segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Usando a doutrina para justificar uma vida sem Deus: uma ímpia desculpa!

Uma objeção muito comum na boca dos ímpios, especialmente nos últimos anos é:
“Não podemos fazer nada sem Deus, não podemos ter a graça se Deus não a conceder a nós. E, se Ele o fizer, rapidamente nos arrependeremos. Se não nos predestinou, e não nos conceder arrependimento, como podemos nos arrepender ou ser salvos? Não depende de quem quer ou de quem corre”.
Com isso, pensam que estão desculpados. Já respondi a isso anteriormente, e neste livro. Mas, me permitam dizer o seguinte:
1. Ainda que não possam se curar, podem se ferir e envenenar a si mesmos. É Deus quem deve santificar seus corações, mas quem os corrompeu? Vocês tomarão voluntariamente veneno, porque não podem se curar? Penso que deviam abster-se ainda mais do pecado. Deviam ter ainda mais cautela dele, se não podem consertar o que o pecado estragou.
2. Ainda que não possam ser convertidos, sem a graça especial de Deus, contudo, devem saber que Deus dá a sua graça no uso dos santos meios que apontou para esse fim. E a graça comum pode lhes capacitar a resistir a seus pecados escandalosos (quanto ao aspecto exterior) e a usar esses meios. Vocês podem verdadeiramente dizer que fazem tanto quanto poderiam fazer? Não são capazes de passar pelas portas da taverna, ou resistir às companhias que lhes endurecem no pecado? Não são capazes de ouvir a Palavra, e pensar sobre o que ouviram quando chegarem em casa, e considerarem consigo mesmos sobre suas próprias condições e sobre as coisas eternas? Não são capazes de ler bons livros diariamente, ou ao menos no dia do Senhor, e de conversarem com os que são tementes a Deus? Vocês não podem dizer que já fizeram tudo de que são capazes. 
3. Portanto, devem saber que podem a graça e o auxílio de Deus pela sua pecaminosidade ou negligência voluntária, ainda que não possam, sem a graça, voltar-se para Deus. Se não farão o que podem fazer, é justo que Deus lhes negue aquela graça pela qual poderiam fazer mais. 
4. E, quanto aos decretos de Deus, vocês devem saber que eles não separam o fim dos meios, mais os unem em harmonia. Deus jamais decretou salvar alguém, senão os santificados, nem condenar ninguém a não ser os não santificados. Deus, em verdade, decretou também se as suas terras, neste ano, seriam estéreis ou frutíferas, e quanto tempo vocês devem viver neste mundo, do mesmo modo como decretou se deveriam ser salvos ou não. Contudo, vocês reputariam como tolo o homem que se recusasse a arar e semear, dizendo: “Se Deus decretou que meu solo produzirá cereal, ele o produzirá, quer eu o lavre e semeie ou não. Se Deus decretou que devo viver, viverei, coma eu ou não. Mas se não decretou, não é a comida que me manterá vivo”. Vocês sabem como responder a esse homem, não sabem? Se sabem, então sabem como responder a si mesmos, pois a situação é a mesma: o decreto de Deus é tão categórico em relação aos seus corpos quanto às suas almas.
Se não fazem isso, então experimentem primeiro, cheguem às conclusões nos seus corpos antes de se aventurarem a testar suas almas. Vejam primeiro se Deus manterá seus corpos vivos sem comida ou vestimentas, e se lhes dará cereal sem cultivo e trabalho, ou se lhes trará ao final da viagem sem esforço ou transporte; e, se se saírem bem nisso, então testem se ele os trará aos céus sem que usem diligentemente os meios e, depois, sentem-se e digam: “Não podemos santificar a nós mesmos”.
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Por Richard Baxter 
Fonte: Um Chamado Urgente À Conversão
Onde adquirir: E-book
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