segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Calvino condenou Serveto à morte?

Essa é uma acusação contra Calvino que deve ser vigorosamente contestada. Calvino, sendo estrangeiro, não tinha nenhuma participação na administração da justiça em Genebra. Foi o Conselho Municipal que julgou, condenou e executou Serveto.

A história foi assim: Miguel Serveto (1511-1553) era um teólogo e médico espanhol que defendia posições contra a doutrina da Trindade e o batismo infantil. Por causa de suas convicções teológicas, ele era inimigo de Calvino, tendo também cortado relações com outros reformadores. Serveto foi condenado como herege pela igreja católica em 1553 e, em sua fuga, passou por Genebra, onde foi reconhecido. Calvino que, como todo teólogo da época, considerava a heresia uma grave ameaça, o acusou e Serveto foi preso.

A partir daí, o Conselho Municipal conduziu todo o caso. Calvino atuou como testemunha contra o réu e como consultor teológico durante o processo, mas não teve nenhum poder de decisão, até porque isso tudo ocorreu numa época em que o Conselho da cidade era hostil a Calvino e fazia tudo para se opor a ele.

Ocorreu, então, que o pensamento de Serveto foi julgado perigoso para a ordem e até para a existência da cidade. Isso porque, em sua oposição ao batismo infantil, Serveto acabava por se alinhar ao movimento anabatista que tinha gerado tumultos desastrosos em Zurich, Münster e Estrasburgo. Por isso, o Conselho condenou Serveto à pena máxima e ele foi queimado vivo.

Não se pode eximir Calvino totalmente desse erro, pois ele participou do processo como acusador e é até possível que tenha desejado a morte de Serveto. Porém, também não se pode exagerar dizendo que ele foi o juiz e o algoz dessa execução. Esse exagero, é claro, tem por propósito apenas desacreditar a teologia de Calvino, como se a falha isolada de uma pessoa invalidasse tudo o que ela fez na vida.
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Por Marcos Granconato
Fonte: Perfil pessoal no Facebook
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