sábado, 19 de setembro de 2015

O ensino das Confissões Reformadas sobre a graça eficaz


A Confissão Escocesa registra como segue a doutrina da graça eficaz:
Por natureza somos mortos, cegos e perversos, de maneira que nem sequer sentimos quando somos aguilhoados, nem vemos a luz quando brilha, nem podemos assentir à vontade de Deus quando ela se revela, se o Espírito de nosso Senhor não vivificar o que está morto, não remover as trevas de nossas mentes e não dobrar a rebelião dos nossos corações à obediência da sua bendita vontade. Dessa forma, assim como confessamos que Deus, o Pai, nos criou, quando ainda não existíamos, assim como o seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, nos redimiu quando éramos seus inimigos, assim também confessamos que o Espírito Santo nos santificou e regenerou, sem qualquer respeito a qualquer mérito nosso -seja anterior, seja posterior à nossa regeneração. Para deixar isto ainda mais claro: como de boa vontade renunciamos a qualquer honra e glória pela nossa própria criação e redenção, assim também o fazemos pela nossa regeneração e santificação, pois, por nós mesmos, nada de bom somos capazes de pensar, mas só Aquele que em nós começou a obra nos faz continuar nela, para o louvor e glória de sua graça imerecida.[1]
A Confissão de Fé dos Países Baixos sustenta a doutrina reformada da graça eficaz, nos seguintes termos:
Cremos que para obter verdadeiro conhecimento deste grande mistério (da redenção que há em Cristo), o Espírito Santo infunde em nossos corações uma fé sincera, a qual abraça a Jesus Cristo juntamente com todos os seus méritos... Cremos que esta fé verdadeira, havendo sido operada no homem pelo ouvir a Palavra de Deus e pela ação do Espírito, o regenera, o faz um novo homem, faz com que viva uma vida nova, e o liberta da escravidão do pecado.[2]
A Confissão de Fé de Westminster também professa de maneira clara essa doutrina, ao declarar:
Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espirituais a fim de compreenderem as cousas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando-lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça. Esta vocação eficaz é só da livre e especial graça de Deus e não provém de qualquer coisa prevista no homem; na vocação, o homem é inteiramente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito Santo, fica habilitado a corresponder a ela e a receber a graça nela oferecida e comunicada.[3]
Finalmente, a Confissão de Fé Batista de 1689 declara de modo muito semelhante à Confissão de Westminster:
Aqueles a quem Deus predestinou para a vida, ele se agrada em chamar eficazmente, no tempo aceitável e por ele mesmo determinado, por meio de sua Palavra e de seu Espírito; do estado natural de pecado e morte, para a graça e a salvação por Jesus Cristo. Isso Deus faz iluminando-lhes a mente de maneira espiritual e salvadora, para que compreendam as coisas de Deus; tirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes um coração de carne; renovando-lhes a vontade e, pela sua onipotência, predispondo-os para o bem e trazendo-os irresistivelmente para Jesus Cristo. No entanto, eles vêm a Cristo espontânea e livremente, porque a graça de Deus lhes dispõe o coração para isso. A chamada eficaz é resultante da graça especial e gratuita de Deus, e não de algo que de antemão seja visto no homem; e nem de poder algum ou ação da criatura cooperando com a graça especial de Deus. Por estar morta em pecados e transgressões, a criatura mantém-se totalmente passiva, até que, na chamada eficaz, ela seja vivificada e renovada pelo Espírito Santo. A pessoa, então, é habilitada a responder a essa chamada e a abraçar a graça que ela comunica e oferece. Para isso é necessário um poder que de modo nenhum é menor do que aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos.[4]
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Fonte: Calvinismo: As Antigas Doutrinas da Graça, por Paulo Anglada. Editora Knox Publicações. Compre aqui | Formato digital.

[1] Capítulo 12
[2] Artigos 22º e 24º
[3]Capítulo 10:1,2
[4] Capítulo 103
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