sexta-feira, 14 de julho de 2017

O amor não é uma blindagem


Michael Faraday, um físico britânico, fez uma experiência consigo mesmo em 1836. Para provar que as cargas elétricas em um condutor se reorganizam apenas em sua superfície mantendo o campo elétrico nulo em seu interior, ele se colocou dentro de uma gaiola metálica, que mesmo tendo sido eletrizada não lhe causou nenhum mal.
É por isso que ficamos protegidos dentro de um carro ainda que a sua superfície tenha sido atingida por um raio ou por um poste de eletricidade, por exemplo, e este fenômeno se chama blindagem eletrostática.
  Uma forma clássica e fácil de testar isso é envolver um celular em papel alumínio e ligar para ele. As ondas eletromagnéticas não o alcançarão, pois estará blindado eletrostaticamente e a sua ligação cairá na caixa postal.
A questão é que somos tendenciosos a ver o amor como uma gaiola de Faraday que blinda os nossos relacionamentos de qualquer interferência. Muito provavelmente não nestes termos, mas talvez na concepção de que a superioridade do amor anula o poder das influências externas sobre nós.
  Carregamos, frequentemente, a ilusão de que dentro de um relacionamento não seremos atraídos por outras pessoas ou tentados a desistir, de que dentro de nossas famílias não seremos capazes de permitir que a rotina sufoque nossas responsabilidades e de que dentro de nossos ministérios não seremos atingidos pela autossuficiência.
Mas a certeza de que o amor permeia todas estas áreas não deve bitolar nossos olhos de maneira que deixemos de vigiar as arestas de cada uma delas. A certeza de que amamos nossos noivos ou cônjuges, nossos familiares, e cada pessoa envolvida em nossos ministérios não pode nos fazer crer que embrulhamos a eles e a nós em uma blindagem inquebrável.
  Infelizmente temos essa concepção, pois todos fomos, de alguma forma, ensinados a associar o amor a comum e altamente equivocada definição de um mero sentimento, o que gera a sensação de que a perseverança em um relacionamento se dará por conta de como nos sentimos em relação ao outro.
  Todavia, amar não é um sentimento, nem tampouco uma resposta a um sentimento. O amor é uma resposta de obediência a um mandamento que está muito acima do que possamos sentir. Assim, se o amor é para nós uma resposta, a sua origem não está em nós. A sua origem está Naquele que é o próprio Amor e que nos capacitou para amar como Ele.
  Em I Jo 4. 7, lemos que “todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”, e por isso, a capacidade para amar provém da intimidade com Aquele que é o Amor, e que escolheu se manifestar em atos de sacrifício por pecadores indignos, para que tais pudessem se tornar dignos de viver por meio dele, e de obedecer a Ele amando aos outros como Ele ensinou.
  Dessa forma, permanecermos amando não se trata de uma escolha emocional, mas de um ato incondicional de obediência Àquele a quem chamamos de Senhor, e que decidiu se entregar à vontade de Deus como um sacrifício vivo, ainda que o seu corpo e mente se submetesse aos maiores e inimagináveis conflitos de “tristeza mortal” (Mt 26.38-39).
  Por isso, lembre-se que ainda que o amor não anule as tempestuosas interferências que outros sentimentos podem vir a causar sobre nós, é ele quem garante a perseverança diante delas, pois não partilhamos de um espírito qualquer, mas do Espírito Daquele que nos ensinou com a própria vida o que é o amor, e seremos conhecidos por permanecer Nele com o fato de que Ele nos deu do Seu Espírito (I Jo 4.13), e é por Seu Espírito em nós que podemos perseverar em amor.
  É por Seu Espírito em nós que podemos persistir amando aqueles a quem decidimos nos unir por toda a vida, é por Seu Espírito em nós que podemos renunciar a tentação de nos rendermos a outra pessoa que não a que nos comprometemos em amor, é por Seu Espírito em nós que podemos perdoar com o perdão que recebemos e pedirmos perdão com humildade, é por Seu Espírito em nós que podemos exortar com graça e não por orgulho, é por Seu Espírito em nós que podemos escolher permanecer ainda que tudo coopere para a nossa desistência, é por Seu Espírito em nós que perseveramos pelo que vemos por fé e não por aquilo que nossos olhos enxergam.
  É por Seu Espírito em nós que daremos o último passo para chegar em Casa estando cansados e feridos, mas perseverantes e fiéis, dizendo como o salmista Davi, “Eu cri, ainda que tenha dito: estive sobremodo aflito” (Sl 116.10), pois as aflições não mudam convicções.

Autora: Sabrina Uchôa
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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Não se engane, o diabo também diz crer

