domingo, 30 de agosto de 2015

Vejam Só! - Quem são os vasos de ira de Romanos 9?

O programa "Vejam Só!é um programa de debates e reflexões transmitido de segunda a sexta-feira, às 23:00 horas, pela Rede Internacional de Televisão - RIT TV. Tem como apresentador, o Rev. Eber Cocareli.

Os convidados neste debate, foram:
Pr. Anderson de Paula e o Rev. José Carlos Piacente Jr.

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sábado, 29 de agosto de 2015

Exposição na Carta aos Efésios

E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,
Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,
Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.
Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,
Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor. Efésios 4:11-16

Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
Culto Noturno
17/08/2015
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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

John Nelson Hyde - O homem que orava

Meu pai era um pastor presbiteriano, e minha mãe, uma cristã muito dedicada com uma linda voz consagrada ao Senhor. Quando jovem, decidi que seria um missionário, um missionário que se sobressaísse. Eu queria brilhar como missionário extraordinário. Terminei meu curso universitário e me saí muito bem. Formei-me e me senti um tanto orgulhoso do título “bacharel” que agora constava depois do meu nome.

Estava determinado a dominar os idiomas indianos que teria de aprender; pois não queria que nada, absolutamente, servisse de empecilho para que eu me tornasse um grande missionário. Era essa minha ambição. Talvez não fosse um desejo totalmente carnal, mas em grande parte era. Eu amava o Senhor e queria servi-lO – e servi-lO de forma extraordinária –, no entanto meu ego estava na raiz da minha ambição.

Meu pai tinha um grande amigo, um colega pastor, cujo imenso desejo de ser missionário nunca fora realizado. Ele tinha grande interesse em mim e estava encantado que o filho do seu grande amigo tinha planos de ir à Índia como missionário. Ele me amava, e eu também o amava e admirava.

No dia em que subi a bordo do navio em Nova York, para empreender a missão da minha vida na Índia, encontrei no meu camarote uma carta endereçada a mim. Reconheci a caligrafia desse amigo do meu pai. Abri a carta, que não era muito grande, e encontrei, em síntese, a seguinte mensagem: “Não deixarei de orar por você, caro John, enquanto não estiver cheio do Espírito Santo”.

As palavras mexeram com meu orgulho, e fiquei muito bravo. Amassei a carta e joguei-a num canto do camarote. Subi ao convés do navio com espírito muito agitado. Imagine só que absurdo: implicar que eu não estava cheio do Espírito! Aqui estava eu, embarcando como missionário, determinado a ser um excelente missionário – e ele tinha a coragem de insinuar que eu não estava equipado adequadamente para a obra!

Andei agitado para cima e para baixo naquele convés, uma batalha ardendo no meu interior. Senti um enorme desconforto. Eu amava o homem que me escrevera aquele bilhete. Sabia da vida santa que levava, e, lá no meu íntimo, desconfiava que ele podia estar com a razão: eu não tinha mesmo condições de ser missionário.

Depois de algum tempo, voltei para o camarote e fiquei de joelhos para procurar a carta amassada. Peguei-a do chão e alisei-a; li o conteúdo novamente, vez após vez. Ainda me senti irritado pelas palavras, porém a convicção crescia dentro de mim de que esse homem estava certo e eu, errado. Esse processo continuou durante dois ou três dias, deixando-me completamente agoniado. Tudo isso nada mais era do que a bondade do Senhor atendendo às orações do amigo do meu pai, que certamente havia batalhado em oração e tomado posse da vitória em meu favor.

Finalmente, quase em desespero, clamei ao Senhor para me encher com o Espírito Santo. No mesmo instante, parecia que as nuvens escuras haviam desaparecido por completo. Pude ver a mim mesmo e a minha ambição egoísta. Tive uma batalha até o final da minha viagem no navio, mas, bem antes de chegar ao meu destino, decidi firmemente que, fosse qual fosse o preço, eu realmente precisava ser cheio do Espírito.

O segundo momento culminante foi quando senti desejo de dizer ao Senhor que estava disposto até a ser reprovado nos meus exames nos idiomas na Índia e a ser um missionário trabalhando em silêncio e anonimato; que eu faria qualquer coisa e seria qualquer coisa, mas precisava receber o Espírito Santo a qualquer custo.

Num dos primeiros dias na Índia, enquanto estava hospedado com um outro missionário experiente, saí com ele para um culto ao ar livre. O missionário pregou, e fui informado de que ele estava falando a respeito de Jesus Cristo como o Salvador que liberta do pecado.

Depois de terminada a pregação, um homem com aparência ilustre, falando bom inglês, perguntou ao missionário se ele mesmo já tivera tal experiência de salvação do pecado. A pergunta foi direto ao meu coração, porque, se a mesma pergunta tivesse sido dirigida a mim, eu teria sido obrigado a confessar que Jesus ainda não me salvara totalmente, já que ainda havia pecado na minha vida. Reconheci que teria sido uma terrível desonra ao nome de Cristo se eu fosse obrigado a confessar que estava pregando Jesus, proclamando aos outros que era um Salvador perfeito, enquanto eu mesmo não estava liberto.

Voltei ao meu quarto e me tranquei lá dentro. Disse para o Senhor que teria que acontecer uma de duas coisas: ou Ele me libertava de todos os meus pecados, especialmente daquele que me atormentava constantemente, ou eu teria de voltar para minha terra e buscar uma outra atividade lá. Declarei que não podia ficar diante das pessoas para pregar o Evangelho enquanto eu mesmo não pudesse testemunhar do Seu poder e eficácia na minha vida.

Fiquei lá durante algum tempo, enfrentando essa questão e reconhecendo que era extremamente razoável que tomasse tal posição. O Senhor me assegurou que era capaz e desejoso de me libertar de todo o pecado e que realmente era Sua vontade que eu estivesse na Índia. E, de fato, Ele me libertou de tal forma que nunca mais duvidei da Sua obra completa. Posso agora ficar diante de quem quer que seja e testemunhar, sem hesitar, da vitória que recebi. É meu prazer hoje testificar desse fato e contar a todos da maravilhosa fidelidade de Cristo meu Senhor e Salvador.
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Por John Hyde (1865-1912); missionário durante quase vinte anos na Índia. Foi chamado “O Homem que Orava”, pois a oração passou a ser sua ocupação principal. Suas orações produziram resultados impressionantes: um avivamento em 1910 na Índia e muitas conversões diárias.
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Deus nos deu um Texto - [01/10]



Por Dr. Daniel Wallace
Na "Semana Magna" da Escola Teológica Charles Spurgeon 03 a 07 Agosto de 2015.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Um chamado à separação

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Coríntios. 6:14-18)
Esta passagem dá expressão a uma exortação divina para os que pertencem a Cristo para manterem-se afastado de todas as associações íntimas com os ímpios. Ele expressamente os proíbe de entrar em alianças com os não-convertidos. Ele definitivamente proíbe os filhos de Deus que andem de mãos dadas com os mundanos. É uma advertência aplicável a todas as fases e áreas das nossas vidas – religiosa, doméstica, social, comercial. E nunca, talvez, houve um momento em que mais necessitamos pressionar os cristãos do que agora. Os dias em que vivemos são marcadas pelo espírito de compromisso. Por todos os lados vemos misturas profanas, alianças ímpias, jugos desiguais. Muitos cristãos professos parecem estar tentando descobrir quão perto do mundo podem andar e ainda ir para o céu.

