terça-feira, 13 de outubro de 2015

Sinto vergonha de minhas orações!

Às vezes penso que as orações dos crentes dão uma prova mais forte de uma natureza depravada, do que até mesmo todas as profanações daqueles que não conhecem o Senhor.

Que estranho é que, quando eu tenho a convicção mais completa de que a oração não é apenas o meu dever, não é só necessária como o meio designado por Deus de recebermos o que Ele determinou, sem a qual nada posso fazer, mas também a maior honra e privilégio que um homem como eu pode ter na vida presente, - Eu ainda me encontre tão sem vontade de praticá-la tantas vezes.

No entanto, eu acho que não é da oração em si que eu me sinto cansado, mas das orações como as minhas tantas vezes são. Como é que pode ser contabilizada a oração, quando o coração está tão pouco afetado? - Quando ele está poluído com uma tal mistura de imaginação vis e vãs? - Quando eu mal sei e pouco meditei no que estou dizendo, mas digo coisa que passam em minha mente, e no minuto seguinte, meus pensamentos estão voando nos confins da terra?

Se eu pudesse expressar com meus lábios, juntamente com o que estou dizendo, os pensamentos que estão passando em minha mente, o que está nas entrelinhas de cada pensamento... tudo junto, tudo tomado em conjunto... seria tal absurdo e incoerente, que sua inconsistência poderia ser facilmente atribuída ao delírio de um lunático.

Quanto Satanás então aponta do absurdo desse arranjo e pergunta: “Isto é uma oração que possa ser apresentada a um Deus santo? Uma oração que Deus aceitaria?”

Eu sinto que não tenho como responder, até que sou levado a lembrar que não estou sob a lei, mas debaixo da graça. Que todas as minhas esperanças não estão colocadas em minhas próprias orações, mas na justiça e intercessão perfeita de Jesus. Então eu continua orando cada vez mais. Quanto mais pobre e mais vil eu sou em mim mesmo – e percebo isso claramente – tanto mais poder e riqueza da Sua graça deve operar em mim – e redimir mesmo as orações de alguém como eu. Então eu oro...

Portanto, deve, e, conhecendo que o Senhor me ajuda, eu oro cada vez mais, e admiro a Sua condescendência e amor, que Ele possa ouvir a oração de tal criatura – e que essas orações que desagradam até a mim mesmo – indigno como sou – possam ser aceitáveis a Deus. Que poder infinito tem a intercessão de Seu Filho. De que outra forma Deus poderia responder minhas orações?

Que eu ainda esteja autorizado a chegar ao Trono da Graça – com todo meu caminho e obras imperfeitas e indignas... e que meus inimigos aqui não prevaleçam contra mim, não triunfem sobre mim... é uma prova cabal de que Deus, por amor a Cristo e por Suas intercessões, ouviu e aceitou minhas pobres orações.

Sim, é possível que as orações das quais mais nos envergonhamos, sejam as mais agradáveis ao Senhor, e por essa única razão, porque nos envergonhamos delas e não o contrário. Seria trágico achar por um instante que Deus nos ouviu por causa da dignidade de nossas orações. Ficarmos satisfeitos conosco mesmo, acharmos que fizemos bem e por isso fomos aceitos.

Por isso, apesar de tudo, em vez de orar menos, oro mais.
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John Newton, Twenty-Five Letters Hitherto Unpublished of the Rev. John Newton , Ed.Robert Jones (Edinburgh: J. Johnstone, Hunter Square, 1847).
Fonte: Josemar Bessa
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