quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Crítica da forma, redação e das fontes, o que é isso?

Embora muito conhecidos por todo mundo os três primeiros livros do Novo Testamento possuem peculiaridades e diferenças entre si. Nos mais variados pontos pode chegar a conclusão de que não se sabe o tanto que é necessário dos evangelhos sinóticos. Os registros possuem grande e ampla variedade e particularidade que um estudo desses se torna essencial para responder algumas perguntas que podem surgir na mente de qualquer leitor. Entre elas pode se estar o motivo dos evangelhos serem escritos, por que tais palavras foram usadas, a estrutura histórica e até mesmo se são dignos de confiança. A critica da forma, critica das fontes e critica da redação pode ajudar quanto a isso.

Os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) são assim denominados devido a sua semelhança estrutural e seu foco no evangelho de Jesus “na Galiléia, retirada para o norte (tendo por clímax e ponto de transição a confissão de Pedro), ministério na Judéia e Peréia quando Jesus se dirigia para Jerusalém (algo não tão claro em Lucas) e o ministério final em Jerusalém” (D.A Carson, Pg 19). O evangelho de João tem seu foco diferente e possui em sua maioria narrativas que estes evangelistas não registraram. 

A palavra sinótico vem do termo grego (synopsis) e tem como seu significado “ver em conjunto, ou visão semelhante”. Esses três primeiros evangelhos possuem em seu conteúdo discursos (parábolas), exorcismos e milagres muito semelhantes e ao mesmo tempo registros únicos, com ênfases diferentes e estrutura própria em alguns textos. Sobre o que eles tem mais em comum está a língua em que foram escritos, a saber o grego. São narrativas que apresentam Jesus mais ativo do que o evangelho de João. 

Em suma podemos dizer que a compilação desses evangelhos individualmente tiveram três pilares fundamentais, e estes são, fontes oculares e orais (critica da forma), fontes escritas (critica da fonte) e os próprios registros pessoais de cada autor (critica da redação). 

A critica da forma diz a respeito de como os dados orais foram unidos e formaram os evangelhos sinóticos. Surgiu por volta do século 19 e tem com seu objetivo mostrar a invalidade ou a validade dos registros neotestamentários. Alguns estudiosos chegam a afirmar que os registros foram escritos a medida que os problemas na comunidade cristã iam aparecendo, ou seja, o evangelho foi fruto do acaso e de invenções falaciosas. Por mais que os críticos tentem de alguma forma negar a historicidade e autenticidade do evangelho uma analise mais cuidadosa de seus argumentos prova que eles estão errados em sua abordagem interpretativa. Um dos seus argumentos que podem ser facilmente derrubaos é de que a Igreja primitiva modificou e acrescentou detalhes nas narrativas compiladas. A resposta que se pode dar é como esses que estão prestes a morrer por Cristo poderiam deixar que falsos ensinos e narrativas fossem ditas sobre Jesus e sua vida e permanecessem sem fazer nada. A crença na verdade cristã faria com que esses rejeitassem tudo aquilo que não poderia ser crido como fé escrita. A sociedade da época tinha como pano de fundo uma cultura judaica e um apego a verdade. Muitos deles tinham capacidade intelectual de memorizar os fatos e palavras e transmiti-los com fidelidade, assim sendo o argumento de uma modificação nos relatos tornaram-se inválidos e de má fé. Como eles poderiam falar de Jesus sendo salvador dos gentios sendo que nos evangelhos fica claro que seu objetivo era salvar as ovelhas perdidas da casa de Israel. 

A critica da fonte fala a respeito de registros históricos escritos no inicio da construção dos evangelhos sinóticos. Essa parte do estudo mostra e tenta explicar como e por que existem textos semelhantes tanto gramaticalmente, como em sua estrutura literária e ordem histórica. 

Para explicar a critica da forma os estudiosos defendem a idéia da interdependência dos evangelhos. Os autores utilizaram fontes escritas e também se apoiaram nos evangelhos canônicos que já existiam. A estrutura que eles possuem em comum bem como a vasta repetição de textos revela que haviam registros para que eles se apoiassem e que também consultaram e estruturaram seus evangelhos baseados em um evangelho anterior. Para os estudiosos a fonte em que os evangelistas se basearam é tanto ocular como oral.

O que se conclui ao observar a estrutura dos evangelhos é que eles estão em sua maioria baseados em Marcos. O registro narrativo de Marcos é muito semelhante a grande parte de Lucas e Mateus e serve como ponto de referencia e de sequencia histórica para ambos evangelhos. 

Existem teorias que falam sobre duas fontes sem usadas para a compilação, ou de uma fonte que cada autor teve acesso particularmente, bem como de uma fonte que era anterior e serviu como base para os evangelistas. Essas são teorias que pode-se chegar para tentar explicar o relato dos evangelhos. A critica das fontes da sua ênfase em possíveis respostas para a igualdade nos evangelhos, mas afirma que é impossível chegar a uma conclusão exaustiva

Por ultimo a critica da redação criada por Willian Wrede tem seu objetivo focar em como os autores estruturam os evangelhos e por que fizeram daquela forma. De forma clara esse parte da ênfase em como os autores colocaram sua teologia própria, visões e estrutura sobre a vida e obra de Jesus.

Os evangelistas omitiram textos quando comparados a os outros, mas fizeram isso devido a seu foco quando escreveram os evangelhos (seu publico e objetivo os levou a separar relatos que cumprissem seu propósito). Enquanto um da ênfase sobre os rituais judaicos, outro omitiu festas e discursos. A estrutura também pode ver que sofreu modificação, para apresentar Jesus como milagreiro Mateus une vários milagres que ele realizou Lucas da ênfase aos rejeitados da sociedade em quanto Mateus foca na constante ensino de Jesus através de discursos. Podemos ver que Marcos deu ênfase em um texto mais curto e menos detalhado do que os outros escritores. A critica da redação acima de tudo afirma categoricamente que os evangelhos são relatos históricos fidedignos e a peculiaridade de cada autor mostra em si a grande gama de ensino e vida que Jesus mostrou aqui na terra.

A critica da forma, crítica das fontes e a critica da redação foram criadas em si para ajudar a compreender melhor os evangelhos e as possíveis dificuldades que o olhar não atento e não conhecedor desses argumentos pode chegar a acusar os escritos de Mateus, Marcos e Lucas de infidelidade histórica. Um estudo aprofundado revela a beleza daquilo que foi produzido bem como a inteligência de seus autores (inspirados pelo Espírito Santo).

Autor: Wellington Leite da Silva.
Bibliografia:
Introdução ao Novo Testamento; D. A. Carson
Apostila de Introdução ao Novo Testamento; IMPV; Heber Negrão
Paranorama do Novo Testamento; Robert. H. Gundry
Pela Juba do Leão Ap 5.5
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