domingo, 10 de maio de 2015

Relação entre a graça e a oração

Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça. Salmo 66.20
A graça é um dos mais importantes e belos conceitos da fé cristã, e define toda a relação do cristão com Deus. Ela se caracteriza por ser a ação favorável de Deus aos homens pecadores, que não merecem tal favor (Rm 3.23). Há uma natural distinção entre os conceitos de graça e mérito. Enquanto a graça aponta para a bondade sendo expressa segundo a intenção daquele que a manifesta, sem que haja motivação externa, o mérito é a consequência de atos de alguém que se torna merecedor de certos benefícios. A graça não é conquistada, mas simplesmente desfrutada e aponta para a ausência de qualidades daquele que a recebe. O mérito é conquistado e aponta para qualidades existentes, daquele que o adquire. Paulo afirma que a salvação ocorre pela graça (Ef 2.8, cf. At 18.27), como também pela graça os homens recebem a vitória final na carreira cristã (1 Co 15.57-58). O autor de Hebreus diz que devemos nos achegar junto ao trono da graça de onde provem graça e misericórdia (Hb 4.16). Em resumo, a graça divina é a bondade de Deus derramada sobre nós, os pecadores. Não podemos erigi-la nem conquistá-la, mas simplesmente desfrutá-la na medida em que nos submetemos ao Deus de toda a graça (1Pd 5.10).

Diante disso, devemos entender a oração e sua relação com o favor divino (graça). Aquele que ora, normalmente, busca em Deus algo que realmente faz parte de suas necessidades, mesmo que esta oração seja de louvor e agradecimento. Isso porque, o homem precisa expressar tais coisas diante do Criador. Contudo, a oração tem sido tratada como um instrumento mágico por muitos cristãos. Em alguns momentos, como se Deus fosse um “gênio da lâmpada” pronto a satisfazer os desejos daquele que o busca. Em outros momentos, como se pudesse convencer a Deus a cumprir os desejos daquele que ora. Mas isso não é coerente com o que vemos na Bíblia. Na Escritura a oração ocorre como um ato de dependência diante do único Deus e Senhor (Mt 26.39). É uma expressão de completa humildade diante daquele que não só criou todas as coisas, mas também coordena todos os eventos. Nós não podemos mudar a Deus nem seus propósitos, pois são imutáveis (Jó 42.2, Ml 3.6; Tg 1.17). É justamente por isso que sempre nos voltamos para Deus. Ele não muda e é plenamente fiel. Paulo afirma que até mesmo quando somos infiéis Ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo (2 Tm 2.13).

Podemos confiar que a manifestação da graça de Deus será sempre suficiente no cumprimento dos seus propósitos para nossas vidas, pois a sua vontade é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2; cf. Pv 19.21). Sendo assim, podemos esperar confiadamente na graça de Deus, em nossas orações (1 Pd 1.13).
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” Tg 1.17
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Rev. Milton Rodrigues Júnior
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