terça-feira, 29 de setembro de 2015

Hipercalvinismo

Na maioria dos casos a acusação de “hipercalvinismo” não passa de um ataque enganoso contra o próprio calvinismo. Alguns odeiam o calvinismo ou a defesa consistente e sem concessões do calvinismo. Contudo estes hesitam em atacar o calvinismo de forma aberta e direta. Portanto eles disfarçam seu ataque como um ataque contra o “hipercalvinismo” e contra os “hipercalvinistas”.

Um claro e distintivo exemplo desse método enganoso e covarde de atacar o calvinismo é o ataque contra calvinismo feito pelo suposto evangelista John R. Rice em dois livros, o "Some Serious Popular False Doctrine"2 e "Predestined for Hell? No!"3. O capítulo 7 do primeiro destes livros tem como título “Hipercalvinismo - Uma Doutrina Falsa”, e a capa do segundo explica que o autor está ocupado “corrigindo os erros do hipercalvinismo”. Sob a pretensão de estar opondo-se ao hipercalvinismo, Rice combate a verdade que os homens são salvos pela graça soberana de Deus apenas e propõe a antiga heresia que o homem salva a si mesmo pelo exercício de seu livre-arbítrio.

Isto se torna óbvio no livreto sujo, "Predestined for Hell? No!". As táticas do autor são as táticas mesquinhas que os arminianos vêm sempre usando contra a fé reformada. Como o título indica, o ataque contra a eleição e salvação pela graça soberana somente é dirigido especialmente contra a doutrina da reprovação. Os engenhosos arminianos sabem que os homens têm mais antipatia natural à reprovação do que qualquer outra doutrina bíblica e têm a impressão que podem por a fé reformada em maus lençóis diante dos expectadores se conseguirem fazer da reprovação o primeiro e principal assunto do debate. Isto foi exatamente o que Episcópio e o partido arminiano tentaram fazer em Dordt, quando, após terem falhado em suas estratégias políticas, propuseram ao Sínodo que primeiramente levasse em consideração a doutrina da reprovação4.

Então o autor faz uma caricatura da reprovação. Na capa do livro está esta imagem: um homem desconsolado e relutante é forçado a caminhar em direção às vívidas chamas do inferno, tendo uma espada tiranamente empunhada pelo braço de Deus apontada para si. Já na terceira página do livro, os calvinistas são taxados como pessoas que ensinam que "há bebês recém-nascidos no inferno".

O conteúdo deste livro é um completo e explícito ataque contra os primeiros quatro dos famosos cinco pontos do calvinismo, uma rejeição da depravação total, eleição incondicional, expiação limitada e graça irresistível5.

Aquilo que Rice odeia com todo o seu coração se torna claro quando ele cita o homem que é, para Rice, o típico hipercalvinista, Herman Hoeksema. Parar ilustrar o hipercalvinismo, Rice cita do livro "Whosoever Will"6 de Hoeksema7. O que Hoeksema escreve neste parágrafo ofensivo? Que Deus é um tirano que se rejeita a escutar os clamores de pobres pecadores para serem salvos e os impele, por bem ou por mal, ao inferno? Nada do tipo. Ao invés disso, Hoeksema proclama estas verdades:
"[A salvação] é absolutamente divina. O homem [...] não tem nenhuma possibilidade de cooperar com Deus em sua própria salvação [...]. O pecador em si mesmo não tem nem capacidade nem desejo de receber essa salvação [...]. Mas Deus ordenou e preparou esta salvação com liberdade absolutamente soberana para os Seus, para os Seus escolhidos apenas, e a eles Deus a concede [...]."
Isto é tudo: a depravação total do homem por natureza; salvação através da livre e soberana graça apenas; a eleição graciosa de Deus para a salvação de alguns homens. Isto, diz Rice, é apogeu do hipercalvinismo. Mas na verdade, isto é simplesmente o calvinismo, a fé reformada histórica.

Não há necessidade de refutar os argumentos de Rice contra o calvinismo nem expor sua defesa do arminianismo a partir da Escritura, embora um amante da fé reformada seja extremamente tentado a fazer isto para manifestar a calamidade absoluta do arminianismo moderno. Rice caminha como um cego por toda Escritura, como Lutero disse a respeito de Erasmo, assim como um porco fuça em um saco de ração.

Dado o nosso propósito, é útil destacar duas coisas a respeito do grito de guerra contra o "hipercalvinismo" que se tornam claras em obras como estas de John Rice.

Primeiro, a acusação de "hipercalvinismo" mascara um ataque contra o calvinismo. Rice é um arminiano e um pelagiano. Ele admite acreditar que a salvação de todo homem depende da escolha de seu próprio livre arbítrio. Isto é arminianismo. Ele também sustenta que em Adão o homem morreu apenas potencialmente e que o homem natural que não tem nada além do testemunho de Deus na criação pode ser salvo por esta luz natural. Isto é puro pelagianismo. Rice é culpado por uma grande, "séria, falsa doutrina popular": o homem salva a si mesmo pelo seu próprio desejo e esforço. Como tal, ele é um inimigo entranhado do calvinismo que sustenta a verdadeira doutrina: a salvação depende da misericórdia de Deus (Rm 9:16).

O ataque contra o calvinismo que na verdade usa a acusação de "hipercalvinismo” é outra das calúnias amontoadas sobras a fé reformada, como a conclusão dos Cânones de Dordt nos diz. É descrédito a causa de Cristo que aqueles que crêem na fé reformada devem sofrer nesta vida. Mas nós advertimos também, junto à conclusão dos Cânones de Dordt, os caluniadores para "que considerem o severo julgamento de Deus à espera deles", e também instamos a todos os que confessam o nome de Jesus que não julguem nossa fé com base nas acusações de nossos inimigos. À luz do fato que os inimigos da fé reformada têm sempre apresentado esta fé erroneamente, hoje em dia os homens deveriam pelo menos considerar que a acusação de "hipercalvinismo" pode ser golpe sujo contra um calvinismo abrangente e consistente.

Segundo, é importante notar que no coração da oposição de Rice ao calvinismo encontra-se sua insistência que a doutrina do calvinismo torna a pregação, principalmente o chamado do evangelho, impossível. Na terminologia de Rice, o calvinismo destrói "o ganhar almas". Ele escreve: “Esta doutrina (i.e., o calvinismo) insiste que nós não devemos instar que um homem se volte a Cristo. Ele não pode o fazer até que Deus o force a fazê-lo. Se Deus planejou que ele se perderá eternamente, ele não se voltará a Deus. Se Deus planejou que ele será salvo, então ‘a graça irresistível’, diz o hipercalvinista, o forçará a ser salvo”. No capítulo com o título “O Dano Causado pela Heresia do Hipercalvinismo”, as duas primeiras alegadas más consequências do calvinismo são: (1) "hipercalvinistas na realidade impedem e opõem-se à pregação e ao ganhar almas” e (2) “o hipercalvinismo é ou indiferente ou oposto à missões estrangeiras"8.

Esta foi a acusação levantada contra a fé reformada pelos arminianos na época do Sínodo de Dordt. Os arminianos argumentaram que a eleição, a expiação limitada e a graça soberana excluem o sério chamado do evangelho a todos os que escutam a pregação. Nos Cânones as igrejas reformadas provaram que a acusação era falsa e que a pregação vívida, incluindo o sério chamado ao arrependimento e fé, mantém sua plena prerrogativa no esquema de doutrinas do calvinismo. A fé reformada faz plena justiça à pregação, inclusive ao chamado do evangelho, ao mesmo tempo que de todo o coração e sem reservas mantem a predestinação, expiação limitada e graça irresistível. A resposta da fé reformada à monótona alegação arminiana de que no esquema reformado não há espaço para o chamado do evangelho nunca é que esta restringe ou faz concessões em relação à predestinação ou à graça soberana.

Isso é esquecido hoje por muitos calvinistas, para a desgraça da fé que eles professam amar. À acusação que a fé reformada não pode chamar na pregação todos que a escutam a arrependerem-se e crerem, eles respondem comprometendo as doutrinas essenciais do calvinismo. Adotando à teoria da oferta bem-intencionada do evangelho, estas igrejas começam dizer “sim e não” às grandes doutrinas calvinistas da graça: “Sim, Deus amou e escolheu apenas alguns homens, mas, não, Ele também ama e deseja salvar a todos”; “Sim, a graça de Deus na pregação é irresistível, mas, não, a graça de Deus para alguns na pregação é incapaz de salvá-los”; “Sim, o Cristo da cruz é apenas para os eleitos, mas, não, Ele também é para os réprobos”. Esta é a teologia da oferta. Esta não é a forma de ajustar no sistema reformado o sério chamado do evangelho a todos que o escutam. Esta não é a forma de salvaguardar a pregação vívida. Esta é a forma de renunciar a fé reformada. Esta é a forma de perder o próprio evangelho da graça.

Se a acusação de “hipercalvinismo” geralmente é um ataque disfarçado contra próprio calvinismo, surge a questão se afinal alguma vez já houve, ou há agora, uma teologia que possa ser corretamente chamada de hipercalvinismo. Ou esta acusação não passa de um bicho papão teológico?

Nós não nos preocuparemos com os termos em si, com a questão se “calvinismo” é um bom nome para a fé reformada e se “hipercalvinismo” é uma descrição precisa da teologia que perverteu o calvinismo genuíno fundamentalmente. Nós estamos interessados apenas com a questão se alguns que confessavam o calvinismo fizeram inferências não bíblicas e injustificadas nas doutrinas do calvinsimo de forma que a sua doutrina e prática foi “além do calvinismo” e merecia ser chamada de hipercalvinismo.

A resposta a esta questão é que já houve um ensinamento e uma prática correspondente que pode ser propriamente chamada de hipercalvinismo e que poderia dar ocasião para que alguns hoje em dia (erroneamente) interpretem a negação da oferta bem-intencionada do evangelho por parte das Protestant Reformed Churches9 como hipercalvinismo. É importante, entretanto, ser claro em relação ao que é que faz com que uma teologia vá além dos limites do verdadeiro calvinismo em direção a esfera do hipercalvinismo.

Ao contrário do que muitos pensam, a doutrina do supralapsarianismo não faz com que alguém se torne hipercalvinista. Sempre houve lugar para o supralapsarianismo na fé reformada10. Embora as confissões reformadas sejam infralapsarianas - ainda de forma mais deliberada, os Cânones de Dordt decidiram pelo infralapsariano ao contrário do forte apelo de Gomarus pelo supralapsarianismo -, elas não condenam o supralapsarianismo como não reformado ou hipercalvinista.

Também é verdade que não se torna um hipercalvinista aquele que sustenta as doutrinas da justificação eterna e regeneração imediata. Teólogos reformados sadios tanto negaram quanto afirmaram estes ensinos.

Também não é o caso que o hipercalvinismo é uma questão de forte ênfase no eterno conselho de Deus ou da soberania de Deus na salvação. Nunca houve algum verdadeiro calvinista que não possuísse esta forte ênfase.

Mas o hipercalvinismo é a negação do fato de que Deus, na pregação do evangelho, chama todos os que escutam a pregação a crerem e arrependerem-se. É a negação de que a igreja deveria chamar a todos na pregação. É a negação que os não regenerados têm o dever de arrepender e crer. O hipercalvinismo é manifesto na prática do pregador que endereça o chamado do evangelho, “arrependa-se e creia no Cristo crucificado”, apenas àqueles na sua audiência que mostram sinais de regeneração e, desse modo, de eleição, isto é, alguma convicção de pecado e algum interesse na salvação.

Este erro na verdade apareceu na história do calvinismo na Inglaterra11. Esta foi a posição de vários ministros batistas e congregacionais, incluindo Joseph Hussey (1660-1726), Lewis Wayman (morreu em 1764), John Brine (1703-1765) e o famoso John Gill (nasceu em 1697). Wayman, Brine e Gill estavam envolvidos em uma controvérsia teológica conhecida como “a questão moderna”. “A questão moderna” era: “A fé salvífica em Cristo é um dever exigido pela lei moral de todos aqueles que vivem sob a revelação do Evangelho?” Basicamente, a questão é se na pregação Deus requer do descrente reprovado que ele creia em Cristo. Wayman, Brine e Gill negavam isto. Visto que muitas passagens do Novo Testamento ensinam plenamente que Cristo e os apóstolos de fato ordenavam todos em suas audiências a arrependerem-se e crerem, tanto réprobos quanto eleitos, estes homens recorreram a uma distinção entre arrependimento legal e evangélico e entre fé comum e salvífica. “Arrependimento legal” e “fé comum”, de acordo com esta distinção, são praticamente sinônimas das exigências da lei, as quais Deus dirige a todos; “arrependimento evangélico” e “fé salvífica”, desta forma, constituem o real chamado do evangelho, a qual Deus confere apenas aos eleitos regenerados. Esta distinção artificial e impossível serve apenas para demonstrar que estes homens negavam que Deus chama todo o que escuta a pregação a arrepender-se de seus pecados e crer no Cristo apresentado no evangelho, e que arrepender-se e crer é o dever de todo homem que é alvo da pregação. Mas estes homens chamavam a sua posição de “a negação das ofertas da graça” e isto é o que muito pensam quando escutam que alguma igreja nega a oferta do evangelho.