“Não vos prendais em jugo desigual”. Esta é uma chamada para a separação dos piedosos. Em cada dispensação essa ordenança Divina foi feita. Para Abraão a Palavra peremptória de Jeová foi: “Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai”. Para Israel, Ele disse: “Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual vos levo, nem andareis nos seus estatutos” (Levítico 18:3) E ainda: “Não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós”.(Levítico 20:23). E foi pelo descaso dessas mesmas proibições que Israel trouxe sobre si tão severos castigos.

O princípio do Novo Testamento nos mostra o precursor de Cristo do lado de fora do judaísmo organizado dos seus dias, convidando os homens a fugirem da ira vindoura. O Salvador anunciou que: “e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora”. (João 10: 3) No dia de Pentecostes a palavra aos crentes foi: “Salvai-vos desta geração perversa” (Atos 2:40). Mais tarde, aos Cristãos Hebreus, Paulo escreveu: “Saiamos, pois, a Ele fora do arraial”. (13:13) o chamado de Deus para o Seu povo na Babilônia é: “Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas” (Apocalipse 18:4).

“Não vos prendais em jugo desigual”. Esta é a palavra de Deus para o Seu povo hoje. Não permanecer sozinho. Em Romanos 16:17 é dito: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles”. Em 2 Timóteo 2:20[-21], lemos: Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor. 2 Timóteo 3:5 fala daqueles [que] “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela”, então isto é adicionado: “destes afasta-te”. Que palavra é esta que está em 2 Tessalonicenses 3:14: “Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele,” Quão radical é a admoestação de 1 Coríntios 5:11: “Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais”.

“Não vos prendais em jugo desigual”. Estamos totalmente convencidos de que é descaso deste mandamento, pois mandamento é, que é largamente responsável pelo baixo nível que agora prevalece, de modo geral, entre os cristãos, tanto individual como coletivamente. Não admira que o pulso espiritual de muitas igrejas bata tão debilmente. Não admira que as suas reuniões de oração estão tão mal frequentadas, os cristãos que estão em jugo desigual não tem coração para a oração. Desobediência nesse ponto é uma certa preventiva para devoção real e de todo o coração a Cristo. Ninguém pode ser um seguidor desacorrentado do Senhor Jesus, quem está, de alguma forma, “preso” aos Seus inimigos. Ele pode ser uma pessoa verdadeiramente salva, mas o testemunho da sua vida, o testemunho de seu caminhar, não vai honrar e glorificar a Cristo.

“Não vos prendais em jugo desigual”. Isto aplica-se em primeiro lugar para nossas relações religiosas ou eclesiásticas. Quantos cristãos são membros das chamadas “igrejas”, onde muito está acontecendo, que, eles sabem está em desacordo direto com a Palavra de Deus, ou o ensino do púlpito, as atrações mundanas usadas para atrair o ímpio, e os métodos mundanos utilizados para financiá-lo ou o recebimento constante em sua membresia daqueles que não dão nenhuma evidência de ter nascido de novo. Os crentes em Cristo que permanecem em tais “igrejas” estão desonrando o seu Senhor. Eles respondem: “Praticamente todas as igrejas são iguais, e se renunciarmos o que poderíamos fazer? Temos de ir a algum lugar aos domingos,” essa linguagem iria mostrar que eles estão colocando seus próprios interesses antes da glória de Cristo. Melhor ficar em casa e ler a Palavra de Deus, do que ter comunhão com aquilo que Sua Palavra condena.

“Não vos prendais em jugo desigual”. Isso se aplica a membros de Ordens Secretas. Um “jugo” é o que une. Aqueles que pertencem a uma “loja maçônica” estão unidos em juramento solene e aliança com os seus membros “irmãos”. Muitos de seus companheiros-membros não dão nenhuma evidência de terem nascido de novo. Eles podem acreditar em um “Ser Supremo”, mas qual o amor que eles têm pela Palavra de Deus? Qual é a sua relação com o Filho de Deus? “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3) Pode aqueles que devem o seu tudo a Cristo, tanto para o tempo [presente] quanto para a eternidade, ter comunhão com aqueles que “desprezam e rejeitam” a Ele? Que qualquer leitor cristão que está, portanto, em jugo desigual saia debaixo dele sem demora.

“Não vos prendais em jugo desigual”. Isso se aplica ao casamento. Há apenas duas famílias, neste mundo: os filhos de Deus, e os filhos do diabo (1 João 3:10). Se, então, uma filha de Deus se casa com um filho do maligno, ela se torna uma nora de Satanás! Se um filho de Deus se casar com uma filha de Satanás, ele se torna um genro do Diabo! Por um passo tão infame uma afinidade é formada entre um pertencente ao Altíssimo e um pertencente ao seu arqui-inimigo. “Linguagem forte!” Sim, mas não muito forte. E ó, o amargo colher da semeadura. Em todo caso, é o pobre cristão que sofre. Leia as histórias inspiradas de Sansão, Salomão e Acabe, e veja o que se seguiu às suas alianças profanas em casamento. Assim como pode um atleta, que tendo ligado a si um peso pesado, esperava ganhar uma corrida, semelhantemente um cristão para progredir espiritualmente ao se casar com um mundano. Ó, como a vigilância em oração é necessária na regulação de nossas afeições!

“Não vos prendais em jugo desigual”. Isso se aplica a parcerias de negócios. A desobediência a este ponto tem destruído o testemunho cristão de muitos e traspassando-os com muitas dores. O que quer que possa ser obtido deste mundo, buscando seus caminhos para riqueza e prestígio social, apenas miseravelmente compensará a perda de comunhão com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo. Leia Provérbios 1:10-14. O caminho que o discípulo de Cristo é chamado a trilhar é estreito, e se ele o deixa para [trilhar] uma estrada mais larga, isso significará castigos severos, perdas de partir o coração, e, talvez, à perda do “Bem está” do Salvador no final da jornada.

Estamos a odiar até mesmo o “as vestes”, figura de nossos hábitos e maneiras, manchadas pela carne (Judas 23), e devemos nos guardar “da corrupção do mundo”. (Tiago 1:27) Que minuciosa e arrebatadora é a palavra que está em 2 Coríntios. 7:1: “Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus”. Se qualquer ocupação ou associação é encontrada para dificultar a nossa comunhão com Deus ou o nosso prazer das coisas espirituais, então ela deve ser abandonada. Cuidado com a “lepra” nas vestes. (Levítico 13:47) Qualquer coisa nos meus hábitos ou maneiras que estrague a comunhão feliz com os irmãos ou me rouba o poder em serviço, deve ser julgado implacavelmente e destinado a ser “queimado”. (Levítico 13:52) Tudo o que eu não posso fazer para a glória de Deus deve ser evitado.

“Porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? [2 Coríntios 6:14-16]. Quão explícitos e enfáticos são os termos usados aqui! Não há desculpas a tudo o que está ali para não compreender os termos desta exortação, e a razão com a qual é compatível. “Sociedade, comunhão, concórdia, parte, consenso” é tão simples que não necessitam de intérprete. Todas as uniões, alianças, parcerias, envolvimentos, com os incrédulos estão expressamente proibidos ao cristão. É impossível encontrar dentro de toda a gama das Escrituras Sagradas linguagem mais simples sobre qualquer assunto do que nós temos aqui: A justiça, injustiça; luz, escuridão; Cristo, Belial – o que eles têm em comum? Que ligação há entre eles?

