sábado, 23 de janeiro de 2016

Consolações a um pecador, por John Bunyan

"...Certa vez, eu andava de um lado para o outro, na loja de um homem piedoso, lamentando meu triste e deplorável estado, afligindo a mim mesmo com um sentimento de aversão por este iníquo e impiedoso pensamento, queixando-me desta ocorrência adversa, de que eu houvesse cometido tão grande pecado, e temendo que não fosse perdoado. Em meu, coração, eu também orava pedindo que, se meu pecado fosse diferente do pecado imperdoável contra o Espírito Santo, que o Senhor o revelasse a mim. Estava quase a ponto de esmorecer devido ao temor, quando, repentinamente, houve um ruído de vento por sobre mim. Ele parecia ter entrado, com ímpeto, pela janela, e era muito agradável. Foi como se tivesse ouvido uma voz através desse vento, a qual dizia: "Você, alguma vez, recusou ser justificado pelo sangue de Cristo?" Além disso, toda a minha profissão de fé passada, foi observada diante de mim num instante, e fui levado a ver que nunca rejeitei deliberada e intencionalmente a justificação em Cristo. Assim, meu coração suspirou em resposta: "Não"
Em seguida, a Palavra de Deus veio sobre mim poderosamente: "Tende cuidado, não recuseis ao que fala" (Hb 12.25). Esse versículo fascinou meu espírito de modo estranho; trouxe luz e ordenou que silenciassem todos aqueles pensamentos tumultuosos em meu coração que, à semelhança de cães furiosos do inferno, urravam e bramavam e faziam um horrível barulho dentro de mim. Esse versículo também me mostrou que Jesus Cristo ainda tinha uma palavra de graça e misericórdia para mim e que não tinha, como eu temia, rejeitado por completo, nem lançado fora a minha alma. De fato, essa palavra teve um tipo de efeito restritivo sobre minha inclinação ao desespero — um tipo de ameaça que, se não resistisse aos meus pecados e ao seu caráter abominável, não estaria confiando minha salvação ao Filho de Deus. 
A minha conclusão a respeito dessa estranha visitação, o que ela significava, ou de onde vinha, eu não sei. Por vinte anos, tenho sido incapaz de chegar a qualquer conclusão sobre ela. O que pensei, naquela ocasião, ainda reluto em dizer. De fato, aquele vento repentino e impetuoso foi como se um anjo tivesse vindo a mim. Entretanto, a compreensão sobre aquele vento e sobre a minha salvação deixarei para o Dia do Julgamento. Tudo que direi é que aquela palavra trouxe grande paz à minha alma; ela me persuadiu de que ainda havia esperança; mostrou-me, como pensei, o que era o pecado imperdoável e que minha alma ainda possuía o privilégio abençoado de correr para Jesus Cristo, a fim de obter misericórdia. A respeito da visitação, ainda não sei o que dizer. Com toda sinceridade, foi por essa razão que não falei sobre isso antes no livro. Deixarei o acontecido à consideração dos homens de bom julgamento. Não deposito a certeza de minha salvação sobre isso, mas sobre o Senhor Jesus, conforme a promessa de Sua Palavra. Ao revelar aqui, coisas profundas e secretas, penso que talvez não seja, de todo, inapropriado permitir que esse fato seja conhecido, embora hoje eu não consiga relatá-lo exatamente como o experimentei. Esta paz de espírito durou cerca de três ou quatro dias, e novamente comecei a desconfiar e desesperar-me."...
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John Bunyan - Graça Abundante ao Principal dos Pecadores, p.89-91.
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