sábado, 9 de janeiro de 2016

Quem Perseverar até o Fim Será Salvo

A frase que serve de título para este artigo reproduz as palavras de Jesus registradas em Mateus 10.22; 24.13 e Marcos 13.13. Essa frase também encontra paralelos em textos como Hebreus 3.14 e Apocalipse 2.26. Com base nesses textos, muitas pessoas advogam a impossibilidade de um cristão nutrir qualquer sentimento de segurança quanto ao seu destino eterno já que, segundo suas conclusões, ninguém sabe se vai perseverar até o fim diante de tanta encrenca que os crentes têm de enfrentar neste mundo mau.

De fato, a interpretação mais comum da frase em questão é a que conclui que a pessoa é salva pela “fé mais a perseverança”. De acordo com essa visão, somente a fé não basta para salvar, sendo preciso também a constância até o fim. Se não for desse jeito, dizem, a salvação final não será alcançada.

Quem adota essa visão são especialmente as igrejas pentecostais. À imensa coleção de seus desvios, esses evangélicos acrescentam ainda o erro de pensar assim: “Muitas tribulações sobrevêm aos crentes por causa de sua fé. O crente que ficar de pé depois de passar por elas será salvo. Já o que cair, perderá sua salvação. Por isso, só é possível alguém ter certeza de que vai para o céu bem no finzinho da vida. Se chegar ao último minuto e notar que ficou firme, então poderá morrer seguro, dizendo: ‘Ufa! Não foi fácil, mas consegui!’”.

Evidentemente, essa concepção conflita com o ensino bíblico que é claro em dizer que a salvação é pela “fé somente”. Por isso, há com certeza uma forma diferente de entender o que Jesus disse — uma forma de interpretação do texto que leva em conta o ensino geral da Bíblia e cujas conclusões resultam da boa exegese e não das intuições de supostos pastores que gritam muito e estudam pouco.

Com efeito, a interpretação correta dessa passagem começa pela afirmação de que a igreja, em sua expressão local e visível, é composta tanto por falsos cristãos (os meros professos) como por crentes verdadeiros. Os falsos cristãos têm uma fé só de boca. Já o crente verdadeiro é o eleito de Deus, o homem que tem uma fé cujo autor e consumador é o próprio Cristo (Hb 12.2).

Como, porém, é possível detectar os que têm a fé verdadeira e os que são meros professos? É simples: quem tem a fé que salva são os únicos capazes de perseverar; os demais não permanecem diante das provas. Essa é a lição básica que a frase de Jesus encerra.

É preciso, pois, compreender que a perseverança não é uma condição para a salvação (como pensam os pentecostais), mas uma evidência dela. Na verdade, a perseverança é um dos meios principais pelos quais podemos descobrir quem é crente de verdade. Isso porque o crente verdadeiro perseverará até o fim, dando assim provas de ser eleito e de ter a fé que salva. Quanto ao mero professo, por ter uma fé ilusória e carnal, cairá tão logo as primeiras provas lhe sobrevenham e fugirá espavorido para o mundo, sua verdadeira casa.

Quem tem boa memória vai lembrar que esse foi precisamente o ensino de Jesus na Parábola do Semeador (Mt 13.1-23). Nessa parábola, o Mestre deixa mais do que evidente que a fé salvadora permanece e frutifica. Já a fé falsa não faz nem uma coisa nem outra.

Quem tem boa memória também vai se lembrar que, segundo o Mestre, é impossível que os eleitos abdiquem de sua fé mesmo nos dias de maior sofrimento e engano. Isso é o que se conclui de suas palavras acerca dos crentes no tempo da Grande Tribulação: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mt 24.24). Note-se que, com essas afirmações, nosso Senhor mostrou ser impossível que os escolhidos abandonem a verdade, mesmo diante dos mais portentosos sinais que, porventura, os incitem a isso.

Assim, quando Jesus disse que quem perseverar até o fim será salvo, seu objetivo não era ensinar a perda da salvação ou a salvação pela fé somada à perseverança. Antes, seu alvo era declarar que os salvos são aqueles cuja fé é do tipo que perdura, haja o que houver. Os que não têm essa fé que perdura não serão salvos, pois uma fé que se esvai com a provação não é, de modo nenhum, a fé gloriosa e salvadora que Deus concede aos seus eleitos.

Fica claro, assim, que a perseverança é a prova da verdadeira fé e a marca visível da eleição, sendo por isso que nosso Senhor afirmou que quem perseverar até o fim será salvo. Ele sabia que a perseverança está embutida na fé verdadeira e, então, pôde dizer com firmeza: “Aquele que perseverar até o fim [mostrando assim a fé verdadeira] será salvo”. Eis aí o significado da controvertida afirmação de Jesus.

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria
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Fonte: Igreja Batista Redenção
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