Os contrastes apresentados são muito pontuados e penetrantes. “Justiça” é certo fazer, “injustiça” é errado fazer. O infalível e único padrão de ação correta é “a palavra da justiça” (Hebreus 5:13). Por isso unicamente são reguladas a vida e caminhar do Cristão. Mas o mundano despreza e desafia-o. Então que “comunhão” pode haver entre aquele que está em sujeição à Palavra de Deus, com quem não está? “Luz” e “trevas”. Deus é luz (1 João 1:5) e Seus santos são “os filhos da luz”. (Lucas 16:08) Mas os filhos do maligno são “trevas” (Efésios 5:8). Que comunhão, então, pode haver entre membros de famílias tão díspares “Cristo” e “Belial” – que concórdia pode haver entre aquele para quem Cristo é tudo, e aquele que despreza e rejeita-O?

“Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo [Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso]” [2 Coríntios 6:16-18]. Quão abençoados são estes! Primeiro, temos a exortação dada, “Não vos prendais em jugo desigual”. Em segundo lugar, a razão aduzida, “porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça?”. Em terceiro lugar, o incentivo oferecido. Esta é uma promessa divina, e é impressionante notar que são sete em uma: 1) “Neles habitarei”; 2) “entre eles andarei”; 3) “E eu serei o seu Deus”; 4) “e eles serão o meu povo”, 5) “e eu vos receberei”; 6) “e serei para vós Pai”; 7) “e vós sereis para mim filhos e filhas”.

“Eu habitarei neles”, é comunhão; “e entre eles andarei” é companheirismo; “e eu serei o seu Deus”, é relacionamento. Primeiro, neles, então, para eles, e “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8:31). “E eles serão o meu povo”, é propriedade, reconhecidos como Seus. “E eu vos receberei”, significa que estão sendo trazidos para o lugar experimental e consciente de proximidade com Deus. “E serei para vós Pai” significa “eu me manifestarei a vocês nesta singularidade, e transmitirei aos seus corações todas as alegrias por tal”. “E vós sereis para mim filhos e filhas” significa, que tal separação piedosa do mundo vai fornecer demonstração de que somos Seus “filhos e filhas”. Compare Mateus 5:44.

“Diz o Senhor Todo-Poderoso”. Esta é a única vez que o título divino “Todo-Poderoso” é encontrado em todas as vinte e uma epístolas do Novo Testamento! Parece ser trazido aqui com o propósito de enfatizar a suficiência do nosso Recurso. Como alguém já disse: “Deixe cada Cristão agir conforme a ordem de separação dada em 2 Coríntios 6:14-17, e ele encontrará seu caminho cercado de dificuldades e assim tende a despertar a hostilidade de todos, pois se seus olhos não permanecem fixos no Deus Todo-Poderoso, que assim o tem chamado para fora, ele facilmente desfalecerá”. Mas note-se que estas promessas são condicionais, condicionadas à obediência às exortações anteriores. No entanto, se o coração se apodera deste incentivo abençoado, então a obediência à ordem torna-se fácil e agradável.
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Por Arthur W. Pink
Fonte: EternalLifeMinistries.org
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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O que é o “Estágio de Gaiola” do Calvinismo e o que causa isso?

Estágio de gaiola descreve um fenômeno muito comum em que um crente passa a abraçar as doutrinas da graça e, por um tempo, se torna um tolo desagradável defendendo as doutrinas para todos que chegam, estejam eles interessados ou não. Sugere-se que tal novato possa passar algum tempo em uma gaiola até que ele se acalme. Se você é um calvinista provavelmente já esteve nesse estágio. Se você não é, certamente já encontrou com aqueles que estão infectados.

O que causa o estágio de gaiola do calvinismo é uma falha em acreditar no calvinismo. Agora eu não quero sacudir nenhuma gaiola aqui, mas eu creio que seja verdade. Ele começa com uma falha em acreditar na total depravação. O estagiário da gaiola está frustrado, desesperado, frequentemente raivoso com a falha dos outros em abraçar essas doutrinas bíblicas. Mas essa doutrina bíblica reconhece que todos nós temos dificuldade de abraçar doutrinas bíblicas. O estagiário da gaiola parece que esquece a batalha com o pecado que ele não somente continua a ter, mas a batalha que ele só recentemente ganhou, pela graça de Deus, ao abraçar as doutrinas da graça. Ele parece pensar: “O que há com esses terríveis, ridículos e inúteis pecadores que se recusam a ver o que eu só recentemente passei a ver?”

O estágio de gaiola do calvinismo é como uma negação implícita da eleição incondicional. Isto é, em nossos corações, tendemos a ver a nós mesmos, sendo calvinistas, como recipientes peculiarmente dignos da graça de Deus, como se Ele houvesse olhado para o corredor do tempo e tivesse visto que nós iríamos em nossa sabedoria abraçar o calvinismo e, com base nisso, Ele nos escolheu. Calvinistas não são os soldados de elite do reino. Nós, pelo contrário, estávamos mortos antes que a batalha começasse, exatamente como todos os outros.

Você consegue ver o que essas duas noções têm em comum? O estágio de gaiola do calvinismo, no fim das contas, é fruto do orgulho. Nós pensamos tão grandiosamente de nós mesmos, olhando por cima do nariz para os outros e dando tapas nas costas uns dos outros por termos entendido tudo. O calvinismo verdadeiro reconhece nosso pecado, nossa dependência da graça de Deus não somente por sermos redimidos, mas por qualquer entendimento sobre como passamos a ser redimidos. Ele reconhece e honra a graça e a providência de Deus, afirmando que o mesmo Deus soberano que nos trouxe à fé salvadora também nos revelou Sua soberania.

O calvinismo verdadeiro também reconhece que o Deus soberano que nos redimiu redime muitos que entendem menos que nós a soberania de Deus. Nós não entramos em pânico por conta da existência de não-calvinistas na igreja, entendendo que isso também é parte do Seu plano soberano. Ficar empolgado em aprender mais sobre a graça de Deus, a obra de Cristo e o poder regenerador do Espírito Santo é uma coisa boa. E é, de fato, uma coisa boa buscar ajudar outros a também entenderem isso. Contudo, perder de vista nossa necessidade de graça e de graciosidade é uma coisa muito ruim.

Despertar para a soberania de Deus é, na verdade, uma experiência humilhante que carrega o fruto de um arrependimento mais profundo, uma humilhação mais profunda, uma compaixão mais profunda. Carrega o fruto da beleza, não da feiura, da alegria, não da raiva. Liberta-nos da gaiola do orgulho e nos equipa para servir os irmãos. O estágio de gaiola do calvinismo tem sido e deve ainda ser o plano soberano de Deus. Contudo, Sua verdade revelada é que nos tornemos mais como Cristo, que nos liberta.
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Dr. R. C. Sproul, Jr. ensina na Reformation Bible College em Sanford, Florida, onde também serve como professor do ministério Ligonier. Ele também é o antigo editor da revista Tabletalk.
Traduzido por Felipe Prestes
Fonte original: R. C. Sproul Jr.
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domingo, 23 de agosto de 2015

Por que Deus decretou permitir o pecado?