 
 A carta de Tiago tem um conteúdo de extrema praticidade. O autor convoca aqueles irmãos a viverem de acordo com a verdade do evangelho (2.12). Aquela comunidade de cristãos judeus estava vivendo inúmeras incoerências a respeito da fé evangélica. Havia pessoas que menosprezavam os pobres, patrões que não pagam os salários de seus empregados, julgamentos baseados na classe social e uma grande falta de amor entre eles (2.29; 3.14-26; 4.11; 5.1-6). No decorrer da narrativa, Tiago nos dá o seguinte argumento “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem. ”(2.19). De forma clara e direta Tiago está dizendo: A mera profissão de fé, assimilação intelectual de fatos históricos não significa confiar, se submeter em obediência e adorar ao Senhor Jesus.
Nos dias de hoje, infelizmente o mesmo tipo de pessoa vem se adentrando aos recintos em que o corpo de Jesus está presente. Pessoas dizem que creem em Deus, mas  suas vidas não mudaram em nada. Elas são “cristãs”, mas vivem como pessoas que estão imersas no engano de Satanás. Esses não amam o próximo, rejeitam os seus líderes, vivem na prática do pecado, isso sem contar a falta de uma vida de oração e leitura da Palavra. Batem o pé com toda força gritando que são pessoas regeneradas, mas o que mais é possível ver em sua vida é uma conduta contrária aos ensinos sagrados.
   O capítulo dois dessa carta vem como uma marreta que reduz ao pó tal argumento pedregoso. Tiago nos diz que a fé sem obras é morta (2.17, 26). Seu ponto aqui é que os que se dizem crentes no Senhor Jesus devem viver uma vida que é compatível a tal declaração. A fé está intimamente ligada com a prática. Tiago revela que alguém que diz crer, mas não vive é um insensato (2.20). Crer, até os demônios creem, coisa que tais pessoas não fazem, visto que vivem de maneira oposta ao evangelho da graça.
   O ensino de Tiago é que a maneira que eu vivo deve ser um reflexo do que falo. Minha vida deve seguir os ensinamentos de Jesus, se digo que sou cristão. Tiago não está ensinando salvação por obras, mas sim uma conduta que é coerente ao que falamos. Não podemos dizer que acreditamos em Deus, mas vivermos como se ele não existisse. Não estou dizendo que seremos perfeitos, mas que o que Tiago está nos dizendo é que devemos professar e viver a mesma coisa. Pare e pense em sua vida. Será que aquilo que você diz é demonstrando na maneira que você vive? Existe um ditado muito interessante “aquilo que você diz grita tão alto que eu não consigo ouvir o que você fala”, por isso, alguns por suas atitudes têm sido motivo de tropeço para os descrentes.

    Sim, os demônios creem, mas não vivem o evangelho, rejeitam a Deus e sua verdade. Oro para que não venhamos nos parecer com tais seres malignos, mas sim que possamos ser bem-aventurados por que praticamos aquilo que dizemos, ou melhor, aquilo que o Senhor disse (1.25). Nossas palavras e ações devem andar em sintonia, pois o que passar disso é do maligno. 

Autor: Wellington Leite (Toddy)
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sexta-feira, 9 de junho de 2017

John Wycliffe nos fala hoje

Um pré-reformador que muitas vezes é deixado de lado na história, mas sem dúvida tem em sua vida inúmeras realizações para nos motivar na caminhada de buscar a Glória de Deus.

Agostinho certa vez disse que “ subimos nos ombros de gigantes para podermos ver mais adiante”. John Wycliffe sem dúvida é um desses pilares da fé que nos motivam e ajudam a caminhar na fé cristã. Sua ousadia contra um sistema que não queria a Bíblia na mão do povo é digna de ser lembrada. Não permitiu que o clero dominasse as Escrituras, antes levou as Sagradas Letras na língua do povo. “O conhecimento da lei de Deus deve ser ensinado na língua mais fácil de entender, porque o que está sendo ensinado é a palavra de Deus” disse Wycliffe. Graças a seu empenho e sofrimento os ingleses tiveram as Escrituras em sua própria língua. Aquele povo pode pela primeira vez ler as Palavras de Vida Eterna em sua língua materna. Sua tradução auxiliou os missionários Lolardos a proclamar as virtudes de Cristo chamando pecadores ao arrependimento, os levando a abraçar com todas as suas forças o Salvador ressuscitado no século 14.

Sua vida retrata aquilo que o Senhor em João 12 disse “o grão de trigo deve morrer para que se tenha vida”. Ele morreu para aquilo que era a falso. Morreu para si mesmo. Sua morte para esse mundo trouxesse vida para muitos. Deus usou de modo gracioso esse pequeno homem. Depois de sua morte nos é dito “Inúmeras cópias da Bíblia de Wycliffe foram feitas. Elas tinham grande circulação e eram passadas para as gerações seguintes”. Deus pegou esse barro e fez dele um vaso belo para colocar em sua galeria da fé. 

Esse gigante morreu, mas outros se levantaram e difundiram seus conceitos acerca da fé cristã. Sua morte foi inesperada, mas com certeza estava determinada por Deus para dar descanso a esse guerreiro da fé bíblica. Foi considerado como herege “"Você diz que é uma heresia falar das Sagradas Escrituras em inglês. Você me chama de herege porque eu traduzo a Bíblia para a língua comum do povo. Você sabe contra quem você está blasfemando? Não foi o Espírito Santo que deu a Palavra de Deus em primeiro lugar na língua materna dos países para o qual ela foi dirigida? " 

Mesmo depois de morto seu corpo foi desenterrado, queimado e suas cinzas jogadas no rio Swift. Aquele que trouxesse luz, mediante a graça de Deus, tornou-se odiado pelos cegos que se declaravam defensores do cristianismo. Seu nome era desprezado, sua história causava náuseas naqueles opositores. Ao contrário dos homens de sua época sua trajetória nos causa animo, e leva-nos a batalhar pela fé evangélica. Hoje o herege é um dos heróis do cristianismo protestante. Seu nome não é mais odiado, pelo contrário, é lembrando como sendo um daqueles que esse mundo não é digno de receber e que amaram a Deus acima de tudo. Hoje existe uma organização que leva seu nome, e que tem o mesmo propósito do pré-reformador, traduzir as Escrituras para os povos que ainda não tem a Palavra de Deus em sua língua. Um dicionário de extrema influencia no mundo teológico também leva seu nome. Ele morreu e foi sepultado, mas a graça de Deus fez desse servo uma grande influência para os dias de hoje. 

Wycliff e nos fala hoje e suas palavras são 2 Corintios 4:

1 Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos;

2 pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade.

3 Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto,

4 nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.

5 Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus.

6 Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.

7 Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.

