sábado, 20 de fevereiro de 2016

Orações que desafiam nossas prioridades!

“Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo.” - Romanos 15:13
Quão diferentes são todas as orações de Paulo (e as orações de todos os apóstolos) das orações que inundam a igreja de nossos dias.

As orações apostólicas nas Escrituras desafiam nossas prioridades e retiram o verniz da espiritualidade superficial e expõe nossos sistemas de valores que muitas vezes são apenas espelho dos valores do mundo.

Eles (os apóstolos em suas orações) revelam o que nós prezamos, mas não deveríamos. Eles descobrem e revelam o que não devemos abraçar e o que devemos fazer. Se você quiser que o seu mundo espiritual seja abalado em seu núcleo, compare o que Paulo orou com o que você ora.

Caso você não tenha notado, o que eu acho difícil, a Igreja no mundo ocidental está cada vez mais secularizada. Na sua tentativa de ser relevante para a cultura, a igreja está se tornando indistinguível dela. Está se tornando cada vez mais difícil dizer a diferença entre cristãos e não-cristãos.

A igreja não existe para estar de acordo com a cultura, mas pela graça de Deus, está aqui para transformá-la. Então, o que isso tem a ver com Romanos 15:13? Simplesmente isto: a oração de Paulo é apenas um dos muitos textos bíblicos que estabelecem que nós, a igreja, devemos ser. Ele descreve os nossos valores, as nossas prioridades, nossas metas. Esta oração é puro evangelho! Ele declara ao mundo: "Aqui está o que pode ser encontrado em Jesus Cristo: alegria, paz e esperança!"

Nas orações de Paulo eu descubro o que só Deus pode fazer por mim. Há, sem dúvida, inúmeras bênçãos e virtudes e metas que achamos que estão em nosso poder produzir. Ao olhar para as orações apostólicas do Novo Testamento, eu vejo que eu sou absolutamente dependente da graça de Deus para produzir. Afinal, se Paulo pensasse que algo estava finalmente em nosso para criar ou gerar, ele não incomodaria a Deus pedindo para fazê-lo! Olhando para as orações de Paulo normalmente me desengano e peco a esperança em toda auto-confiança e auto-suficiência e lanço-me nos braços fortes de meu Pai celestial.

Um bom exemplo disto é visto na oração de Paulo por "alegria". Na análise final, só Deus pode criar alegria em Deus. Podemos ter uma “alegria” carnal superficial e momentânea em coisas que são substitutos de Deus, mas só Deus pode criar alegria em Deus.

O salmista ora: "Faça-nos felizes por todos os dias em que nos afligiste" (Salmo 90:15). Estar satisfeito com a beleza e a glória de Deus (que é a essência da alegria!) Não vem naturalmente para as almas pecadoras. Por natureza, voltamo-nos para outra coisa que não Deus, pela alegria que só Ele pode dar.

Os objetivos espirituais que desejamos são em última análise, para além do nosso alcance. As mudanças que desejamos em nossos corações só podem acontecer por um ato soberano da graça de Deus. É por isso que é importante notar como Paulo se refere a Deus: ele é "o Deus da esperança", não só porque ele é o objeto de nossa esperança, embora ele certamente seja isso. Mas ele é a fonte da esperança. Se houver esperança de ser como Ele, nele tento prazer e deleite pleno, e não em coisas, isso deve vir de Deus.

As orações característica de Paulo e outros apóstolos - glorificam a Deus, revelando a extensão da minha necessidade e as profundezas dos recursos de Deus (Que sempre é Ele mesmo) para fornecê-los. Orações como esta: “Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo.” - Romanos 15:13 - revelam o quão desesperadamente impotentes somos e como Deus é infinitamente rico.

Deus não é glorificado pelos meus esforços para fazer as coisas para ele, mas pela minha confissão de que ele e só ele pode fazer por mim o que a minha alma precisa mais desesperadamente, e, em seguida, através de abençoar os outros e fazer avançar seu reino, levando muitos a só nele se alegrar.

Agora, Deus nos dá isso inesgotavelmente, mas por nos levar a Ele todos os dias, todo o tempo. O cristão deve confiar na força divina, pois os resultados desse plano será sempre o maior avanço da própria glória de Deus – “Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo” - Efésios 1:12