(...) E isso me traz ao quinto princípio: os decretos de Deus são em todos os aspectos perfeitamente consistentes com Sua própria natureza muitíssimo sábia, benevolente e santa. Creio que não é necessário que eu argumente tal fato. Noutras palavras, não existe contradição em Deus. Nem pode haver. Deus é perfeito, como temos visto, e Ele é absoluto, e tudo quanto estou expressando agora se entrosa perfeitamente com tudo quanto já consideramos antecipadamente. Conforme já os adverti na introdução, vocês e eu, aqui na terra, com nossas mentes finitas e pecaminosas, somos confrontados com um problema. Ei-lo: por que Deus decretou permitir o pecado? E há somente uma resposta a essa pergunta: simplesmente não sabemos. Sabemos que Ele decretou permitir o pecado, do contrário o pecado jamais teria acontecido. O porquê, não sabemos. Eis aqui um problema insolúvel. Veremos, porém, tudo claramente quando estivermos na glória e face a face com Deus.

De duas coisas podemos estar certos e devemos sempre asseverar: primeira, Deus jamais é a causa do pecado. Em Habacuque 1:13, vocês encontrarão expresso: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal.” Tiago diz: “...Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tg 1:13). Segunda, o propósito de Deus é, em todas as coisas, perfeitamente consistente com a natureza e o modo de agir de Suas criaturas. Noutras palavras, ainda que não possamos conciliá-lo, há uma conciliação final. Os decretos de Deus não negam a existência de agentes livres. Tudo o que sabemos é isto: ainda que Deus concedeu esta liberdade, Ele, não obstante, a tudo governa a fim de que Seus fins determinados possam ser concretizados.

Como pode Deus decretar tudo e ainda manter-nos responsáveis pelo que fazemos? Eis a resposta:
“Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: porque me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou” (Rm. 9:20-23).
“Mas”, talvez vocês perguntem, “como você concilia estas duas coisas?”

Respondo: “não posso. Sei que a Bíblia me afirma as duas coisas: que o homem, em certo sentido, é um agente livre, e, em contrapartida, que os decretos eternos de Deus governam todas as coisas.”
(...)
Curvemo-nos diante de Sua Majestade. Humilhemo-nos em Sua augusta presença. Submetamo-nos à revelação que Ele tão graciosamente Se agradou em nos comunicar.
___________
Extraído do livro “Deus o Pai, Deus o Filho”, Dr. Martyn Lloyd-Jones – Editora PES.
Texto completo em: Os decretos eternos de Deus
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Doze perguntas que um cristão deve fazer antes de assistir “Game of Thrones”

“Pastor John, você acredita que haja alguma diferença entre nudez de filmes e a nudez em pornografia? Eu conheço vários cristãos que são contra pornografia, mas eles não tem problema algum em assistir filmes ou programas de TV que apresentem nudez gráfica.” Uma jovem mulher chamada Emily recentemente enviou essa pergunta ao “Ask Pastor John”.
Um dia depois, Adam enviou a seguinte pergunta: “Pastor John, o que o senhor diria a um cristão que assiste o programa Game of Thrones? É um programa de TV com classificação adulta, e se tornou infame por causa da nudez e de cenas de sexo explícito, também por cenas de estupro e violência sexual contra as mulheres. Game of Thrones é agora a série mais popular na história da HBO, com uma audiência média de mais de 18 milhões de telespectadores.

A seguir está uma transcrição ligeiramente editada da resposta de John Piper nesse episódio de “Ask Pastor John”.

Quanto mais perto fico de morrer, de encontrar Jesus pessoalmente (face a face) e de prestar contas da minha vida e das palavras mal-pensadas que eu falei (Mateus 12:36), mais certeza eu tenho da minha decisão de nunca olhar intencionalmente para um programa de TV, um filme, website ou revistas onde eu saiba que irei ver fotos ou filmes de nudez. Nunca. Essa é minha decisão. E quanto mais perto fico da morte, melhor me sinto quanto a isso, e mais dedicado eu me torno.

Francamente, eu quero convidar todos os cristãos a se juntarem a mim nesta busca de uma maior pureza de coração e mente. Em nossos dias, quando o entretenimento da mídia tornou-se praticamente a língua comum do mundo, isto soa como um convite para ser um alienígena. E eu acredito com todo meu coração que o que o mundo precisa é de alienígenas radicalmente destacados, com sacrifício amoroso, apaixonados por Deus. Em outras palavras, estou convidando você para dizer não ao mundo para o bem do próprio mundo.

O mundo não precisa de mais gente legal e “culturalmente esclarecida”, ou seja, de cópias irrelevantes de si mesmo. Isso é um erro que tem enganado milhares de jovens cristãos. Eles pensam que têm de ser descolados, legais, esclarecidos, culturalmente conscientes, observando tudo para não serem bizarros. E isso é o que está desfazendo-os moralmente e desfazendo os seus testemunhos.

Então aqui estão 12 perguntas para se pensar, ou 12 razões porque estou comprometido a uma abstenção de tudo que eu sei que irá me apresentar nudez.

