quinta-feira, 4 de junho de 2015

Memórias de Jonathan Edwards - Capítulo 5

SUA TUTORIA – DOENÇA – CONVITE A NORTHAMPTON – CONTINUAÇÃO DA NARRATIVA PESSOAL – CONCLUSÃO DO DIÁRIO

Em setembro de 1723, o Sr. Edwards foi a New-Haven e lá recebeu o grau de Mestre em Artes, sendo, na ocasião, eleito tutor na faculdade. Por essa época, diversas congregações o convidaram para ser ministro, porém, sendo afeiçoado aos estudos, e consciente de como este iria promover sua utilidade, declinou dessas propostas. Como não havia vacância imediata no cargo de tutor, passou o inverno e primavera imediatos em New-Haven, estudando, e no exercício ocasional dos deveres ativos de sua profissão. No início de junho de 1724, começou a instruir uma classe na faculdade.

Esse período de tutoria foi bastante difícil. Por um longo tempo anterior à eleição do Sr. Cutler para o ofício de reitor, a faculdade havia permanecido em um estado de aberta revolta contra o governo legal, e havia se retirado de New-Haven.

Dois anos após sua eleição, em janeiro de 1721, houve uma insurreição geral dos alunos, que, porém, após considerável esforço, aparentemente acalmara. Contudo, isso resultou em um estado de extrema desordem e insubordinação, para além de qualquer coisa vista antes. Em 1722, o Sr. Cutler, um dos tutores, e dois dos ministros da vizinhança, renunciaram às suas conexões com a igreja Presbiteriana, e se declararam publicamente como episcopais. O choque ocasionado por esse evento foi enorme na faculdade, na cidade, e por toda a colônia. Logo surgiu uma série de controvérsias que perduraram por muitos anos. Em consequência disso, os ofícios destes cavalheiros ficaram vagos, e a faculdade foi deixada por quatro anos sem um líder.

Os curadores [trustees] residiam em turnos na faculdade, e no sistema de rotação atuavam como vice-reitores, por um mês. Felizmente para a instituição, porém, durante esse tempo difícil, ela teve três homens no ofício de tutor que tinham distintos talentos e erudição, bem como grande resolução e firmeza de caráter. Estes eram o Sr. William Smith, da classe de 1719, eleito tutor em 1722; o Sr. Jonathan Edwards e o Sr. Daniel Edwards, seu tio, colega de classe e quarto, que foi eleito em setembro de 1724.

A esses três cavalheiros, todos eles jovens rapazes, se delegou quase que com exclusividade o governo e a instrução da faculdade. Contudo, com sua união, energia e fidelidade introduziram entre os alunos, em lugar da anterior negligência e desordem, hábitos de cuidadoso estudo e estrita obediência. Em pouco tempo, tornaram a instituição florescente e próspera além do que havia sido. O recentemente falecido presidente Stiles, ainda que tenha se tornado membro da faculdade em um considerável tempo posterior a esse período, conheceu pessoalmente esses três homens, e conhecia bem a história de sua administração. Ele deixou um elogio da união dos três, do mais alto caráter: “O honorável William Smith, o honorável Daniel Edwards e o Rev. Presidente Edwards eram os tutores pilares e a glória da faculdade, no período crítico entre o reitor Cutler e o reitor Williams. O renome de sua tutoria foi grande e excelente. Eles preencheram e sustentaram seus ofícios com grande habilidade, dignidade e honra. Para a honra da literatura essas coisas não podem ser esquecidas.”

Em setembro de 1725, imediatamente após a colação de grau, enquanto se preparava para partir para a casa de seu pai, Edwards adoeceu repentinamente em New-Haven. Esperando, porém, que a doença não fosse severa, e ansioso para estar em casa se estivesse doente, partiu para Windsor. A fadiga da viagem apenas fortaleceu a doença, e foi forçado a parar em North-Haven, na casa do Rev. Stiles, onde ficou confinado com doença severa por cerca de três meses. Durante a maior parte desse tempo, sua mãe estava constantemente com ele. Seu marido, escrevendo-lhe em 20 de outubro, suplica que ela se poupe: “Temo que esteja colocando um peso grande demais sobre si, ao cuidar de seu filho dia e noite. Eu lhe imploro, portanto, que cuide não apenas dele, mas de si mesma. Aceite a bondade da vizinhança em vigiar novamente, ao invés de lançar mão de sua própria força, que é pequena, pelo exagero [na preocupação]”.