Se as disposições fossem deixadas em nossas próprias mãos, como diz Willian Gurnall (1617 – 1679) 
“em breve seríamos comerciantes falidos. Deus sabe que somos fracos, como jarros rachados cheios até a boca, o conteúdo em breve iria vazar completamente. Então, Ele nos coloca em uma fonte que flui de Sua força e constantemente nos recarrega dia à dia. 
Esta foi a provisão que Ele fez por Israel no deserto: Ele dividiu a rocha, e não só sua sede foi saciada naquele momento, mas a água corria em um córrego após eles, de modo que você não ouvisse mais queixas sobre água. Esta rocha era Cristo. Cada crente tem Cristo, na sua volta, seguindo-o enquanto ele, o cristão caminha, com a força de todas as condições, aflições... sobre ele neste mundo. 
Se Deus lhe desse um suprimento vitalício de Sua graça para com você administrar por sua própria conta, você pensaria que ele realmente é muito generoso. Mas Ele é glorificado ainda mais pela conta aberta que Ele estabelece em seu nome. Agora você deve reconhecer não apenas que sua força, alegria e deleite vem de Deus, em primeiro lugar, mas que você está continuamente em dívida para cada retirada dessa força, alegria e deleite que você faz todos os dias em toda a sua vida cristã.
Quando uma criança viaja com seus pais, todas as suas despesas são cobertas por seu pai, e não por si mesmo. Da mesma forma, nenhum santo dirá no céu quando ele chegar lá, "Este é o céu, que eu construí com o poder da minha própria força." Não, a Jerusalém celeste é uma cidade, "cujo arquiteto e construtor é Deus" (Hebreus 11.10). Toda a graça é cada pedra nesse edifício,a graça põe todas elas lá, você não põe nenhuma.
As orações apostólicas por coisas que o mundo jamais pediria, pois estão focados em seus próprios egos e não na satisfação encontrada em Deus e em Sua glória – mostra como Deus não foi apenas o fundador, o iniciador, mas o benfeitor também a cada dia e para terminar o mesmo. A glória do trabalho não será desmembrada em pedaços, alguns de Deus e outros para a criatura. Tudo será creditado inteiramente a Deus.” - William Gurnall
Crendo nisso, Paulo ora.
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Sangue e ressurreição

“…Quem (…) ressuscitou para nossa justificação” (Rm 4:25) é a declaração evidente da Palavra. A ressurreição foi a promessa visível de uma justificação já realizada. “O poder da sua ressurreição” (Fp 3:10) não se refere a expiação, perdão, ou reconciliação, mas para sermos renovados no espírito de nossas mentes, de nosso ser “gerados de novo para uma viva esperança, pela ressurreição dos mortos” (1 Pe 1:3). O que é interno, como o nosso crescimento, fortalecimento e renovação, pode ser conectado com a ressurreição e com o seu poder, mas o que é externo, isto é, como Deus perdoa, justifica e aceita, deve estar conectado somente com a cruz.

É o sangue que justifica (Rm 5:9). É o sangue que pacifica a consciência, que a purga de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo (Hb 9:14). É o sangue que nos encoraja a entrar através do véu no santuário, e ir até o propiciatório aspergido. É o sangue que estamos a beber para a supressão de nossa sede (Jo 6:55). É o sangue pelo qual temos paz com Deus (Cl 1:20). É o sangue através do qual temos a redenção (Ef 1:7) e pelo qual somos levados perto (Ef 2:13), pela qual somos santificados (Hb 13:12). É o sangue que é o selo da aliança eterna (Hb 13:20). É o sangue que purifica (1 Jo 1:7), que nos dá a vitória (Ap 12:11) e com o qual temos comunhão na Ceia do Senhor (1 Co 10:16). É o sangue que é dinheiro de compra ou resgate da igreja de Deus (At 20:28).

Sangue e ressurreição são coisas muito diferentes, pois o sangue é a morte e a ressurreição é a vida. “Cristo em nós, a esperança da glória” (Cl 1:27), é uma verdade bem conhecida e abençoada. Se Cristo está em nós, [como] a nossa justificação, então é um erro desastroso levar o homem para longe de um Cristo crucificado – crucificado em nosso favor. Cristo para nós é uma verdade; Cristo em nós é outra. A mistura dos dois em conjunto ou a transposição deles é anular o trabalho concluído do Substituto. Que seja estatuído que Cristo em nós é a fonte de santidade e de abundância (Jo 15:4), mas que nunca seja esquecido que, antes de tudo, tenha havido Cristo para nós como nossa propiciação, justificação e justiça. Não é encarnação por um lado, nem é ressurreição por outro, ou pelas quais nos alimentamos e através das quais provém a vida: entre ambas se situa a morte sacrificial do Filho de Deus.”…
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Horatius Bonar – Not Faith, But Christ
Tradução – Cleber Olympio
Fonte – Militar Cristão | Via: CPL
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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Atravessando o Inverno Espiritual (Parte 2)

