sábado, 12 de dezembro de 2015

Da leitura das Sagradas Escrituras

1.Nas Sagradas Escrituras deve procurar a verdade, não a eloquência.
Devem ser lidas com o mesmo espírito com que foram ditadas.
Busque-se antes a utilidade que a subtileza da linguagem.
Devemos ler, com igual boa vontade, tanto os livros simples e piedosos, como os sublimes e profundos.
Não te mova a autoridade de quem escreve, se é de pouca ou de muita erudição; seja o puro amor da verdade que te leve à leitura.
Não procures saber quem disse, mas o que foi dito. 
2.Os homens passam, mas a verdade do Senhor permanece eternamente.
De vários modos ela nos fala de Deus, sem acepção de pessoa.
Nossa curiosidade, muitas vezes, nos prejudica na leitura das Escrituras; porque pretendemos entender e discernir tudo, quando conviria, simplesmente, ir além.
Se queres tirar proveito, lê com humildade, com fé e simplicidade, e não aspires jamais ter a fama de letrado.
De boa vontade consulta e ouve calado as palavras dos santos; nem te enfades com as sentenças dos mais velhos, porque eles não as proferiram sem razão.
Reflexão

O que é que a razão compreende? Quase nada; mas a fé abraça o infinito. O que crê está muito acima do que discorre, e a simplicidade do coração é preferível à ciência que alimenta a soberba.
O desejo de saber foi quem perdeu o primeiro homem: buscava a ciência, achou a morte.
Deus que nos fala na Escritura não quis satisfazer nossa vã curiosidade, mas alumiar-nos acerca de nossos deveres, exercer nossa fé, purificar e nutrir nossa alma com o amor dos verdadeiros bens, que todos estão encerrados n'Ele.
A humildade de espírito é, pois, a disposição mais necessária para ler com fruto os livros santos; e já não é pouco compreender quanto eles são superiores à nossa razão fraca e limitada.
Aparecestes, Luz divina, à gente que estava em trevas de pecados; aparecei também a meu espírito, quando leio e medito Vossa Palavra na Sagrada Escritura. Ó Luz divina que nunca escureceis, ó resplendor celeste que nunca tendes trevas, ó dia formoso que nunca anoiteceis, ó sol rutilante que não tendes ocaso, caminhai com Vossa formosura e entrai nesta alma que está desejosa de Vossa claridade; enchei-a de Vosso clarão divino para que em Vós entenda a verdade, por Vós a pratique, e goze de Vós que sois a eterna verdade.
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Por Thomas à Kempis
Livro: A Imitação de Cristo (Tradução: Ed. Paulus)
¹ Saint Bernard Philippe de Champaigne (d'après) Saint Etienne du Mont
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