Ela não pôde deixa-lo até meados de novembro, e não foi senão em algum momento do inverno que ele pôde se dirigir à casa do pai. Nessa doença, ele fala de si como tendo desfrutado novas e mais refrescantes manifestações da presença e graça de Deus.

Após haver exercido o oficio de tutor por mais de dois anos, com a mais alta reputação, recebeu propostas do povo de Northampton para se tornar seu ministro. Muitas circunstâncias conspiraram para incentivar sua aceitação. Ele conhecia intimamente o lugar e o povo de lá. O Rev. Stoddard, seu avô, homem de grande dignidade e de peso e influência singular nas igrejas, devido a sua idade avançada, necessitava de sua assistência, e o queria como colega. Os seus pais e amigos também o desejavam. A situação em si era respeitável, e a cidade notavelmente agradável. Portanto, renunciou à sua tutoria em setembro de 1726 e aceitou o convite.

“Aqueles que conhecem a instrução e governo de uma faculdade, prontamente saberão que o período de que estivemos falando foi uma época bastante ocupada da vida do Sr. Edwards. Se se lembrarem das circunstâncias da instituição, e dos hábitos dos alunos quando assumiu seu ofício, não precisarão ser informados que seu desligamento dos deveres oficiais deve ter sido acompanhado com dolorosa ansiedade. É um raro evento na Providência que uma responsabilidade tão onerosa seja atribuída a três indivíduos tão jovens, tão destituídos de experiência e de conhecimento da humanidade. O ofício da instrução e governo deve ter ocupado todo o seu tempo, e exaurido todas as suas forças.”

“Nesse estado de coisas, não era possível que tivesse encontrado o mesmo tempo livre para os exercícios espirituais, como tinha tido em nova York. Lá, sua ocupação era principalmente a de desfrutar, aqui era a de agir. Lá, as pessoas com quem continuamente se associara eram possuídas de excelência incomum; aqui, o caráter delas eram muito diferente. Lá, sua atenção era dirigida, pelos objetos à sua volta, para as coisas celestiais; aqui, estava necessariamente confinada, quase que todo o tempo, para este mundo. Lá, quando se retirava para a oração e contemplação celestial, sua mente buscava a comunhão com Deus em toda a sua energia e vigor; aqui, era gasta pelo labor e exaurida pelas perplexidades. A mudança na corrente de pensamento e sentimento deve, portanto, ter sido grande. Portanto, (tão pronta está a mente a medir seu estado religioso pela quantidade de alegria diária, e muito pouco pela prontidão em encontrar provações e realizar deveres trabalhosos e resignados) não é surpreendente que tenha encarado essa mudança como evidência de um perceptível e lamentável declínio na religião. Assim, de fato, pensava ele, como descobriremos tanto na sua Narrativa quanto no seu Diário. Contudo, não é de modo algum evidente que suas opiniões a esse respeito fossem completamente corretas.

O jovem cristão geralmente tem uma temporada de tempo livre, dada a ele na providência de Deus, na qual se familiariza com os membros dessa família a qual foi apresentado recentemente, e com aqueles de quem deve ser companheiro no futuro, como um ser espiritual. Seu tempo e sua força são entregues principalmente às Escrituras, à oração, à meditação e à conversação religiosa. Ele está deleitosamente consciente que sua comunhão é com o Pai, e o filho Jesus Cristo, através da comunhão do Espírito Santo, bem como com “toda família, quer na terra, quer no céu.”

O propósito disso tudo é abri-lo ao seu novo estado de existência, capacitá-lo a entender suas relações e deveres, e, em contrapartida, dar-lhe uma ânsia por coisas melhores. É um período muito refrescante e feliz de sua vida e, fosse ele designado meramente para a contemplação, poderia muito bem ser prolongado até o seu desfecho. Mas, como somos ensinados mais explicitamente na palavra e Providência de Deus, sua maior dignidade subsiste na ação – em imitar aquele cuja regra era: devo fazer a obra daquele que me enviou enquanto é dia; e cuja prática era: “ia por toda parte fazendo o bem.”