Retomando as medidas práticas que o crente pode tomar para aquecer sua vida espiritual em meio a um rígido inverno, creio ser importante cultivar hábitos espirituais singelos, mas poderosos. Com isso, quero dizer o seguinte: muitas vezes, olhamos para os grandes homens da história e ficamos maravilhados com a quantidade de vezes que liam a Bíblia ou o tempo que permaneciam em oração. Daniel mesmo é um exemplo disso (Dn 6.10). 
O fato é que, quando traçamos um objetivo grandioso como ser igual a Daniel, por exemplo, e, eventualmente, falhamos em algum ponto da jornada, fracassamos em tudo o mais. Nossa meta vai-se pelo ralo e nos sentimos completamente incapazes.Não estou dizendo, é claro, que não devemos ter tais homens como exemplo e pensar de modo grandioso, já que nosso padrão é altíssimo: a perfeição do próprio Deus (1Pe 1.15,16). Mas eu creio que, muitas vezes, esquecemo-nos de que o processo de santificação é vagaroso e “... de glória em glória” (2Co 3.18). 
Estabelecer hábitos singelos é um caminho simples para que possamos sempre estar firmes. Ler uma pequena porção da Bíblia diariamente, por exemplo, é algo que mantém nossa mente irrigada pelo Espírito Santo, ainda que, muitas vezes, não percebamos isso. Esqueça, por enquanto, aquelas metas de ler a Bíblia em xis dias ou ainda achar que uma leitura curta não é uma leitura edificante. Leia um trecho menor e se debruce sobre ele, reflita naqueles poucos versículos e retire alguma aplicação, por menor que seja, levando aquilo à campo no seu dia a dia. 
Outro hábito que muito tem a ver com a nossa rotina corrida é a oração. Preciso concordar com você que orar é algo difícil. Não se trata de não sentir falta disso, pois sentimos! E muito! Mas trata-se de sempre achar que oramos pouco. Para isso, podemos até pensar naquele famoso texto do “orar sem cessar” (1Ts 5.17), mas tendemos a nos acomodar também. 
Orar a todo tempo pode ser mais simples do que parece. Quando você recebe uma boa notícia e isso lhe enche de gratidão, faça uma oração breve, em sua mente, naquele exato momento. Quando você está em alguma tensão, por menor que seja, ore a Deus naquele exato momento. Quando lhe compartilharem algum motivo de oração, não espere para fazê-lo quando chegar em casa. Ore naquele exato momento. É isso que Jesus fazia (Lc 10.21; Jo 11.41,42) e é isso que precisamos fazer! 
Devemos recordar sempre que a Escritura é um livro sobrenatural e a oração constitui um veículo de transformação de nosso próprio coração, já que é quando oramos que reconhecemos Deus como nosso Pai, demonstramos nossa dependência dele, expomos nossas angústias e nos submetemos à sua vontade, como Jesus fez em Mateus 26.39. Além disso, quando nutrimos tais hábitos, especialmente o da oração, começamos a perceber mais a atuação de Deus em cada detalhe de nossa vida, o que nos enche de constante gratidão e alegria (1Ts 5.16-18). 
Outro fator que julgo ser essencial para uma vida espiritual mais vigorosa é o trabalho constante na igreja. Isso, talvez, seja o fator que menos nos preocupa, mas é contra o qual que precisamos lutar para não negligenciarmos.Trabalhar na igreja não significa fazer tudo que nos pedem. Até mesmo por que Jesus não fez isso (Mc 1.35-39). Mas implica detectarmos as reais necessidades e prioridades de nossa comunidade da fé e nos empenharmos para solucioná-las. Isso pode ir desde o varrer do salão de cultos até assumir a liderança de um grupo, por exemplo. O fato é que, quando estamos trabalhando na igreja, estamos em comunhão. E a ausência de brechas muito prolongadas e constantes em nossas agendas nos impede de usar nossa criatividade para o ócio pecaminoso. 
Por fim, gostaria de lhe dizer que nosso coração também precisa ser trabalhado constantemente, pois, caso contrário, jamais faremos o que descrevi acima com a real disposição de um adorador “em espírito e em verdade” (Jo 4.23). 
Não quero dizer que você já não conheça tais verdades. Aliás, tenho grande convicção de que tudo que foi dito já está em sua mente. Mas, infelizmente, o pecado tornou o homem um pouco esquecido, o que é ilustrado pelo livro de Juízes e pelo próprio livro de Deuteronômio, que é a repetição da Lei (afinal, por que repetir algo se lembrássemos com facilidade?). 
Desculpe pelo texto grande, mas muitas verdades me vieram à mente enquanto pensava no que você me escreveu. Espero que essas palavras tenham sido de real valia para você e minha oração é que a nossa vida espiritual caminhe novamente para um verão quente e aconchegante. 
Forte abraço, amigão!
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Por Níckolas Ramos
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Doutrina das Últimas Coisas, por Leandro Lima [2]

As Palavras do Deus Triúno Para Sua Igreja
João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono;
E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados,
E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.
Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém.
Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.
Apocalipse 1:4-8

Por Rev. Leandro Lima
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Doutrina das Últimas Coisas, por Marcos Granconato [2]

A vida futura do crente (Parte 2)
E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu;Se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus.
Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida.
Ora, quem para isto mesmo nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito.

