terça-feira, 18 de outubro de 2016

Reforma: Sola Scriptura

As cinco Solas. Parte 1 Sola Scriptura

Há 499 anos, no dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero escrevera seu nome de maneira indelével na história da Igreja, ao fixar 95 teses em oposição à venda de indulgências, na porta da Igreja católica do castelo Wittenberg, na Alemanha, contrariando os interesses teológicos e econômicos da Igreja Católica. O objetivo do presente artigo não é apresentar um relato ordenado da Reforma Protestante, mas compreender as bases que tornaram possíveis esse movimento, além de considerar a necessidade de retornar aos seus fundamentos. Para tanto, iniciamos, hoje, uma série de cinco artigos das chamadas “Solas” (Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria).
Sola Scriptura (somente as Escrituras) é o primeiro fundamento, e, sem sombra de dúvidas, é vital para a construção de uma teologia saudável e viva.
No tempo da reforma, a Igreja Católica detinha o poder e a autoridade para interpretar e ensinar a Bíblia. O clero era o único grupo autorizado a estudar e ensinar as Escrituras. Cabia aos fiéis apenas ouvir e obedecer às doutrinas católicas. Esse sistema era fundamentado na autoridade (tradição) dos pais da Igreja. Para a Igreja Católica, o ensino dos antigos líderes cristãos era equivalente à inspiração e suficiência do Antigo e Novo Testamentos e, por isso, seriam dignos de total credibilidade e reverência.
Diante dessa brutal diminuição da suficiência da Escritura, Deus, por meio de Sua infinita graça e bondade, dispôs homens, como John Huss, Girolama Savonarola e John Wycliffe, contra o ensino da Igreja de Roma, pregando, sem reservas, que a única autoridade de fé e prática da Igreja de Cristo Jesus é a Escritura, e tão somente a Escritura. Por causa disto, foram perseguidos e mortos; mas antes contribuíram profundamente para o movimento que tempos depois seria iniciado pelo alemão Martinho Lutero. A este homem foi dado por Deus o privilégio de conduzir a Igreja a um retorno ao padrão bíblico de culto, pensamento e vida cristã.
Os esforços empregados por Lutero em tão nobre causa tomaram proporções inimagináveis, ao ponto do mesmo romper os laços com o catolicismo, originando-se, então, o protestantismo. A Escritura começou a guiar toda a extensão da vida humana (arte, música, trabalho, política e etc.). Hoje, somos herdeiros desse movimento.
Mas concentremo-nos agora nos dias atuais. Vivemos em um tempo em que a interpretação subjetiva, emocionalista, racionalista e por que não dizer herética assola grande parte do movimento evangélico. Assim como nos dias em que Lutero fixou suas famosas teses, o mundo atual rejeita as Sagradas Letras. A prática dos líderes religiosos, hoje, é fundamentar argumentos perversos e destrutivos em versículos analisados fora de contexto, em detrimento do exame diligente dos textos bíblicos. Dessa forma, aprisionam os seus seguidores em correntes de prosperidade, saúde e realizações pessoais. São lobos vorazes, devorando o alimento das ovelhas, a Palavra de Deus, e matando-as por inanição, com esperanças vazias. São ladrões que estão mais preocupados com dízimos e ofertas do que com a vida eterna do povo. São homens que não tem uma fagulha sequer de devoção a Deus e, por isso, negam deliberadamente a natureza da inspiração, a suficiência e autoridade da Bíblia. Dizem, insanamente, que a Escritura é temporal, falível e antiquada. Tão abomináveis quanto falsos mestres, são os que fazem interpretações pessoais da Bíblia, rejeitando os textos que ferem o orgulho humano. Estes não se importam com as Escrituras , tampouco com os que ouvem as exposições bíblicas (1 Tm 4.1; 2 Tm 4.3-4). A igreja atual, imersa nesse sombrio oceano de heresias, necessita tão urgente quanto possível retornar à Sola Scriptura.
Viver guiado pelo texto Sagrado deve ser vital ao crente, pautado pelo amor genuíno a Deus, assim como a água e o ar são necessários para o corpo. Ao ler a Sagrada Escritura, as verdades devem derramar luz em nossa mente como sol do meio-dia, de modo que dissipe toda escuridão. Diante da Palavra, nossos olhos devem estar inundados de amor, tão pululante quanto um coração bombeando sangue para o corpo. Que a leitura bíblica seja minuciosa e repetidamente de Gênesis à Apocalipse, a fim de que, pelo poder de Deus, sejamos influenciados em nossa maneira de viver.
Incessantemente, devemos clamar a Deus por homens do quilate de Moisés, Esdras, Paulo, Timóteo, Calvino, Lutero, Spurgeon e outros mais que colocaram a Escritura no lugar que ela merece o centro da vida crista. Oremos para que, por amor ao seu Nome, o Altíssimo levante pessoas que afirmem, com coragem e amor, a verdade que Somente a Bíblia é a autoridade na vida da Igreja (Sl 119.9,52; Ec 12.13; 2 Tm 3.16-17). Opiniões pessoais, místicas, emocionais e até mesmo racionalistas de nada valem para a saúde da Noiva de Cristo. Entretanto, não devemos nos limitar apenas à prática da oração, apesar de sua indizível importância. Irmãos, estudemos e ensinemos a sã doutrina em nossas Igrejas. Fortaleçamo-nos nas verdades eternas das Escrituras. Com joelhos no chão e olhos atentos ao texto bíblico podemos viver uma nova reforma. Que a Bíblia volte a ocupar o centro de nossos cultos, de nosso trabalho, relacionamentos, pensamentos e sonhos. Que possamos declarar, assim como os reformadores, “somente a Biblia, toda a Biblia.”
Goteje a minha doutrina como a chuva, destile a minha palavra como orvalho, como chuvisco sobre a relva e como gotas de água sobre a erva. Dt 32.2

Pela Juba do Leão, Ap 5.5

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