As Escrituras são dadas por inspiração de Deus, e são úteis para a ensino, repreensão, correção e educação na justiça. Com que propósito? Para que o homem de Deus possa ser perfeito, sendo perfeitamente habilitado para toda boa obra. Provavelmente, nenhum ano na vida do Sr. Edwards foi gasto mais proveitosamente do que esse, no qual estava ocupado com seus associados em lançar os fundamentos de hábitos sóbrios de estudo e princípios morais, no seminário agora confiado ao seu cuidado. É provável que em nenhum outro período ele serviu mais efetivamente a Deus e à sua geração. E se, no seu progresso, encontrou menos daquele gozo que é gerado pela contemplação espiritual, deve ter tido a mais agradável consciência de que, em meio a tantas dificuldades e dores, tenha honestamente se esforçado para servir a Deus, e realizar o seu dever.”

Pode haver, portanto, razão para duvidar se a mudança em seus sentimentos, de que fala nas sucessivas partes de sua Narrativa e Diário, não tenha sido um declínio nesse tipo particular de alegria religiosa, necessariamente se desenvolvendo a partir das circunstâncias em que fora colocado, ao invés de um declínio na vida e poder da religião.

“Continuei,” ele observa, “muito semelhante, em geral, a quando estava em Nova York até que fui a New-Haven, como tutor da faculdade; em particular em Bolton, em uma viagem de Boston, enquanto andava sozinho nos campos. Depois que fui para New-Haven, sucumbi na religião. Minha mente se desviou das minhas ávidas buscas pela santidade, devido a alguns assuntos que grandemente perplexaram e distraíram meus pensamentos.

Em setembro de 1725 caí doente em New-Haven e, enquanto me esforçava para ir à minha casa, em Windsor, fiquei tão doente em North Village que não pude ir adiante. Lá permaneci doente por cerca de três meses. Nessa doença, Deus se agradou em me visitar novamente com as doces influências do seu Espírito. Minha mente, então, se encontrava bastante absorta em contemplações divinas e agradáveis, e em desejos de alma. Observava que aqueles que cuidavam de mim aguardavam ansiosos pela manhã, o que me trazia à mente as palavras do salmista, que a minha alma se deliciava em tornar minhas: “Espero pelo Senhor mais do que as sentinelas pela manhã; sim, mais do que as sentinelas esperam pela manhã!”. E quando vinha a luz da manhã pela janela, refrescava minha alma, manhã após manhã. Parecia-me ser alguma imagem da luz da glória de Deus.

Lembro-me, que nessa época, costumava desejar ardentemente a conversão de alguns com quem me preocupava. Poderia alegremente honrá-los e com prazer servi-los e me jogar aos seus pés se fossem verdadeiramente santos. Porém, algum tempo depois disso, novamente fiquei grandemente distraído com algumas preocupações temporais que tomavam excessivamente meu tempo e feriam grandemente minha alma; e elas persistiram por vários meios que seria tedioso relatar. Isso deu-me mais experiência de meu próprio coração do que tinha antes.”

Que a mente do Sr Edwards não foi prejudicada na sua espiritualidade pelo seu engajamento e provações do ofício é suficientemente evidente a partir desses excertos. Ele ainda era um homem santo de Deus, cujo coração estava nos céus e em conversa com Deus com o maior deleite. O remanescente de seu Diário está especialmente confinado ao período de sua vida que agora foi revisado e é por isso que se encontra aqui. Deve-se apenas lamentar que, devido à multiplicidade de seus afazeres, ele tenha achado necessário interrompê-lo.

REMANESCENTE DE SEU DIÁRIO

Manhã de quinta-feira 4 de out. 1723. Neste dia fixei e estabeleci o seguinte: que Cristo Jesus prometeu-me fielmente que, se fizer meu dever, de acordo com o melhor de minha prudência no assunto, minha condição neste mundo será melhor para mim que qualquer outra, e melhor para meu bem-estar por toda a eternidade. Portanto, qualquer que seja minha condição, eu a estimarei como sendo a melhor e se precisar de fé nesse assunto, eu o confessarei como impiedade diante de Deus. Ver Resolução 57, e 9 de junho.