2 Coríntios 5:2-5 
Por Pr. Marcos Granconato
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Pelágio e o Livre-Arbítrio

Pelágio, um monge britânico de aproximadamente 400 d.C, de todos os escritores professamente cristãos antes do século vinte, patrocinou as teorias mais extremas e mais anti-bíblicas de regeneração e conversão. Agora, uma teoria aberrante de regeneração logicamente afeta a descrição da graça, da expiação e de todas outras doutrinas. Assim, Pelágio afirmou o livre-arbítrio e negou a depravação. A idéia de arrependimento deve ser alterada também, e assim, também a da santificação. Não somente um princípio errado afeta logicamente o corpo todo da teologia procedente dele, mas, além disso, há efeitos históricos. Agostinho, em sua defesa da graça, preveniu a igreja ocidental de se tornar inteiramente Pelagiana, mas, todavia, ela se tornou semi-Pelagiana. Então, em tempos modernos Armínio retornou, talvez mais do que ele mesmo percebeu, do Calvinismo Reformado para o semi-Pelagianismo de Roma. Por conseguinte, Pelágio ainda influencia a teologia hoje.

A teologia da Reforma sustenta que Adão foi criado positivamente justo. Não somente Gênesis 1:27 claramente implica isso, mas Efésios 4:24 e Colossenses 3:10 repetem a mesma coisa. Isto torna a queda de Adão difícil de ser entendida. Como um homem criado justo poderia ser tentado, para não mencionar sucumbir a tal tentação? Alguns teólogos simplesmente dizem que Adão foi criado justo, mas mutável. Isto é um argumento circular. Como alguém perfeitamente justo, e, portanto sem desejos maus, pode ser mutável quanto ao pecado? Muitos teólogos evitam o problema. H.B. Smith conclui que ele é insolúvel. A.H. Strong (Systematic Theology, Vol. II, pp. 585 ss.), descreve brevemente uma dezena de tentativas, mas ele mesmo não oferece nenhuma explicação. Parece-me que o supralapsarianismo é a única resposta. De outra forma, a pessoa deve se contentar em dizer meramente que a solução do Romanismo é ainda pior do que aquela dos teólogos mencionados. O Romanismo sustenta que o homem foi criado moralmente neutro, mas então Deus deu a Adão um dom extra de justiça. Isto dificilmente torna o pecado mais compreensível. Quer a justiça fosse original ou um dom posterior, isso não influência a questão. O paradoxo é como um ser perfeitamente justo poderia pecar. O mesmo problema ocorre com o pecado inicial dos anjos agora caídos. Pelágio simplesmente sustentava que Adão foi criado moralmente neutro: ut sine virtute, ita sine vítío, isto é, nem virtuoso, nem pecaminoso. Seu corpo era mortal, e a morte física não era e não é um castigo para o pecado. Visto que Adão não tinha nenhuma justiça original para o refrear, Pelágio facilmente explica o pecado sobre a base do livre-arbítrio.

Visto que esta visão concebe o pecado como nada mais do que uma transgressão voluntária da lei, o pecado de Adão não poderia em si mesmo prejudicar sua posterioridade; nem afetar o livre-arbítrio deles - naturalmente, pois um livre-arbítrio é algo que não pode ser afetado. Portanto, ao nascer todo infante está no mesmo estado que Adão estava na criação. Não há nenhum pecado original ou corrupção inerente. Juliano, um discípulo de Pelágio, escreveu: "Nada no homem é pecado, se nada se originar de sua própria volição ou assentimento... Ninguém é naturalmente mau". Sobre esta visão, o pecado não pode ser herdado, e para nós Adão é apenas um mau exemplo.

Após ter ensinado milhares de estudantes durante um período de sessenta anos, estou ciente, não somente de uma falta de informação histórica da parte deles, mas, pior ainda, de um desinteresse pela história. Muitos destes estudantes retêm este desinteresse durante o restante de suas vidas. Portanto, se eles são membros de igreja, eles não gostam de sermões que explicam as visões de teólogos antiquados. O que eles falham em observar é que estas visões antiquadas são muito modernas. Com dificilmente uma exceção, as seitas repetem as antigas heresias.

