domingo, 10 de maio de 2015

União com Cristo

Quais, pois, são as implicações de considerar- se a união com Cristo através da fé como a perspectiva que envolve a obra do Espírito na aplicação da redenção? Pode-se observar três pontos aqui. Implicações Primeiramente, a obra do Espírito é essencialmente o ministério de unir-nos a Cristo, e então desvendar para nós e em nós as riquezas da graça de Deus as quais herdamos em Cristo. Calvino, uma vez mais, capta isto numa de suas mais eloquentes passagens:
Vemos que nossa salvação e todas as suas partes se acham compreendidas em Cristo (At 4.12). Portanto, tomamos cuidado para não derivar a mínima porção dela de qualquer outra fonte. Se buscamos a salvação, somos instruídos pelo próprio nome de Jesus que ela procede “d'Ele” (1Co 1.30). Se buscamos quaisquer outros dons do Espírito, serão encontrados em Sua unção. Se buscamos força, ela se encontra em Seu domínio; se pureza, em Sua concepção; se mansidão, ela aparece em Seu nascimento... Se buscamos redenção, ela está em Sua pessoa; se absolvição, em Sua condenação; se remissão da maldição, em Sua cruz (Gl 3.13); se satisfação, em Seu sacrifício; se purificação, em Seu sangue; se reconciliação, em Sua descida ao inferno; se mortificação da carne, em Seu túmulo; se novidade de vida, em Sua ressurreição... Em suma, já que o rico depósito de todo gênero de bem transborda d'Ele, bebamos desta fonte nossa suficiência, e de nenhuma outra.
A segunda implicação, enfatizada de várias formas no Novo Testamento, consiste em que, embora continuemos sendo influenciados por nossa vida pregressa, “na carne”, ela não mais é a influência dominante em nossa presente existência. Não mais vivemos na carne, mas no Espírito (Rm 8.9). O passado de Cristo (se assim podemos expressar) é agora dominante. Nosso passado está “em Adão”; nossa presente existência é “em Cristo”, no Espírito. Isto implica não só em termos sociedade com Ele na comunhão do Espírito, mas em que n'Ele nossa culpa pregressa é tratada com a lei, bem como nossa escravidão ao pecado, e a morte, já chegou a um fim.

Em terceiro lugar, a união com Cristo, por meio do Espírito, se baseia em Sua união conosco em nossa humanidade. É a partir daí que nossa transformação é efetuada pelo Espírito. Pois união com Cristo não é equivalente a deificação ou misticismo. O Verbo se fez carne a fim de tornar-se o archēgos de uma humanidade salva. O alvo do Espírito é a transformação à imagem de Deus como aquela que se expressa na humanidade de Cristo, de modo que os crentes se tornam progressivamente mais verdadeira e plenamente humanos.

Isso, igualmente, contém maiores e mais importantes ramificações que veremos em evidência mais adiante, quando discutirmos o ministério santificador do Espírito. Elas são sucintamente expressas por Louis Berkhof, quando diz:
“Por meio desta união, os crentes são transformados na imagem de Cristo segundo Sua natureza humana. O que Cristo efetua em Seu povo é, em certo sentido, uma réplica ou reprodução do que aconteceu com Ele. Não só objetivamente, mas também num sentido subjetivo, levam a cruz, são crucificados, morrem e ressuscitam para novidade de vida com Cristo. Em certa medida participam das experiências de seu Senhor.”
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Por Sinclair Ferguson.
Fonte: livro, O Espírito Santo. Ed. Os Puritanos.
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