sábado, 4 de julho de 2015

Consolo nas aflições [08/17]

CAPÍTULO 8

RECEBENDO A CORREÇÃO
"Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, E não desmaies quando por ele fores repreendido" (Hebreus 12:5)
Nem toda correção é santificada pelos que a recebem. Alguns são endurecidos, outros esmagados debaixo dela. Muito depende do espírito com que as aflições são recebidas. Não há virtude em provações e problemas em si mesmos: é somente como eles são abençoados por Deus que o cristão é beneficiado. Como Hebreus 12:11 nos informa, aqueles que são "exercitados" sob a vara de Deus são os que produzem "um fruto pacífico de justiça". Uma consciência sensível e um coração terno são os adjuntos necessários. Em nosso texto o cristão é advertido contra dois perigos totalmente diferentes: não desprezar e não se desesperar. Estes são dois extremos contra a qual é sempre necessário manter um aguçado olhar vigilante. Assim como toda a verdade da Escritura tem sua contraparte de equilíbrio, assim todo o mal tem seu oposto. Por um lado há um espírito altivo, que zomba da vara, uma vontade obstinada que se recusa a ser humilhada desta forma. Por outro lado, há um desfalecimento que afunda totalmente sob ela e dá lugar ao desespero. Spurgeon disse: "O caminho da justiça é uma passagem difícil, entre duas montanhas de erro, e o grande segredo da vida do cristão é descansar de seu o caminho ao longo do estreito vale".