1 – Será que estou recrucificando a Cristo?
Cristo morreu para purificar seu povo. É uma falsificação absoluta da Cruz tratá-la como se Jesus morresse somente para nos perdoar do pecado de assistir a nudez, e não para nos purificar e dar-nos o poder de não vê-la.
Ele tem poder (comprado pelo sangue de Sua cruz). Ele morreu para nos fazer puros. Ele “entregou a si mesmo, por nós, para nos remir de toda iniqüidade e purificar para si um povo para sua própria posse” (Tito 2:14). Se escolhemos endossar, abraçar, desfrutar ou buscar a impureza, é como se tomássemos uma lança e perfurássemos o lado de Jesus cada vez que fizéssemos isso. Ele sofreu para nos libertar da impureza.
2 – Será que isso expressa ou favorece a minha santidade?
Na Bíblia, do início ao fim, há um chamado radical à santidade – a santidade da mente, do coração e da vida. “Como aquele que vos chamou é santo, vós também sejam santos em todo o vosso procedimento” (1 Pedro 1:15). Ou 2 Coríntios 7: 1, “Uma vez que temos essas promessas, amados, purifiquemo-nos de toda contaminação de corpo e espírito, trazendo santidade para o acabamento no temor de Deus”. A nudez em filmes e fotografias não é santa e não faz avançar a nossa santidade. É profana e impura.
3 – Quando irei lançar fora meu olho, se não agora?
Jesus disse que todo aquele que olha para uma mulher com intenção concupiscente já cometeu adultério com ela em seu coração. Se seu olho direito te leva a pecar, arranque-o e jogue-o fora (Mateus 5:28-29). Ver mulheres nuas – ou homens nus – leva um homem ou uma mulher a pecar com suas mentes e seus desejos, e frequentemente com seus corpos. Se Jesus nos ordenou guardar nossos corações, ao arrancar nossos olhos para prevenir a concupiscência, seria certo que Ele também diria: “Não assista a isso!”.
4 – Não é satisfatório pensar naquilo que é honroso?
A vida em Cristo não é apenas evitar o mal, mas principalmente buscar de forma ardente o bem. Lembre-se de Filipenses 4:18, “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.”
Minha vida não é uma vida forçada. É livre. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.” (Gálatas 5:13)
5 – Estou buscando ver a Deus?
Eu quero ver e conhecer a Deus, tanto quanto possível nesta vida e na ressurreição. Assistir a nudez é um enorme obstáculo nessa busca. “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5: 8). A contaminação da mente e do coração, observando nudez entorpece a capacidade do coração de ver e desfrutar a Deus. Eu desafio qualquer um a ver nudez e logo após ir diretamente a Deus, orando, dando-lhe graças por causa do que acabou de experimentar.
6 – Será que eu me importo com as almas daqueles que aparecem nus?
Deus chama às mulheres a se vestirem de uma maneira respeitável, com modéstia e auto-controle (1 Timóteo 2:9). Quando buscamos, recebemos ou embraçamos a nudez em nosso entretenimento, estamos implicitamente endossando o pecado das mulheres que se vendem dessa maneira e, portanto, sendo negligentes quanto a suas almas. Elas desobedecem 1 Timóteo 2:9, e nós dizemos que está tudo bem.
7 – Eu ficaria feliz se fosse uma filha minha interpretando o papel?
A maioria dos cristãos são hipócritas ao assistirem nudez, porque, pelo fato de assistirem, por um lado eles dizem que isso é bom, e, por outro lado, lá no fundo eles sabem que eles não iriam querer que sua filha, esposa ou namorada estivessem interpretando esse papel. Isso é hipocrisia.
8 – Será que eu estou dizendo que a nudez pode ser fingida?
A nudez não é como o assassinato e a violência na tela. A violência na televisão é de faz-de-conta; ninguém realmente morre. Mas a nudez não é faz-de-conta. Essas atrizes estão realmente nuas na frente da câmera, fazendo exatamente o que o diretor pede para elas fazerem com as pernas, as mãos e os seios. E elas estão nuas para que milhões de pessoas possam ver.
9 – Será que eu estou comprometendo a beleza do sexo?
Sexo é uma coisa bonita. Deus o criou e o declarou como “bom” (1 Timóteo 4: 3). Mas não é um esporte para um espectador assistir. É uma alegria santa que é sagrada em seu lugar devido, de um amor terno e seguro. Homens e mulheres que querem ser assistidos na sua nudez estão na categoria de exibicionistas que puxam suas calças para baixo em lugares públicos.
10 – Será que eu estou dizendo que a nudez é necessária para que haja Boa Arte?
Não há um grande filme ou uma grande série de televisão que realmente precise de nudez para adicionar à sua grandeza. Não. Não existe. Existem formas criativas para ser fiel à realidade sem transformar o sexo em um esporte de espectador e sem colocar atores e atrizes em situações moralmente comprometedoras no set.
Não é a integridade artística que está dirigindo a nudez na tela. Debaixo de toda a superfície, o apetite sexual masculino é o verdadeiro motor deste negócio, e, como consequência, a pressão da indústria e do desejo de classificações que as vendem. Não é a arte que coloca a nudez no filme, é o apelo à lascívia. Este sim vende.
11 – Será que eu estou implorando por aceitação?
Os cristãos não vêem nudez principalmente por ter como propósito maximizar a santidade. Mas isso, aparentemente, não impede que eles voltem a assisti-los. No fundo eles sabem que estes filmes e programas de televisão estão cheios de elogios e exaltações a atitudes que estão totalmente fora de sintonia com a morte do “eu” e com a exaltação de Cristo.
Não, o que faz os cristãos voltarem a ver esses programas é o medo de que, se levarem Cristo a sério em Sua palavra e considerarem a santidade um assunto tão sério como estou dizendo que é, eles teriam que parar de ver tantos programas de televisão e tantos filmes, que eles seriam vistos como bizarros. E, hoje em dia, esse é o pior de todos os males. Ser visto como bizarro é um mal muito maior do que ser profano.
12 – Será que eu sou livre da dúvida?
Há uma orientação bíblica que torna a vida muito simples: “Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.” (Romanos 14:32). Minha paráfrase: Se você tem dúvidas, não faça. Se isso fosse seguido, os hábitos de visão de milhões de pessoas seriam alterados, e, oh, quão tranquilamente eles iriam dormir com as suas consciências.
Então eu digo novamente:

Junte-se a mim na busca do tipo de pureza que vê a Deus, e conhece a plenitude da alegria em sua presença e do prazer eterno à sua mão direita.
___________
Resposta dada pelo Pastor John Piper
Traduzido por Erving Ximendes
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É a Bíblia a única autoridade de fé e prática?

É a Bíblia a única autoridade de fé e prática? A Igreja católica diz que não. O Concílio Vaticano II diz que: "ambas, Escritura e Tradição, devem ser aceitas e honradas com igual sentimento de devoção e reverência". (Vatican II documents, "Dogmatic Constitution on Divine Revelation" Chap. 2, 9, p. 682).

Assim, Roma elevou de forma descarada suas tradições ao mesmo nível da Bíblia Sagrada.

Eu frequentemente recebo cartas e e-mails de católicos me desafiando sobre a autoridade [total e única] da Bíblia. Eles sabem que não podem defender a doutrina católica somente da Bíblia. Se a Bíblia é a única autoridade de fé e prática, pode ser facilmente demonstrado pelas Escrituras que a Igreja Católica é falsa. A autoridade da Bíblia é, portanto, o âmago da diferença entre católicos e igrejas que baseiam sua doutrina e prática somente sobre as Santas Escrituras.

Segue um exemplo de muitos desafios que tenho recebido: 
"Eu não tenho encontrado qualquer coisa na Bíblia que diga que ela deva ser usada como única autoridade. Parece-me que a própria Bíblia é um tipo de tradição, visto que, sua forma atual, não era considerada completa mesmo depois de muitos anos da morte de todos os apóstolos. Tivemos que confiar em alguém quanto à autenticidade e integralidade da mesma. Eu tenho encontrado nas Escrituras exortação para seguir as próprias tradições, quer sejam escritas ou faladas. É claro que entendo eu que "tradições de homens" está errado seguir." (e-mail de um católico que encontrou os artigos de Way of Life na internet, em 2 de março de 1999).
RESPOSTA DO IRMÃO CLOUD:

Você me diz que não encontrou nada na Bíblia que afirme que ela deve ser usada como única autoridade. Eu só posso dizer que você não deve ter lido a Bíblia muito cuidadosamente.

PRIMEIRAMENTE, 2 TIMÓTEO 3:16-17 ENSINA QUE A BÍBLIA É SUFICIENTE PARA A FÉ E PRÁTICA
"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja PERFEITO, E PERFEITAMENTE INSTRUÍDO PARA TODA A BOA OBRA".
A Escritura, somente ela, é dada por inspiração de Deus e é apta para fazer o homem de Deus perfeito. Obviamente, portanto, nada mais é necessário além da Escritura.

A tradição católica não é Sagrada Escritura, e não é, portanto, inspirada por Deus, e não é, portanto, necessária para fazer o homem de Deus perfeito. Eu digo isso sob a autoridade de 2 Timóteo 3:16-17.

Essa passagem, basta ela sozinha, para refutar o ensino de Roma de que a tradição é igual as Escrituras. Somente Escritura pode ser igual a Escritura pela razão de somente as Santas Escrituras terem sido inspiradas por Deus.

Paulo contrasta a palavra do homem contra a Palavra de Deus.
"Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, HAVENDO RECEBIDO DE NÓS A PALAVRA DA PREGAÇÃO DE DEUS, A RECEBESTES, NÃO COMO PALAVRA DE HOMENS, MAS (SEGUNDO É, NA VERDADE), COMO PALAVRA DE DEUS, a qual também opera em vós, os que crestes" (I Ts 2:13).
Nós temos que continuar a fazer essa crucial distinção hoje. Se um ensino não é a Palavra de Deus então é a palavra do homem. As tradições de Roma não são a Palavra de Deus. Roma nem mesmo reivindica que suas tradições são a Palavra de Deus. Portanto, as tradições são palavras dos homens e não devem ser seguidas. A Palavra de Deus, a Bíblia, é tudo o que o crente precisa, porque é apta para fazê-lo perfeito, completamente equipado para toda boa obra.