As Igrejas Batistas Gospel Standard na Inglaterra continuam mantendo este hipercalvinismo, como vários dos artigos de sua confissão indicam:
"XXVI. Negamos o dever da fé e o dever do arrependimento - significando estes que arrepender-se e crer de forma espiritual e salvífica é o dever de todo homem (Gn 6:5; Mt 15:19; Jr 17:9; Jo 6:44, 65). Também negamos que há qualquer capacidade natural no homem para algum bem espiritual, seja qual for. De forma que rejeitamos a doutrina que os homens no estado natural devam ser exortados a crerem ou voltarem-se a Deus (Jo 12:39, 40; Ef 2:8; Rm 8:7,8; I Co 4:7)." 
"XXXIII. Portanto, se neste tempo presente os ministros se dirigirem à não convertidos, ou a todos em uma congregação mista de forma indiscriminada, chamando-os a arrependerem-se de forma salvífica, crerem e receberem a Cristo, ou realizarem qualquer outro ato que dependa do novo poder criativo do Espírito Santo, esta ação é, por um lado, sugerir alguma capacidade na criatura, e, por outro lado, negar a doutrina da redenção especial." 
"XXXIV. Cremos que quaisquer destas expressões que transmitem aos ouvintes a crença que eles possuem certo poder para fugir para o Salvador, para aproximarem-se de Cristo, para receber a Cristo, enquanto ainda estão em um estado não regenerado, de forma que ao menos que eles assim se aproximem de fato, etc., eles perecerão, não são verdadeiras e devem, portanto, ser rejeitadas. E além disso cremos que não temos garantia escriturística para entender as exortações no Antigo Testamento direcionadas aos judeus na aliança nacional com Deus e aplicá-las em um sentido espiritual e salvífico a homens não regenerados.12"
Há também igrejas batistas nos Estados Unidos que se opõe de forma veemente à “oferta do evangelho” em nome do calvinismo, mas que na verdade são contrários a chamar todos a crerem em Cristo exceto os eleitos regenerados.

Parece que homens caíram neste erro reagindo ao arminianismo ascendente de seu tempo. Gill, por exemplo, era um contemporâneo de John Wesley, o notório e confesso arminiano. Pode até ser o caso que a prática de referir-se ao chamado do evangelho como “a oferta” tenha contribuído para o erro dos hipercalvinistas ingleses. O assunto do debate era, na realidade, aquilo que a teologia reformada chama de “o chamado externo do evangelho”. Mas ambos os lados na controvérsia se referiam a este chamado como “a oferta do evangelho"13. Já que o termo “oferta” tem um sabor arminiano, não é de se surpreender que os pretensos defensores do calvinismo rejeitaram a oferta, especialmente tendo em mente que a concepção arminiana da oferta era a opinião generalizada naquele tempo. O problema foi que ao jogar fora a água banheira, eles jogaram o bebê junto, isto é, o chamado externo para todos os que ouvem o evangelho, réprobos e eleitos de forma semelhante.

Aqueles que repudiavam o chamado externo do evangelho para todos os que escutam a pregação certamente criam estar defendendo o calvinismo. Esta é a razão porque seu erro pode ser chamado de hipercalvinismo. Isto fica muito claro no Artigo 33 dos artigos confessionais das Igrejas Gospel Standard. Este artigo argumenta dizendo que o chamado a uma pessoa não convertida para arrepender-se e crer implicaria em “capacidade na criatura”, isto é, a habilidade desta pessoa não convertida de fazer aquilo que este chamado a convida a fazer. Em outras palavras, o chamado para o não convertido implicaria em livre-arbítrio e seria uma negação da depravação total. Igualmente, tal chamado seria uma negação da “doutrina da redenção especial”, isto é, a doutrina da expiação limitada. O argumento é que se todos são chamado a crer em Cristo, Cristo deve ter morrido por todos e deve desejar ser o Salvador de todos. Mas visto que Cristo morreu apenas pelos eleitos, apenas os eleitos devem ser chamados na pregação.

Embora seja apresentado como verdadeiro calvinismo, o ensinamento que nega o chamado do evangelho a todos que escutam a pregação não é doutrina bíblica, reformada. É de fato verdade que Deus chama apenas os predestinados, ou eleitos, com o chamado salvífico, eficaz. Estes e apenas estes Deus chama, quando Ele os dirige de forma eficaz a si mesmo pela obra soberana do Espírito Santo em seu coração, até mesmo quando Ele diz “venha!” na pregação do evangelho. Este é o ensinamento de Romanos 8:30: “E aos que predestinou, também chamou [...].” Mas também há um sentido no qual, de acordo com a Escritura, Ele chama aqueles que não são eleitos na pregação do evangelho. Mateus 22:14 ensina isto: “Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”. Mais pessoas do que os eleitos são chamadas por Deus. Como fica evidente a partir da parábola que precede, a parábola da festa de casamento do rei, a referência é em relação ao chamado que Deus faz através de Sua igreja e os pregadores dela quando Ele comanda que todos os que escutam o evangelho arrependam-se de seus pecados e creiam em Jesus Cristo. Deus chama todos os homens para vir para a festa da salvação preparada através da morte e ressurreição de Cristo. A resposta de muitos a este chamado é que eles o rejeitam. Por fazer isso, eles trazem sobre si mesmos o julgamento cheio de ira de Deus, terrível justamente porque é a punição por rejeitar o chamado do evangelho. É deles o pecado dos pecados: desprezar o Cristo apresentado a eles no evangelho e rejeitar o chamado de Deus para crer nEle.

Que o chamado ao arrependimento não é restrito aos regenerados, ou “ao pecador consciente”, mas se dirige a todo o que o ouve a pregação é ensinado em Atos 17:30: “[Deus] agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam”. Esta era a prática dos apóstolos. Após ter proclamado Cristo a sua audiência, eles chamavam todos a arrependerem-se de seus pecados e crerem em Cristo (v. At 3:19; 8:22: 13:38-41: 20:21). Este era o ministério de João Batista. Ele “foi para a terra de Israel [...] [e] pregando [...] dizia: 'Arrependam-se'" (v. Mt 2:21; 3:1, 2). Ele também disse aos Fariseus e Saduceus, “[uma]raça de víboras”: “Deem fruto que mostre o arrependimento!” (Mt 3:1-12). Esta era a natureza da pregação do próprio Jesus: “Jesus foi para a Galileia, proclamando as boas-novas de Deus. 'O tempo é chegado', dizia ele. 'O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas-novas!'” (v. Mc 1:14, 15).

O que a fé reformada, o calvinismo genuíno confessa em relação ao chamado do evangelho é claramente demonstrado nos Cânones de Dordt. A promessa que os crentes têm vida eterna e a ordem para arrepender-se e crer devem ser proclamadas “sem discriminação a todos os povos e a todos os homens, aos quais Deus em seu bom propósito envia o Evangelho” (II.5). O próprio Deus “sinceramente”, isto é, seriamente, chama a todos os que escutam o evangelho. Ele o faz através do próprio evangelho. Quando Ele o faz, Ele “séria e sinceramente” declara que “Lhe agrada [...] que aqueles que são chamados venham a Ele” (III, IV.8). Uma consequência deste sério chamado é que muitos “não vêm, nem são convertidos”. Isto não é culpa do evangelho, nem de Cristo, nem de Deus, mas é destes mesmos, pois eles rejeitaram impiedosamente a palavra da vida (III, IV.9). Entretanto, também há, como consequência, alguns que obedecem o chamado do evangelho e são convertidos. Isto não é devido ao livre arbítrio ou qualquer habilidade nestes, “como se [por isso] ele [o homem] se distinguisse [...] de outros”, mas é devido à graça soberana de Deus somente. A razão por que alguns vêm a Cristo é porque Deus de forma eficaz os atrai pelo Seu Espírito. E Ele os atrai, em distinção aos outros, porque Ele os elegeu eternamente, ao passo que eternamente reprovou os outros (III, IV.10; cf. também I.6).

Os Cânones refutam poderosamente a acusação arminiana de que as doutrinas da predestinação, expiação limitada, depravação total, graça irresistível e perseverança dos santos impedem, se é que na verdade não tornam nulas, a pregação vívida, especialmente o chamado do evangelho. Algo surpreendente sobre os Cânones é sua atitude quando se recusaram a reagir à heresia arminiana de forma a negar o chamado do evangelho a todos, ou tornando-se tímidos e hesitantes em relação a este chamado. Eles mostram que a fé reformada não permitirá que o arminianismo a leve para o outro extremo, o hipercalvinismo.

Porém foi exatamente isto que aconteceu com aqueles que negaram o chamado do evangelho a todos os que escutam a pregação. Aqueles que negaram o chamado externo do evangelho por receio que este comprometeria o calvinismo estavam errados em dois aspectos. Em primeiro lugar, eles cometeram um erro ao supor que o chamado ou o comando aos incrédulos não regenerados implicaria em uma habilidade nos não regenerados de fazer o que Deus exigiu, isto é, arrepender-se e crer. Eles argumentavam que se Deus ou a igreja chamasse a todos para crer em Cristo isto implicaria na falsa doutrina do livre arbítrio. Que este foi o erro dos hipercalvinistas é visto claramente no Artigo 33 dos artigos confessionais das Igrejas Gospel Standard: “[dirigir-se] à não convertidos [...] chamando-os para arrependerem-se de forma salvífica, crerem e receberem a Cristo [...] é [...] sugerir alguma capacidade na criatura”. Por mais estranho que pareça, este é o mesmo erro que os pelagianos e arminianos vêm sempre cometendo: supor que as exortações e exigências das Escrituras implicam em alguma habilidade humana para cumpri-las. Os pelagianos e arminianos têm sempre argumentado que, visto que Deus comanda que os homens creiam, eles têm que ter a habilidade de crer. O hipercalvinista, por outro lado, concordando que o chamado para crer implicaria em livre-arbítrio, nega-o. O erro de ambos se encontra na incapacidade de ver que de nenhuma forma o chamado de Deus a pecadores pressupõe a habilidade dos pecadores de prestar atenção ao chamado.

Lutero expôs o erro da noção que o comando de Deus implica em uma habilidade correspondente no homem em sua controvérsia sobre a escravidão da vontade com o pelagiano Erasmo. Em resposta à defesa de Erasmo de um livre-arbítrio com base no fato que Deus chama os homem a escolherem, voltarem-se a Deus e arrependerem-se, Lutero escreveu:
"[...] Pelas palavras da lei o homem é admoestado e ensinado não em relação ao que ele pode fazer, mas ao que deve fazer. Como é possível que vocês teólogos sejam duas vezes mais estúpidos que meninos do primário, e nisso, assim que se apoderam de um simples verbo imperativo vocês inferem um significado indicativo, como se no momento em que algo é comandado isto fosse feito ou pudesse ser feito? As passagens da Escritura que você cita são imperativas; e elas não provam ou estabelecem nada em relação à habilidade do homem, mas apenas formulam o que deve e o que não deve ser feito."
A nona questão do Catecismo de Heidelberg ensina, em relação à exigência de obediência perfeita que Deus faz em Sua lei, que Deus requer dos homens exatamente aquilo que estes não são capazes de fazer: “Deus não age injustamente com o homem ao exigir em Sua lei aquilo que o homem não consegue cumprir? Resposta: Não, pois Deus criou o homem de tal forma que ele era capaz de a cumprir. Mas o homem, sob a instigação do diabo, em desobediência deliberada, privou a si mesmo e a todos os seus descendentes destes dons”. Embora o Catecismo aqui se refira à exigência divina ao homem na lei, o princípio valida o comando para arrepender e crer que Deus dá aos não regenerados no evangelho. O chamado para crer não implica, nem tem alguma base, no livre-arbítrio do pecador. Ao contrário, ele indica o dever do homem e mostra a ele o que agrada a Deus.