Noite de sábado, 7 de out. Errei na véspera, em não deixar tempo suficiente para as conversas.

Noite de sexta-feira, 12 de out. Vejo que há algumas coisas muito contrárias à saúde e à perfeição do cristianismo, as quais quase todos os homens bons se permitem, e de onde as corrupções inatas exalam secreta e irrestritamente, e que eles nunca percebem, nem pensam ser prejudiciais, ou ocultam sob o nome de virtude. Essas coisas obscurecem excessivamente o brilho e escondem a amabilidade do cristianismo. Quem pode entender esses erros? Ó, tomara seja eu livre dessas faltas secretas!

Manhã do Dia do Senhor, 14 de out. Devo estritamente observar de que modo ajo quando estou apressado, e agir desse modo em outras ocasiões, tanto quanto possa fazê-lo sem prejuízo às atividades.

Manhã de segunda-feira, 15 de out. Pareço ter medo, após erros e corrupções, de me entregar ao pleno exercício da meditação espiritual. Não posso dar lugar a esses medos.

Quinta-feira, 18 de out. Devo seguir o exemplo do Sr. B., o qual, ainda que enfrente enormes dificuldades, o faz com uma postura alegre, como se elas fossem ninharias. Ele fala delas como se fossem insignificantes.

Noite de sexta-feira, 1 de Nov. Quando estiver inapto para outras tarefas, devo me aperfeiçoar na caligrafia.

Noite de sexta-feira. 22 de Nov. De agora em diante, quando estiver sem vida na oração secreta, devo me esforçar para ser expansivo, como se orasse diante dos outros, mais do que tenho feito.

Manhã de terça-feira, 26 de Nov. É uma prática muito má e perniciosa, nas meditações sobre as aflições, sentar-se e ruminar sobre os agravamentos da aflição, e contar as circunstâncias más e obscuras que as acompanharam, e se demorar nas sombras. Isso dobra e aumenta a aflição. Do mesmo modo, ao falar delas aos outros, fazendo-as parecer tão más quanto possível, e usando nossa eloquência para expor nossos próprios problemas, é estar durante todo esse tempo criando novos problemas, e alimentando e gratificando os antigos. Por outro lado, a prática contrária faria definhar nossa aflição. Se nós nos demorarmos no lado claro das coisas em nossos pensamentos, e atenuarmos o máximo que pudermos as aflições, ao falar delas, então nós mesmos as desprezaremos em nossos pensamentos, e elas, de fato, em grande medida, se desvanecerão.

Noite de sexta-feira, 29 de Nov. Como um auxílio para manter a atenção na oração pública, devo tomar especial cuidado para notar especificamente o início de cada petição, confissão, etc.

Manhã de segunda-feira, 9 de Dez. Observar se expresso qualquer tipo de emoção impertinente pelas próximas três semanas.

Noite de quinta-feira, 12 de dez. Se, alguma vez, for forçado a falar a alguém algo em que o acho culpado, a fim de evitar o importante malefício que sucederia se agisse de outro modo, não devo fazer de tal maneira que possa haver a possibilidade dele tomar minhas palavras como fruto de emoções raivosas, impertinentes e insignificantes da mente. Ver 28 de Ago. Quando eu quiser, ou for provável que queira, bons livros, devo gastar tempo no estudo da matemática, e em revisar outros tipos de antigas leituras; devo gastar mais tempo visitando amigos, nos deveres mais privados de um pastor, nos cuidados dos assuntos mundanos, em viajar para fora, e em outras coisas que possa planejar.

Manhã de sexta-feira, 27 de Dez. Ao final de cada mês, examinar meu comportamento estritamente baseado em algum capítulo do Novo Testamento, mais especialmente feito para ser como regra de vida. Ao final do ano, examiná-lo pelas normas do Novo Testamento em geral, lendo muitos capítulos. Seria também conveniente alguma vez ao final do ano ler o livro de Provérbios com esse propósito em mente.

Noite de terça-feira, 31 de Dez. Concluí que jamais permitirei nem expressarei quaisquer emoções raivosas de mente, nem mais nem menos, exceto aquelas que a honra de Deus exige, no zelo por ele, ou para preservar a mim mesmo de ser pisoteado.