8 Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados;

9 perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos;

10 levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo.

11 Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.

12 De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida.

13 Tendo, porém, o mesmo espírito da fé, como está escrito: Eu cri; por isso, é que falei. Também nós cremos; por isso, também falamos,

14 sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco.

15 Porque todas as coisas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus.

16 Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia.

17 Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação,

18 não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas

SOLI DEO GLORI
(Fountain, John Wycliffe, pp. 45-47).


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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Deus foi o primeiro Blogueiro. As “mídias sociais” de Deus são melhores para nós agora do que o Face a Face.

Eu quero começar dizendo: Todos os cristãos devem amar e se regozijar no dom da comunicação escrita, das mídias sociais e tecnologia.

É necessário ser dito que os cristãos precisam parar de reclamar e resmungar sobre Internet, Facebook, Twitter, redes sociais etc. Isto é o mesmo que cristãos se queixando de livros, jornais, revistas... em outro tempo – Ou seja, as coisas que as pessoas escrevem ou dizem! “Eu não suporto!” “Ler não é bom para mim!” “Estou desistindo dos livros, jornais, revistas...”

Todos os lamentos e queixas, e todas as piedosas tentativas de parecer santo fazendo isso, é realmente simplesmente reclamar sobre as pessoas e tentar parecer santo assim. “Eles não dizem as coisas certas. Eles dizem coisas que não devem. Eles escrevem coisas que não deveriam. Eles gostam de coisas que não deveriam. Eles compartilham coisas que não deveriam. Eles leem coisas que não deveriam.” Eu perdi alguma coisa? Essa não foi sempre a história humana?

Mas Jesus viu as multidões e teve compaixão delas, como ovelhas sem pastor. Eu acho que Jesus teria a mesma reação ao Facebook, Instagram, Twitter, etc. Agora, é claro, Jesus às vezes deixava as multidões para descansar, orar, ensinar Seus discípulos...

Então, claro, meu ponto é não deixar a (internet) multidões invadir e conduzir sua vida inteira. Você tem deveres para com Deus, seu marido, sua esposa, seus filhos, sua igreja, seu chefe, seus professores, seus pais, seus amigos, vizinhos... Você não deve negligenciar esses deveres. Mas às vezes, quando a mãe e os irmãos de Jesus apareciam fora de uma casa lotada onde Jesus estava ensinando a falando com a multidão, Ele não largou tudo e saiu correndo para ver sua família imediatamente. Às vezes, amor cristão e paciência demora um pouco mais nos comentários de um post no Facebook...

Enquanto usamos a palavra virtual para descrever muito do que acontece on-line, simplesmente não é o caso de que as pessoas escrevendo, comentando, gostando e compartilhando sejam falsas ou irreais ( “virtuais” - Ok, alguns são perfis falsos ). Na maioria das vezes, eles são pessoas reais como você e eu, com amores e dores, esperanças e confusões, e pecado e sabedoria, tudo junto em diferentes combinações. Eles são pessoas reais, e, portanto, a internet é uma extensão da comunidade real. Observe que eu disse extensão e não substituição. Você não pode “ir à igreja” na internet, e isso é porque a igreja exige fisicalidade ( a não ser por um impedimento que não pode ser contornado).

Agora é absolutamente verdade que aprender a se comunicar com palavras escritas e imagens... É um pouco diferente do que falar com outra pessoa cara a cara na mesma sala. Mas nós realmente não devemos exagerar esta diferença. Deus inventou a palavra escrita. Foi ideia dele, não nossa. A palavra escrita não é um subproduto infeliz do consumismo humanista. Adão pode ter descoberto palavras escritas pouco depois da criação; Ou talvez no tempo de Noé, o povo de Deus estava escrevendo as histórias da fidelidade da aliança de Deus. Mas certamente no tempo de Moisés, o próprio Deus estabeleceu um precedente de comunicação escrita como bom, santo e suficiente. O próprio dedo de Deus escreveu as primeiras palavras na Bíblia nas tábuas de Pedra. Ele fez isto quando Ele escreveu os Dez Mandamentos em tábuas de pedra com Seu próprio dedo e os enviou para baixo da montanha (duas vezes!).

Em outras palavras, Deus foi o primeiro a enviar um e-mail. Deus foi quem fez a primeira postagem de blog. Deus foi o primeiro a enviar um tweet. Foi idéia dele. Ele disse que era bom. Ele escreveu palavras que poderiam viajar ao redor do mundo, que seriam lidas e ouvidas por pessoas diferentes em momentos diferentes em lugares diferentes. Ele escreveu palavras que Ele intencionalmente determinou que não seriam entregues cara a cara. E Ele insiste que elas são suficientes, boas e santas. De fato, enquanto certamente desejamos ver Jesus face a face, Ele disse que era melhor para nós Ele ir e enviar o Espírito. Neste momento, Deus determinou, é melhor para nós não vermos Jesus face a face, é melhor nós ouvirmos e lermos Suas palavras escritas na Bíblia. Nesse sentido e por enquanto, as mídias sociais de Deus são melhores para nós. De fato, não só isso, mas Deus insistiu que Seu povo o imite nisto. Na lei de Moisés, Deus começou a exigir que todas as coisas mais importantes fossem escritas. Os pontos de referência e os limites devem ser escritos e anotados. Deus exigiu que Moisés expandisse e explicasse as leis de Deus no Livro da Aliança, que incluía ou era combinado com o Pentateuco inteiro. Este padrão continuou com os profetas que foram instruídos a escrever suas profecias, a enviá-las como cartas, a entregá-las aos reis, a serem preservadas e lembradas por gerações. A nação foi obrigada a escrever as palavras de Deus nas portas de sua casa e nas portas de suas cidades. Paulo e os outros apóstolos estabeleceram o mesmo padrão de como levara o evangelho até os confins da terra e continuaram a transmiti-lo a nós hoje por meio de suas palavras escritas. Pastores e professores devem abraçar este chamado para serem homens da Palavra escrita e homens de palavras escritas. Todos os cristãos devem amar e se regozijar no dom da comunicação escrita e das mídias sociais.

