segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! (Rm9.20)

Mas, ouçamos que razões vocês têm, por que não crerão na palavra de Deus, a qual nos diz que o ímpio deve ou se converter ou ser condenado. Conheço suas razões; é porque vocês julgam improvável que Deus seja tão cruel. Acham que é maldade condenar os homens eternamente por uma coisa tão insignificante quanto uma vida pecaminosa.

E isso nos leva à segunda coisa, que é justificar a retidão de Deus nas suas leis e julgamentos.
1. Penso que não negarão que é muito adequado a uma alma imortal ser regida por leis que prometem uma recompensa eterna e ameaçam com castigo infinito. De outro modo, a lei não seria ajustada à natureza do súdito, que não será plenamente regido por quaisquer motivos inferiores às esperanças ou temores de coisas eternas. Assim também ocorre com as punições temporais. Se fosse promulgada agora uma lei de que os crimes mais hediondos seriam punidos com cem anos de prisão, isso seria de alguma eficácia, pois se ajusta às nossas vidas. Mas se não houvesse penas diferentes antes do dilúvio, quando os homens viviam oitocentos ou novecentos anos, essa teria sido insuficiente, pois os homens saberiam que poderiam ter muitas centenas de anos de impunidade posteriormente. Assim ocorre com o presente caso. 
2. Suponho que confessarão que a promessa de uma glória infindável e inconcebível não é tão inadequada à sabedoria de Deus, ou à situação do homem. E por que, então, não devem pensar que isso também ocorra com a ameaça de uma miséria infindável e indizível? 
3. Quando descobrem na Palavra de Deus que esse é o caso, e que assim será, acham-se capazes de contradizer essa Palavra? Chamarão o seu Criador ao tribunal, e examinarão a Sua Palavra com acusação de falsidade? Vocês se levantarão contra Ele, e O julgarão com as leis de suas opiniões? Acaso são mais sábios, melhores e mais justos do que Ele? Deve o Deus do céu vir a vocês para aprender a sabedoria? Deve a Sabedoria infinita aprender com a tolice? E a Santidade infinita ser corrigida por um pecador egoísta, que não consegue manter-se puro por uma hora? Deve o Todo-Poderoso permanecer no tribunal de um verme? Que horrenda arrogância do pó insensível! Deverá toda toupeira, ou torrão, ou monturo acusar o sol de escuridão, e tentar iluminar o mundo? Onde estavam vocês quando o Todo-Poderoso fez essas leis, que não lhes tenha chamado ao Seu conselho? Certamente, Ele as fez antes que nascessem, sem desejar o seu conselho! E vocês vieram ao mundo tarde demais para revertê-las. Se pudessem ter feito tão grande obra, teriam saído de sua insignificância, e teriam contradito a Cristo quando esteve na terra, ou Moisés antes dEle, ou teriam salvado Adão e sua descendência pecaminosa da morte ameaçada, para que, desse modo, não houvesse necessidade de Cristo! E se Deus recolher Sua paciência e sustentação, e deixá-los cair no inferno enquanto estão a contender com a Sua Palavra? Vocês, então, crerão que há um inferno? 
4. Se o pecado é um mal tão grande que requer a morte de Cristo para que seja expiado, não é de se surpreender que ele mereça nossa miséria eterna. 
5. E se o pecado dos demônios mereceu um tormento infindável, por que também não o pecado do homem? 
6. E penso que devem perceber que não é possível para os melhores dos homens, muito menos para os ímpios, ser juízes competentes sobre o merecimento do pecado. Ai de mim! Somos tanto cegos quanto parciais. Vocês não podem conhecer plenamente o merecimento do pecado até que conheçam plenamente a sua malignidade. E nunca poderão conhecer a malignidade do pecado até que saibam plenamente:
i) a excelência da alma que ele deforma;
ii) a excelência da santidade que apaga;
iii) a razão e a excelência da glória que viola;
iv) a excelência da glória que despreza; 
v) a excelência e serviço da razão que ele pisa com os pés; 
vi) não, não até que conheçam a excelência, onipotência e santidade infinitas desse Deus contra quem é cometido. Quando conhecerem plenamente todas essas coisas, saberão plenamente o merecimento do pecado.
Ademais, sabem que o ofensor é parcial demais para julgar a lei ou os procedimentos do juiz. Julgamos pelo sentimento, que cega nossa razão. Vemos nas coisas comuns do mundo que a maioria dos homens tem por justa a sua própria causa; e que todas as que lhes são contrárias são erradas.

Ainda que os mais justos e imparciais amigos tentem persuadi-los do contrário, tudo é vão. São poucas as crianças que não acham que os pais sejam cruéis, ou que as tratem com muita dureza, se eles as surram. São raros os mais vis miseráveis que não achem que a igreja os trata de modo errado, se ela os disciplina. E raro é o ladrão ou homicida a ser enforcado que, se isto servir à sua causa, não acusará a lei ou o juiz de crueldade.
7. Vocês podem pensar que uma alma impura está apta para o céu? Ora! Elas não podem amar a Deus lá, nem Lhe prestar qualquer serviço aceitável. São contrárias a Deus; detestam aquilo que Ele mais ama e amam aquilo que Ele aborrece. São incapazes dessa comunhão imperfeita com Ele, da qual participam Seus santos aqui.
Como, então, podem viver naquele Seu amor perfeito e naquela plena delícia e comunhão com Ele, que é a bem-aventurança do céu?

Vocês não se acusam de crueldade se não fizerem de seus inimigos seus conselheiros íntimos; contudo, culparão o Senhor absoluto, o mais sábio e gracioso Soberano do mundo, se Ele condenar os não convertidos a uma miséria perpétua.
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Por Richard Baxter 
Fonte: Um Chamado Urgente À Conversão
Onde adquirir: E-book
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