1724

Quarta-feira, 1 de jan. Não devo gastar tempo excessivo pensando em assuntos mundanos, ainda que sejam importantes e necessários; e devo dar a cada coisa a sua devida proporção no pensar, quanto à sua urgência e importância.

Noite de quinta-feira, 2 de jan. Estabeleci as seguintes coisas: que o tempo ganho em coisas de menor importância, equivale ao tempo ganho em coisas de maior importância; que um minuto ganho em tempos de confusão, conversas, ou em uma viagem, é tão bom quanto o ganho em meu estudo, nos tempos de maior reclusão. E, desse modo, que um minuto ganho em um tempo é tão bom quanto outro.

Noite de sexta-feira, 3 de jan. O tempo e esforços depositados na busca pelo mundo devem ser proporcionais à necessidade, utilidade e importância dele, com respeito ao outro mundo, em conjunto com a incerteza da vida e da oportunidade; desde que nada que o nosso dever impõe, ou que é agradável, seja omitido, e nada pecaminoso ou inconveniente seja feito por esse motivo.

Sexta-feira, 10 de jan. [Após haver escrito em uma extensão considerável em letras pequenas, que ele usava quando desejava escrever o que era apenas para si e ninguém mais, acrescenta o seguinte.] Lembrar-se de agir de acordo com Pv. 12:23: “O homem prudente não alardeia o seu conhecimento, mas o coração dos tolos derrama insensatez.”

Segunda-feira, 20 de jan. Tenho me tornado bastante repreensível, pelo fato de não ter sido tão pleno, claro e direto na minha defesa da virtude e religião, quando tive boa ocasião diante daqueles que pareciam não ter prazer nessas coisas. Se essa conversa não lhes fosse agradável, eu, em algum grau, atenuava a questão para que não os desagradasse, e não lhes falasse a contragosto. Porém, eu amaria falar essas mesmas coisas com outros, a quem fosse agradável falar dos assuntos religiosos. Deveria ter sido muito ousado com essas pessoas, não falando com um esforço melancólico, mas de modo confiante e destemido, seguro da verdade e excelência da causa.

Segunda-feira, 3 de fev. Que as coisas tenham, no presente, o mesmo valor que teriam em um leito de enfermidade! Sempre, em minhas buscas de qualquer tipo, que me venha esta questão à mente: “o quanto eu valorizaria isso em meu leito de morte?”

Quarta-feira, 5 de fev. Nos tempos passados, não insisti tanto em minhas orações em glorificar a Deus no mundo, no avanço do reino de Cristo, na prosperidade da igreja, e no bem do homem. Determinei que a objeção de que Deus não fará grandes alterações no mundo inteiro, e reviravoltas em reinos e nações apenas pelas orações de uma pessoa obscura não é uma objeção forte. [Isso me ocorre ao] ver que essas coisas costumam ser feitas em resposta às orações conjuntas de toda a igreja, e que, se minhas orações tivessem alguma influência, seria imperceptível e pequena.

Quinta-feira, 6 de fev. Mais convencido do que nunca da utilidade da livre interação religiosa. Descubro ao interagir sobre a filosofia natural que ganho conhecimento muito mais rápido, e vejo as razões das coisas muito mais claramente do que nos estudos privados. Portanto, devo buscar, a todo tempo, a interação religiosa, com aqueles com quem puder fazê-lo, todas as vezes, com proveito e prazer, e com liberdade.

Sexta-feira, 7 de fev. Resolvi, se Deus me ajudar, que não me importarei com as coisas, quando, por qualquer razão, tiver perspectiva de insucesso ou adversidade. Também não pensarei nisso além de fazer o que recomenda a prudência para a prevenção, de acordo com Fl 4.6: “Não andem ansiosos por coisa alguma,” e 1 Pe 5.7: “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.” E ainda: “Não se preocupem com o amanhã.” “Não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer?’ ou ‘Que vamos beber?’ ou ‘Que vamos vestir?’ Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.’”

Noite de sábado, 15 de Fev. Descubro que, quando estou comendo, ainda que tenha já a experiência de dois anos, não consigo me convencer na hora de que, se comer mais, excederei os limites da estrita temperança. Contudo, tão logo eu me excedo, [não é necessário senão] três minutos para que seja convencido [de que me excedi.]