O segundo erro do hipercalvinismo em sua negação do chamado do evangelho foi o receio de que o chamado do evangelho ao ímpio não regenerado prejudicaria as doutrinas da eleição e da expiação limitada. Isto é evidente no Artigo 33 das Igrejas Gospel Standard, citado acima, que continua: “[...] e [...] negar a doutrina da redenção especial”. Isto de fato seria o caso se o chamado ao réprobo expressasse o amor de Deus por ele e manifestasse um desejo de Deus de salvá-lo. Mas este não é o caso. Quando Deus envia o evangelho a todas as nações, apresentando o Cristo crucificado a todos os que ouvem o evangelho e chamando todos os que ouvem a arrependerem-se de seus pecados e crerem naquele Cristo, o Seu propósito é salvar os eleitos e os eleitos apenas. O amor que envia o evangelho, como o amor que enviou Cristo na plenitude dos tempos, é o amor de Deus pela igreja eleita. Este amor é o amor soberano. Enquanto o chamado para arrepender-se e crer é proclamado, Deus Espírito Santo opera aquele arrependimento e fé no coração dos eleitos na audiência. Ele nos dá aquilo que Ele nos chama a fazer e Ele o faz através do chamado. “Vem!”, ele diz, e este chamado soberanamente gracioso nos leva irresistivelmente a Cristo.

Esta é a confiança de todo pregador quando este chama homens para arrependerem-se e crerem: Deus fará este chamado efetivo nos eleitos. Em relação aos outros na audiência, o chamado também vem a eles, seriamente. Mas o chamado não expressa o amor Deus por eles ou implica que Jesus tenha morrido por eles. Por este chamado, Deus os confronta com seu dever e os mostra o que agradará a Ele. Mas Seu propósito com o chamado a eles não é um propósito salvífico. Pelo contrário, é o Seu propósito torná-los inescusáveis e endurecê-los (v. Rm 9:18; Mt 11:25-27).

Sempre há um efeito duplo da pregação do evangelho, inclusive do sério chamado do evangelho a todos os o ouvem. Este efeito ocorre de acordo com o propósito soberano de Deus para com esta pregação e chamado: “Mas graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo e por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento; porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo. Para estes somos cheiro de morte; para aqueles, fragrância de vida. Mas quem está capacitado para tanto?” (2Co 2:14-16).

Os efeitos práticos do hipercalvinismo em sua negação do chamado do evangelho a toda a gente e em sua tentativa de limitá-lo aos eleitos nascidos de novo são desastrosos. Em síntese, a consequência não é nada menos que a perda da pregação vívida do evangelho, primeiro na esfera das missões, e consequentemente, de forma inevitável, na própria igreja. O exemplo clássico disto é a famosa resposta de J. C. Ryland, amigo chegado de John Gill, ao apelo de William Carey às sociedades missionárias para pregar o evangelho na Índia: “Sente-se, jovem moço. Quando Deus quiser converter os ímpios, Ele o fará sem a sua ou minha ajuda”. Embora o velho Ryland pudesse estar preocupado em proteger-se das corrupções causadas pelo arminianismo em missões, sua noção de que a soberania de Deus na salvação tornava a pregação no campo missionário desnecessário era falsa. Se aplicada de forma consistente, esta noção excluiria não apenas a pregação aos pagãos mas também a pregação aos santos. A réplica bíblica e a confissão reformada é: o Deus soberano se compraz em salvar Seu povo por meio da pregação do evangelho.

Remover o chamado da pregação é violentar o próprio evangelho. O chamado para crer não é um apêndice ao evangelho, para ser adicionado ao fim como no jogo de colocar o rabo no burro. Toda vez que o evangelho é pregado, onde quer que seja pregado, o chamado para arrepender-se e crer é anunciado a todos o que o escutam, quer de forma implícita ou explícita. Geralmente os apóstolos fizeram o chamado explícito: “Arrependa-se! Creia!” Algumas vezes o chamado estava implícito, como no sermão na Antioquia da Pisídia registrado em Atos 13. Paulo não disse explicitamente “creia”. Mas a sua afirmação no verso 39, que a justificação vem apenas pela fé em Cristo, não pela lei, e sua advertência nos versos 40 e 41 contra aqueles que se recusam a crer anuncia o chamado de forma clara e audível: “Creia no Cristo crucificado e ressurreto!” A mensagem proclamada no evangelho é algo que nunca deve ser meramente recebido como informação, e, por outro lado, também não sugere que Deus esteja satisfeito com esta atitude. A mensagem do evangelho é a mensagem do Filho de Deus feito carne, crucificado e ressurreto para o perdão dos pecados e vida eterna. Deve-se crer no evangelho e deve-se crer no Cristo apresentado no evangelho - hoje. Nada mais serve. Portanto, o evangelho chama a todos os que ouvem as boas novas.

Igualmente, a tentativa de limitar o chamado aos regenerados é uma tarefa impossível. Ela põe diante de qualquer ministro uma tarefa impossível. Antes de ele chamar um pecador a arrepender-se e crer, ele tem que determinar que o pecador é nascido de novo. Mesmo se alguém de fato demonstrar certa tristeza pelo pecado, o ministro deve determinar se esta tristeza é piedosa ou se é a tristeza do mundo. O resultado disso será que um homem, com receio de comprometer o calvinismo por chamar um não regenerado, chamará quase ninguém. Isto é inverter as ações de Deus. Pela causa dos eleitos, Deus faz com que a igreja chame a todos os que ouvem a pregação; com medo de chamar um réprobo, o hipercalvinista tende a não chamar ninguém.

Porém, condenar o hipercalvinismo, entretanto, não toca a rejeição protestante reformada da oferta bem-intencionada do evangelho. Entre o chamado sério a todos os que ouvem o evangelho e a oferta bem-intencionada do evangelho, há um vasto abismo, o abismo que separa a fé reformada histórica do arminianismo.
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Por David Engelsma
Tradução: David Cecilio
Revisão: Thiago McHertt
www.firelandmissions.com
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1 O conteúdo deste corresponde ao 1º capítulo (Hyper-Calvinism, pág. 9 a 27) da obra de Engelsma.
2 Tradução: Algumas Sérias Falsas Doutrinas Populares.
3 Tradução: Predestinado ao Inferno? Não!
4 Sábia e justamente o Sínodo se recusou a seguir esta ordem. Ele começou com a eleição e salvação pela livre graça soberana de Deus. A resposta a questão “alguns homens são soberana e eternamente ordenados por Deus ao inferno?” é “sim”. Mas isto não é primário. A eleição divina de sua igreja em Jesus Cristo é primária. A questão entre os reformados e os arminianos também não é a reprovação. Salvação por graça com base na eleição é a questão. Hoje também, nós, defensores da salvação por graça não devemos permitir que os arminianos determinem nossas prioridades e fixem o que deve ser enfatizado como primário e central.
5 Rice afirma acreditar no quinto ponto do calvinismo, a perseverança dos santos, a qual ele chama de "segurança eterna". Esta é uma estranheza insignificante de alguns do lado arminiano. Esta posição de alguns arminianos foi engenhosamente caracterizada como o ensino que "você pode entrar quando quiser (i.e., na salvação), mas você não pode sair". Na realidade, existe uma diferença básica entre o ensinamento de Rice da segurança eterna e a doutrina reformada da perseverança. Para Rice e sua laia, a segurança eterna é a certeza que todo aquele que fizer uma decisão barata por Cristo irá para o céu, não importando como ele viverá após ter feito a decisão. A doutrina reformada da perseverança é a verdade que Deus preserva os eleitos regenerados através da santificação da vida (cf. os Cânones de Dordt, V).
6 Tradução: Quem Quiser (em referência a Mt 16:25; Mc 8:35; Lc 9:24).
7 J. Rice, Predestined, pág. 11 e 95 em diante.
8 Ibid.
9 Tradução: Igrejas Protestantes Reformadas.
10 Calvinistas como Theodoro Beza, Abraham Kuyper e Herman Hoeksema eram supralapsarianos. A questão do infralapsarianismo vs. supralapsarianismo relaciona-se à ordem dos decretos de Deus. A questão básica sendo discutida é esta: o decreto da predestinação vem antes ou depois do decreto da queda do homem no eterno conselho de Deus? O supralapsarianismo afirma que o decreto da predestinação é anterior (do latim supra) ao decreto da queda (do latim lapsus); o infralapsarianismo afirma que o decreto da predestinação é posterior (do latim infra) ao decreto da queda. Tanto supralapsarianos e infralapsarianos confessam que Deus decretou a queda do homem e o decreto da predestinação em um decreto eterno. Eles estão em completa concordância em relação à natureza da predestinação como um decreto de Deus, sendo ele duplo, soberano, incondicional e eterno.
11 Em relação à história, e não em em relação à análise dela, sou grandemente dependente da obra de Peter Toon, "The Emergence of Hyper-Calvinism in English Nonconformity 1689-1765". Confira também Andrew Fuller, "The Complete Works of the Rev. Andrew Fuller", especialmente “The Gospel Worthy of All Acceptation, or the Duty of Sinners to Believe in Jesus Christ”. Fuller se opõe ao hipercalvinismo de Brine, embora ele considere Hussey e Gill como em concordância com Brine. Embora as expressões de Fuller não sejam sempre corretamente reformadas, é evidente em seus escritos que seus oponentes negavam que a fé é um dever do ímpio e, portanto, que o chamado do evangelho se dirige a eles.
12 Articles of Faith of the Gospel Standard Aid and Poor Relief Societies, pág. 14, 16, 17.
13 O livro de Hussey tinha como título "God’s Operations of Grace but No Offers of His Grace" - "As operações de graça e não ofertas de graças de Deus". Este livro foi publicado em uma edição abreviada pela Primitive Publication. Andrew Fuller, criticando o hipercalvinismo de Hussey e doas outros, afirmou “a livre oferta de salvação a pecadores”.
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O Pacto e a Predestinação

A reprovação está imediatamente conectada com a eleição, mas não pode ser colocada a par com a eleição. A reprovação segue a eleição, e a reprovação serve à eleição. A reprovação tem o seu motivo na vontade divina de realizar o pacto na forma antitética de pecado e graça. A plenitude da deidade habita no Cristo ressurreto. Da profundeza de miséria e morte, Cristo entra na glória da plena vida pactual de Deus. Esse caminho do sofrimento à glória, do pecado à justiça do reino dos céus, da morte para a vida, a igreja deve seguir. À medida que a igreja segue esse caminho, a casca réproba do organismo humano serve à igreja em Cristo. Na casca da reprovação o núcleo eleito se torna maduro. Por essa razão, a reprovação não pode ser colocada na mesma linha da eleição.

A eleição é a pré-ordenação divina da igreja, com seus milhões de eleitos, para a salvação da vida do pacto de Deus em Cristo. A igreja serve a Cristo. A igreja eleita é dada a Cristo como o seu corpo. Ela deve servir para manifestar e radiar numa forma multiforme a glória que está em Cristo Jesus, que é a glória de Deus. Por essa razão, os eleitos são aqueles que são dados pelo Pai a Cristo. Aqueles que são dados formam uma unidade. Todo aquele (no singular) que o Pai me dá, esse virá a mim; e aqueles (no plural) que vêm a mim, de modo nenhum os lançarei fora (João 6:37, versão do autor).

Esse é o ensino da Escritura. Novamente, essa apresentação tem sido objetada que a palavra eleição é uma tradução do grego ἐκλογή, que na verdade significa "escolher dentre." Disso é argumentado que se é possível falar de eleição ou escolha dentre, então a multidão da qual a escolha é feita deve ser pressuposta existir. Aplicado à eleição eterna, isso significaria que no decreto de Deus a multidão de homens dentre a qual Deus elege seu povo deve preceder a própria eleição. Conclui-se então que no conselho de Deus o decreto de criação e a permissão da queda certamente devem preceder o decreto de predestinação. Por conseguinte, Deus escolheu dentre uma multidão de homens caídos.

Por detrás dessa apresentação reside indubitavelmente a boa intenção de não fazer de Deus o autor do pecado. Podemos observar, primeiro, que de fato deve estar longe de nós o fazer de Deus o autor do pecado. Contudo, é uma questão inteiramente diferente se Deus deve ou não ser apresentado como a causa decretadora do fato da queda e do fato do pecado. Se não queremos destronar Deus e apresentar Deus e o pecado como um dualismo, certamente devemos manter que Deus é a causa decretadora do fato do pecado.

Segundo, o infralapsariano, a despeito de todas as suas boas intenções, não resolve no final das contas o problema do pecado em relação a Deus mais que o supralapsariano o faz. O infralapsariano também terá que dar ao pecado um lugar no decreto de Deus.

Com respeito à argumentação a partir da palavra ἐκλογή (eleger), podemos dizer que ela reside num mau entendimento. Esse equívoco é que a pessoa aplica a Deus o que é aplicável somente aos homens. Quando os homens elegem, nada vem à existência por causa disso. Os homens podem apenas fazer distinção e separação. Por conseguinte, quando os homens escolhem, aquilo dentre o qual a escolha é feita deve existir primeiro. Mas com Deus é exatamente o oposto. Com ele a eleição é causal, criativa e divina.

