sábado, 19 de março de 2016

A Verdadeira Adoração

O quadro evangélico atual tem sido alvo de muita zombaria por parte dos incrédulos. Com efeito, nas redes sociais circulam vídeos retratando as mais curiosas situações em que “fiéis” se comportam estranhamente durante os cultos, gerando escárnio por parte dos descrentes. Também, pudera: esses vídeos mostram pessoas caindo, pulando, rolando e gritando — todas propondo ou aceitando a mentira de que o poder de Deus está fluindo através delas.

O fato, porém, é que essas manifestações são absolutamente reprováveis e merecedoras de descrédito. Nos relatos bíblicos, jamais vemos o poder de Deus se manifestando assim. Na verdade, as reais manifestações do poder de Deus causavam espanto nas pessoas. Ainda que sempre houvesse incrédulos que zombassem até da mais notável expressão de poder, a verdade é que os sinais da ação de Deus eram inegáveis, despertando a admiração da maioria. Vejam-se, por exemplo, o episódio da ressurreição de Lázaro, a história da cura do homem que tinha uma das mãos mirrada e o relato do “suicídio” dos porcos em Gadara.

Assim, a extrema zombaria promovida pelos descrentes contra o evangelho toma força e coragem a partir da certeza de que os incrédulos têm de que estão diante de coisas falsas, sem utilidade alguma, não passando de toscas representações teatrais. Afinal de contas, o que pensar diante do quadro que mostra alguém se jogando no chão, sacudindo o corpo inteiro ou agindo como um animal? Cenas assim, diga-se de passagem, contrariam o bom senso e, teologicamente falando, mostram desprezo pela dignidade humana. Fomos criados à imagem e semelhança do Deus altíssimo, a fim de glorificá-lo em nossas vidas. Ações animalescas e bizarras reduzem o ser humano e o desviam da razão central pela qual foi criado.

Ademais, atitudes estranhas como as que acontecem nos cultos atuais não poderiam estar mais distantes da vontade do Senhor para o seu culto. Até porque as manifestações de “poder” que se veem por aí são claramente simulações forçadas que maculam o culto exatamente por serem falsas. Infelizmente, em alguns casos, o próprio “ator” da cena representada acredita na realidade da sua atuação. Sim, às vezes, ele realmente crê na realidade do seu papel, ainda que muitos na plateia saibam que nada daquilo é verdadeiro.

Cabe aqui uma ilustração. Recentemente, ouvi acerca de um jovem universitário que queria passar a imagem de uma pessoa “descolada” e de “mente aberta”. Então, ele procurou os usuários de drogas da sua sala para comprar maconha. Ocorreu, porém, que seus “fornecedores” compraram cigarros comuns num bar qualquer e guardaram o resto do dinheiro. Eles removeram o filtro dos cigarros e o invólucro de papel, deixando somente o tabaco. Sem saber distinguir, o jovem pegou o tabaco, preparou um cigarrinho e tragou. Logicamente, não obteve nenhum resultado. Então ele reclamou com os colegas que, mais uma vez, o enganaram, tragando o cigarro e simulando estar sob o efeito da droga. Ingenuamente, o jovem acreditou nisso e consumiu quase todo o tabaco. Disse até que sentiu os efeitos da maconha e alegou estar “doidão”. Para comprovar, ele passou a fazer loucuras, caindo no chão e dizendo sandices. Resultado: o jovem virou piada na faculdade. Querendo impressionar, caiu no ridículo.

Creio que o mesmo acontece com muitos evangélicos. Sendo enganados por falsos mestres que lhes vendem mentiras, eles acreditam que estão dominados por um poder especial e “forçam a barra” para dar sinais disso. Então, fazem absurdos e provocam o riso de todos.

Para evitar essas coisas, é necessário vasculhar a Bíblia, aliando isso a uma disposição sincera de conhecer a verdade. Para os evangélicos que têm essa disposição, sugiro observar se tudo que ocorre no culto de que vocês participam está em conformidade com as Escrituras. Se não estiver, abandone imediatamente essa forma de adoração. Lembre-se: “Deus é Espírito e importa que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Adore-o assim, até mesmo para não ser confundido com aqueles que acolhem doutrinas malignas, levando os homens a agir como bichos.
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Por João Ivo Matos da Silva
Fonte: IBR
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