SEGUNDO, NÓS SABEMOS QUE A BÍBLIA É A COMPLETA PALAVRA DE DEUS PORQUE A NÓS FOI DITO QUE A FÉ FOI ENTREGUE AOS SANTOS DE UMA VEZ POR TODAS
"Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA AOS SANTOS." (Judas 3).
A "fé" refere-se ao corpo da verdade do Novo Testamento entregue pelos apóstolos por meio da inspiração do Espírito Santo. O termo "uma vez entregue" diz que este corpo da verdade foi dado durante um período específico de tempo já completado. Isso refere-se as Escrituras do Novo Testamento que foram completadas durante os dias dos apóstolos.

Judas 3, basta este verso sozinho, para refutar a ideia que a fé cristã está sendo progressivamente dada através da Igreja Católica Romana.

TERCEIRO, UM SELO FOI COLOCADO NO CAPÍTULO FINAL DO LIVRO FINAL DA BÍBLIA SIGNIFICANDO SUA CONCLUSÃO E ALERTANDO A CADA HOMEM A NÃO ADICIONAR OU SUBTRAIR DELA
"Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." (Ap 22:18-19)
Os que reivindicam ter uma nova revelação ou tradição no mesmo nível da Bíblia caem sob o julgamento descrito nessa passagem. O livro de Apocalipse conclui e completa a Bíblia. Nada pode ser adicionado ou removido.

QUARTO, A CONCLUSÃO DO CÂNON DAS ESCRITURAS FOI RECONHECIDA NO SEGUNDO SÉCULO, MUITO ANTES DA IGREJA CATÓLICA EXISTIR

Líderes cristãos no segundo século reconheceram o cânon do Novo Testamento e aceitaram os escritos apostólicos como Santas Escrituras em igual autoridade com o Antigo Testamento. Deus concedeu sabedoria nesse processo e eles não precisaram esperar por declarações de concílios que vieram séculos depois. (Jo 16:13, 17:8, 1 Tes. 2:13; 1 Jo. 2:20).

Irineu (125-192), por exemplo, em seus escritos ainda existentes, fez 1800 citações dos livros do Novo Testamento e os usou "de tal maneira que se deduz que eles, acerca dessa época tinham sido considerados de autoridade inquestionável" (Herbert Miller, General Biblical Introduction, p. 140). Irineu aceitou os quatro Evangelhos, e somente os quatro, como Escritura.

Clemente de Alexandria (150-217) citou e reconheceu os quatro Evangelhos e outros livros do Novo Testamento, chamando-os de "Divinas Escrituras".

Tertuliano (150-220) fez 7200 citações dos livros do Novo Testamento e os aceitou como Escritura.

A tradução da Bíblia para o latim, chamada Ítala, a qual foi provavelmente feita no segundo século, "contém todos os livros que agora compõem o Novo Testamento" (John Hentz, History of the Lutheran Version, p. 59).

Uma relação das Escrituras do Novo Testamento datando da metade do segundo século foi descoberta na biblioteca de Ambrósio em Milão, Itália, em 1740. Esta relação do segundo século contém todos os 27 livros do cânon do Novo Testamento. (Hentz, p.60).

Desse modo, as Escrituras do Novo Testamento completado estavam sendo difundidas e aceitas pelo povo de Deus sob a orientação do Espírito Santo. Muitos [pseudo] eruditos dos modernistas críticos textuais que escrevem hoje sobre este primitivo século negam, ou omitem totalmente, o trabalho do Espírito Santo na inspiração e canonicidade do Novo Testamento. Os apóstolos não foram deixados aos seus próprios [falhos] recursos [intelectuais e de memória e imaginação e honestidade] para transcrever os registros de Cristo, nem os cristãos primitivos foram deixados aos seus próprios [falhos] recursos [de discernimento e honestidade] para reconhecer quais escritos eram as Escrituras (I Ts 2:13). As palavras do Novo Testamento são as palavras do Senhor Jesus Cristo através de divina inspiração, e as ovelhas de Deus conhecem a voz do bom Pastor e podem distinguir Sua voz daquela dos falsos pastores (Jo 10:4,5,27).

QUINTO, PASSAGENS QUE INDUZEM OS CRISTÃOS SEGUIREM A TRADIÇÃO REFEREM À TRADIÇÃO INSPIRADA DADA PELOS APÓSTOLOS, NÃO A TRADIÇÕES NÃO INSPIRADAS DE HOMENS QUE VIERAM DEPOIS DELES

O termo "tradição" é usado de dois modos no Novo Testamento. Primeiro refere-se à doutrina apostólica dada por divina inspiração (II Ts 2:15; 3:6). As igrejas são ordenadas a observar esta tradição que foi de modo sobrenatural registrada na Escritura do Novo Testamento. Segundo, tradição se refere a ensinos não inspirados que professores religiosos tentaram adicionar às Escrituras e pelos quais eles tentaram amarrar as vidas dos homens (Mt 15:1-6; Mc 7:9-13; Col 2:8). Neste sentido, a tradição é condenada, como nós vemos nas referências seguintes:
"Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens." (Mt 15:9).
"Invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas" (Mc 7:13).
"Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;" (Cl 2:8)
Nós somos gratos a Deus que nos deu uma completa e suficiente revelação e que nós não somos dependentes de profecias extra-bíblicas, visões, vozes, línguas, ou tradições. Na Bíblia nós temos tudo o que as igrejas precisam para fé e prática.

Então, ainda que seja verdade que "a própria Bíblia é um tipo de tradição" isto não significa que somente é mais uma de várias tradições autorizadas. A Bíblia, somente ela, é a [única e completada] tradição de DEUS INSPIRADA. Isso é o que a coloca separada à parte de todas as outras escrituras. A Bíblia clama ser a inspirada palavra de Deus. Mais de duas mil vezes a Bíblia usa frases como "assim disse Deus."

SEXTO, A IGREJA CATÓLICA NÃO PODE SER ENCONTRADA NA ESCRITURA

A Igreja Católica não começou a existir senão vários séculos após a conclusão da escrita do Novo Testamento. As igrejas [sempre e somente igrejas locais, não uma mega hierarquia universal com mega poderes espirituais e até mesmo seculares] descritas no Novo Testamento não parecem em nada com a Igreja Católica Romana. Esta "igreja" foi formada em um período além dos séculos seguintes da morte dos apóstolos, com falsos mestres corrompendo o modelo de igreja do Novo Testamento e acrescentando as suas tradições humanas. No Novo Testamento nós não encontramos nenhum papado, nenhum sacerdócio à maneira de Roma, nenhum sacramento que são acrescentados à fé para salvação, nenhum arcebispo ou cardeal, nenhuma regeneração batismal, nenhuma missa, nenhum batismo infantil, nenhuma extrema unção, nenhuma Maria como rainha do céu, nenhuma Maria como Mãe de Deus, nenhuma Maria sem pecado, nenhuma oração aos santos, nenhuma tesouraria da graça, nenhum purgatório, nenhuma relíquia sagrada ou mantos sagrados ou água benta, nenhum crucifixo, nenhuma vela, nenhuma catedral, nenhum monge, nenhum pároco "celibatário", nenhum dia de jejum obrigatório, nenhuma proibição contra matrimônio ou contra comer carne, nada sobre a igreja de Roma ser exaltada sobre outras igrejas [de outras cidades ou lugarejos].