I. Desprezando a vara. Há várias maneiras em que os cristãos podem "desprezar" as correções de Deus. Podemos citar quatro delas:
1. Por insensibilidade. Ser impassível é a política da sabedoria carnal - fazer o melhor de um mau trabalho. O homem do mundo não conhece plano melhor do que cerrar os dentes e demonstrar valentia externa. Não tendo o Divino Consolador, Conselheiro ou médico, ele cai sobre seus próprios pobres recursos. É indizivelmente triste quando vemos um filho de Deus conduzir-se como um filho do diabo. Para um cristão o desafiar as adversidades é "desprezar" a correção. Em vez de endurecer-se para suportar estoicamente, deve haver um enternecimento do coração.
2. Por reclamar. Isto é o que os hebreus fizeram no deserto, e ainda há muitos murmuradores no acampamento de Israel. Uma pouco de doença, e nos tornamos tão irritadiços que nossos amigos ficam até com medo de chegar perto de nós. Alguns dias na cama, e lamuriamos e bufamos como um novilho não domado. Perguntamos de forma impertinente: Por que essa aflição? O que eu fiz para merecer isso? Olhamos ao redor com olhos invejosos, e ficamos descontentes porque os outros estão carregando uma carga mais leve. Cuidado, meu leitor: isso pesa contra os murmuradores. Deus sempre corrige duas vezes se não somos humilhados na primeira. Lembre-se de quanta escória ainda está entre o ouro. Veja as corrupções do seu próprio coração, e maravilhe-se que Deus não tem ferido você duas vezes mais severamente. "Filho meu, não desprezes a correção do Senhor".
3. Por críticas. Quantas vezes questionamos a utilidade da correção. Como cristãos, parecemos ter pouco mais de bom senso espiritual do que tínhamos quando crianças a sabedoria natural. Como crianças pensávamos que a vara era a coisa menos necessária em casa. É assim com os filhos de Deus. Quando as coisas correm como nós gostamos, quando algumas bênçãos temporais inesperadas são concedidas, não temos dificuldade em atribuir tudo a um tipo de providência. Mas quando nossos planos são frustrados, quando as perdas são nossas, é muito diferente. No entanto, não está escrito: "Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas" (Isaías 45:7)? Quantas vezes a coisa formada está pronta para reclamar: "Por que me fizeste assim?" Dizemos, não posso ver como isso pode possivelmente beneficiar a minha alma. Se eu tivesse uma saúde melhor eu poderia participar da casa de oração mais frequentemente! Se eu tivesse sido poupado daquelas perdas no negócio, eu teria mais dinheiro para a obra do Senhor! O que de bom pode vir dessa calamidade? Como Jacó, gritamos: "Todas estas coisas vieram sobre mim". O que é isso, senão"desprezar"a vara? A tua ignorância desafia a sabedoria de Deus? A tua miopia coloca em dúvida a onisciência?
4. Por descuido. Assim é que muitos falham em corrigir seus caminhos. A exortação de nosso texto é muito necessária para todos. Há muitos que têm "desprezado" a vara, e em consequência, eles não têm tido benefício com isso. Muitos cristãos tem sido corrigidos por Deus, mas em vão. Doenças, derrotas, privações chegam, mas não tem sido santificadas pela oração e auto-exame. Oh irmãos e irmãs, prestem atenção. Se Deus está corrigindo a ti "Considerai os vossos caminhos" (Ageu 1:5), "Pondera a vereda de teus pés" (Provérbios 4:26). Tenha certeza de que há alguma razão para a correção. Muitos cristãos não tão severamente corrigidos se inquirissem a causa da mesma.
II. Desmaiando sob a vara. Tendo sido advertido contra o "desprezo" da vara, agora somos exortados a não dar lugar ao desespero quando sob ela. Há pelo menos três maneiras pelas quais o cristão pode "desmaiar" sob a correção do Senhor:
1. Quando ele abre mão de todos os esforços. Isto é feito quando caímos no desalento. O ferido conclui que é mais do que ele pode suportar. Seu coração cai diante dela; a escuridão o engole, o sol da esperança é eclipsado, e a voz de ação de graças é silenciada. O "desmaiar" significa tornar-nos inaptos para o cumprimento de nossos deveres. Quando uma pessoa desmaia, ele é considerada inerte. Quantos cristãos estão prontos para abandonar completamente a luta quando a adversidade entra em sua vida. Quantos se tornam inertes quando o problema vem na sua direção. Quantos, pela sua atitude, dizem, a mão de Deus pesa sobre mim: não posso fazer nada. Ah, meu amado, "não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança" (I Tessalonicenses 4:13). "...não desmaies quando por ele fores repreendido". Quando estiver envolvido com essas coisas : Reconheça a mão do Senhor nisso. Lembre-se de tuas aflições estão entre as "todas as coisas" que cooperam para o bem.
2. Quando ele questiona sua filiação. Não há poucos cristãos que, quando a vara desce sobre eles, concluem que eles não são filhos de Deus, afinal. Esquecem-se que está escrito "Muitas são as aflições do justo" (Sl 34:19), e que "por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus"(Atos 14:22). Alguém pode dizer: "Mas se eu fosse Seu filho eu não deveria estar neste estado de pobreza, miséria, dor". Veja o versículo 8: "Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos". Aprenda, então, a olhar as correções como provas do amor de Deus te purgando, podando, purificando. O pai de família não se preocupa muito com os de fora de sua casa: são os que estão dentro que ele guarda e guia, alimenta e está e se conformam com sua vontade. Assim é com Deus.
3. Quando ele se desespera. Alguns alimentam a fantasia que eles nunca irão sair de seus problemas. Alguém diz, eu tenho orado e orado, mas as nuvens não se dissipam. Então conforta-se com esta reflexão: É sempre a hora mais escura que precede o amanhecer. Portanto, "não desmaie" quando fores repreendido por Ele. Mas, outro diz, eu tenho confiado em suas promessas, e as coisas não melhoram. Eu pensei que Ele libertou os que chamou a Ele; chamei, e ele não respondeu, e eu temo que ele nunca fará. O que, filho de Deus, fala de teu Pai, assim! Você diz que ele nunca vai deixar de ferir porque Ele tem ferido você por tanto tempo. Ao invés, diga que Ele já feriu por tanto tempo que devo ser liberto em breve. Não desprezeis: não desfaleça. Que a graça divina possa preservar tanto o escritor quanto o leitor de qualquer extremo pecaminoso.
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Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
Fonte: Comfort for Christians de A.W. Pink
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