Essa distinção é a mesma daquela entre a palavra divina e a palavra humana. A palavra de Deus é criativa. Essa palavra vem primeiro. A coisa que vem à existência por meio da palavra vem em seguida. A palavra do homem pode ser apenas uma imitação da palavra de Deus. Antes que o homem possa falar, a coisa criada deve primeiro ter vindo à existência pela palavra de Deus. O mesmo é verdade da eleição. Quando Deus em seu decreto escolhe dentre, então por meio desse decreto a diferenciação ou a multidão diferenciada vem à existência. Em outras palavras, a eleição de Deus é primeiro de tudo pré-ordenado para a salvação e para a glória da vida pactual em Cristo.

Assim é na Escritura. Em outra conexão já apontamos o fato que a Escritura fala de uma eleição antes da fundação do mundo: "Nos elegeu nele antes da fundação do mundo" (Ef. 1:4). Isso não significa que esse "antes da fundação do mundo" é simplesmente antes do mundo ou da fundação do mundo no tempo. A eternidade, na qual reside o decreto de Deus, não precede o tempo, mas está muito acima do tempo; ela não é tempo.

Além disso, a Escritura frequentemente fala do fato que Deus conhece o seu povo:
Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou (Rm. 8:29, 30).
Em I Pedro 1:2 lemos: "Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo".

Esse pré-conhecimento de Deus não pode e não deve ser explicado de uma forma humana, como o arminiano deseja explicá-lo. Então pegamos a idéia de uma presciência de Deus, de um ver desde a eternidade quem irá e que não irá crer em Cristo e perseverar até o fim, e de uma eleição baseada sobre esse pré-conhecimento. De acordo com tal apresentação, o que é aplicável somente ao conhecimento humano é aplicado a Deus. Antes, esse pré-conhecimento de Deus é um conhecer criativo de amor, pelo qual o objeto vem a estar diante de Deus, e a corrente de amor soberano jorra dele. Somente nessa luz podemos entender uma passagem como Isaías 43:4 (ARA): "Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida". Devemos ver na mesma luz Isaías 49:16: "Eis que, na palma das minhas mãos, te tenho gravado; os teus muros estão continuamente perante mim".

Essa, então, é a conclusão do assunto concernente ao pacto de Deus: Deus quer revelar sua vida pactual gloriosa a nós; como o Deus triúno ele ordena seu Filho para ser Cristo e Senhor, o primogênito de toda a criação, o primogênito dentre os mortos, o glorificado, em quem habita toda a plenitude da divindade; para esse fim ele ordena a igreja e lhe dá a Cristo, e ele elege por seu nome todos aqueles que na igreja terão um lugar para sempre, para que a plenitude (πλήρωμα) de Cristo possa cintilar numa variação multiforme na igreja para o louvor de sua glória. Ao redor desse Cristo e sua igreja e desse propósito da revelação da glória da vida pactual de Deus, todas as coisas no tempo e na eternidade duradoura se concentram. O fim disso tudo é que nos prostremos em adoração perante esse glorioso Deus soberano e exclamemos,
Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém! (Rm. 11:33-36).
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Fonte: Reformed Dogmatics, Herman Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, vol. 1, pp. 477-480.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Covenant PRC
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domingo, 27 de setembro de 2015

A Queda do Homem

Passagem Bíblica: Gênesis 3


Por Augustus Nicodemus
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sábado, 26 de setembro de 2015

A Velha e a Nova Cruz

Sem fazer-se anunciar e quase despercebida uma nova cruz introduziu-se nos círculos evangélicos dos tempos modernos. Ela se parece com a velha cruz, mas é diferente; as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais.

Uma nova filosofia brotou desta nova cruz com respeito à vida cristã, e desta nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica – um novo tipo de reunião e uma nova espécie de pregação. Este novo evangelismo emprega a mesma linguagem que o velho, mas o seu conteúdo não é o mesmo e sua ênfase difere da anterior.

A velha cruz não fazia aliança com o mundo. Para a carne orgulhosa de Adão ela significava o fim da jornada, executando a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe à raça humana; pelo contrário, é sua amiga íntima e, se compreendermos bem, considera-a uma fonte de divertimento e gozo inocente. Ela deixa Adão viver sem qualquer interferência. Sua motivação na vida não se modifica; ela continua vivendo para seu próprio prazer, só que agora se deleita em entoar coros e a assistir filmes religiosos em lugar de cantar canções obscenas e tomar bebidas fortes. A ênfase continua sendo o prazer, embora a diversão se situe agora num plano moral mais elevado, caso não o seja intelectualmente.

A nova cruz encoraja uma abordagem evangelística nova e por completo diferente. O evangelista não exige a renúncia da velha vida antes que a nova possa ser recebida. Ele não prega contrastes mas semelhanças. Busca a chave para o interesse do público, mostrando que o cristianismo não faz exigências desagradáveis; mas, pelo contrário, oferece a mesma coisa que o mundo, somente num plano superior. O que quer que o mundo pecador esteja idolizando no momento é mostrado como sendo exatamente aquilo que o evangelho oferece, sendo que o produto religioso é melhor.

A nova cruz não mata o pecador, mas dá-lhe nova direção. Ela o faz engrenar em um modo de vida mais limpo e agradável, resguardando o seu respeito próprio. Para o arrogante ela diz: "Venha e mostre-se arrogante a favor de Cristo"; e declara ao egoísta: "Venha e vanglorie-se no Senhor". Para o que busca emoções, chama: "Venha e goze da emoção da fraternidade cristã". A mensagem de Cristo é manipulada na direção da moda corrente a fim de torná-la aceitável ao público.

A filosofia por trás disso pode ser sincera, mas na sua sinceridade não impede que seja falsa. É falsa por ser cega, interpretando erradamente todo o significado da cruz.

A velha cruz é um símbolo da morte. Ela representa o fim repentino e violento de um ser humano. O homem, na época romana, que tomou a sua cruz e seguiu pela estrada já se despedira de seus amigos. Ele não mais voltaria. estava indo para seu fim. A cruz não fazia acordos, não modificava nem poupava nada; ela acabava completamente com o homem, de uma vez por todas. Não tentava manter bons termos com sua vítima. Golpeava-a cruel e duramente e quando terminava seu trabalho o homem já não existia.

A raça de Adão está sob sentença de morte. Não existe comutação de pena nem fuga. Deus não pode aprovar qualquer dos frutos do pecado, por mais inocentes ou belos que pareçam aos olhos humanos. Deus resgata o indivíduo, liquidando-o e depois ressuscitando-o em novidade de vida.

O evangelismo que traça paralelos amigáveis entre os caminhos de Deus e os do homem é falso em relação à bíblia e cruel para a alma de seus ouvintes. A fé manifestada por Cristo não tem paralelo humano, ela divide o mundo. Ao nos aproximarmos de Cristo não elevamos nossa vida a um plano mais alto; mas a deixamos na cruz. A semente de trigo deve cair no solo e morrer.

Nós, os que pregamos o evangelho, não devemos julgar-nos agentes ou relações públicas enviados para estabelecer boa vontade entre Cristo e o mundo. Não devemos imaginar que fomos comissionados para tornar Cristo aceitável aos homens de negócio, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à educação moderna. Não somos diplomatas mas profetas, e nossa mensagem não é um acordo mas um ultimato.

Deus oferece vida, embora não se trate de um aperfeiçoamento da velha vida. A vida por Ele oferecida é um resultado da morte. Ela permanece sempre do outro lado da cruz. Quem quiser possuí-la deve passar pelo castigo. É preciso que repudie a si mesmo e concorde com a justa sentença de Deus contra ele.

O que isto significa para o indivíduo, o homem condenado quer encontrar vida em Cristo Jesus? Como esta teologia pode ser traduzida em termos de vida? É muito simples, ele deve arrepender-se e crer. Deve esquecer-se de seus pecados e depois esquecer-se de si mesmo. Ele não deve encobrir nada, defender nada, nem perdoar nada. Não deve procurar fazer acordos com Deus, mas inclinar a cabeça diante do golpe do desagrado severo de Deus e reconhecer que merece a morte.

Feito isto, ele deve contemplar com sincera confiança o salvador ressurreto e receber dEle vida, novo nascimento, purificação e poder. A cruz que terminou a vida terrena de Jesus põe agora um fim no pecador; e o poder que levantou Cristo dentre os mortos agora o levanta para uma nova vida com Cristo.

Para quem quer que deseje fazer objeções a este conceito ou considerá-lo apenas como um aspecto estreito e particular da verdade, quero afirmar que Deus colocou o seu selo de aprovação sobre esta mensagem desde os dias de Paulo até hoje. Quer declarado ou não nessas exatas palavras, este foi o conteúdo de toda pregação que trouxe vida e poder ao mundo através dos séculos. Os místicos, os reformadores, os revivalistas, colocaram aí a sua ênfase, e sinais, prodígios e poderosas operações do Espírito Santo deram testemunho da operação divina.

Ousaremos nós, os herdeiros de tal legado de poder, manipular a verdade? Ousaremos nós com nossos lápis grossos apagar as linhas do desenho ou alterar o padrão que nos foi mostrado no Monte? Que Deus não permita! Vamos pregar a velha cruz e conhecermos o velho poder.
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Por Arthur W. Pink
Fonte: O Melhor de A. W. Tozer, Editora Mundo Cristão, pg 151 a 153.
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Está Consumado!

“Quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” — João 19:30.
Quão terrivelmente estas benditas palavras de Cristo têm sido mal-entendidas, mal-apropriadas e mal-aplicadas! Quantos parecem pensar que, sobre a cruz, o Senhor realizou uma obra que torna desnecessário que os beneficiários dela viva vidas santas sobre a terra. Muitos têm sido enganados com o pensamento de que, até onde diz respeito o se alcançar o céu, não importa como eles andem, desde que eles estejam “descansando sobre a obra consumada de Cristo”. Eles podem ser infrutíferos, desonestos, desobedientes, todavia, conquanto que eles repudiem toda justiça própria e tenham fé em Cristo, eles imaginam que estão “eternamente seguros”.

Ao redor de todos nós há pessoas que são mundanas, amantes do dinheiro, buscadores-do-prazer, quebradores do Dia do Senhor, mas que pensam que tudo está bem com elas, pois “aceitaram a Cristo como seu Salvador pessoal”. Em sua aspiração, conversação e recreação, não há praticamente nada que os diferencie daqueles que não fazem nenhuma profissão de fé. Nem em sua vida familiar ou social há algo, exceto pretensões vazias, para distingui-los dos outros. O temor de Deus não está sobre eles, os mandamentos de Deus não têm autoridade sobre eles, a santidade de Deus não os atrai.

“Está consumado”. Quão solene é perceber que estas palavras de Cristo devem ter sido usadas para tranqüilizar milhares com uma falsa paz. Todavia, tal é o caso. Nós temos tido contato próximo com pessoas que não têm nenhuma vida de oração privada, que são egoístas, cobiçosas, desonestas, mas que supõem que um Deus misericordioso fará vistas grossas para tais coisas, desde que eles tenham alguma vez colocado sua confiança no Senhor Jesus. Que horrível perversão da verdade! Que transformação da graça de Deus “em libertinagem”! (Judas 4). Sim, aqueles que agora vivem as vidas mais egoístas e agradáveis à carne, falam sobre sua fé no sangue do Cordeiro, e supõem que estão salvos. Como o diabo os tem enganado!

“Está consumado”. Estas benditas palavras significam que Cristo satisfez de tal forma o requerimento da santidade de Deus, que mais nenhuma santidade tem qualquer reivindicação real e premente sobre nós? Deus não o permita pensarmos tal! Até mesmo para o redimido Deus diz: “Sede santos, assim como Eu sou Santo” (1 Pedro 1:6). Cristo “magnificou a lei e a fez honrosa” (Isaías 42:21), para que pudéssemos ficar sem lei? Ele “cumpriu toda justiça” (Mateus 3:15) para comprar para nós uma isenção de amar a Deus com todo o nosso coração e servi-Lo com todas as nossas faculdades? Cristo morreu para assegurar uma divina indulgência, para que pudéssemos viver para agradar a nós mesmos? Muitos parecem pensar assim. Não, o Senhor Jesus deixou ao Seu povo um exemplo para que eles pudessem “seguir (não ignorar) os Seus passos”.

“Está consumado”. O que está “consumado”? A necessidade dos pecadores se arrependerem? Deveras não. A necessidade de se voltar dos ídolos para Deus? Deveras não. A necessidade de mortificar os meus membros que estão sobre a terra? Deveras não. A necessidade de ser santificado completamente, no espírito, alma e corpo? Deveras não. Cristo não morreu para fazer minha tristeza, meu ódio e o meu empenho contra o pecado desnecessários. Cristo não morreu para me absolver de todas as minhas responsabilidades diante de Deus. Cristo não morreu para que eu pudesse continuar retendo a amizade e comunhão do mundo. Quão extremamente estranho é que alguém possa pensar que Ele tenha feito isso. Todavia, as ações de muitos mostram que esta é a sua idéia.

