sábado, 20 de fevereiro de 2016

Sangue e ressurreição

“…Quem (…) ressuscitou para nossa justificação” (Rm 4:25) é a declaração evidente da Palavra. A ressurreição foi a promessa visível de uma justificação já realizada. “O poder da sua ressurreição” (Fp 3:10) não se refere a expiação, perdão, ou reconciliação, mas para sermos renovados no espírito de nossas mentes, de nosso ser “gerados de novo para uma viva esperança, pela ressurreição dos mortos” (1 Pe 1:3). O que é interno, como o nosso crescimento, fortalecimento e renovação, pode ser conectado com a ressurreição e com o seu poder, mas o que é externo, isto é, como Deus perdoa, justifica e aceita, deve estar conectado somente com a cruz.

É o sangue que justifica (Rm 5:9). É o sangue que pacifica a consciência, que a purga de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo (Hb 9:14). É o sangue que nos encoraja a entrar através do véu no santuário, e ir até o propiciatório aspergido. É o sangue que estamos a beber para a supressão de nossa sede (Jo 6:55). É o sangue pelo qual temos paz com Deus (Cl 1:20). É o sangue através do qual temos a redenção (Ef 1:7) e pelo qual somos levados perto (Ef 2:13), pela qual somos santificados (Hb 13:12). É o sangue que é o selo da aliança eterna (Hb 13:20). É o sangue que purifica (1 Jo 1:7), que nos dá a vitória (Ap 12:11) e com o qual temos comunhão na Ceia do Senhor (1 Co 10:16). É o sangue que é dinheiro de compra ou resgate da igreja de Deus (At 20:28).

Sangue e ressurreição são coisas muito diferentes, pois o sangue é a morte e a ressurreição é a vida. “Cristo em nós, a esperança da glória” (Cl 1:27), é uma verdade bem conhecida e abençoada. Se Cristo está em nós, [como] a nossa justificação, então é um erro desastroso levar o homem para longe de um Cristo crucificado – crucificado em nosso favor. Cristo para nós é uma verdade; Cristo em nós é outra. A mistura dos dois em conjunto ou a transposição deles é anular o trabalho concluído do Substituto. Que seja estatuído que Cristo em nós é a fonte de santidade e de abundância (Jo 15:4), mas que nunca seja esquecido que, antes de tudo, tenha havido Cristo para nós como nossa propiciação, justificação e justiça. Não é encarnação por um lado, nem é ressurreição por outro, ou pelas quais nos alimentamos e através das quais provém a vida: entre ambas se situa a morte sacrificial do Filho de Deus.”…
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Horatius Bonar – Not Faith, But Christ
Tradução – Cleber Olympio
Fonte – Militar Cristão | Via: CPL
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