quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Irmão André

Andrew van der Bijl, nasceu em 11 de maio de 1928 em Sint Pancras, Holanda, sendo o quarto de sete filhos. Conhecido como Irmão André, se tornou famoso por suas façanhas, contrabandeando Bíblias para países comunistas durante a Guerra Fria, feito esse que lhe deu o apelido de "contrabandista de Deus". Quando era garoto, Irmão André gostava de brincar, imaginando-se um espião em território inimigo. O que ele não podia sequer imaginar é que bem mais tarde se tornaria um agente secreto de Deus com uma difícil missão: levar Bíblias para os cristãos das igrejas perseguidas pelo regime comunista, na Rússia e nos países da Europa, na década de 50.

Durante o período do pós-guerra, ele se alistou no exército colonial das Índias Orientais Holandesas durante a rebelião que culminaria na independência da Indonésia. André passou por um período de estresse emocional severo, enquanto servia como soldado. Nesse período, ele foi ferido no tornozelo e, durante sua reabilitação, leu a Bíblia obsessivamente, o que lhe levou à conversão ao cristianismo, tendo também seu tornozelo curado.

Em julho de 1955 ele visitou Polônia comunista, "para ver como os meus irmãos estão agindo", referindo-se à igreja subterrânea. Ele ficou com um grupo de jovens comunistas, que era a única maneira legal de permanecer no país. Nesse tempo, ele sentiu-se fortemente chamado por Deus, através do versículo "fortalece o que resta e está prestes a morrer" (Apocalipse 3:2). Este foi o início de uma missão levando-o em vários países comunistas onde os cristãos eram perseguidos - os países que ficavam por trás da chamada "Cortina de Ferro".

Em 1957, Irmão André viajou para Moscou, capital da União Soviética, em um Fusca, que mais tarde se tornou o símbolo da Open Doors, a Missão Portas Abertas, organização que ele fundou. Um casal de idosos que o orientou deram-lhe o carro, porque assim ele poderia levar muitas Bíblias e literatura espiritual. Embora Van der Bijl estivesse violando as leis de alguns dos países visitados, levando literatura religiosa, muitas vezes ele foi vistoriado, quando parou em postos de controle do governo, porém milagrosamente sempre sendo liberado, aumentando sua confiança na proteção de Deus. Embora fosse impossível para um missionário cristão passar pela Cortina de Ferro, André sabia que para Deus não havia impossibilidades. Ao ter de atravessar a fronteira de algum país, com sua mala e seu fusca cheios de Bíblias, folhetos e material impresso, ele orava assim: "Senhor, na minha bagagem há Escrituras que desejo levar para os Teus filhos, que estão do outro lado desta fronteira. Quando estiveste na Terra, fizeste os olhos dos cegos ver. Agora eu peço: faze com que os olhos desses que vêem fiquem cegos. Não deixes os guardas verem as coisas que Tu não queres que eles vejam." E Deus atendia sua oração.

Irmão André ainda visitou a China em 1960, após a Revolução Cultural que tinha criado uma política hostil para com o cristianismo e outras religiões. Era o tempo da chamada Cortina de Bambu. Ele foi ainda para a Tchecoslováquia, quando ocorreu a Primavera de Praga, episódio que gerou um pequeno período de liberdade religiosa. Ele incentivou os cristãos do país e deu Bíblias até para soldados da força de ocupação russa. Durante essa década ele também fez a sua primeira visita à Cuba, após a revolução desse país.

Em 1976, os países africanos foram o seu foco. Ele escreveu um livro sobre a luta espiritual neste continente e em congressos locais chamando líderes cristãos para fortalecer suas comunidades. Em 1967, publicou a primeira edição de O Contrabandista de Deus, escrito com John e Elizabeth Sherrill. O Contrabandista de Deus conta a história de infância do irmão André, a conversão ao cristianismo e aventuras como um contrabandeador de bíblias por trás da Cortina de Ferro. O livro já vendeu mais de dez milhões de cópias em trinta e cinco idiomas.

Após a queda do comunismo na Europa, Irmão André mudou seu foco para o Oriente Médio, trabalhando para fortalecer a Igreja no mundo islâmico. Na década de 70, ele visitou o Líbano em guerra várias vezes, afirmando que "o conflito mundial no fim dos tempos incidirá sobre Israel e os países vizinhos".

Na década de 90, voltou à região várias vezes. No livro Força e Luz, Van der Bijl, fala sobre cristãos de igrejas do Líbano, Israel e de territórios ocupados por palestinos, cristãos esses que expressam grande prazer por causa da mera visita de um companheiro cristão do exterior, porque sentem que a igreja no mundo ocidental, em geral, os ignoram. Ele também visitou alguns palestinos que foram forçados a deixar seu país de origem para uma área isolada e montanhosa, por Israel, e pregou o evangelho para eles. Da mesma forma, ele visitou os líderes do Hamas e da OLP, incluindo Ahmed Yassin e Yasser Arafat, distribuindo Bíblias.

Em 2008, ele fez um anúncio oficial de que não mais visitaria países livres e que tinha o desejo de dedicar seus últimos anos visitando a Igreja Perseguida. Desde então, o Irmão André participou de poucos eventos na Europa e investiu suas energias no contato com líderes do Talibã e Al Qaeda, no Paquistão e Afeganistão.

Em 2011, o fundador da Portas Abertas, Irmão André, completou 83 anos de idade e 58 de serviço à Igreja Perseguida. E depois de ter visitado quase o mundo todo, servindo a cristãos livres e perseguidos, sua saúde começa a dar sinais de que é necessário descansar.

No dia 28 de fevereiro de 2011, André recebeu o prêmio de Herói da fé da Universidade de Liderança, na Flórida, Estados Unidos.

O médico do Irmão André pediu-lhe que não viaje mais e, por isso, ele tem repousado e dedicado seu tempo à oração pela Igreja Perseguida e também a receber visitas de membros da Portas Abertas, amigos e familiares.

(...)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...