domingo, 21 de junho de 2015

Escolas devem estimular discussão de gênero entre crianças? Não!

Compromisso com a realidade

A "ideologia de gênero" é uma revolução cultural que ensina que a identidade sexual é baseada exclusivamente na cultura, algo subjetivo, e que há outras formas de vivência sexual, devendo todas fazerem parte da educação das crianças.

Nela, a identidade –homem ou mulher– não existe. Seria a mera imposição de um modelo educacional de tipo patriarcal. Ora, se os sexos estão destinados a desaparecer, então, deverão desaparecer também todas proibições sexuais.

As crianças não têm a mínima condição crítica para analisar uma questão tão complexa. O que grupos de pressão pretendem incluir nos Planos Estaduais e Municipais de Educação não é a discussão da "ideologia de gênero" nas escolas, mas, sim, a sua imposição.

É uma ideologia que destrói os fundamentos do direito natural. A diferença sexual é a origem da humanidade e a reprodução humana ocorre devido a essa diferenciação.

A educação verdadeira exige uma imparcialidade ideológica. Neste caso, mais do que combater a discriminação, o que se pretende é "desconstruir" a família, o matrimônio e a maternidade e, desse modo, fomentar um estilo de vida que incentiva todas as formas de experimentação sexual desde a infância, acabando com o conceito de pai e mãe.

Assim, os "controladores da população", os ativistas dos direitos arbitrários, podem manipular a sociedade. Fala-se tanto em sustentabilidade e respeito à natureza, mas, e o respeito à natureza humana?

A "ideologia de gênero" destrói a pessoa na sua identidade. Nela, nossas crianças aprenderão que não são meninos ou meninas e que precisam inventar um gênero para si próprias. Para tal, receberão materiais didáticos –como já ocorre em algumas escolas– que deformam a sua identidade.

Sendo obrigatório por lei, os pais que se opuserem, poderão ser criminalizados por isso. Na Alemanha, um casal foi detido por ter se recusado a permitir que seus filhos assistissem às aulas de gênero.

A genética mostra, pelos cromossomos que definem a sexualidade, que só há dois tipos de sexo: XX (mulher) e XY (homem). A psicologia elenca uma enorme série de diferenças entre o homem e a mulher. Negar a biologia e a psicologia é negar a ciência e a escola deve ter compromisso com a verdade e a realidade, não com ideologias.

Toda ideologia introduzida nos planos de educação para a infância e a juventude tem a pretensão de utilizá-la para objetivos de determinados grupos. O objetivo é garantir que as crianças percam todos os pontos de referência.

A ideologia tira das crianças o último reduto que permite a sua identificação: a identidade sexual. Quebra-se a unidade entre a alma e o corpo, o corpo tendo um sexo e a alma outro. A harmonia humana é desfeita com sérias consequências.

A "ideologia do gênero" não convence, e por isso mesmo, só pode ser implantada de forma totalitária por meio da ditadura do relativismo, tão na moda hoje.

O papa Francisco, no discurso aos bispos porto-riquenhos no começo de junho, afirmou que "a ideologia de gênero é um erro da mente humana que provoca muita confusão e ataca a família". Ele lamentou a prática ocidental de impor uma agenda de gênero a outras nações por meio de ajuda externa. Chamou isso de "colonização ideológica", comparando-a à máquina de propaganda nazista.

A imposição dessa ideologia é mais um passo para que o Estado substitua os pais na educação moral de seus filhos e não tenham nenhum controle sobre eles. Estamos, então, diante de um Estado totalitário, que impõe a sua ideologia.
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Por: Felipe Aquino, 65, doutor em engenharia mecânica pela Unesp, foi diretor da atual Escola de Engenharia de Lorena. É professor de História da Igreja no Instituto de Teologia Bento 16, de Lorena, e autor de "Para Entender a Inquisição" (ed. Cleofas).
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