Porém, quando me alimento de novo e lembro-me daquilo, no momento quando estou comendo me convenço plenamente de que não comi senão o que é natural, mas já não tenho o mesmo convencimento sobre meu apetite e sentimento como tinha antes [de comer]. Parece-me na hora que desfalecerei se recusar [a comida]. Isso ocorre de tempos em tempos.

Tenho observado que me parece ser mais verdadeiro aquilo que está de acordo com meus interesses, ou em outros aspectos, de acordo com minhas inclinações, do que pareceria se não estivesse. Parece-me que as palavras com que me expresso são mais do que a coisa em si propriamente suporta. Porém, se a coisa for contrária aos meus interesses, as palavras de diferente sentido parecem tanto quanto a coisa em si propriamente suporta. Ainda que haja algo de aparente indecência, como se parecesse afetação, na conversa religiosa assim como também existe em atos de bondade, contudo, deve-se romper com isso.

Terça-feira, 18 de Fev. Resolvi, agir com doçura e benevolência, e de acordo com a 47ª Resolução, em todas as disposições do corpo – doente ou com saúde, no conforto ou na dor, com sono ou vigilante; e não permitir que a descompostura do corpo descomponha minha mente.

Sábado, 22 de Fev. Observo que há alguns maus hábitos, que aumentam e se tornam mais fortes, até mesmo nas boas pessoas, na medida que elas envelhecem. Esses hábitos obscurecem a beleza do cristianismo. Há algumas coisas que são de acordo com seus temperamentos naturais e que, em alguma medida, prevalecem quando são jovens em Cristo, e, tendo a má disposição um controle invisível, o hábito, por fim, se torna muito forte, e é comum que regule a prática até a morte. Por essa razão, os cristão velhos são, muito comumente, em alguns aspectos, menos judiciosos que os mais jovens. Temo contrair tais hábitos, particularmente o da avareza e da procrastinação.

Dia do Senhor, 23 de Fev. Devo me contentar, quando tiver algo estranho ou notável para contar, em não fazê-lo parecer mais notável do que é. Isso para que eu não venha, por intermédio disso, e do desejo de fazer algo parecer muito impressionante, exceder os limites da verdade simples.

Quando estou em uma festa, ou refeição, que agrada bastante meu apetite, não devo meramente ter cuidado em suprimir o máximo do meu apetite, como nas refeições comuns. Pois quando há uma grande variedade de pratos, posso fazer isso após ter comido duas vezes mais do que seja suficiente nas ocasiões comuns.

Se agir de acordo com minha resolução, não desejarei as riquezas por outro motivo senão o de que elas sejam úteis à religião. Mas determino o seguinte, como o que é realmente evidente em muitas partes da Escritura: para o homem caído, elas têm uma maior tendência a causar danos à religião.

Segunda-feira, 16 de Mar. Devo praticar esse tipo de auto-privação, quando, às vezes, nos melhores dias, me acho mais particularmente disposto a apreciar as glórias do mundo a aplicar-me ao sério estudo da religião.

Sábado, 23 de Mai. Como isso veio a ser, não sei, mas tenho notado até aqui que, naqueles tempos em que mais li as Escrituras, tenho estado sempre na mais viva e melhor das disposições.

NA FACULDADE YALE

Noite de sábado, 6 de Jun. Esta tem sido uma semana notável para mim, com respeito ao desânimo, temores, perplexidades, multidões de cuidados e distrações de mente: tendo sido a semana em que vim até aqui em New-Haven a fim de assumir o cargo de tutor da faculdade. Tenho agora abundante razão para me convencer da penosidade e aflição do mundo, e de que ele jamais será diferente.

Terça-feira, 7 de Jul. Quando estiver dando o relatório de alguma coisa, lembrar-me de me abster de alterá-la, seja no assunto, seja na maneira de falar; a tal ponto que, se posteriormente todo mundo a alterasse, ela viria, por fim, a se tornar propriamente falsa.