SÉTIMO, A TRADIÇÃO CATÓLICA ROMANA, NÃO PODE SER CORRETA PORQUE NÃO SOMENTE FAZ ACRÉSCIMOS À BÍBLIA, COMO A CONTRADIZ [!]

A Sagrada Escritura Sagrada sempre se sustenta como o absoluto e único padrão da verdade.

Veja por exemplo, Isaías 8:20: "À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles".

Aqueles que falam contrariamente [a isto] estão na escuridão. O senhor Jesus Cristo reprovou severamente os fariseus porque eles adicionaram sua tradição humana como autoridade juntamente com as Escrituras e, desse modo, contradisseram as Escrituras:
"Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão. Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós, também, o mandamento de Deus pela vossa tradição? Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe, E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus. Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens". (Mt 15:1-9)
Não somente é a doutrina e a prática católica romana que não são baseadas na Bíblia: elas contradizem a Bíblia; portanto, elas não podem ser a sua fonte [nem mesmo podem ser de Deus]. Dogmas católicos tais como o do papado, da mariolatria, dos culto a santos, o sacerdócio,a missa, e o purgatório, não são encontrados no Novo Testamento, e eles contradizem o claro ensino e a prática do Novo Testamento. O papado contradiz 1 Pe l. 5:1-4, entre muitas outras passagens. A mariolatria e os santos contradizem 1 Tim. 2:5. A missa contradiz 1 Co. 11:23-26. O purgatório contradiz 2 Co. 5:1-8 e Fl. 1:23. O O sacerdócio contradiz o Novo Testamento em que Cristo é o sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Heb. 7:21-27) e Cristo não estabeleceu nenhum sacerdócio das igrejas do Novo Testamento à exceção aquele do sacerdócio de todos os crentes (1 Pe 2:5, 9). Não há um exemplo no Novo Testamento de um sacerdote que é ordenado e colocado à parte ou executando o tipo do ministério que vemos na Igreja Católica Romana. O Novo Testamento dá qualificações para pastores e diáconos, mas nenhum para padres.

Se obedecermos a II Ts 2:15 e 3:6 e compararmos a tradição católica com o ensino dos apóstolos, temos que rejeitar o catolicismo por ser contrário a este padrão. Os apóstolos não ensinaram que há um sacerdócio especial entre os crentes. Os apóstolos não ensinaram que há um papa. Os apóstolos não ensinaram que a ceia do Senhor é para ser um tipo qualquer de sacrifício. Os apóstolos não ensinaram que Maria é sem pecado, e permaneceu eternamente virgem, ou ascendeu ao céu, ou que ela é a rainha dos céus, ou que os cristãos devem orar a ela. Os apóstolos não ensinaram que o ofício deles era para ser continuado após morrerem, e eles não deram nenhuma instrução para uma "sucessão apostólica". Os apóstolos não ensinaram que as igrejas devam ter sacramentos. Os apóstolos não ensinaram que há santos especiais a quem os cristãos podem orar. Essas são algumas poucas das tradições católicas que são contrárias ao ensino dos apóstolos nas Escrituras do Novo Testamento.

Você diz, "nós tivemos que confiar em alguém com respeito à sua autenticidade e integralidade". Você está certo. Eu tenho a escolha entre confiar na Bíblia como a Palavra de Deus autorizada e completa, ou confiar na igreja católica. Não podem ambas ser corretas, porque estão em contradição. A Bíblia prova ser a Palavra de Deus inspirada e infalível em incontáveis maneiras: profecias cumpridas, sua exatidão científica, sua coesa unidade, embora tenha sido escrita durante um período de [muitas] centenas dos anos, seu poder para mudar vidas, sua universal atratividade e apelo, seu testemunho de Jesus Cristo, o testemunho dos apóstolos (estude o livro dos Atos, por exemplo, para ver o que os apóstolos pensam da Bíblia).

Por outro lado, a igreja católica prova ser falsa por qualquer padrão que eu use. É moralmente corrupta e doutrinariamente herética. A Bíblia não contradiz a si mesma, mas os papas se contradizem continuamente. Eu tenho a escolha entre confiar nos apóstolos e confiar nos papas. Os apóstolos não eram moralmente reprováveis nem contradisseram as Escrituras. Tudo que ensinaram estava em completa conformidade com as Escrituras. Eu considero muito fácil confiar nos apóstolos e rejeitar os papas.

OITAVO, A IGREJA CATÓLICA ROMANA NÃO TEM NENHUMA AUTORIDADE NA BÍBLIA. SUA REIVINDICAÇÃO À AUTORIDADE VEM DE FORA DA BÍBLIA

A igreja católica romana reivindica que sua autoridade se encontra nos papas como os sucessores dos apóstolos e no sacerdócio. Não há nenhuma sugestão disso no Novo Testamento.

1. Mostre-me na Bíblia onde Jesus Cristo estabeleceu o ofício de papa como se encontra na igreja católica, e onde fez provisão para a continuidade de tal ofício.

2. Mostre-me na Bíblia onde Jesus Cristo estabeleceu o sacerdócio católico. Onde nós encontramos tal sacerdócio descrito? Onde nós encontramos os padrões para escolha de tais sacerdotes? Onde nós encontramos uma descrição de como ordenar tais sacerdotes? Onde nós encontramos uma descrição dos sete sacramentos que eles executam?

De minha parte, eu tenho autoridade bíblica:
A) para o evangelho que eu creio (isto é, que a salvação é somente pela graça de Jesus Cristo [sozinho], através somente de completa expiação feita por Ele [sozinho] na cruz, através somente da fé, sem obras e sem sacramentos - At 16:30-31; Rm. 3:23-26; 4:1-8; Ef. 2:8-10; 1 Cor. 15:1-4.
B) e para o tipo simples de igreja do Novo Testamento da qual eu tomo parte. Minha fé está em Jesus Cristo, e eu aprendo dEle com as Escrituras que Ele deu através de inspiração divina. 
Tenho um teste infalível pelo qual julgar os ensinos do homem. Cada ensino e tradição que é contrário a inspirada Escritura eu rejeito, [apoiado] sobre a autoridade de Palavra de Deus. 
Essas decisões têm consequências eternas, e eu recuso arriscar a salvação eterna da minha alma sobre qualquer coisa, exceto sobre o mais alto padrão de autoridade. 
"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Rm 10:17) 
______________
Por David Cloud
Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
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Consolo nas aflições [11/17]

CAPÍTULO 11

O PRANTO
"Bem-aventurados os que choram" (Mateus 5:4)
O choro é desagradável e irritante para a pobre natureza humana. Diante do sofrimento e da tristeza nossos espíritos instintivamente se dobram. Por natureza, buscamos a alegria e felicidade. O nosso texto apresenta uma anomalia ao não regenerado, ainda que seja uma doce música para os ouvidos dos eleitos de Deus. Se são "bem-aventurados", por que "choram"? Se eles "choram" como podem ser "bem-aventurados"? Apenas um filho de Deus tem a chave para este paradoxo. Quanto mais refletimos sobre o nosso texto mais somos obrigados a exclamar "Nunca homem algum falou assim como este homem"! "Bem-aventurados (felizes) os que choram" está em completo desacordo com a lógica do mundo. Os homens têm em todos os lugares e em todas as épocas considerado prósperos e bem sucedidos aqueles que são felizes, mas Cristo diz que felizes são os pobres de espírito e que choram. Agora é óbvio que não é toda espécie de choro que é aqui referido. Existe uma tristeza que "opera a morte". O choro ao qual Cristo promete conforto deve ser restrito ao que é espiritual. O choro, que é bendito é o resultado de uma percepção da santidade e da bondade de Deus que surge do um sentimento de nossa própria maldade – a depravação das nossas naturezas, a enormidade e culpa de nossa conduta e as tristezas por nossos pecados com um pesar piedoso. Nós no nosso passado, que as oito bem-aventuranças são dispostas em quatro pares; a prova disso será fornecidas à medida que prosseguimos.