Uma das proposições básicas de Pelágio, repetida em tempos modernos por Immanuel Kant, era que a "capacidade limita a obrigação". O homem deve ter capacidade plenária de fazer tudo o que Deus pode requerer justamente dele. Se Deus ordena "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento", então todo homem tem capacidade completa para obedecer ao mandamento perfeitamente. O homem tem livre-arbítrio. Esta teoria de capacidade plenária não somente foi adotada por Immanuel Kant e muitos pensadores seculares; ela foi também a base das doutrinas da perfeição impecável de John Wesley. Nem Deus nem o pecado podem limitar o livre-arbítrio.

O pecado importuno da teologia falsa, se ele professa ser de alguma forma cristã, é a substituição de definições bíblicas por definições incorretas. Neste caso, um exemplo importante é o termo pecado. Uma pessoa deve guardar em mente constantemente que pecado, para Pelágio, não é "qualquer falta de conformidade a", mas somente a "transgressão [voluntária] da lei de Deus". As crianças não nascem em iniqüidade; elas permanecem inocentes até que voluntariamente desobedeçam a uma lei divina. Elas não são culpadas do pecado de Adão; nem são os adultos. Adão não é o nosso cabeça federal, nem pode Deus imputar o pecado ou a justiça a alguém, exceto ao agente voluntário individual. Cada um deve passar por sua própria provação, assim como o neo-ortodoxo diz que Deus seria o "autor do pecado", a menos que um homem seja condenado ou justificado somente sobre a base de sua conduta individual.

Agostinho fez uma réplica esmagadora: Por que, então, a Igreja batiza os infantes? Na verdade, Pelágio respondeu esta pergunta dizendo que os infantes eram batizados para lavar os seus futuros pecados; mas a pergunta de Agostinho teve os seus efeitos, pois a resposta de Pelágio era claramente contrária à visão sustentada por toda a Igreja.

De qualquer forma, Pelágio admitiu que a maioria, se não todos os adultos pecavam. O que, então, devia ser feito? Primeiro, o batismo, como já relatado, limpa um homem dos seus pecados. Mas, segundo, o homem deve se "arrepender" e decidir guardar a lei de Deus perfeitamente. Que é possível guardar a lei perfeitamente é evidente a partir do fato de que os pecados passados, as transgressões voluntárias passadas, não puderam restringir um livre-arbítrio. Então, terceiro, Deus não ordena o impossível. A capacidade limita a responsabilidade. 0 arrependimento é, portanto, uma decisão de nunca pecar novamente. Não somente Pelágio deixa um lugar para o arrependimento; ele pode até mesmo falar de graça - ele pode chamar a graça de favor imerecido; mas o favor não é a ação irresistível do Espírito sobre as nossas mentes e vontades. Para Pelágio "graça" consiste de (1) a liberdade natural da vontade; (2) a revelação da lei de Deus; e (3) a remissão dos pecados pelo batismo.

Assim, todos os homens podem viver sem pecar, e muitos que conhecem a revelação de Deus o fazem.

Agostinho atacou vigorosamente o Pelagianismo; mas sua vitória não foi completa nem duradoura. No quinto século o Pelagianismo ou um semi-Pelagianismo inconsistente se espalhou por todo o sul da França. Este foi combatido por um decreto do Concilio de Orange do século sexto - que será citado após observarmos que por volta do século nove o Calvinismo tinha somente a fraca voz do mártir Gortschalk. O decreto declara:

Se alguém disser que a graça de Deus pode ser conferida como resultado da oração humana, mas que não é a própria graça que nos faz orar a Deus, contradiz o profeta Isaías, ou o Apóstolo que diz a mesma coisa: "Fui achado pelos que não me buscavam. Fui manifestado aos que por mim não perguntavam" (Romanos 10:20, citando Isaías 65:1).

Se alguém mantém que Deus espera uma disposição em nós para nos limpar do pecado, mas não confessa que até mesmo a nossa disposição para sermos limpos do pecado é operada em nós através da infusão e operação do Espírito Santo, resiste ao próprio Espírito Santo, que diz através de Salomão, "A vontade é preparada pelo Senhor" (Provérbios 8:35, LXX), e a palavra salutar do Apóstolo: "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade " (Filipenses 2:13).

Esta é uma declaração excelente da posição calvinista e mostra que a doutrina bíblica ainda era professada por uma boa porção da igreja visível. Deus não espera uma disposição por parte do pecador antes de limpá-lo do seu pecado. A vontade não é livre, pois Deus opera em nós "tanto o querer" como também "o realizar". Mas este evangelho puro em breve seria obscurecido na noite da superstição.
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Fonte:   Introdução   do   livro   Sanctification,   Gordon   H.   Clark,  Trinity Foundation, p. 9-13.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Atravessando o Inverno Espiritual (Parte 1)