“Está consumado”. O que está “consumado”? Os tipos sacrificiais foram consumados, as profecias de Seus sofrimentos foram cumpridas, a obra dada a Ele pelo Pai foi perfeitamente realizada, um fundamento certo foi posto, no qual um Deus justo pode perdoar o mais vil transgressor da lei que jogou as armas de sua guerra contra Ele. Cristo já realizou tudo o que era necessário para que o Espírito Santo viesse e operasse nos corações do Seu povo; convencendo-lhes de sua rebelião, destruindo sua inimizade contra Deus, e produzindo neles um coração amoroso e obediente.

Oh, querido leitor, não cometa engano neste ponto. A “obra consumada de Cristo” não lhe beneficia em nada, se o seu coração nunca foi quebrantado através de uma consciência agonizante de sua pecaminosidade. A “obra consumada de Cristo” não lhe beneficia em nada, a menos que você tenha sido salvo do poder e da poluição do pecado (Mateus 1:21). Ela não lhe beneficia em nada, se você ainda ama o mundo (1 João 2:15). Ela não lhe beneficia em nada, a menos que você seja uma “nova criatura” nEle (2 Coríntios 5:17). Se você valoriza sua alma, examine as Escrituras para ver por si mesmo; não tome nenhuma palavra de homem no lugar disso.
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Por Arthur W. Pink
Fonte: Monergismo
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Jesus é Deus

Se há uma doutrina de importância maior no cristianismo, esta é a doutrina da natureza de Cristo – Sua divindade e humanidade. Em sua doutrina axiomática, o cristianismo permanece único. As Escrituras Cristãs, formadas por 66 livros do Antigo e do Novo Testamento, enfatizam a necessidade de um Redentor para os homens, que estão presos em seus pecados. Eles estão mortos, perdidos e sob a ira de Deus, aguardando seu julgamento final pelos seus pecados – a não ser que o Salvador os livre. Este Salvador não é apenas um bom professor, ou um sábio, como alguns supõem. O Redentor da Bíblia Cristã é o Próprio Deus que tomou a forma de homem e morreu pelos pecados de Seu povo. Ele é o único Deus-homem, uma pessoa com duas naturezas distintas, porém unidas. Não há outra religião que enfatize a Divindade de seu Redentor, e a complexidade das naturezas do Messias. Sim, há várias religiões mistério antigas que, de uma forma ou outra, enfatizaram uma deidade ou um semi-deus que vem para salvar, ou ajudar os homens, em diferentes estilos – mas nenhuma delas enfatiza a suprema divindade de um Deus Todo-Poderoso que se rebaixa à forma de homem para salvar alguns mortos no pecado do horror de Sua própria ira. Nisto, Jesus Cristo permanece único. Maomé, Krishna, Buda e outras figuras religiosas nunca fizeram as reivindicações que Jesus Cristo fez. Eles nunca disseram ser Deus. Jesus Cristo foi o único homem que declarou ser Deus, e repetiu esta declaração muitas vezes. Aqui nós veremos que os escritores bíblicos afirmam a todo instante que seu Salvador era Deus em forma de carne. Buda, Maomé, Krishna e similares, todos eles disseram ser mais iluminados que os outros, ou tocados divinamente, mas nunca que eram Deus. E como poderiam? Como eles poderiam provar suas declarações? Poderiam levantar-se dos mortos? Poderiam transformar água em vinho? Poderiam caminhar sobre o mar? Não. Somente Jesus Cristo, e Cristo apenas declarou que Ele era Deus.

O propósito deste artigo é demonstrar a irrefutável prova bíblica ao fato histórico de que Jesus Cristo, o único Redentor dos homens, é Deus. Apenas ele fez estas reivindicações, e o registro bíblico deixa isto claro repetidamente.

Exemplos da divindade do Messias no Antigo Testamento

Inicialmente, usarei alguns profecias do Antigo Testamento para provar que o Messias que viria era divino. Ele não era especial de alguma maneira abstrata, mas o Próprio Deus. O Servo Sofredor de Isaías 53 não é apenas um homem que morre numa cruz. Isto seria uma morte sem significado, pois muitos homens já ouviam morrido crucificados antes que Jesus Cristo viesse à Terra. Pelo contrário, as profecias do Antigo Testamento enfaticamente confirmam e provam a divindade do Messias como Deus.

Primeiramente, uma nota preliminar – é importante lembrar que o finito não pode conter o infinito. Seres humanos não partilham dos atributos inefáveis de Deus de forma alguma. Seres humanos não podem ser infinitos, eternos, imutáveis, etc. Eles são criaturas limitadas e não podem se tornar Deus ou tomar atributos de Deus. Com o Messias isso também é verdade. Entretanto, Deus pode unir-se a uma natureza humana sem misturar Sua divindade com a humanidade. A união é feita sem se unir as naturezas. A natureza humana continua sendo humana e a natureza divina é divina, mas em uma pessoa. O Filho de Deus tinha duas naturezas; uma pessoa em duas naturezas. A união completa de sua natureza é um mistério, mas essencial e indispensável de acordo com a Bíblia. As Escrituras comprovam isso de formas bastantes variadas. Menciono isto aqui para dizer que é impossível Deus dividir Sua divindade com a natureza de homem comum. Isto é crucial quando observamos os versículos que lidam com o Filho Unigênito do Pai, e com suas provas. É impossível Deus criar outro Deus, tampouco um homem se tornar Deus. Dizer isto é parar de raciocinar e entrar no reino da fantasia. Nós não estamos falando de Zeus ou Hermes, figuras fantásticas criadas que são homens com poderes extraordinários (como nossos super-heróis atuais?). Pelo contrário, nós estamos falando sobre natureza. Deus não pode partilhar Sua natureza com qualquer outra criatura. Deus só pode partilhar Sua natureza consigo mesmo. Nós veremos, então, que Jesus Cristo é Deus, e que o Filho de Deus é o segundo membro da Trindade como ela se manifesta ao mundo (“forma econômica”), mesmo que Ele tivesse natureza humana. O Filho é da mesma substância que o Pai e o Espírito, igualmente e inteiramente Deus. E mais, o Filho tomou a forma de homem, o homem Jesus Cristo. Na Terra, Jesus declara ser Deus, o Primeiro e Único Todo-Poderoso. A Bíblia prova que isso é verdade? Sim, ela o faz e claramente.

No Antigo Testamento, há vários textos que testificam que o Messias judeu vindouro seria Deus. Para os israelitas, o prometido Messias viria a ser o Próprio Deus. No Antigo Testamento, encontramos alguns dos mais memoráveis textos já escritos. O primeiro é Salmo 2.6-12, em que um diálogo acontece entre Deus e seu Filho. “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião. Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro. Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra.

Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor. Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele confiam”. Aqui observamos que o Senhor gerou Seu Filho. Isso é a geração eterna do Filho pelo Pai. Então, o Filho deve ser adorado – pois “beijai” significa “ajoelhar-se perante”. O Filho, se não for adorado, se irará e fará com que os homens pereçam em seu caminho. O Filho tem ira, e a única forma de escapar é confiar na providência dEle. Como podem ambos Filho e o Senhor ter as mesmas qualidades? A resposta é que o Senhor é o Filho e o Filho é o Senhor, porque nenhum homem poderia ter profetizado desta forma. Somente Deus é capaz de acender Sua ira como resultado de uma adoração desobediente à Sua existência divina.

O Samo 110.1 também nos mostrar o diálogo entre Deus e Deus. Davi escreve: “Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés”. Jesus usa isto contra os fariseus quando pergunta a eles como poderia ser o Senhor de Davi e filho de Davi ao mesmo tempo. O Messias será da tribo de Judá, filho de Davi, mas ainda assim Senhor de Davi. O palavreado aqui também deve ser ressaltado. A tradução literal diz “Disse Iavé ao meu Adonai...”. O termo “Iavé” é o nome de Deus, literalmente “Eu Sou”. Cada vez que a designação Iavé é usada na Bíblia pelo Antigo Testamento, se refere ao “Grande EU SOU”. O título “Adonai” é usado para designar a posição suprema de Deus como “Senhor”. Então Iavé está falando com Adonai. Aqui nós vemos Deus falando com Deus. O autor de Hebreus usará este Salmo inúmeras vezes para designar a posição do Messias como Sumo Sacerdote da ordem de Melquisedeque. Esta promessa, ou juramento, feita por Deus a Deus como Messias é derruba completamente aqueles que não creem na Trindade. Aqui, o Messias recebe, por promessa, a distinção messiânica de Sumo Sacerdote de uma melhor aliança. Aqui Deus fala com Deus. Nós vemos o conselho eterno trabalhando; o filho de Davi é também o Senhor de Davi.

Daniel 7.13 também é um versículo muito importante, e pessoalmente um dos meus favoritos. Aqui nós encontramos o título “Filho do Homem“ não como um título de humanidade, mas de deidade. “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele”. Duas figuras são apresentadas nesta visão – uma é o Ancião de Dias e outra é o Filho do Homem que vinha nas nuvens do céu, ou da glória de Deus (shekiná) nos céus. Entretanto este Filho do Homem é divino. De fato ele é tão brilhante em Sua glória que que a luz sobre Ele era como as nuvens dos céus. Poderosas nuvens de glória, de uma luz divina perante o Ancião de Dias quando o Filho do Homem entra no tribunal de Deus, e o juízo é iniciado. Como nós veremos, a designação favorita de Jesus para Si mesmo é este título, Filho do Homem. Jesus certamente sabe que Ele é o divino Filho do Homem que partilha da glória de Deus. E ele, de fato, brilha com a luz da glória de Deus.

Em Miquéias 5.2 encontramos a profecia do Messias e seu local de nascimento. Mas não somente marca o nascimento da humanidade do Cristo, mas também marca a natureza dupla, Aquele que nasceria seria eterno. “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. As “saídas” (existência) do Messias é de “desde os dias da eternidade”. O Messias é associado a um atributo incomunicável de Deus – eternidade ou a natureza do que é eterno. Somente Deus vem desde os dias da eternidade. E nós vemos que o Messias também vem dessa eternidade.

Zacarias 13.7 também designa o Messias com o título divino de Deus Todo-Poderoso. Quando Cristo estava com os discípulos no jardim, e foi preso, a profecia de que o Pastor seria ferido começa a acontecer. “Ó espada, desperta-te contra o meu pastor, e contra o homem que é o meu companheiro, diz o SENHOR dos Exércitos. Fere ao pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas; mas volverei a minha mão sobre os pequenos”. A chave aqui é a frase “volverei a minha mão sobre os pequenos”. Este é o Senhor falando de Si mesmo. Ele é o Pastor que volverá Sua mão sobre os pequenos e os tomará de volta. Ele é o Messias e também é o Senhor.

Uma das profecias mais específicas em relação ao Messias é Isaías 9.6. Lemos o conhecidíssimo versículo sobre o Natal tratando do advento do Messias como uma criança nascida, e então a designação dada à criança. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Aqui o Messias é chamado “Maravilhoso”. Por que assim? A resposta pode ser encontrada em Juízes 13 quando da narrativa do nascimento de Sansão. Manoá e sua esposa, pais de Sansão, encontram o anjo do Senhor. Depois de uma longa conversa sobre o nascimento de Sansão, Manoá pergunta o nome do anjo. A resposta em 13.18 é esta – “Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso?”. O nome do anjo é maravilhoso. Normalmente anjos têm nomes como Gabriel ou Miguel. Mas o nome do anjo é maravilhoso demais para ser mencionado. Depois que o Anjo do Senhor se retira, Manoá faz um importante comentário em Juízes 13.22: “Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus”. O Anjo do Senhor, cujo nome é maravilhoso, é Deus. Isso nos ajuda quando consideramos Isaías 9.6. O Messias é Deus, e seu nome é Maravilhoso. No entanto, a profecia de Isaías não termina aqui. O Messias não é apenas chamado Maravilhoso, como Deus, mas também “Deus Forte”. Se esta designação não é explícita o bastante, a profecia também O chama de “Pai da Eternidade”. O Messias não é apenas o Redentor terreno, mas o Deus Forte da Eternidade. Ele é chamado o Pai da Eternidade, uma designação usada por Cristo para Deus nos Evangelhos. O Messias é chamado como Deus neste verso profético de Isaías três vezes – uma vezes sutilmente como Maravilhoso, outra explicitamente como Deus Forte, e mais outra como o Pai. O Messias é Deus.