Terça-feira, 2 de Set. Pela prudência na dieta, e comendo tanto quanto possível do que seja leve e de fácil digestão, sem dúvida, serei capaz de pensar mais claramente, e ganharei tempo: i) estendendo [o tempo] de minha vida; ii) necessitando de menos tempo para a digestão, após as refeições; iii) sendo capaz de estudar mais profundamente, sem prejudicar minha saúde; iv) necessitando de menos tempo para o sono; v) sendo menos vezes atormentado com a dor de cabeça.

Noite de sábado, 12 de Set. Provações da natureza com que me deparei nesta semana me impelem para muito abaixo de todos os confortos na religião. Parecem nada mais do que vaidade e palha, especialmente quando as encontro de modo tão despreparado. Não estarei apto a encontrá-las, exceto quando tiver fé, esperança e amor muito mais fortes e permanentes.

Quarta-feira, 30 de Set. Tem sido um pensamento prevalecente para mim, ao qual dei lugar à prática, de que, às vezes é melhor comer ou beber, quando isso não me fará bem algum, porque o dano que me fará não será equivalente ao de me negar essas coisas. Porém, estou determinado a não mais permitir que tal pensamento prevaleça. A confusão da festa de formatura e a distração das férias têm sido a causa de ter afundado tanto como ocorreu nas últimas três semanas.

Segunda-feira, 5 de Set. Creio que seja uma boa prática, quando estiver inclinado a pensamentos inúteis, negar a mim mesmo e quebrar meus pensamentos através do estudo diligente, para que não tenham tempo de operar para me trazer a essa disposição tão negligente. Estou pronto a pensar que é uma boa estratégia, quando estiver indisposto para a leitura e o estudo, ler minhas reflexões, o fruto do meu estudo na teologia, etc., para me colocar em alerta novamente.

Sexta-feira, 6 de Nov. Senti claramente algo daquela confiança e fé em Cristo, e daquela deleitosa entrega de alma a ele, de que falam nossos teólogos, e sobre o que estive de alguma maneira duvidando.

Terça-feira, 10 de Nov. Devo observar tudo o que digo em minhas conversas meramente para produzir nos outros uma boa opinião a meu respeito, e examinar isso.

Dia do Senhor, 15 de Nov. Determinado, quando estiver indisposto a orar, sempre premeditar sobre o que orar; e que é melhor que a oração seja curta de que minha mente esteja continuamente longe do que eu disser.

Dia do Senhor, 22 de Nov. Considerando que os espectadores sempre reproduzem algumas faltas, que nós mesmos não vemos, ou que ao menos não estamos tão sensíveis; e que há muitos obras secretas de corrupção que escapam da nossa vista, e das quais apenas os outros estão sensíveis: Resolvi, portanto, que irei, se puder [fazê-lo] utilizando-me de meios convenientes, atentar para as faltas que os outros acham em mim, ou para coisas que veem em mim que pareçam de alguma maneira reprováveis, desamáveis ou inconvenientes.

Sexta-feira, 12 de Fev. de 1725. A coisa que mais quero agora, para me dar uma vista mais clara e imediata das perfeições e glória de Deus, é um conhecimento tão claro do modo dele exercitar-se, com respeito aos espíritos e à mente, como tenho das operações da matéria e corpos.

Terça-feira, 16 de Fev. Uma virtude que preciso em mais alto grau, para dar beleza e lustre ao meu comportamento, é a da gentileza. Se tivesse um pouco mais do ar da gentileza, seria uma pessoa mais corrigida.

Terça-feira, 21 de Mai. Se alguma vez me sentir inclinado a mudar de opinião em favor de outro partido: Resolvi, além da mais deliberada consideração, orar fervorosamente, etc., privativamente desejar todo auxílio que possivelmente me possa ser concedido, pelos mais judiciosos homens da nação, em conjunto com as orações de homens santos e sábios, não importando o quanto possa estar fortemente persuadido de que esteja no caminho certo.

Sábado, 22 de Mai. Quando reprovar alguém por faltas, pelas quais eu, de algum modo, tenha sido prejudicado, devo condescender até que a questão esteja resolvida e terminada. Esse é o caminho tanto para repreender com justiça e não permitir a mínima mistura de espírito ou paixão quanto para tornar a reprovação eficaz e insuspeita.