A diferença primária e fundamental da mídia social moderna é a velocidade . O negócio real de escrever palavras e as pessoas em outro lugar e em outro momento lê-los não é nada novo. Foi assim que os sermões de Spurgeon, por exemplo, tomaram o mundo. Arqueólogos, historiadores... recorrem a isso o tempo todo. O trabalho da exegese e da interpretação não é nada novo. A diferença é a velocidade, e com a velocidade vem o volume. Podemos escrever e publicar mais palavras por minuto do que nunca e, portanto, temos acesso a muitas mais palavras por minuto do que nunca. E com esta oportunidade (e bênção!) Vem perigos e tentações. Na multidão de palavras, o pecado está sempre presente. Mas observe que o pecado pode estar em qualquer extremidade nesta vida. Podemos pecar em escrita precipitada, mas também podemos pecar em leitura precipitada, interpretação... e conversa cara a cara com alguém.

Uma regra simples é tratar suas interações com as pessoas reais nas mídias sociais como interações humanas reais. Se você não diria isso na cara de alguém, então certamente não deve escrevê-lo também. Se você mudar isso para o telefone, ou tomar um café junto, ainda seria verdade. Mas por outro lado, lembre-se que nosso trabalho não é ficar junto com todos e sermos agradáveis o tempo todo. Nenhuma dessas coisas são em si mesmas o fruto do Espírito. O amor é paciente, mas o amor também confronta. O amor cobre uma multidão de pecados, e o amor diz a verdade. Às vezes, trabalhar a coragem de dizer o que precisa ser dito pode começar com colocar isso por escrito. Escrever ajuda pensar com cuidado suas palavras, dizer o melhor que você pode.

De forma geral, os cristãos estão muito preocupados em não ofender ninguém e não serem mal interpretados do que eles são sobre honrar a Cristo. Os cristãos temem os homens muito mais do que temem a Deus. Então, lembre-se, Jesus está sentado lá com você enquanto você está olhando para o seu telefone, teclando no Facebook, quando se prepara para enviar esse e-mail, ou tweet, essa mensagem privada...

E a coisa a perceber é que muitas vezes Ele enfrentaria muito mais o pecado do que nós temos feito, Ele estaria em muito mais polêmicas na internet do que meu estômago suportaria, Ele teria muitos mais inimigos do que nós... simplesmente porque Ele, que é a Verdade, ama a verdade muito mais do que nós. Falada, escrita... em livros, revistas, Facebook, Twitter, Blogs... precisamos amar a Verdade em todos os lugares... e aproveitar o dom de Deus que nos deu tantas formas poderosas de nos comunicar. As que existem... e vamos ficar atentos, as quer forem criadas por sua Graça.

Autor: Josemar Bessa
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terça-feira, 23 de maio de 2017

Pr. Marcos Granconato: João Calvino - História e Pensamento

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domingo, 14 de maio de 2017

Jesus presente no culto

“E eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos.”        
Mateus 28:20b
Há uma semana escrevi sobre a Reforma do culto. Afirmei que muitas igrejas precisam reformar vários aspectos dos seus cultos inclusive a reverência. Que os cultos dessas comunidades ditas “evangélicas” são, na sua grande maioria, centrados em homens e num materialismo absurdo, onde pensam apenas em bens, no aqui e agora, motivados por interesse e não por devoção. Também abordei a questão do sincretismo religioso, ou seja, utilizar elementos de outras religiões.
Hoje quero tratar da presença de Cristo por meio do Espírito Santo (Mt 18.19) no culto. O Espírito Santo representa e assume a ausência física de Cristo, assim pois Ele faz todas as coisas que Cristo fez pelos seus discípulos (Jo16:13-15). Por isso Cristo está agora em toda parte conosco.
“E eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos.” Mateus 28:20b
A igreja se reúne em nome de Cristo e é alimentada pelo próprio Pão da Vida que também dá a vida eterna. (Jo 6:51-58). Mas a igreja que recebe descanso em Cristo, com sua presença majestosa recebe a presença daquele que tem o poder para salvar.
Assim, a igreja não manipula a presença de Jesus dando ordens a Ele e exigindo Sua presença como se as ofertas e os dízimos fossem para pagar o “cachê” do Senhor, comparando-o a um profissional de entretenimento, um bajulador para alimentar o ego alheio, um gênio de uma lâmpada mágica que concede desejos, ou ainda vê-lo como se nós fossemos patrões e Ele, o Rei dos reis, fosse nosso escravo. A presença de Cristo é uma ação livre do próprio Cristo. Devemos compreender que a igreja deve implorar pela presença do Senhor.
Por isso a presença do nosso Senhor Jesus não é manipulada pelo ministro da palavra ou por qualquer outro que dirige ou que conduz o louvor em certo momento do culto. Até porque ninguém tem poder para tal prática. Mas algumas pessoas acham que tem esse poder e agem como se pudessem falar para o Senhor desta maneira arrogante:
– Agora pode entrar Jesus, é sua vez, você é obrigado a dar o que eu quero, já ofertei!
Não é assim. A presença de Jesus é maravilhosa, mas não uma ação realizada de forma mecânica. A presença de Jesus é oriunda de Sua maravilhosa graça.
Dessa forma, o culto da igreja é verdadeiro porque Jesus Cristo está presente, como Senhor soberano no meio dos que se reúnem em Seu nome. (J.J von Allmen, 2006). Mas é importante dizer que o fato de não controlarmos a presença de Jesus, não é o mesmo que afirmar que o Senhor não irá visitar Sua Igreja, como observa o Dr. von Allmen.
É importante enfatizar que a convicção da presença de Cristo no culto é produzida pela fé, assim como adoração cristã não é possível sem ela (fé). É pela fé que a igreja está segura da presença sublime do ressurreto nos cultos prestados a Ele próprio. Além disso, o cristão só põe sua fé na graça excelsade Jesus. E é mediante essa fé e no favor imerecido que oramos na certeza de que somos ouvidos, e é sabido que em toda história da igreja a oração era indispensável, não só para pessoalidade do cristão, mas no momento de reunião solene, ou seja, de culto litúrgico.
“III. A oração com ações de graças, sendo uma parte especial do culto religioso é por Deus exigida de todos os homens; e, para que seja aceita, deve ser feita em o nome do Filho, pelo auxílio do seu Espírito, segundo a sua vontade, e isto com inteligência, reverência, humildade, fervor, fé, amor e perseverança. Se for vocal, deve ser proferida em uma língua conhecida dos circunstantes.” Confissão de Fé de Westminster capítulo 21 do culto religioso e do domingo.
Por certo que o momento de culto é o encontro de Deus com o seu povo. O culto religioso deve ser prestado a Deus Pai, Filho e o Espírito Santo; não deve ser prestado nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura; deve ser prestado a Deus pela mediação de Cristo.
Dessa forma, Deus com sua glória nos livra da cegueira espiritual na qual nos encontramos e assim o culto cristão deve ser prestado a Trindade, Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Por isso devemos com reverência, amor e humildade entoar louvores a Deus. Porque tudo foi dado ao Filho, as manifestações de amor, da graça e da vontade do Pai, tudo o que propusera desde a eternidade e tudo o que fora necessário de seu poder e bondade para trazer seus eleitos à glória eterna foram dados a Jesus Cristo, e é o Espírito Santo que nos revela tudo que é de Cristo e devem ser mostradas aos cristãos. Porque:
“...eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos.”                                 
Mateus 28:20b
Soli Deo Gloria

