In quo totum continetur
Unde mundus judicetur
Judex ergo cum sedebit
Quidquid latet apparebit
Nil inultum remanebit
Quid sum miser tunc dicturus?
Quem patronum rogaturus
Um vix justus sit securus?

5. Rex tremendae

Rex tremandae maiestatis
Qui salvandos salvas gratis
salva me, fons pietatis

6. Recordare

Recordare Jesu pie
Quod sum causa tuae viae, ne me perdas illa die
Quaerens me sedisti lassus, redemisti crucem passus
Tantus labor non sit cassus
Juste judex ultionis
Donum fac remissionis ante diem rationis
Ingemisco tanquam reus
Culpa rubet vultus meus
Supplicanti parce Deus
Qui Mariam absolvisti
Et latronem exaudisti, mihi quoque spem dedisti
Preces meae non sum dignae, sed tu, bonus, fac benigne
Ne perenni cremer igne
Inter oves locum praesta
Et ab hoedis me sequestra, statuens in part dextra

7. Confutatis

Confutatis maledictis
Flammis acribus addictis
Voca me cum benedictis
Oro supplex et acclinis
Cor contritum quasi cinis, gere curam mei finis

8. Lacrymosa

Lacrymosa dies illa
Qua resurget ex favilla judicandus homo reus
Huic ergo parce Deus, pie Jesu Domine
Dona eis requiem! Amen!

9. Domine Jesu

Domine Jesu Christe! Rex gloriae!
Libera animas omnium fidelium
Defunctorum de poenis inferni et de profundo lacu!
Libera eas de ore leonis
Ne absorbeat eas Tartarus, ne cadant in obscurum
Sed signifer sanctus Michael
Repraesentet eas in lucem sanctam
Quam olim Abrahae promisisti, et semini ejus

10. Hostias

Hostias et preces tibi, Domine, laudis offerimus
Tu suscipe pro animabus illis
Quarum hodie memoriam facimus
Fac eas, Domine, de morte transire ad vitam
Quam olim Abrahae promisisti, et semini ejus

11. Sanctus

Sanctus, sanctus, sanctus Dominus Deus Sabaoth!
Pleni sunt coeli et terra gloria tua
Osanna in excelsis

12. Benedictis

Benedictis, qui venit in nomine Domini
Osanna in excelsis

13. Agnus Dei

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi
Dona eis requiem
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi
Dona eis requiem sempiternam
Lux aeterna luceat eis, Domine
Cum sanctis in aeternum, quia pius es
Requiem aeternam dona eis, Domine
Et lux perpetua luceat eis

***

Requiem

1. Repous

Repouso eterno dá-lhes, Senhor
Que a luz perpétua os ilumine
Tu és digno de hinos, ó Deus, em Sião
E a ti rendemos homenagens em Jerusalém
Ouve a minha oração
Diante de Ti toda carne comparecerá
Repouso eterno dá-lhes, Senhor
Que a luz perpétua os ilumine

2. Senhor, tem piedade

Senhor, tem piedade. Cristo, tem piedade. Senhor, tem piedade

3. Dia de ira

Dia de ira
Neste dia
Os séculos se desfarão em cinzas
Assim testificam Davi e Sibila
Quanto temor haverá então
Quando o Juiz vier
Para julgar com rigor todas as coisas

4. Trombeta poderosa

A trombeta poderosa espalha seu som
Pela região dos sepulcros
Para juntar a todos diante do trono
A morte e a natureza se espantarão
Com as criaturas que ressurgem
Para responderem ao juízo
Um livro será trazido
No qual tudo está contido
Pelo qual o mundo será julgado
Logo que o Juiz se assente
Tudo o que está oculto, aparecerá
Nada ficará impune
O que eu, miserável, poderei dizer?
A que patrono recorrerei
Quando apenas o Justo estará seguro?

5. Rei tremendo

Ó Rei, de tremenda majestade
Que ao salvar, salva gratuitamente
Salva a mim, ó fonte de piedade

6. Lembra-te

Lembra-te, ó Jesus piedoso
Que fui a causa de tua peregrinação, não me perca naquele dia
Procurando-me, ficaste exausto me redimiste morrendo na cruz
Que tanto trabalho não seja em vão
Juiz de justo castigo
Dai-me o dom da remissão diante do dia da razão
Choro e gemo como um réu
A culpa enrubesce meu semblante
A este suplicante poupai, ó Deus
Tu, que absolveste a Maria
E ao ladrão ouviste a mim também deste esperança
Minhas preces não são dignas sê bondoso e faça misericórdia
Que eu não queime no fogo eterno
Dai-me lugar entre as ovelhas
E afastai-me dos bodes que eu me assente à Tua destra

7. Condenados

Condenados malditos
Lançados às chamas devoradoras
Chama-me junto aos benditos
Oro, suplicante e prostrado o coração contrito
Quase em cinzas Tomai conta do meu fim

8. Dia de lágrimas

Dia de lágrimas será aquele
No qual os ressurgidos das cinzas serão julgados como réus
A este poupa, ó Deus, piedoso Senhor Jesus
Dá-lhes repouso. Amém

9. Senhor Jesus Cristo

Senhor Jesus Cristo, Rei da Glória
Liberta as almas de todos os que morreram fiéis
Das penas do inferno e do lago profundo
Libertai-as da boca do leão
Que não sejam absorvidas no inferno, nem caiam na escuridão
Mas que o santo arcanjo Miguel
As introduza na luz santa
Conforme prometeste a Abraão e à sua descendência

10. Sacrifício

Sacrifícios e preces a Ti, Senhor, oferecemos com louvores
Recebe-os em favor daquelas almas
Das quais hoje nos lembramos
Fazei-as, Senhor, da morte passarem para a vida
Conforme prometeste a Abraão e à sua descendência

11. Santo

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos!
Cheios estão os céus e a terra da Tua glória
Hosana nas alturas

12. Bendito

Bendito o que vem em nome do Senhor
Hosana nas alturas

13. Cordeiro de Deus

Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo
Dai-lhes o repouso
Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo
Dai-lhes o repouso eterno
Que a luz eterna os ilumine, Senhor
Com os teus santos pela eternidade: Pois és piedoso
Repouso eterno dá-lhes, Senhor
Que a luz perpétua os ilumine
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