segunda-feira, 29 de junho de 2015

Jesus Cristo, Deus e Homem

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." João 1:14
A Trindade e a Encarnação estão mutuamente integradas. A doutrina da Trindade declara que Cristo é verdadeiramente divino; a doutrinada declara que o mesmo Cristo é também plenamente humano. Juntas, essas doutrinas proclamam a plena realidade do Salvador revelada no Novo Testamento, o Filho que veio da parte do Pai e, pela vontade do Pai, tornou-se o substituto do pecador na cruz (Mt 20.28; 26.36-46; Jo 1.29; 3.13-17; Rm 5.8; 8.32; 2Co 5.19-21; 8.9; Fp 2.5-8).

A doutrina da Trindade foi definida no Concílio de Niceia (325 d.C.), quando a Igreja se opôs à ideia ariana de que Jesus era a primeira e a mais nobre criatura de Deus; a igreja afirmou que Jesus era da mesma "substância" ou "essência" do Pai. A distinção entre Pai e Filho está dentro da unidade divina, de modo que o Filho é Deus da mesma maneira que o Pai o é. Ao dizer que o Filho e o Pai são de "uma única e mesma substância" e que o Filho "é gerado, não feito" (ecoando o "unigênito" em Jo 1.14,18; 3.16,18), o Credo Niceno reconhece, inequivocamente, a divindade de Jesus Cristo.

A confissão que a Igreja faz da doutrina da Encarnação foi expressa no Concílio de Calcedônia (em 451 d.C.), onde a Igreja se opôs à ideia nestoriana de que Jesus era duas "pessoas" e não uma, e à ideia eutiquiana de que a divindade de Jesus havia absorvido sua humanidade. Rejeitando ambas as idéias, o Concílio afirmou que Jesus é uma só pessoa com duas naturezas (isto é, com dois conjuntos de capacidades para a experiência, expressão e ação). As duas naturezas estão unidas nele, sem mistura e sem confusão, sem separação ou divisão, e cada natureza retém seus próprios atributos. Em outras palavras, tudo o que está em nós, como tudo o que está em Deus, está e sempre estará verdadeira e distintivamente presente no único Cristo. Desse modo, a fórmula da Calcedônia afirma vigorosamente a plena humanidade do Senhor.

A Encarnação, o misterioso milagre no âmago do Cristianismo histórico, é fato central no testemunho do Novo Testamento. Jesus veio primeiro para os judeus, cuja afirmação central de fé é de que há um só Deus. Os apóstolos eram israelitas, e, contudo, eles e os escritores do Novo Testamento ensinaram que Jesus, o Messias, devia ser cultuado e devia-se crer n'Ele. Isso quer dizer que Ele é Deus não menos do que Ele é homem. É espantoso que esse testemunho pudesse prevalecer entre eles.

O Evangelho de João (1.14; 19.35; 21.24) abre suas narrativas de testemunha ocular com a declaração de que Jesus é o eterno Logos divino, agente da criação e fonte da vida e da luz (vs. 1-5,9). Tornando-se carne, o Logos foi revelado como o Filho de Deus e a fonte da "graça e da verdade", o "unigênito do Pai" (vs. 14,18). O Evangelho está pontilhado com a expressão "Eu Sou", que tem relevância especial porque "Eu Sou" era a expressão usada como nome divino, devido à tradução grega do Ex 3.14; quando João revela Jesus como "Eu Sou", a reivindicação de sua divindade está explícita. Exemplos disso temos em Jo 8.28,58 e em sete declarações de Jesus como:

(a) o pão da vida, alimento espiritual (6.35,48,51);
(b) a luz do mundo banindo as trevas (8.12; 9.5);
(c) a porta das ovelhas, que dá acesso a Deus (10.7,9);
(d) o bom pastor, que protege dos perigos (10.11,14);
(e) a ressurreição e a vida sobrepujando a morte (11.25);
(f) o caminho, a verdade e a vida, que leva ao Pai (14.6);
(g) a videira verdadeira, em quem podemos dar frutos (15.1,5).

No clímax de sua fé, Tomé cultuou a Jesus, dizendo: "Senhor meu e Deus meu" (20.28). Jesus pronuncia sua bênção sobre todos os que crêem a exemplo de Tomé (20.29-31).

Paulo diz a respeito de Jesus que "n'Ele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade" (CI 2.9; cf. 1.19). Paulo aclama Jesus, o Filho, como a imagem do Pai e como  Seu agente na criação e conservação de todas as coisas (CI 1.15-17). Paulo declara que  Ele é o "Senhor", a quem se deve orar pedindo salvação, do mesmo modo pelo qual se invoca Javé (JI 2.32; Rm 10.9-13). Jesus é "sobre todos, Deus bendito" (Rm 9.5), "nosso grande Deus e Salvador" (Tt 2.13). Paulo ora a Jesus pessoalmente (2Co 12.8-9)  e o considera como a fonte da graça divina (2Co 13.14). O testemunho é explícito: a fé na divindade de Jesus é fundamental na teologia e religião de Paulo.

O autor da Carta aos Hebreus, revelando a perfeição do sumo sacerdócio de Cristo, declara a plena divindade e singular dignidade do Filho de Deus (Hb 1.3,6,8-12). Em seguida, celebra a plena humanidade de Cristo (cap. 2). O sumo sacerdócio que ele descreve  como exercido por Cristo depende da conjunção de uma vida divina sem fim e infalível, com uma experiência plenamente humana de tentação e sofrimento (Hb 2.14-17; 4.14-5.2; 7.13-28; 12.2-3).

O Novo Testamento proíbe o culto a anjos (Cl 2.18; Ap 22.8-9), porém manda cultuar a Jesus. De modo bem franco, ele apresenta o Salvador divino-humano como o objeto próprio da fé, da esperança e do amor.

Uma religião sem essa ênfase não pode ser Cristianismo.
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Fonte: Nota textual da Bíblia de Estudo Genebra, pág. 1229, ed. 1999.
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