Por: Georgington de Souza Ribeiro
Revisão: Thalyta Priswa
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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Ministérios Fracassados (documentário)

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terça-feira, 9 de maio de 2017

De Jesus pode fazer piadas, né?

O deboche e o escárnio para com o cristianismo protagonizado por alguns comediantes ultrapassa o bom senso. Mediante piadas desrespeitosas, cujo conteúdo afrontam a fé de milhões cristãos, os protagonistas de algumas companhias de comédia, tem nos últimos tempos vilipendiado e ridicularizado a forma de pensar dos cristãos. 

Sem a menor sombra de dúvidas a forma com que os "inteligentinhos" tem plantão tem lidado com a fé alheia deixa indignado qualquer um.

Luiz Filipe Pondé com brilhantismo de sempres escreveu um texto para a Folha de São Paulo sobre estes "inteligentinhos" o qual reproduzo integralmente abaixo:
Vale a pena leitura:
Renato Vargens

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo
Tem muita gente com medo dos evangélicos. Acho que deve ser trauma de infância. Talvez essa gente tenha sofrido na escola bullying de algum evangélico mais forte ou de alguma evangélica mais bonita.

A tentativa de criar uma lei multando quem fizesse piada com ícones religiosos (leia-se Jesus) deixou os inteligentinhos com medinho.

O assunto é sério. Primeiro, deixo claro que sou contra essa lei. E mais: sou contra toda e qualquer forma de proibição sobre o humor. Mas aqui é que a coisa pega. Os inteligentinhos só defendem a liberdade de expressão no que interessa a eles. Por isso, quando reclamam contra essa lei absurda, soa “fake”. Vou explicar o porquê de soar “fake”.

Óbvio: a falha nos inteligentinhos não é intelectual, mas ética. Sócrates já nos ensinou que o problema do conhecimento é, antes de tudo, ético. Para ele, saber é descobrir a própria ignorância. Quanto mais sei, mas sei que nada sei. É a atitude ética que define o sujeito do conhecimento na maiêutica socrática. Mas voltemos a coisas mais mundanas.
Lembremos o que muitos inteligentinhos corretinhos falaram quando aconteceu a tragédia do jornal francês “Charlie Hebdo” em janeiro.

Na época, os bonitinhos disseram coisas como: os cartunistas não respeitaram “o outro”. Adoro excepcionalmente essa coisa do “outro”. Disseram também coisas como: só se pode fazer piadas com opressores. Ao longo dos anos fui percebendo que uma das maiores falhas de caráter hoje em dia, no que se refere ao debate público, é gente que sempre coloca essa coisa de “oprimidos x opressores” quando vai analisar o mundo. Gente séria não usa isso como argumento. Em 200 anos rirão desse argumento. Outros disseram que a função da mídia é proporcionar a vida harmoniosa entre as diferentes culturas.

Mas, se isso for a missão da mídia (eu não concordo, acho essa ideia uma forma de censura sem vergonha travestida de bom mocismo), então por que proibir piadas com Jesus estaria errado? Por que não se deve “provocar” os muçulmanos, mas pode-se “provocar” os cristãos?

Quer dizer que piadas com Jesus tá valendo, mas com o profeta não? Claro, o cristianismo é o “opressor” e blablablá. Eis a evidência máxima da incoerência de quem critica piadas com o islamismo, mas acha que tudo bem piadas com o cristianismo.
Minha hipótese é mais embaixo: bonitinhos são normalmente medrosos e, por isso, têm medo (com uma certa razão) do islamismo, porque essa moçada não vota no PSOL e não “cobra multa” para quem ofender o profeta.