Meu caro amigo e irmão, 
Entendo perfeitamente o que você está passando. Sei como é esse inverno na vida espiritual. Ela se torna mecânica e fria, quase sem vigor. É fato que a jornada cristã é marcada por “altos” e “baixos”. Isso, entretanto, não retira nossa responsabilidade de lutar por um espírito vigoroso e alinhado com a vontade de Deus. Por isso, sua preocupação é extremamente válida e demonstra a realidade de sua conversão, o que, por si só, já deve produzir alegria e descanso no seu coração (1Jo 1.4). 
A questão é que tal realidade também é conhecida por Satanás. Ele, como acusador que é (Ap 12.10), aproveita-se desses momentos para jogar ainda mais neve em nosso já congelante inverno. Assim, muitas vezes, fica difícil sequer crermos no poder de um fogareiro ou na eficácia de um cobertor. O medo da negligência espiritual chega a nos consumir diante das acusações de Satanás e todo o esforço parece vão. 
O verdadeiro cristão compreende que a ausência de uma vida espiritual firme traz consequências extremamente severas e prejudiciais a todas as demais áreas de nossa vida. E um desses efeitos é uma espécie de tristeza, que, creio eu, você esteja sentindo agora. Essa tristeza é contemplada na Escritura em 2Coríntios 7.8-11. 
Aqui, note que os coríntios haviam compreendido seus pecados apontados por Paulo na primeira carta e estavam tristes por isso. Mas o apóstolo os adverte acerca do resultado que tal tristeza deve produzir: o arrependimento genuíno, que é acompanhado por frutos como “... dedicação, que desculpas, que indignação, que temor, que saudade [do estado anterior ao pecado], que preocupação, que desejo de ver a justiça feita”. 
Essa é a tristeza sadia, que precisa permear nossos corações quando estamos insatisfeitos com uma situação de nossa vida espiritual. Ela gera ações práticas que nos fazem sair de nosso estado de inércia. 
A outra tristeza descrita por Paulo, que é segundo o mundo e produz a morte, é resultado do desespero de não ter o perdão de Deus. E é isso que o diabo quer produzir nos servos do Senhor. O crente, portanto, deve estar atento a isso, pois Satanás fará de tudo para destruir a certeza e alegria do perdão que os filhos de Deus possuem (1Jo 1.7,9). 
Mas, com isso em mente, como lutar por uma vida espiritual mais vigorosa? 
Em primeiro lugar, acho que devemos aprender a viver um dia de cada vez. Isso até pode parecer algum jargão de MPB, mas, na verdade, é algo extremamente bíblico e relevante para nós. 
Em Mateus 6.33-34, Jesus fala sobre vivermos o hoje. Você já parou para pensar que o Senhor, quando diz “basta a cada dia o seu próprio mal”, está afirmando que: 1) teremos o mal; e 2) precisamos lutar contra esse mal no dia determinado a ele? 
Assim, viva suas batalhas espirituais hoje (e somente hoje). Não se preocupe com o maná de amanhã, pois ele virá. Preocupe-se em ler a Bíblia naquele dia. Preocupe-se em orar naquele dia. Preocupe-se em estar em comunhão com Deus naquele dia. Enfim, viver um dia de cada vez nos auxilia a desenvolver hábitos naturais ao invés de simples imposições de horários e rotinas para determinadas atividades.
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Por Níckolas Ramos
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Doutrina das Últimas Coisas, por Leandro Lima [1]

A Importância de Estudar Apocalipse
Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo;
O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto.
Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.
Apocalipse 1:1-3

Por Rev. Leandro Lima
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Doutrina das Últimas Coisas, por Marcos Granconato [1]

A vida futura do crente (Parte 1)
Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus.
2 Coríntios 5:1

Por Pr. Marcos Granconato
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Calvino condenou Serveto à morte?

Essa é uma acusação contra Calvino que deve ser vigorosamente contestada. Calvino, sendo estrangeiro, não tinha nenhuma participação na administração da justiça em Genebra. Foi o Conselho Municipal que julgou, condenou e executou Serveto.

A história foi assim: Miguel Serveto (1511-1553) era um teólogo e médico espanhol que defendia posições contra a doutrina da Trindade e o batismo infantil. Por causa de suas convicções teológicas, ele era inimigo de Calvino, tendo também cortado relações com outros reformadores. Serveto foi condenado como herege pela igreja católica em 1553 e, em sua fuga, passou por Genebra, onde foi reconhecido. Calvino que, como todo teólogo da época, considerava a heresia uma grave ameaça, o acusou e Serveto foi preso.

A partir daí, o Conselho Municipal conduziu todo o caso. Calvino atuou como testemunha contra o réu e como consultor teológico durante o processo, mas não teve nenhum poder de decisão, até porque isso tudo ocorreu numa época em que o Conselho da cidade era hostil a Calvino e fazia tudo para se opor a ele.

