quinta-feira, 21 de abril de 2016

“Existe graça na lei; existe lei na graça.”

“… Jamais devemos dizer que a graça significa ausência da Lei; isto é antinomismo o qual é condenado em toda parte no Novo Testamento. Havia alguns cristãos primitivos que diziam: 'Ah, não estamos mais debaixo da lei, estamos sob a graça; quer dizer que o que fazemos não importa. Uma vez que não estamos mais debaixo da lei, e sim debaixo da graça, vamos pecar, para que a graça seja mais abundante! Vamos fazer o que quisermos; isso não importa. Deus é amor, fomos perdoados, estamos em Cristo, nascemos de novo; portanto, façamos tudo que quisermos'. 
Estas falsas deduções são tratadas nas Epístolas aos Romanos, aos Coríntios e aos Tessalonicenses, e também nos três capítulos iniciais do livro do Apocalipse. É um trágico engano pensar que quando temos a graça, não há nela nenhum elemento da lei, mas que há uma espécie de licença. 
Isso é uma contradição do ensino bíblico concernente a lei e a graça. Existe graça na lei; existe lei na graça. Como cristãos, não estamos 'sem lei', afirma Paulo, porém estamos 'debaixo da lei de Cristo' (1Cor 9:21). Naturalmente, há disciplina. De fato, o cristão deve ser muito mais disciplinado que o homem que está debaixo da lei, porque enxerga mais claramente seu significado, e tem maior poder. Ele tem uma compreensão mais verdadeira e, portanto, deve ter uma vida melhor e mais disciplinada. Não há menos disciplina no Novo Testamento do que no Velho Testamento; há na verdade mais, e num nível mais profundo. Em todo caso, como o apóstolo Paulo ensina, escrevendo aos gálatas, não devemos repudiar a lei, pois 'a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo' (Gl 3:24). Não coloquemos estas estas coisas como se fossem opostas. A lei foi dada por Deus a fim de que os homens fossem, por assim dizer, encarcerados e encerrados em Cristo, que havia de vir, que haveria de outorgar-lhes esta grande salvação. 
Eu afirmo, pois, que esta ideia moderna entende de forma completamente errada tanto a lei como a graça. É uma balbúrdia completa, uma confusão total; na verdade, não é bíblica de modo nenhum. Não passa de filosofia humana, de psicologia humana. Emprega termos cristãos, mas os esvazia em seu sentido verdadeiro.”…
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Por Martyn Lloyd-Jones | Criando Filhos – O modo de Deus, Editora PES – p.52
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