Há mais um problema a ser analisado nesse assunto. Há anos, inclusive entre nós no Brasil, criou-se a moda de processar humoristas e proibir piadas com X e Y (não vou citar grupos porque a maré não está para peixe).

Os evangélicos apenas estão aprendendo a se mover no mundinho da censura travestida de “direitos” e “dignidades”. Perceberam que há uma tendência puritana no mundo e estão querendo pegar carona no papinho dos “direitos a dignidade”.

Quem é contra piadas com X e Y ou quem acha que devemos respeitar os ícones islâmicos não tem moral para se posicionar contra qualquer tentativa de proibir piadas com Jesus. Pelo contrário, deveria ser completamente a favor de qualquer lei que proíba piadas com Jesus.

Mas aqui surge a última questão: o fato é que os bonitinhos acham legal falar mal do cristianismo porque se movem por meio de argumentos do tipo “piadas só com os opressores”, e, com isso, garantem seu mercado particular de piadas, mas complica o mercado dos outros.

“Follow the money” sempre é uma boa ideia para descobrir motivações escondidas. Principalmente quando tratamos com gente que trabalha “contra a opressão”.
Preste atenção numa coisa: quando alguém disser que faz alguma coisa por alguma razão superior a dinheiro, saiba que ela faz o que faz, antes de tudo, por dinheiro. Mesmo que seja apenas para evitar que você ganhe dinheiro.

Acho uma lástima que a arte, a filosofia e as ciências humanas resolveram “construir um mundo melhor”. A hipocrisia, então, se oferece como virtude. Todos perdemos.

Autor: Renato Vargens; Luiz Felipe Pondé
Fonte: Blog Renato Vargens
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Os evangélicos e a pedofilia

A pedofilia é um dos mais graves problemas em nossa sociedade. Lamentavelmente, ao contrário do que gostaríamos, nossas igrejas estão repletas de relatos de crianças  e adolescentes  que sofreram ou sofrem com a pedofilia.

Infelizmente não são poucas as crianças que vivem uma vida de horrores, sofrendo as agruras de uma relação despótica, ditatorial e pervertida por parte dos seus pais e familiares.  Segundo dados do site de combate à pedofilia Censura, o país amarga o primeiro lugar no ranking de pornografia infantil. Fora da web, centenas de casos de abuso sexual infantil podem estar acontecendo onde menos se espera. E para quem pensava que a igreja nunca sofreria desse mal, se enganou.

Pois é, infelizmente não são poucos aqueles que sofrem abusos sexuais tendo suas vidas marcadas para sempre. Quantos por exemplo não vivem um "inferno" na alma em vista de um abuso sofrido? Quantos não carregam no peito a dor de terem sido vítimas de uma ataque pedófilo?
Isto posto, penso não dá para ficar calado diante um absurdo deste quilate.  Sem a menor sombra de dúvidas a Igreja de Cristo não pode pode se omitir diante de tamanho descalabro. Ao contrário de alguns, acredito  piamente que aqueles que acobertam os que  cometem atos de pedofilia pecam contra a Santidade de Deus, além é claro de consentir  de forma velada, com a dor daquele que foi violentado sexualmente. Ademais, na minha perspectiva, penso que a pedofilia é um dos crimes mais hediondos que alguém pode cometer e que aqueles que cometem essa aberração precisam ser presos e punidos com o rigor da lei. 
Pense nisso!

Autor: Renato Vargens

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07 características de um pregador fraco e despreparado

Ouvir determinados pregadores exige uma dose extra paciência. 

Lamentavelmente, do Oiapoque ao Chuí o que mais vemos são pregadores despreparados assumindo os púlpitos de suas igrejas. Na verdade, ouso afirmar que encontrar um bom pregador cuja teologia seja saudável é quase uma missão hercúlea.

Confesso que estou cansado de ouvir pregações vazias, superficiais, materialistas, humanistas e triunfalistas, de gente que contraria totalmente o ensino bíblico.

Isto posto, sirvo-me deste post para elencar as 07 principais características de um pregador fraco e despreparado teologicamente:

1- Um pregador fraco e despreparado costuma interromper sua mensagem várias vezes mandando o público repetir frases descabidas, sem nexo, bem como desprovidas de inteligência. 

2- Um pregador fraco e despreparado repete alucinadamente o jargão "fale para o irmão que está ao seu lado..."

3- Um pregador fraco e despreparado interrompe o sermão continuamente mandando o povo profetizar bênçãos e vitórias.

4- Um pregador fraco e despreparado não prega a palavra, antes pelo contrário, promove entretenimento, levando o povo ao êxtase mediante piadas, casos e contos.

5- Um pregador fraco e despreparado só fala em dinheiro, em bênçãos financeiras e riquezas oriundas da confissão positiva.

6- Um pregador fraco e despreparado prefere Marx, Freud, às Escrituras Sagradas.

7- Um pregador fraco e despreparado é autoritário e maldizente, fazendo do púlpito plataforma de condenação, escravidão e opressão.

Caro leitor, se o seu pastor se encaixa nesse perfil, converse com ele, incentive-o a mudar, a pregar as Escrituras deixando de lado essa baboseira gospel. Agora, se ele, é daqueles que prefere o engano, deixe-o com seus pseudos ensinos e procure uma Igreja que pregue as Escrituras e que faça da Palavra de Deus sua única e exclusiva regra de fé!

Pense nisso! 

Autor: Renato Vargens
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Reforma do Culto


“Louvai ao Senhor. Ó minha alma, louva ao Senhor.
Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu for vivo.”