Junto com Isaías 9.6 como uma profecia amada sobre o advento do Messias, há a profecia de Emanuel em Isaías 7.14 – “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel”. O apóstolo Mateus interpreta corretamente isto em Mateus 1.23 como “Deus conosco”. A profecia trata da narrativa do nascimento do Cristo, chamado e interpretado por um meticuloso contador judeu (cobrador de impostos) de Deus. O Cristo, nascido de uma virgem, é Deus.

Uma profecia adicional a respeito do Cristo é Jeremias 23.5-6. “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA”. A semente levantada de Davi será um Renovo justo. O Messias deve vir da linhagem de Davi e ser levantado por Deus. Entretanto, o Messias será chamado “O SENHOR JUSTIÇA NOSSA”. Esta designação é um título dado a Deus literalmente como “Iavé Tsikenu”. O Messias não é apenas levantado por Deus mas também é chamado Iavé é Justiça. O Messias é Iavé. O Messias é Deus.

A última profecia que eu gostaria de olhar rapidamente é Malaquias 3.1. “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos”. Aqui nós vemos que o Messias é identificado como “o Senhor” que virá ao Seu templo. Ele é o mensageiro da aliança e o Servo eleito em quem Deus se deleita. Mas é o próprio Deus! Marcos 1.2 afirma que este versículo de Malaquias atesta a vinda de João Batista – “Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti”. Lucas também percebe isso em 1.76 – “E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, Porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos”. Aqui Lucas registra que João será o profeta que preparará o caminho do Altíssimo, que é o Senhor que vem ao Seu templo. O Messias é o Deus Altíssimo.

Estas profecias são somente trechos que falam do Messias como sendo divino. Porém, todos eles acreditam que o Messias é Deus. O Messias, ou o Cristo que viria, é o Senhor, Deus dos Céus e da Terra. As sombras das Escrituras do Antigo Testamento apresentam claramente isto. Esta é uma prova irrefutável de que o Novo Testamento confirma o Antigo Testamento como sombras do fato histórico na pessoa de Jesus Cristo.

Passagens selecionadas no Novo Testamento que provam que Jesus é Divino

O Novo Testamento não faz dificuldade quanto ao fato de Jesus Cristo ser o Messias ou que o Messias é Deus. Jesus declarou isso de Si mesmo, e os Apóstolos declaram isto sobre Jesus, mesmo depois que Ele ascendeu aos céus, em todas as cartas do Novo Testamento às igrejas. Negar isto é reinterpretar a mensagem da Bíblia sem ler o próprio texto – como muitas pessoas que odeiam Cristo o fazem. Ler e negociar claramente com o texto é ver a divindade de Jesus Cristo como único e verdadeiro Deus.

Começamos uma rápida investigação destas passagens com o texto freqüentemente abusado de João 1.1-3. O texto afirma “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. O Verbo (ou Palavra) na passagem é Cristo. João está usando um nome afetivo do Logos eterno para os leitores gentios/romanos que o leriam. Cristo como Messias para um gentio/romano não seria tão convincente como o Verbo Eterno ou o Logos Eterno que desceu dos céus. Isto teria sido, e foi, uma ferramenta eficaz para ensinar aos gentios aristotélicos e platônicos sobre o Único e Verdadeiro Deus. Aqui nós encontramos o Verbo Eterno como o Próprio Deus. O grego não permite a tradução “um deus”, somente “Deus”. As Testemunhas de Jeová têm deturpado o texto grego aqui e também negado a tradução através dos verbos subseqüentes. Por exemplo, se o texto diz “um deus” então isto deveria funcionar através do capítulo. A mesma construção no original usada no verso 1 para Cristo é usada mais treze vezes para o Próprio Jeová. Então se as Testemunhas de Jeová vão traduzir o versículo 1 como “um deus”, deveriam traduzir o termo nas treze vezes subseqüentes da passagem para Jeová como “um deus”. Mas eles não o fazem porque isso destruiria seu falso sistema teológico. Eles simplesmente negam que Jesus Cristo é Deus ao traduzirem horrivelmente o primeiro versículo, e então traduzem corretamente o resto da passagem que se refere a Jeová. Esta é uma interpretação satânica para negar a divindade do Verbo. No entanto, o Verbo é Deus, veio de Deus e criou todas as coisas. Ele é o Logos eterno de Deus, a grande Sabedoria de Deus em Pessoa, que veio à Terra tomando forma de homem para salvar Seu povo.

Mais à frente, na passagem de João 1, encontramos o versículo 14 dizendo “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. Aqui, João não apenas diz que o Verbo é Deus, mas explica que o Verbo possui a glória do Pai e é o unigênito do Pai. O Verbo desceu dos céus, habitou entre homens, e Sua glória, somente a glória de Deus, brilhou entre os homens por um tempo. Nós sabemos disto, que o Verbo tinha a forma de Deus, por Filipenses 2.6-7, que explica “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”. Paulo fala de Jesus Cristo aqui. O Messias é Deus, e não teve por usurpação ser igual a Deus (N.T.: Na versão NVI “não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se”). Ser igual a Deus é ser Deus. Pense sobre os atributos de Deus e a incomunicável natureza destes atributos. Somente Deus pode ser igual a Si mesmo. Mas Deus tomou a forma de homem, fazendo-se semelhante a homens para salvar os homens de seus pecados.

Paulo não confunde as palavras sobre Deus tomar forma de homem ao dizer em 1 Timóteo 3.16 – “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória”. Quem se manifestou em carne? Foi Deus. Não foi um ser divino, mas o próprio Deus. Deus assumiu a forma de servo. Ele propôs a Si mesmo uma nova natureza que não tinha antes, uma natureza humana.

Nós sabemos que Jesus é o Salvador cristão. Nós sabemos isto de inumeráveis passagens através do Novo Testamento em que os Apóstolos acreditavam que não havia outro nome dado entre os homens pelo qual importa que os perdidos sejam salvos senão Jesus. Em Atos 20.28, nós vemos o registro de Lucas da obra de Cristo atribuída a Deus: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”. O “Ele” é “Deus”. Deus resgatou a igreja com Seu próprio sangue. Por acaso Deus tem sangue? Sim, Deus tem sangue na natureza humana de Jesus Cristo. Cristo morreu, e seu sangue foi descrito como sangue de Deus. Eles são sinônimos. Os cristãos são, neste sentido, resgatados da danação perpétua pelo sangue de Deus. Lucas descreve a obra de Jesus como se fosse feita por Deus. Isto é verdadeiro porque Jesus é Deus, e eles sabiam disso. De outra forma, seria blasfêmia honrar o trabalho de um mero homem mortal como o trabalho que apenas Deus pode fazer.

No livro de Hebreus, vemos o autor citando muito do Antigo Testamento para provar a a divindade do Messias como Deus. Em 1.8-9, o autor diz: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Ele está citando Salmo 45.7: “Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Aqui Deus está falando com Deus. O Ungido tem um cetro e o cetro é o cetro de Deus. O escritor de Hebreus está provando que Cristo é maior que Moisés, e maior que os anjos, o que seria um choque para os neoplatonistas contra quem ele escreve. Os neoplatonistas criam em uma Suprema “Unidade” ou ser perfeito. Esta “Unidade” tem emanações que são transmitidas do ser perfeito para seres menores; ou seja, Moisés, anjos e mesmo bons mestres como Jesus. Mas o autor de Hebreus prova que o Messias é a Unidade, o o próprio Deus eterno, e é maior que os anjos e maior que Moisés.

Uma das últimas provas gerais do Novo Testamento para a divindade do Cristo está em Lucas 22.48. Aqui Judas trai o “Filho do Homem”. Lembre-se, o título divino “Filho do Homem” é usado por Cristo mais de 80 vezes só nos Evangelhos. Este é Seu favorito título para Si mesmo. “E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?”. Homens freqüentemente têm traído os outros com terríveis resultados. Pense no traidor Benedict Arnold e o fiasco ao redor de sua traição (N.T.: Benedict Arnold está para a Independência Americana assim como Joaquim Silvério está para Inconfidência Mineira). Entretanto, neste caso, Judas, um homem, trai Jesus, o Filho do Homem. Neste momento histórico, um maligno e rebelde servo do pecado trai Deus. Judas cuspiu no rosto dAquele que Daniel descreveu como alguém vindo nas nuvens dos céus! Isto eleva a traição a um patamar infinito de maldade! Seria melhor para Judas não ter nascido que trair o Filho do Homem com um beijo. E ironicamente, o salmista havia dito que nós deveríamos beijar o Filho para que Ele não se irasse ou não perecêssemos em nosso caminho. Judas beijou o Filho de uma forma corrompida e está no inferno pagando por este pecado, neste momento e por toda a eternidade.

Designações do Novo Testamento para Jesus Cristo que são atribuídas ao Deus do Antigo Testamento

Existem várias passagens do Novo Testamento que são interpretadas à luz das ações de Deus no Antigo Testamento, mas atribuídas a Cristo. Algumas dessas eu espero explicar a seguir. Eu as considero muito úteis para ver a divindade do Messias.

A tentação do Senhor pelos israelitas no deserto é registrada numerosas vezes. É tão tão repetitivo que algumas vezes o leitor se irrita com o claro pecado dos israelitas em uma dada narrativa. Eles conheciam mais ou não? Alguns exemplo disso são os seguintes – Números 14.22: “E que todos os homens que viram a minha glória e os meus sinais, que fiz no Egito e no deserto, e me tentaram estas dez vezes, e não obedeceram à minha voz”. Números 21.5-6: “E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil”. Também o Salmo 95.9: “Quando vossos pais me tentaram, me provaram, e viram a minha obra”. Os israelitas tentaram a Deus e, por fim, foram mordidos por serpentes no deserto como julgamento. Nós encontramos o apóstolo Paulo ligando isso com Cristo no Novo Testamento, em 1 Coríntios 10.9: “E não tentemos a Cristo, como alguns deles também tentaram, e pereceram pelas serpentes”. Paulo está dizendo que nós, como cristãos, não devemos colocar Cristo na parede, ou tentá-lO. Assim, o apóstolo liga a tentação dos israelitas a quem tenta a Cristo. A frase “alguns deles também tentaram” se refere aos pais, e aos israelitas que tentaram a Deus. Para Paulo, tentar a Deus é tentar a Cristo, porque eles são um e o mesmo.

Outro versículo do Novo Testamento à luz das profecias do Antigo Testamento é Hebreus 1.10-11: “E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão”. Esta é a descrição do Messias, Jesus Cristo. É uma citação das obras de Deus registradas através do Salmo 102. Salmo 102.26 diz “Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados”. Aqui nós vemos o trabalho de Deus, novamente, atribuído ao trabalho de Cristo no Novo Testamento.

Em João 12.40-41, a Escritura diz “Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure. Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele”. João está citando Isaías 6.9-10. João interpreta que Isaías fala de Cristo, quando da visão no capítulo 6 – “Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado”. Aquele que é santo, santo, santo no trono é Cristo, de acordo com João, e a Palavra inspirada. Este é o significado da visão de Isaías. Os anjos da visão de Isaías dizem “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”. O Deus Todo-Poderoso é Jesus Cristo, de acordo com João 12.40-41.

Em Isaías 45.23, lemos: “Por mim mesmo tenho jurado, já saiu da minha boca a palavra de justiça, e não tornará atrás; que diante de mim se dobrará todo o joelho, e por mim jurará toda a língua”. Isto é citado por Paulo em Romanos 14.11: “Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, e toda a língua confessará a Deus”. Os homens dobrarão o joelho diante do Senhor, e o Senhor aqui é Jesus Cristo. Paulo associa a prostração dos homens a Jesus, uma vez que os termos “como eu vivo” e “a mim” estão falando da redenção de Deus em Cristo.

Uma das clássicas citações nos Evangelhos está em Mateus 11.28: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Este gracioso mandamento de Jesus diz aos homens que eles deveriam vir a “quem”? Ele diz “a mim”. Este “a mim” é o próprio Jesus. Em Isaías 45.22, Jesus está cumprindo a palavra do profeta “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro”. Os termos “a mim” e “para mim” nas passagens são paralelos. Jesus está afirmando Seu chamado no Evangelho como Deus afirma Seu chamado em Isaías. Deus é a única fonte de salvação, e Jesus confirma isto ao apresentar-se como única fonte de salvação – Jesus é Deus.

No texto acima, vemos Jesus creditando palavras de Deus como Suas próprias palavras. Em Romanos 10.13, Paulo escreve o mesmo a respeito de Cristo, tratando da redenção em Cristo. Paulo diz “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo”. Em Joel 2.32, o profeta afirma “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar”. Jesus novamente recebe o mesmo e igual tratamento em Sua obra e palavras como Deus. Somente Deus pode ser glorificado desta forma, senão seria uma blasfêmia. Paulo confirma que as palavras de Joel são um tipo da obra de Cristo. Jesus, aos olhos de Paulo, é Deus.