Ocorreu, então, que o pensamento de Serveto foi julgado perigoso para a ordem e até para a existência da cidade. Isso porque, em sua oposição ao batismo infantil, Serveto acabava por se alinhar ao movimento anabatista que tinha gerado tumultos desastrosos em Zurich, Münster e Estrasburgo. Por isso, o Conselho condenou Serveto à pena máxima e ele foi queimado vivo.

Não se pode eximir Calvino totalmente desse erro, pois ele participou do processo como acusador e é até possível que tenha desejado a morte de Serveto. Porém, também não se pode exagerar dizendo que ele foi o juiz e o algoz dessa execução. Esse exagero, é claro, tem por propósito apenas desacreditar a teologia de Calvino, como se a falha isolada de uma pessoa invalidasse tudo o que ela fez na vida.
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Por Marcos Granconato
Fonte: Perfil pessoal no Facebook
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domingo, 7 de fevereiro de 2016

É verdade que João Calvino era um tirano cruel e assassino?

Os católicos romanos e os demais inimigos da teologia reformada tentam pintar esse quadro horrível do reformador, dizendo que ele era um déspota rancoroso que governava Genebra com mão de ferro, castigando todos os que se opunham a ele.

Essa caricatura, porém, não reflete em nada o caráter dominante de Calvino, nem mesmo a sua posição em Genebra. Nesse último aspecto, deve-se lembrar que Calvino era um estrangeiro naquela cidade (ele era francês), não podendo exercer cargos públicos, votar ou mesmo portar armas (que grande ditador!). Toda sua influência provinha de suas pregações e pedidos (não ordens) dirigidos às autoridades da cidade.

Na verdade, o comando de Genebra naqueles dias estava nas mãos do Conselho Municipal e esse órgão sempre impôs muitas restrições a Calvino, chegando a expulsá-lo da cidade em 1538. Depois que ele voltou, em 1541, jamais o Conselho lhe concedeu qualquer autoridade política e muito menos qualquer prerrogativa para executar quem quer que fosse.

Aliás, diga-se de passagem, ao tempo de Calvino, Genebra condenou à morte somente uma pessoa (o médico Miguel Serveto). De fato, é bem difícil imaginar como alguém pode associar Calvino à figura de um ditador sanguinário quando absolutamente nada na história corrobora essa ideia.
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Por Marcos Granconato
Fonte: Perfil pessoal no Facebook
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sábado, 6 de fevereiro de 2016

O homem de fogo

Aquele que aos seus anjos faz ventos, e a seus ministros,
labaredas de fogo. (Hb 1.7)
Eu queria ser um homem de fogo, com entranhas de fogo e cabeça de fogo. Então, quando eu transgredisse a vontade santa de Deus, o arrependimento em mim seria como a lava borbulhante, ardendo, fervendo, explodindo enfim para fora em sincero clamor e desejo de perdão e pureza.
Eu queria ser um homem de fogo, com pernas de fogo e pés de fogo. Então eu levaria luz e calor por onde eu passasse, livrando os oprimidos e infelizes da gélida escuridão do desespero, da ignorância, da incredulidade e do medo. Assim, seus olhos iriam brilhar como nunca com a chama da esperança que nasce da fé e da verdade.
Eu queria ser um homem de fogo, com lábios de fogo e dentes de fogo. Então, meu riso zombeteiro consumiria as ideias de grandeza e de glória deste mundo, mostrando a todos que não passam de palha sem valor algum, sem peso algum, sem substância alguma... Só palha seca que não brota nem floresce.
Eu queria ser um homem de fogo, com o peito de fogo e a fronte de fogo. Então não teria medo dos dardos inflamados do diabo, nem do homem violento que ameaça os pastores e as ovelhas do aprisco de Deus. Antes, me levantaria corajoso e, sendo atacado, reduziria suas armas a fumaça dissipada pelo vento. Se esses inimigos, porém, tivessem fome e sede, eu lhes daria comida e bebida, amontoando, também assim, brasas de fogo sobre as suas cabeças.
Eu queria ser um homem de fogo, com dedos de fogo e olhos de fogo. Então, quando eu olhasse para os dragões de hoje e apontasse para eles, esses monstros mitológicos modernos que urram, berram e fungam fingindo ter fogo correriam assustados. Eu os afugentaria, torrando as suas mentiras, incinerando suas fábulas e fazendo-os lembrar de um outro fogo - o fogo que os aguarda no fim de sua carreira tão vil.
Eu queria ser um homem de fogo, com língua de fogo e coração de fogo. Então, quando eu pregasse, meu hálito derreteria o gelo dos crentes apáticos e distantes. Eu os incendiaria com labaredas ardentes de frases e palavras calorosas e veria a neve deprimente de sua face escorrer e secar, dando lugar a um rosto radiante de vibração e alegria no serviço do Rei.
Ah, Deus da sarça, tanto tempo já passou, tanto da vida já se foi! Até quando? Vem e me incendeia com a brasa do Teu Espírito e, da mesma forma como uma chama não diminui quando a usam para acender outra, usa-me na formação de um exército de fogo, sem que isso me enfraqueça.
Sim, ateia em mim o fogo do Teu fervor e espalha-o sobre outros homens, formando uma multidão de tochas que clareiem a mente cega deste mundo repleto de espantalhos de graveto.
Ah, Deus da sarça, acende logo no povo santo o fogo do Teu zelo que, afinal, refrigera, antes de acender nos ímpios o fogo da Tua ira que, afinal, consome e fulmina.
Pr. Marcos Granconato
Força e Fé
Soli Deo gloria
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Fonte: Perfil pessoal no Facebook
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Calvinista faz apelo? Eu vou fazer um!