Se você é uma pessoa que tem o hábito de observar a forma que as pessoas agem em alguns cultos de igrejas ditas “evangélicas”, você simplesmente já deve ter ficado assustado ou ficará. Os cultos destas igrejas são centrados em homens e em um materialismo absurdo. Não precisa sair da sua igreja e ir para tais comunidades eclesiásticas para ver que estas igrejas não estão tendo uma palavra genuinamente bíblica e muito menos seus cultos centrados em Cristo, basta passear pelos canais de televisão e você verá isso. É perceptível, para quem tem certo conhecimento das Sagradas Escrituras, que os líderes destas comunidades eclesiásticas estão praticando atos não bíblicos. 


Hoje é comum pessoas afirmarem que cada um cultua do seu jeito. Já ouvi muito isso e acredito que você, caro leitor, também. É na verdade um jeito novo de usar a expressão popular “cada macaco no seu galho”, ou seja, que cada pessoa deve preocupar-se apenas com aquilo que lhe diz respeito. O apóstolo Paulo nos instrui assim: “Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis.” (1 Tessalonicenses 5:11). Entretanto, essa orientação de Paulo não tem sido colocada adequadamente em prática. Observei que alguns debates cristãos culminam em brigas e acusações mútuas, onde os participantes acusam-se de hipócrita e afirmam que o outro acredita que só o culto de sua igreja é teologicamente correto. Precisamos ter cuidado para que nossas mentes não estejam em nós mesmos. 

A maioria das igrejas evangélicas de hoje têm esquecido o propósito de sua existência. Algumas igrejas têm inserido em seus cultos elementos de outras religiões praticando, assim, o sincretismo religioso. David F. Wells afirmou: “temos vivido um paraíso de tolos” por tentarmos usar ferramentas seculares para termos solo próspero, entregando-nos ao pragmatismo, e o resultado disto é o abandono da teologia ortodoxa e da herança evangélica.

Devido ao problema de usar ferramentas seculares dentro das igrejas evangélicas, cabe a reflexão na frase do facebook que diz:

“Antes eu dizia: Procure a igreja mais próxima da sua casa. Hoje eu digo: Procure a igreja mais próxima da sua Bíblia.” (Autor desconhecido)

É muito triste ver o estado que algumas igrejas se encontram. O reverendo James Boice afirma que antigamente os crentes eram comumente conhecidos pela sua teologia. Hoje, entretanto, são definidos gradativamente por seu estilo. Dr. Boice chama atenção para o fato de que antigamente costumava-se procurar pastores que conheciam a Bíblia. Hoje os cristãos procuram por ministros com habilidade de gerenciamento de recreação.

Afinal, o que é o culto? culto é o ato de valorizar a Deus, atribuindo a verdadeira exaltação. A palavra “culto” deriva do Latim, cultu, e significa adoração ou homenagem a Deus. Etimologicamente, o termo latino cultu envolve a raiz colo, colere, que indica “honrar”, “cultivar”. Para isso precisamos de uma ortodoxia (opinião correta ou justa) e assim, ter a atitude de honrar a Deus no culto e expressar boas concepções sobre Ele, ou seja, glorificá-lO e valorizá-lO. 

O culto deve ser totalmente centralizado em Deus. Se assim não for, não estamos cultuando o Rei dos reis. No culto vivificamos a consciência da santidade do nosso Deus, alimentamos nossa alma, purificamos nossa imaginação, abrimos nosso coração e comprometemo-nos com a vontade e o propósito de Deus em nossas vidas.

Diante de todas as falhas cometidas pelas comunidades evangélicas abordadas no presente artigo é que vejo a necessidade de se reformar o culto em tais igrejas. E como fazemos isso? Invocando o nome do Senhor, pedindo em oração auxilio do próprio Deus Soberano, para que possamos adorar em espírito em verdade e tributarmos o culto que só a Ele é devido. 

Rogando ao Deus Triúno que tire de nós todas as ideias erradas a respeito dEle, diante do seu maravilhoso amor em Jesus Cristo, seu filho amado. Precisamos pedir que o Espírito Santo nos revele como agradar o Eterno para o louvor da sua glória. Que nossas confissões sejam carregadas de sinceridade e que possamos falar dos nossos pecados e sentir vergonha deles; ouvir a exposição da palavra magnífica, contida nas Sagradas Escrituras, de onde tiraremos nossa ortodoxia sobre os atributos maravilhosos de Deus, assim, glorificar ao Eterno do modo correto. 

Amém.
SOLI DEO GLORIA 

Autor: Georgington de Souza


Materiais usados: David Wells é professor de teologia sistemática e bíblica no Seminário Teológico Gordon- Conwell em Massachusetts.
Boice, James- O Evangelho da Graça- Editora Cultura Cristã- São Paulo- p.29
MULLER, Richard. Dictionary of Latin and Greek Theological Terms: Drawn Principally from the Protestant Scholastic Theology. Carlisle, United Kingdom: Paternoster Press, 1985, s. v. “cultus”.
http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=334
Wiliam Temple, The Hope of a New World, 30. citado por Donald P. Hustad Jubilate! Church Music in the Evangelical Tradition( Carol Stram, III.: Hope, 1981), 78.


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terça-feira, 25 de abril de 2017

Paulo, servo de Jesus Cristo

Paulo, servo de Jesus Cristo. Rm 1.1a

As introduções dos textos bíblicos na maioria das vezes passam despercebidas pelos leitores apressados. As pessoas leem o começo dos textos rapidamente e sem muita atenção, pois para elas a prioridade do texto é o tema central, e a introdução é simplesmente uma abordagem funcional, formal e mecânica e por isso não contém nada para nos dizer. Isso infelizmente é uma grande bobagem. As introduções possuem ricos ensinos, e quero comentar um pouco sobre uma parte da introdução a Carta as Romanos.