Paulo também faz esta afirmativa em Efésios 4.8-9: “Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. Ora, isto ele subiu que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra?”. Aqui ele cita o Salmo 68.18 – “Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens, e até para os rebeldes, para que o SENHOR Deus habitasse entre eles”. O salmista está falando das obras de Deus; literalmente “Iavé Elohim”. Paulo então toma esta designação e a interpreta como a obra de Cristo em Sua ascensão aos céus. No obra redentória de Cristo, Ele deu dons aos homens e levou o cativeiro (aqueles mortos em pecado) cativo (agora livres em Cristo). O trabalho de Deus, novamente, é atribuído a Cristo.

Por que todos estes textos do Novo Testamento que confirmam profecias e idéias atribuem as obras de Deus a Jesus Cristo? Para que aqueles que lidam fielmente com o texto, vejam facilmente que Jesus Cristo é Deus. Jesus Cristo cumpriu o mesmo trabalho como Deus, e faz o mesmo chamado de salvação como Deus, uma vez que somente Deus pode agir desta forma. Como isto funciona? Nós veremos como isto acontece na próxima seção, provando que Jesus Cristo, em Seus variados nomes, poderes e atributos é Deus.

Nomes, poderes e atributos de Deus dados a Cristo

Se Jesus Cristo é Deus, então deveria haver amplas provas no Novo Testamento para provar esta afirmação. Não somente existem amplas provas, como também muitas das provas não serão citadas aqui. Escolhi alguns versos especiais para demonstrar que Jesus Cristo é Deus, ao contrário da opinião popular.

Nomes significam muito na Bíblia. A designação de um nome pode ser importantíssima ao identificar uma pessoa, um tempo ou evento especial, por um nome humano. Por exemplo, Icabode foi o nome dado a uma criança no Antigo Testamento quando a arca da aliança foi tomada pelos filisteus e o sumo-sacerdote Eli morreu. Significa “Foi-se a glória de Israel”. Significante? Certamente. Então, desta maneira, os nomes de Cristo apresentarão base para Sua personalidade e existência.

Em 1 João 5.20, Jesus é chamado de verdadeiro Deus, e própria vida eterna – “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. Poderia estar mais explícito que isto? Jesus é o verdadeiro Deus. Paulo afirma isto em Romanos 9.5 onde ele chama Jesus Cristo de “Deus bendito eternamente”. “Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém”. Jesus é o eternamente bendito Deus. Em Tito 2.13, Paulo chama Jesus de “grande Deus e nosso Salvador”; Ele diz: “Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo”. Em João 20.28, Tomé faz uma dupla confissão: “E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!”. Cristo não é apenas Senhor, Ele é também Deus.

Em João 8.58-59, encontramos um feroz debate entre os fariseus e Jesus. Esta disputa se baseia na hostilidade a Cristo da parte dos Judeus. O texto diz “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou. Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou”. Por que eles pegaram pedras para lançar em Jesus? Porque eles sabiam exatamente o que estava sendo dito. Jesus estava declarando ser o libertador dos israelitas do Egito. Ele era o “Eu Sou” que conversou com Moisés em Êxodo 4, na sarça ardente. Isto é reforçando quando lembramos sua discussão anterior com os fariseus em João 5.17-19. Jesus faz alguns comentários que os fariseus não podem suportar: “E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus. Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente”. Jesus faz o que o Pai faz. Jesus pode fazê-lo porque Ele é Deus. Ele é igual ao Pai e é capaz de realizar os mesmos atos que o Pai. Se Ele não fosse Deus, Ele não poderia dizer isto. Os judeus entenderam exatamente o que Ele estava dizendo e desejaram matá-lO. Então veio o incidente, quando Jesus ousadamente afirmou que Ele era o “Eu Sou” ou Iavé em Pessoa. Com estas palavras, os judeus desejaram apedrejá-lO. Jesus afirmou ser Deus e disse que era o próprio Iavé.

Deus é glorioso. Apenas Ele é digno de glória e tem uma glória conhecida apenas por Ele. É parte dEle. Ele não divide com outros. Mas Jesus, em João 17.5, diz: “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse”. Jesus tem uma glória divina antes que o mundo viesse a existir. A única forma de uma glória assim ser atribuída a Cristo seria se ele fosse Deus.

Em João 1.1, Jesus é descrito com atributos de eternidade. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Ele é o Verbo que está com Deus desde o princípio. Isto significa que Ele é eterno. Ele também é o Criador e tem o poder de criar do nada. Sua capacidade de criar prova Sua Onipotência. Seus atributos são os mesmos de Deus porque Ele é Deus.

Jesus recebe os atributos da onipresença em Mateus 18.20 – “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”. Isto não quer dizer que a humanidade de Cristo estava em todos os lugares, senão Ele não seria realmente humano. Sua humanidade seria elevada para algo como a divindade. Ou Sua divindade seria negada, se unida com a humanidade. Em ambos os casos, atribuir uma união das naturezas é cair em uma heresia não-ortodoxa. Neste caso, a natureza divina de Jesus, como Deus, está presente em todos os lugares. Ele é capaz de estar no meio de Seu povo, onde estiverem dois ou três reunidos com propósitos. Jesus diz “Eu” provando que Ele cria que realmente poderia estar em todos os lugares do mundo ao mesmo tempo com dois ou três reunidos em Seu nome. Como Ele poderia estar no meio de tantas igrejas em um dia qualquer se Ele não fosse Deus?

Cristo não apenas é onipresente, mas outra designação teológica pode ser dada a Ele, chamada “imensidão”. Em João 3.13 temos que “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu”. Este é um versículo de grande riqueza. Jesus não é apenas aquele que desceu do céu, mas em Sua divindade, Ele ainda está no céu. A frase “que está no céu” demonstra a imensidão da natureza divina. Naquele momento, o divino Filho não estava apenas caminhando pela Terra em sua natureza humana de Cristo, mas continuamente permanecia no céu como o imenso Deus da Eternidade.

Como Jesus é Deus, Ele deve necessariamente ser todo-poderoso. Apocalipse 1.8 e 11.17 nos apresentam estes atributos de onipotência em Jesus. “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” e também “Dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste”. Jesus tem as chaves da morte e do inferno, o que significa que Ele é todo-poderoso sobre a morte. Ele é o Senhor soberano sobre o inferno e a morte. O único que poderia ter este poder é Deus. Deus é o Soberano Todo-Poderoso que contra o inferno e a morte. Jesus pôde levantar-se dos mortos, e Ele está no comando daqueles que estão mortos e no inferno como Senhor Deus Todo-Poderoso.

Em João 5.17, Jesus também é descrito com atributos do Pai. “E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”. Jesus trabalha da mesma maneira que o Pai. Novamente, se Ele está realizando as obras do Pai, ou fazendo-se igual ao cumprir as mesmas obras do Pai, Ele deve ser Deus para cumprir estas obras. Seu trabalho tem a mesma qualidade do trabalho do Pai. Os judeus odiavam estes dizeres porque eles sabiam que Ele se fazia igual a Deus. Por quê? Porque Jesus é Deus e eles simplesmente abominavam este fato.

Os Evangelhos também registram que Jesus era onisciente. O Filho de Deus comunicou o conhecimento que a natureza divina possuía à natureza humana em alguns momentos; não completamente, mas de formas variadas. Isto só poderia acontecer se Jesus fosse Deus. E os escritores que não afirmam que Ele sabia algumas coisas, mas todas as coisas. Vemos em João 1.48: “Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu? Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira”. Pedro diz, em João 21.17 “Tu sabes tudo”. Jesus sabia detalhes específicos que apenas Deus poderia saber. Por exemplo, em Apocalipse 2.3-4, Ele diz “E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.”. Como Jesus poderia saber todas estas obras da igreja em Éfeso? Ele tem de ser onisciente para buscar e encontrar no coração deles sua paciência, trabalho e força – para não mencionar o esmorecimento do amor deles por Ele. Jesus sabe todas as coisas porque Ele é Deus.

O autor de Hebreus também faz menção que Jesus, o Filho, é imutável – Ele não muda. Hebreus 1.11-12 diz “Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, e como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão”. Ele é o mesmo, e os Seus anos não cessarão. Ele permanece eternamente. Jesus é capaz de manter-se o mesmo porque Ele é Deus. Isto não significa que Ele não envelhece, ou não cresce em Sua natureza humana. Significa que Cristo, como divino Filho de Deus, em sua divindade, não muda.

Não somente Jesus é Deus, mas Paulo descreve Seu único ser como Aquele em quem habita toda a plenitude da divindade. Colossenses 2.9 nos ensina isto - “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. Se você deseja ver Deus, então olhe para Cristo. Ele é a imagem de Deus, e esta imagem, esta perfeição, é manifesta apenas nEle porque Ele é Deus. Nenhum homem poderia afirmar isso – e nenhum homem, exceto Jesus Cristo, teria feito desta forma. Por que ninguém poderia ter feito assim? Eles simplesmente não poderiam repetir esta afirmação por si mesmos. Eles não podem levantar-se dos mortos, não têm as chaves da morte e do inferno, não são todo-poderosos, oniscientes, onipresentes, etc. Mas Cristo reivindicou tudo isto e é descrito assim repetidamente pelos autores do Novo Testamento.

Como Deus, Jesus Cristo sempre fala e age como Deus – Ele é o Criador. Colossenses 1.16-17 diz “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. Este é um texto precioso. Ele criou todas as coisas, não importa o que elas são, mesmo principados e potestades (que pode se referir a seres angelicais). Tudo foi criado por Ele e também para Ele. Tudo existe para dar a Ele toda glória, louvor e honra de que Seu nome é digno. Mas Paulo não pára por aí – ele também diz que todas as coisas subsistem como resultado de Seu poder sustentador. A Terra, os céus, o próprio Universo cairiam abaixo se Cristo não os sustentasse pelo poder de Sua vontade onipotente. Todas as coisas subsistem nEle, para Ele e por Ele.

Jesus também é Aquele que elege homens à salvação. Em João 13.18 Ele elege os apóstolos e condena o traidor, Judas. “Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar”. Judas não foi escolhido e foi condenado por ter levantado seu calcanhar sobre o Ungido.

Em 1 Timóteo 6.15, Jesus é chamado Senhor dos Senhores: “A qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso SENHOR, Rei dos reis e Senhor dos senhores; aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém”. Ele é o único poderoso SENHOR, o que significa que ele é o Todo-Poderoso. Ele é o único que tem a imortalidade e habita na luz inacessível. Somente Deus pode viver na luz inacessível. Isto é atribuído a Cristo. Jesus é o Deus Eterno que vive na luz inacessível como Deus.

Jesus tem o poder de revelar ou esconder a salvação dos homens. Ele afirma Sua divindade, uma vez que através do Antigo Testamento, Deus é o único que pode salvar ou condenar. Mateus 11.26-27 diz “Sim, ó Pai, porque assim te aprouve. Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Se Cristo deseja revelar a salvação a quem Ele desejar, então se quiser ocultá-la de outros homens, Ele também pode fazê-lo. A razão de Ele ser capaz de revelar ou ocultar a salvação é porque Ele é Deus. Ele tem o direito de dar a vida eterna como Ele mostra em João 5.21 – “Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer”. Ele não faz isto a todos. Ele apenas vivifica aqueles que Ele quer. E como um mero mortal poderia vivificar outro mero mortal? Pessoalmente fico incomodado de como isso aconteceria, a não ser que Jesus seja Deus.

Já que Cristo é onisciente, Ele responde às orações dos santos, e somente Deus pode fazer isto. João 14.13: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”. (veja 2 Coríntios 12.8-9). Como um homem finito poderia saber todas as orações dos discípulos se eles orassem em vários lugares ao mesmo temo? É impossível a não ser para Jesus, que é Deus.

Não somente Ele promove a salvação aos homens, e responde orações, mas também perdoa pecados. Somente Deus pode perdoar pecados. As passagens em Mateus 9.6, Marcos 2.10 e Lucas 5.24 deixa isso muito claro – Ele perdoa pecados e apenas Deus pode fazer isto. “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa”. Aqui os judeus ficaram maravilhados com este homem que dizia perdoar pecados. Então Jesus pergunta o que é mais fácil – perdoar pecados ou fazer um paralítico levantar-se e andar. Para demonstrar Sua divindade Ele realiza ambos, pois os dois atos são impossíveis para os homens, mas possíveis para Deus.

Através de todo o Antigo Testamento Deus incita os homens a olharem para Ele em busca de salvação e colocarem sua fé nEle. Ele deteve Sua mão contra um povo rebelde todos os dias. Havia aqueles a quem ele dava o dom da fé e criam em Deus. Abraão foi justificado pela fé, através de sua crença nas promessas de Deus. Entretanto, no Novo Testamento, Jesus é o objeto da fé. Em João 14.1 Ele diz “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”. Jesus se coloca em pé de igualdade com Deus. A mesma fé que o povo tem em Deus, também deve ser dada a Ele. Acreditar em Deus é acreditar em Cristo porque eles são o mesmo.