A primeira da série é a bênção que Cristo pronunciou sobre aqueles que são pobres de espírito, que nos leva a dizer, que eles foram despertados para a consciência de sua própria nulidade e vazio. Agora, a transição de tal pobreza para o choro é fácil de seguir, na verdade, segue-se tão intimamente que é de fato o seu companheiro.

O choro que é aqui referido é manifestamente mais do que a de aflição luto ou perda. É o choro pelo pecado. É o choro do sentimento da miséria de nosso estado espiritual, e sobre as iniquidades que fazem separação entre nós e Deus; choro pela moralidade em que nos orgulhamos, e na justiça própria em que nos alicerçamos; tristeza pela rebelião contra Deus, hostilidade à Sua vontade; e tal choro sempre vai lado a lado com a pobreza consciente do espírito (Dr. Person).

Uma impressionante ilustração e exemplificação do espírito sobre o qual o Salvador aqui pronunciou Sua bênção pode ser encontrada em Lucas 18. Há um contraste vívido apresentado a nossa visão. Em primeiro lugar, nos é mostrado um fariseu hipócrita olhando para cima em direção a Deus e dizendo: "Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo". Isso tudo pode ter sido verdade a respeito do publicano, porém, o fariseu desceu à sua casa em estado de condenação. Suas vestes eram trapos, suas vestes brancas estavam imundas, embora ele não o soubesse. Em seguida, nos é mostrado o publicano, estando longe, que, na linguagem do salmista estava tão preocupado com as suas iniquidades que não era capaz de olhar para cima (Sl 40:12). Ele não se atreveu a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, consciente da fonte de corrupção interna, e exclamou: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!", e esse homem desceu justificado para sua casa, porque ele era pobre de espírito e chorou pelo seu pecado.

Aqui estão as primeiras marcas do nascimento dos filhos de Deus, e embora nunca chegou a se considerar pobre de espírito, e nunca soube o que é realmente chorar pelo pecado, mesmo pertencendo a uma igreja e seja um oficial nela, não entrou nem viu o reino de Deus. Quão grato o leitor cristão deve ser ao grande Deus condescendente ao habitar no coração humilde e contrito! Onde podemos encontrar qualquer coisa em todo o Antigo Testamento mais precioso do que isso? Que Ele, em cuja vista os céus não podem conter, que não pode se encontrar em qualquer templo que o homem já edificou para Ele, porém magnífico, um lugar de habitação adequada, tem disse Isaías 57:15 e 66:2! "Bem-aventurados os que choram". Embora a principal referência seja a pranto inicial, normalmente chamado de "convicção de pecado'', não significa que se limita a isso.

Choro é sempre uma característica do estado normal do cristão. Há muita coisa que o crente tem a chorar – a praga de seu próprio coração o faz chorar, "miserável homem que eu sou", a incredulidade que "tão de perto nos rodeia" e os pecados que cometemos, que são em maior número que os cabelos de nossa cabeça, são uma dor contínua; a esterilidade e inutilidade de nossas vidas nos fazem suspirar e chorar; nossa propensão em se desviar de Cristo, a nossa falta de comunhão com Ele, a superficialidade do nosso amor por Ele, nos levam a pendurar nossas harpas nos salgueiros.

Mas isso não é tudo. A religião hipócrita prevalece em todos os lados, tendo forma de piedade, mas negando a eficácia dela; a terrível desonra feita com a verdade de Deus pela falsas doutrinas ensinadas em incontáveis púlpitos​​; as divisões entre o povo do Senhor, as contendas entre irmãos, ocasião para contínua tristeza do coração. A terrível iniquidade no mundo, os homens desprezando a Cristo, os sofrimentos incalculáveis ​​ao redor, nos faz gemer em nosso interior. Quanto mais próximo o cristão vive de Deus, mais ele vai chorar por tudo o que o desonra. Com o salmista, ele dirá: "Grande indignação se apoderou de mim por causa dos ímpios que abandonam a tua lei" (119:53); com Jeremias, "E, se isto não ouvirdes, a minha alma chorará em lugares ocultos, por causa da vossa soberba; e amargamente chorarão os meus olhos, e se desfarão em lágrimas, porquanto o rebanho do SENHOR foi levado cativo"; "Portanto lhes dirás esta palavra: Os meus olhos derramem lágrimas de noite e de dia, e não cessem; porque a virgem, filha do meu povo, está gravemente ferida, de chaga mui dolorosa" (13:17, 14:17), com Ezequiel, "E disse-lhe o SENHOR: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela" (9:4).

"Eles serão consolados". Isso se refere antes de tudo, a remoção da culpa consciente que pesa sobre a consciência. Ela encontra o seu cumprimento na aplicação do Espírito do Evangelho da graça de Deus para aquele a quem Ele tem convencido de sua extrema necessidade de um Salvador. Que emite em um sentido de livre e pleno perdão pelos méritos do sangue expiatório de Cristo. Este conforto divino é a paz de Deus que excede todo o entendimento enchendo o coração de quem está agora certo de que é "agradável a si no Amado". Deus primeiro toca na ferida antes de curar, primeiro humilha antes de exaltar. Primeiro, há uma revelação de Sua justiça e santidade, então dá a conhecer a Sua misericórdia e graça.

"Eles serão consolados" também recebe um cumprimento constante na experiência do cristão. Embora ele chore suas falhas indesculpáveis e as confesse a Deus, mas ele é consolado pela certeza de que o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, o limpa de todo pecado. Embora ele chore sobre a desonra feita a Deus por todos os lados ele está confortado por saber que o dia está se aproximando rapidamente, quando Satanás será retirado de cena e o Senhor Jesus se sentará no trono de Sua glória e em justiça e paz. Embora a mão da correção do Senhor muitas vezes é colocada sobre ele e, embora "toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza", no entanto, ele é consolado pela percepção de que tudo isso é operando para ele produzir "um peso eterno de glória mui excelente". Como o Apóstolo, o crente que está em comunhão com o Senhor pode dizer: "Como contristados, mas sempre alegres". Ele pode muitas vezes ser chamado a beber as águas amargas de Mara, mas Deus plantou uma árvore próxima para adoça-las. Sim, cristãos que "choram" são consolados até hoje pelo Consolador Divino, mediante a ministração dos Seus servos, por palavras de encorajamento aos irmãos, e quando estas não estão à mão, pelas preciosas promessas da Palavra sendo trazidas em seu poder para memória e coração.

"Eles serão consolados". O melhor vinho é reservado para o fim. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Durante a longa noite de sua ausência, os santos de Deus foram chamados para a comunhão com Ele que era o Homem de Dores. Mas, bendito seja Deus, porque está escrito: "se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados" Que conforto e alegria será quando a aurora da manhã vier sem nuvens! Então, "deles fugirá a tristeza e o gemido" (Is 35:10). Então, será cumprida a palavra em Apocalipse 21:3,4: "E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas".
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Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
Fonte: Comfort for Christians de A.W. Pink
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