quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Jonas e a salvação soberana

Jonas e a salvação soberana

Uma das histórias mais conhecidas da Bíblia é a do profeta Jonas. A rebeldia de Jonas evidenciada na recusa de pregar o arrependimento ao povo de Nínive figura em inúmeros artigos, livros e discussões. Na maioria dos textos, os destaque são para o coração endurecido do profeta e para a sua tentativa de fugir de Deus. Este artigo, porém, propõe-se a enfatizar a confiança de Jonas quanto à salvação somente no Deus de Israel.

No começo do livro observamos a ordem de Deus para Jonas ir a Nínive e proclamar uma mensagem contra ela, dizendo: “dentro de 40 dias Nínive será subvertida” (v. 3.4). Não concordando como o comando divino, o profeta rebela-se vai a Társis (uma das cidades mais distante no mundo de até então). Concordo com a maioria dos estudiosos que pontuam que o profeta não queria pregar, porque odiava os assírios. Mas a razão de Jonas se recusar a pregar aos ninivitas é revelado no capitulo 4: “Ah! SENHOR! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal” (v.4.2)

Não quero justificar as ações de Jonas. Aquilo que ele fez não é digno de ser repetido, mas o conteúdo da sua fé no poder de Deus salvar pecadores (nesse caso gentios) deve ser pensado e refletido. Jonas era um homem que conhecia o amor do Deus que servia. Desde menino, ele aprendeu a confiar no que as Escrituras falavam a respeito de Deus. No barco ele disse aos marinheiros quem era o Deus que ele servia. “Sou hebreu e temo ao SENHOR, o Deus do céu, que fez o mar e a terra “ (v.1.9). Aqueles homens não sabiam o que estava acontecendo naquela tempestade, mas o profeta tinha plena confiança de que o seu Deus estava controlando os ventos e as fortes ondas. Ele sabia que o seu Deus socorre os angustiados e que a salvação pertence unicamente Ele.

Tudo que Jonas fez (fugir de Deus e dormir tranquilamente num barco como se não fosse do Deus Todo-Poderoso, onisciente, que estivesse se escondendo) foi devido a sua confiança a respeito da ação de Deus em salvar os povos. Ele fugiu pois sabia que Deus iria salvar o povo de Nínive. O profeta tinha certeza de que, se convocasse ao arrependimento povo mais perigoso, cruel e assassino do mundo, teria êxito na sua missão. Por mais cruéis e depravados que os assírio fossem, Jonas, pela fé na salvação de Deus, estava cônscio de que os ninivitas certamente se converteriam dos seus maus caminhos e seriam contados como povo de Deus. A confiança inabalável de Jonas na salvação de Deus é sobremodo digna de imitação, embora suas ações escancarassem que não amava aquele povo.

O cerne do fluxo da narrativa bíblica é que Jonas sabia que o coração mais corrupto, duro e negro seria transformado pelo poder de Deus. As ações de profeta são uma mistura de raiva, indignação e, sobretudo, fé no Deus que, na sua infinita misericórdia, converte corações até mesmo dos seus inimigos.

A pergunta que fica para refletirmos é essa: Será que estamos crendo que através da pregação das Escrituras as pessoas ainda podem ter corações convertidos? Cremos que Deus salva as pessoas através da pregação do Evangelho? Se Jonas estivesse aqui, ele diria, com toda certeza: “ Sim, Deus converte corações de pecadores rebeldes”. E você, o que você diria?

Autor: Wellington Leite da Silva
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