Minha sugestão a todos os jovens (ainda) arminianos é que se debrucem sobre dois temas importantes ligados à teologia cristã: os decretos e a providência de Deus. Esses temas são intrigantes e vão causar algum desconforto intelectual e até emocional. Inconformismos e irritações também surgirão, mas prossigam. Muitos jovens têm feito isso e descoberto um universo teológico fantástico, ainda que isso tenha lhes custado até a expulsão de suas igrejas (o que, na maior parte dos casos, não representou uma perda muito grande).

Leiam sobre esses temas especialmente em comentários exegéticos e não livretes devocionais. Certamente, será um tratamento de choque, mas só isso pode livrar a mente humana da bolha soporífera e anestesiante que produz alucinações simplistas sobre Deus e piadinhas blasfemas, frutos dessas mesmas alucinações.

Já passei por esse processo. É difícil e doloroso, mas o resultado é uma teologia madura, que nos humilha e nos torna mais dependentes de Deus — também uma teologia capaz de nos sustentar em face dos dilemas da vida, com gratidão tributada a um Deus de mente inescrutável, cuja bondade e santidade infinitas se expressam de formas, às vezes, incompreensíveis, mas sempre reais. Acreditem nisso. Vocês verão!

O arminianismo com suas técnicas humanas usadas para "ganhar almas" banalizou a igreja. Agora, com o robustecimento do antigo calvinismo (ou paulinismo) essa vertente tem sofrido perdas imensas. Os jovens, especialmente, têm despertado e, cansados de doutrinas de palha, têm feito diferença, estudando profundamente a teologia cristã e se tornando calvinistas. Participem desse novo despertar. Abandonem a teologia dos jargões vazios e adotem um modelo sólido, construído sobre a boa exegese e não sobre intuições e sentimentalismos rasos.
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Por Marcos Granconato
Fonte: Perfil pessoal no Facebook
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Na Nigéria, grupo terrorista queima crianças vivas e o mundo não da a mínima

Estamos diante do maior atentado terrorista de 2016, e não vemos ninguém colocando bandeiras da Nigéria no Facebook, nem escrevendo “Je suis..” esta é a hipocrisia do mundo. Se fossem crianças da Europa, não 80, mas talvez 10, e sem a crueldade de serem queimadas vivas pelos mesmos terroristas, você sabe como estaria o mundo, o seu facebook, a televisão e o seu discurso virtual de preocupação com a vida alheia. Só incomoda quando acontece ao seu lado lado, onde você vai e com quem você conhece.

O grupo terrorista Boko Haram ateou fogo em crianças vivas durante um atentado na vila de Dalori, que fica a cinco quilômetros da Maiduguri, na Nigéria, informaram diversos jornais nigerianos neste domingo (31). Segundo testemunhas, ao menos, 65 corpos foram retirados do local, mas esse número deve aumentar já que nem todos os locais foram checados. Ao menos 100 pessoas ficaram feridas. Testemunhas contaram à imprensa que dezenas de corpos foram jogados pelas estradas que levam até a vila, que tem cerca de mil casas segundo o jornal “The Premium Times”. Um dos sobreviventes conta que ouvia o grito das crianças enquanto elas ardiam em chamas. Ele conseguiu sobreviver porque se escondeu subindo em uma árvore.

Ainda de acordo com as testemunhas, muitos foram mortos enquanto tentavam escapar porque duas mulheres-bomba ativaram os explosivos no meio da pessoas em fuga. Apesar do ataque ter ocorrido no sábado (30), o Exército da Nigéria chegou ao local apenas neste domingo e está ajudando na retirada dos cadáveres. O Boko Haram, que quer construir um califado no norte do território nigeriano, já matou mais de 20 mil pessoas nos últimos seis anos e obrigou mais de 2,5 milhões a deixarem suas casas e suas cidades.
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