Seu poder é tão grande e assustador que Jesus pode chamar homens para fora do túmulo. João 5.28-29 diz: “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação”. Jesus tem um poder de tal forma sobre a morte que o som de Sua voz pode levantar os cadáveres decaídos debaixo da terra quando estes a ouvirem! E Seu poder no dia final é registrado como tão grande, que Seu retorno será um dia como nenhuma outro. Mateus 24.20-21 diz “E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado; porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver”. Ele retornará em poder e grande glória. O sol, a lua e as estrelas cairão do céu e Sua glória resplandecerá sua luz. Sua glória será tão radiante que a luz do Sol será uma mera faísca.

Jesus é Deus pela adoração dada a Cristo

Adorar a Deus é tão importante que o Senhor usa muito da Bíblia explicando como isto deve ser feito pela criação. Em Êxodo 20, o texto diz “Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: ‘Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos. Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”. Aqui nós encontramos o objeto, meios e forma de adoração. A adoração a outros deuses levanta a ira de Deus sobre o pecador rebelde. Deus é enfático e explícito em dizer que nenhum outro deus deve ser adorando, porque Ele é o Único, Verdadeiro e Vivo Deus Eterno. Todos os outros deuses não são nada além de ídolos tolos.

Em Deuteronômio 6.13-16, Moisés diz “O SENHOR teu Deus temerás e a ele servirás, e pelo seu nome jurarás. Não seguireis outros deuses, os deuses dos povos que houver ao redor de vós; porque o SENHOR teu Deus é um Deus zeloso no meio de ti, para que a ira do SENHOR teu Deus se não acenda contra ti e te destrua de sobre a face da terra. Não tentareis o SENHOR vosso Deus, como o tentastes em Massá”. Deus se enfurece quando Seu povo é levado a adorar falsos deuses. Sua ira é inflamada como fogo. Juízes 2.12 diz “E deixaram ao SENHOR Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses dos povos, que havia ao redor deles, e adoraram a eles; e provocaram o SENHOR à ira”. Quando isto acontece, o Senhor castiga o pecado de Seu povo. Jeremias 1.16 e 7.18 declaram “E eu pronunciarei contra eles os meus juízos, por causa de toda a sua malícia; pois me deixaram, e queimaram incenso a deuses estranhos, e se encurvaram diante das obras das suas mãos” e “Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira”. O povo de Deus deve abominar os deuses estranhos dos pagãos como em Daniel 3.18 – “E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste”. E mesmo Paulo reafirma que há somente um único e verdadeiro Deus em 1 Coríntios 8.5-6: “Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele”. Tudo isto diz que apenas Deus deve ser adorado. Adorar qualquer outro além do Único e Verdadeiro Deus é quebrar a Lei do Senhor e desobedecê-lO em hediondos pecado e rebelião.

Também é importante lembrar que Deus não divide a glória que Ele tem ou aceita ser exaltado com outro. Isaías 42.8 afirma “Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura”. Adorar o único Deus verdadeiro e nenhum outro é aceito. Entretanto, Jesus é freqüentemente adorado através do Novo Testamento, e mesmo no Antigo Testamento por meio de profecia. Isto é um fato importante por duas razões:

1) Jesus permitiu ser adorado, o que significa que Ele era Deus e sabia disso e;
2) Somente Deus deve ser adorado como centenas de passagens bíblicas comprovam. Ele partilha da glória do Senhor. Deus partilha Sua glória com Ele. Se Jesus não fosse Deus, então neste único ponto toda a fé cristã desabaria.

Jesus conta aos discípulos que eles devem crer em Deus como objeto de sua fé. Mas em João 14.1, como citado anteriormente, Jesus diz “não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”. Crer em Deus é um ato de adoração e crer em Seu nome. Jesus diz que nós também devemos crer nEle como cremos em Deus. O elemento da fé é o mesmo. Nesta verdade, Jesus é magnificado. A profecia do Antigo Testamento em relação ao Filho nos auxilia nisso: “Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele confiam”. Aqueles que creem no Filho são chamados bem-aventurados. Ele deve ser beijado. O Filho deve ser adorado porque Ele é Deus.

Jesus Cristo também é honrado da mesma forma que o Pai, como João 5.23 demonstra: “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou”. Ambos são igualmente honrado e isto não poderia acontecer a não ser que Cristo seja Deus. Do contrário nós daríamos a um homem comum uma honra que pertence apenas a Deus.

Não apenas os homens adoram Jesus, mas os anjos devem adorá-lO também. Hebreus 1.6 fala de Cristo quando diz “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem”. De fato, anjos, homens e todas as criaturas são obrigados a ajoelhar-se diante dEle e adorá-lO “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai”. Isto também está em Apocalipse 5.13: “E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre”. O Cordeiro, Jesus Cristo, é adorado por todo o sempre porque Ele é Deus.

Ele foi adorado freqüentemente – um leproso O adorou em Mateus 8.2: “E, eis que veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo”. Um chefe O adorou em Mateus 9.18 – “Dizendo-lhes ele estas coisas, eis que chegou um chefe, e o adorou, dizendo: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe-lhe a tua mão, e ela viverá”. Os discípulos O adoraram em Mateus 14.33: “Então aproximaram-se os que estavam no barco, e adoraram-no, dizendo: És verdadeiramente o Filho de Deus”. Uma mulher cananéia O adorou em Mateus 15.25: “Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!”. Em Mateus 28.9, 17, após a ressurreição, os discípulos O adoraram novamente: “E, indo elas a dar as novas aos seus discípulos, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram”. (A idéia de que alguém duvidou é completamente assustadora!). Demônios O adoraram na ocasião do endemoninhado gadareno – “E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o” (Marcos 5.6). Na estrada de Emaús, dois discípulos O adoraram, em Lucas 24.52: “E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém”. Mesmo um pobre homem cego que foi curado O adorou – “Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou” (João 9.38).

Jesus permitiu que homens O adorassem e incitou esta adoração. Isto é algo pelo que um israelita seria apedrejado e os judeus certamente desejavam apedrejar Jesus por isso. Demônios, anjos, leprosos, gentios, judeus, seus próprios discípulos, entre outros, O adoraram. Mais e mais nós vemos que Jesus Cristo foi adorado e aqueles que O adoraram agiram corretamente – Ele é digno de ser adorado porque Ele é Deus.

Pré-existência do Filho

A última área que eu gostaria de acrescentar é mais um complemento que outro ponto, a pré-existência do Filho de Deus. Aqui nós vemos que Jesus Cristo como o Filho de Deus sempre foi. Ele não é um ser criado em Sua natureza divina como o Filho. O Filho uniu-se à carne criada de Jesus Cristo. A Bíblia não propõe um Arianismo. Jesus não é o primeiro ser criado – pelo contrário, Ele é o único Ser auto-suficiente; o Deus sempiterno, infinito e ilimitado.

Em João 3.13, nós aprendemos que o Filho ascende e desce do céu – “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu”. Por sua imensidão, nós vemos que Sua origem é “do céu” e que Ele “desceu” do céu. Sua origem não está na Terra, mas no céu. Isto é reiterado em João 6.38: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. Se isto não fosse verdade, Jesus Cristo teria dito que ele nasceu de Maria e José para fazer a vontade do Pai.

Ele também atesta que ninguém, exceto Ele, já viu o Pai: “Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai” (João 6.46). Isto quer dizer que Jesus Cristo estava ciente de Sua natureza divina por estar presente com o Pai antes do tempo ser criado. Somente Ele viu o Pai. E Sua habitação com o Pai é citada em João 6.62; Aqui Jesus ascenderá aos céus, onde Ele tinha estado antes: “Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?”. Então se estas palavras não estão claras o bastante, o Logos eterno do Evangelho de João diz isto: “Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo”. Se essa afirmação for falsa, a inteira religião cristã e todos os cristãos desde o tempo de Cristo até agora foram cúmplices de uma farsa. Eles se mostrariam como as pessoas mais estúpidas e ignorantes de todos os tempos. Pelo contrário, os discípulos não fugiram desta afirmação porque eles conheciam a verdade. Cristo não apenas provou, mas também eles viram Sua divindade na transfiguração.

Suas reivindicações repousam na eterna habitação com o Pai, como é dito em João 8.42: “Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou”. Ele tem relações próximas com o Pai que mais uma vez provam Sua divindade desde a eternidade: “Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai”. E também em João 16.28: “Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai”. Se o Pai é Deus, Jesus veio do Pai e deve retornar ao Seu relacionamento único com Ele, isto confirma claramente Sua pré-existência eterna como o Filho de Deus. Do contrário, o Pai não é divino se Jesus Cristo não é divino, porque eles são um.

Conclusão

Este breve artigo, alguém racional não pode duvidar das afirmações proféticas em relação ao Cristo, dos escritores da Bíblia e de sua confirmação de Cristo, das reivindicações registradas por aqueles que se opunham a Ele (e queriam matá-lo por isso), de que adoraram Cristo e das próprias declarações de Cristo. Não importa se você crê em Jesus Cristo ou não aqui – esta não é a questão. O ponto é que as profecias da Bíblia, os discípulos, os ouvintes, os seguidores, os opositores e palavras de Cristo, todos apontam para o irrefutável fato de que essas testemunhas sabiam que Cristo era Deus. Eles até O odiavam por isso, ou O louvavam como resultado disto. Jesus Cristo sabia que Ele era Deus. Ele confirmou isso através de Suas palavras, ações e testemunho da verdade. Ninguém pode simplesmente chamar Jesus de um bom mestre. Esta é a voz e a opinião de alguém que não raciocina. Jesus Cristo não pode ser apenas um bom professor ou um homem bondoso. Isto não entra na equação. Você só tem duas opções – Ele é realmente Senhor dos céus e da Terra, o Justo Juiz do Mundo ou Ele é um lunático, um louco, um enganador pior que o diabo. Como você irá chamá-lo?

É evidente que o material acima tem muitas ausências. Pareceu-me em alguns momentos repetitivo e monótono. Eu mesmo me perguntei se deveria remover alguns trechos do artigo em compaixão ao leitor e pela possibilidade das idéias se tornarem cíclicas e redundantes. Mas é exatamente neste ponto que estou tentando chegar! Quem pensa que Jesus Cristo era apenas um bom professor ou exemplo de vida não levam em conta o testemunho da Bíblia. As Escrituras continuamente tratam da divindade de Jesus Cristo. É um fato inescapável do registro bíblico.

Pense sobre isto, a Palavra escrita confirma que estas coisas não poderiam ser escritas por demônios ou homens manipuladores e malignos. Demônios e homens assim não teriam retratado a divindade de Cristo como uma majestosa luz radiante ou não teriam retratado Ele como o divino e todo-poderoso Filho do Deus Vivo. Eles não teriam mostrado o homem como algo tão decaído, maldoso, maligno, condenado ao inferno, perdido, danado por toda eternidade se tivessem escrito estas páginas para enganar as pessoas. Eles certamente não teriam escrito estas coisas terríveis sobre eles mesmos e outros homens crentes, e coisas tão maravilhosas sobre Jesus Cristo. Isto não faz sentido de forma alguma. A Bíblia nunca poderia ter sido escrita por homens bons ou anjos santos a não ser pelo poder do Espírito Santo. Porque nenhum homem bom poderia escrever um livro bom quando o que ele conta são mentiras; palavras para enganar o leitor, com termos como “Assim diz o Senhor” ou algo parecido, se isto fosse criação deles mesmos. Eles definitivamente não seriam pessoas piedosas, mas pessoas endemoninhadas, malignas e inescrupulosas, e então nós não poderíamos voltar ao nosso assunto tratado. Pelo contrário, a Bíblia é testemunha da própria revelação de Deus em Seu Filho aos homens perdidos, para que os mortos no pecado possam olhar para o Redentor dos homens, o Deus-homem Jesus Cristo com esperança. O testemunho de Jesus como Deus somente quer dizer que os homens podem ser salvos da ira vindoura. A Ira do Cordeiro será de grande horror para os perdidos. Eles correrão para as montanhas, e pedirão que elas se joguem sobre eles e os escondam da Ira do Cordeiro. Mas o Senhor providenciou um caminho de escape para aqueles que desejam livrar-se da destruição que os espera. A resposta é encontrada em Jesus Cristo, que é o Deus Eterno. Olhe para Ele até o final dos tempos e você será salvo!
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Por C. Matthew McMahon
Tradução livre: Josaías Cardoso Ribeiro Jr.
Fonte: Monergismo
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