sábado, 16 de janeiro de 2016

Coragem, ousadia e determinação reformada para ir às últimas conseqüências em virtude da sua fé

No dia 7 de março de 1557, aportaram na Bahia da Guanabara alguns huguenotes, calvinistas franceses que vieram para o Brasil a fim de colaborarem no estabelecimento do que seria um refúgio para os calvinistas perseguidos na França. Entre eles estavam dois ministros que haviam estudado com Calvino em Genebra: Pierre Richer e Guillaune Chartier. Por sua fidelidade à fé reformada, eles foram oprimidos, afligidos e perseguidos pelo vice-almirante Nicolas de Villegaignon, o capitão da esquadra que havia se estabelecido na Guanabara dois anos antes, no dia 10 de novembro de 1555.

Um grupo precisou se refugiar na floresta por três meses; e, no dia 4 de janeiro de 1558, partiram em um navio mercante francês. Infelizmente, entretanto, quando o navio havia se afastado apenas algumas milhas, começou a vazar água, e cinco desses calvinistas tiveram de retornar para o continente: Pierre Bourdon, Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Andre la Fon e Jacques le Balleur.

Eles foram capturados. Villegaignon exigiu que professassem por escrito a sua fé. Eles o fizeram e escreveram a primeira confissão de fé do Novo Mundo, contendo 17 artigos. Foi exigido que renegassem a fé reformada, caso contrário, seriam executados. Andre de la Fon fraquejou e aquiesceu. Os demais, porém, permaneceram firmes. Jean Jacques le Balleur conseguiu escapar para a floresta e foi executado por portugueses jesuítas quase dez anos depois.

José de Anchieta pessoalmente colocou a corda no seu pescoço, para demonstrar ao executor como “despachar um herege o mais rapidamente possível”. Os outros três foram acorrentados e lançados do despenhadeiro, tornando-se os primeiros mártires das Américas: os mártires da Guanabara.

Segundo o autor do relato, Jean Lery, um dos huguenotes que sobreviveu, o primeiro a ser enforcado, Jean de Bourdel, “a caminho da morte cantava salmos e louvava a Deus”; o segundo, Matthieu Verneuil, na rocha, orou: “Ó Deus eterno, visto que, por amor a Jesus Cristo, estamos morrendo hoje; visto que por amor da tua santa Palavra e doutrina estamos sendo conduzidos à morte: lembra-te dos teus servos e ajuda-os; toma nas tuas mãos esta causa, de modo que nem Satanás, nem o poder deste mundo alcance vitória sobre nós”. É assim que começa a história da fé calvinista no Brasil.

Esses homens foram os primeiros a cultuarem a Deus na América do Sul, no dia 10 de março de 1557, três dias após chegarem (o texto da mensagem foi o Salmo 27:4). Foram os primeiros a celebrarem a ceia, no dia 21 de março de 1557. Foram os primeiros a pregar aos índios (aos tamoios na capitania de São Vicente). Escreveram a primeira confissão de fé das Américas. E foram os primeiros a morrer no Novo Mundo por causa do seu amor a Cristo.

E quanto a nós? Onde estão a nossa coragem e a nossa ousadia por amor ao nosso Redentor, e a nossa fidelidade às antigas doutrinas da graça? Estamos determinados a comprometer nosso tempo, nossos bens e a nossa vida por amor a Deus e à sua Palavra?
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Fonte: Trecho do livro Calvinismo: As Antigas Doutrinas da Graça
Autor: Reverendo Paulo Anglada
Onde adquirir: Impresso | E-book
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