Sexta-feira, 28 de Mai. Parece-me que, se for ou não convertido agora, estou tão acostumado ao meu presente estado que persistirei nele por toda a minha vida. Contudo, por mais estabelecido que esteja, continuarei a orar a Deus, para que não me permita ser nisso enganado, nem que durma em uma condição insegura; e, frequentemente, questionarei a mim mesmo e me testarei, usando como auxílio alguns dos antigos teólogos, para que Deus tenha oportunidades de responder às minhas orações, e o seu Espírito me mostrar meus erros, se eu tiver incorrido em algum.

Noite de sábado, 6 de Jun. Às vezes, me encontro em uma disposição tão negligente, que não há outra maneira de aproveitar satisfatoriamente o tempo senão pelas conversas, visitas ou recreação, ou por algum exercício corporal. Contudo, poderia ser melhor, em primeiro lugar, antes de recorrer a algumas dessas atividades, tentar o inteiro círculo de minhas ocupações mentais.

16 de Nov. Quando confinado na casa do Sr. Stiles. Penso que seria de especial vantagem para mim, com respeito aos meus mais verdadeiros interesses, o mais estritamente que puder, nos meus estudos, observar esta regra: deixar que metade de um dia, ou no máximo um dia, no estudo de outras coisas, seja sucedido pela metade de um dia ou por um dia de estudo na teologia.

Uma coisa em que tenho errado, [impedindo] que seja completo em todos os deveres sociais, é ao negligenciar escrever cartas aos meus amigos. E devo ser advertido de antemão do perigo de negligenciar visitar meus amigos e parentes quando estivermos às vésperas de nos despedirmos.

Quando alguém suprime os pensamentos que tendem a desviar o curso das operações da mente da religião, sejam eles a melancolia, ansiedade, paixões, ou qualquer outra coisa, ocorre este bom efeito: a mente é mantida em sua liberdade. Aqueles pensamentos que conduziriam a mente nesse fluxo são obstruídos logo no início.

Há uma enorme quantidade de exercícios que, no presente, parecem não ajudar, mas somente impedir a meditação e as afeições religiosas; contudo, mais tarde é que se colhem os frutos deles, e valem muito mais a pena do que aquilo que se perdeu. Pois, por eles, apenas a mente é recompensada no presente; porém, aquilo que se alcança, no tempo certo, é de utilidade para toda a vida.

26 de Set, 1726. Já faz cerca de três anos que tenho estado na maior parte do tempo em uma condição e estado baixo e afundado, miseravelmente insensível, em comparação ao que costumava ser quanto às coisas espirituais. Foi há três anos, uma semana antes da festa de formatura, por essa mesma época, que comecei a ficar de alguma maneira como estou.

Jan. 1728. Penso que Cristo recomendou que acordássemos bem cedo pela manhã ao ressuscitar dos mortos bem cedo.

22 de Jan. Julgo que é melhor, quando estiver em uma boa disposição para a contemplação divina, ou ocupado na leitura das Escrituras, ou em qualquer estudo dos assuntos divinos, que ordinariamente não seja interrompido para ter que ir jantar. Mas, renunciarei ao jantar ao invés de interromper [o que estiver fazendo].

4 de Abr, 1735. Quando, a qualquer tempo, eu tiver um senso de alguma coisa divina, devo então convertê-la em meus pensamentos em um aproveitamento prático. Por exemplo, quando em minha mente [tiver] algum argumento a favor da verdade da religião, a realidade de um estado futuro, e coisas semelhantes, devo pensar comigo mesmo com que segurança me aventuraria a vender tudo, para [obter] um bem futuro. Do mesmo modo, quando, a qualquer tempo, tiver um senso mais do que comum da glória dos santos no outro mundo, devo pensar o quanto vale a pena negar a mim mesmo, e vender tudo o que tenho por essa glória, etc.

18 de Mai. Minha intenção no presente é nunca permitir que meus pensamentos e meditações jamais ruminem.

11 de Jun. Devo separar dias para a meditação acerca de assuntos particulares; assim como, às vezes, separar um dia para a consideração da grandeza de meus pecados; em outro, considerar a terrível e certa miséria futura dos ímpios; em outro, a verdade e certeza da religião; e assim por diante, tudo acerca das grandes coisas futuras prometidas e ameaçadas nas Escrituras.”
_______________
Por Sereno E. Dwight
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