quinta-feira, 12 de março de 2015

Estudando a Epístola de Tiago - Parte 03

E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte.Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa.
O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos.
Mas glorie-se o irmão abatido na sua exaltação,
E o rico em seu abatimento; porque ele passará como a flor da erva.
Porque sai o sol com ardor, e a erva seca, e a sua flor cai, e a formosa aparência do seu aspecto perece; assim se murchará também o rico em seus caminhos.
Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. Tiago 1:5-12

Nos versículos anteriores, vimos que as provações às quais aqueles cristãos estavam sendo expostos eram uma forma pedagógica de Deus levá-los à maturidade cristã. Nos próximos versículos, veremos como viver com sabedoria neste mundo.

Com a perseguição batendo à porta, aqueles irmãos estavam com dificuldades para orar (Tg 4: 1-3; 5: 13-18). Como, então, eles deveriam orar? Tiago descreve no versículo 5 a maneira correta: “Se, porém, alguns de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos da liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida”. Nesse texto, sabedoria pode ser entendida como a aplicação correta do conhecimento bíblico. Muitos deles deviam conhecer a bíblia, mas agora são chamados a aplicar tal conhecimento na vida cotidiana. O discernimento em momentos difíceis pode nos levar à maturidade na vida cristã. Hernandes Dias Lopes (2006, p. 21) afirma: “Quando estamos sendo provados, precisamos de sabedoria para não desperdiçar as oportunidades que Deus está nos dando para chegarmos à maturidade”. A sabedoria nos ajuda a entender como usar as provações para o nosso bem e para glória de Deus.

Ainda no versículo 5, Tiago nos mostra três características de Deus: Deus é a fonte de sabedoria; Ele é o doador; e sua generosidade é ilimitada, quando buscamos e pedimos a Ele, o Senhor não nos rejeita (Sl 66.20).

Após explicar qual deveria ser o conteúdo da oração daqueles cristãos, Tiago agora se concentra em dizer sobre que base essa oração deve ser feita e explica o porque desse alicerce: “Peça-a, porém, com fé em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor coisa alguma; homem de ânimo dobre, inconstante em seus caminhos” - Tiago 1.6-8.

Com a perseguição a todo vapor, o líder da igreja em Jerusalém, inspirado por Deus, faz severas advertências aos que estavam orando sem crer no conteúdo de suas petições. Ele compara esses cristãos a ondas do mar, como pessoas que oscilam entre incredulidade e fé, desânimo e ânimo, pessimismo e otimismo. Hernandes Dias Lope (2006, p. 21), a respeito disso, afirma:
Ora está no alto, ora no vale. Um dia fervoroso, outro dia abatido. Ele é também como um homem que tem duas mentes em um só corpo (1.6). A palavra grega “duvidando”, diacrimonai, significa duas mentes. É uma pessoa dividida entre duas mentes. A fé diz sim, mas a descrença diz não. Uma hora ele diz sim, outra hora ele diz não.
Tiago nos mostra duas consequências dessa inconstância e imaturidade: primeiramente, o fracasso em nossa oração (1.6) e falta de consistência na vida espiritual (1.8). Pedro, grande servo do Senhor, afundou nas ondas quando caminhava ao encontro de Jesus por causa da dúvida. Jesus lhe perguntou “Homem de pequena fé, por que duvidaste?” - Mt 14.22. Pedro é um retrato de que, quando os olhos de alguém estão em Cristo, a caminhada pelos obstáculos é possível, mas, ao mesmo tempo, é um exemplo de que a incredulidade pode nos levar ao afogamento (WIERSBE, 2006).

Em Tiago 1.9-11, começa a ser aplicado o principio da sabedoria num contraste entre cristãos ricos e cristãos pobres. Problemas em relação ao dinheiro eram frequentes entre aqueles irmãos (2.1-7; 4.1-3). No entanto, eles deveriam, em suas respectivas condições financeiras, glorificar a Deus e pedir sabedoria para aproveitar aquela situação. Hernandes nos da uma ideia sobre o que isso significa: “o pobre deve gloriar-se pelo que tem permanente no céu. O rico pelo que não tem permanente na terra. O pobre deve gloriar-se em sua dignidade, o rico em sua insignificância”. (LOPES, 2006, p. 23)

Finalmente, chegamos ao versículo 12: “Bem- aventurado o que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam”. Aqui está o motivo pelo qual aqueles cristãos que estavam passando por dificuldades poderiam se alegrar: a tristeza um dia terminaria. A perseguição sanguinária daria lugar ao descanso eterno. A unidade, até então rompida, seria restaurada para o louvor do Senhor. A razão pela qual eles permaneciam firmes nas provações era que o Senhor que os amava, em breve, colocaria em suas cabeças uma coroa incorruptível, vestes brancas e posição elevada. Deus é galardoador dos que o buscam. Fonte de água viva para os que se deleitam nele. A bíblia diz em 2 Co 4.17 “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação.”

A provação de nossa fé é preciosa porque garante que a mesma é autêntica. As tribulações trabalham em favor dos cristãos, não contra eles (WIERSBE, 2006, p. 436). O fato de sermos provados nos capacita, não apenas para recebermos recompensa futura, mas também para sermos usados por Deus aqui e agora (LOPES, 2006, p. 24). Deus quer refletir em nós a imagem de Jesus e as provações têm um papel importante nisso.
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Estudos na Epístola de Tiago
Por Wellington Toddy
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