As primeiras palavras de apresentação referem-se a Paulo e seu Senhor, Jesus Cristo. O apóstolo descreve aquilo que em seu ser está bem claro, ele é servo, ou melhor, escravo de Jesus. A palavra grega utilizada ali é doulos, que significa escravo. O maior teólogo, missionário e plantador da Igreja de toda a história descreve-se como escravo de Jesus. Aqui Paulo está explicando a quem ele pertence. Paulo não era mais de si mesmo, mas sim escravo, propriedade de Jesus.

Antes de continuarmos a explicação é necessário dar alguns esclarecimentos. O termo escravo utilizado aqui e presente na cultura romana é completamente diferente do conceito que temos nos dias de hoje. Em nossa sociedade/história marcada pelo tráfico negreiro, exploração, maus tratos e mortes a palavra escravo é pejorativa. Talvez por isso os tradutores troquem escravo por servo. Mas no mundo bíblico no qual Paulo está inserido a palavra contém uma conotação diferente. A palavra escravo é utilizada para designar alguém que pertencia a outro ser. Essa pessoa agora era senhor da vida deste, sendo responsável legal por aquele indivíduo que é seu escravo. Em Roma, os escravos não recebiam os mesmos castigos que infelizmente os escravos que nossa história conta receberam. Antes, eles eram tratados de modo diferente, visto que as leis romanas proibiam o maltrato, descaso e morte destes.

Feito as devidas explicações vamos continuar nosso texto. A palavra contém alguns significados mais profundos, iremos aqui focar em dois deles. O primeiro é sobre o cuidado que o senhor tinha pelo escravo. O outro é sobre o escravo ser propriedade única e exclusiva de seu dono.

Ao contrário daquilo que nossos registros históricos mostram, em Roma o senhor deveria providenciar tudo o que era necessário para o escravo poder servi-lo. Ele deveria dar uma lar, comida, bebida e proteção. O mestre tinha como responsabilidade possibilitar as condições necessárias para que o escravo pudesse realizar seu trabalho, que consistia em trabalhar para o inteiro agrado de seu dono. Já que tudo o que era requerido para viver era lhe dado o escravo poderia concentrar suas forças em cumprir a vontade de seu mestre. O propósito dele era alegrar o coração de seu Senhor. A alegria de seu amo era o propósito do serviço do escravo.

Uma segunda característica do termo é sobre a exclusividade do escravo. Ele pertencia unicamente ao seu Senhor. Nenhum outro poderia tê-lo como sua propriedade. Ninguém poderia toma-lo para si. O escravo pertencia ao seu dono até a morte, seja dele ou de seu Senhor. Isso dava ao escravo uma singularidade. Ele pertencia somente a uma pessoa, e somente a ela estava ligada.

Essas duas ideias nos remetem ao que está por detrás dessa simples saudação. Paulo está nos falando que somente a Cristo ele pertence. Que como sua propriedade exclusiva ele vivia para seu inteiro agrado. O apóstolo está nos dizendo que tudo o que ele tem é dado por Jesus desde o alimento, roupa e proteção de sua própria vida. O escravo Paulo está nos comunicando que pertence a Jesus de Nazaré e sua vida está ligada a ele. Jesus para Paulo é a razão de viver, o motivo, propósito que o mantém de pé e o faz se mover. Paulo não é escravo do pecado, do mundo ou de Satanás. Ele é escravo do Rei da glória. Aquele que por seu sangue o comprou, livrou e agora o chama para proclamar as suas virtudes a toda criatura.

É nesse sentido que ele inicia sua carta aos romanos. Paula sabia a quem pertencia. Ele tinha pleno conhecimento acerca de seu Senhor. Uma pergunta, você sabe isso? Isso é uma realidade nova, ou simplesmente algo sem sentido?

Viva para Cristo, você é propriedade exclusiva dele. Ele cuida de você.

Você como Paulo, é escravo de Jesus Cristo?

Livro utilizado como base: Escravo; John MacArthur; Editora Fiel.

Autor: Wellington Leite ( Toddy)
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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Qualidades Cristã

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade;”

A caminhada cristã é um relacionamento com o Deus Trino e com nosso próximo. Ter a capacidade de compreender os sentimentos e emoções daqueles que nos cercam é mostrar interesse e amor pelas pessoas. Se identificar com a dificuldade do outro é exteriorizar apreço e demonstrar cuidado agradando o nosso Deus. As circunstâncias da vida não batem à porta pedindo autorização para entrar, elas simplesmente invadem nossas vidas. Ninguém pede para sofrer!

Dessa forma apoiar nossos irmãos em momentos difíceis é mostrar ternura e empatia pelo necessitado. Por isso Paulo nesse texto de Colossenses, oferece qualidades a ser vivida na caminhada de todo cristão. Além disso, o exemplo do nosso Senhor Jesus nos mostra o quanto ele foi amoroso e gentil.

Somando a isso, o texto de colossenses ensina que o cristão deve ser misericordioso, tendo o coração sensível e uma preocupação genuína, porém, na realidade muitos irmãos não possuem essa qualidade de misericórdia (Mt 18: 21-35). Creem esses que ter misericórdia é aceitar de cabeça baixa o sofrimento do amigo. No entanto, são as Sagradas Escrituras que consolam o sofrimento (Jo 21: 15-23).

Em outras palavras ser preocupado e ter ação compassiva por aqueles que tem algum problema, seja físico, mental, emocional faz parte do pensamento cristão, visto que a misericórdia é uma dádiva do cristianismo. Não podemos ter um espírito de indiferença frente aos sofrimentos que afligem a humanidade. 

Assim o povo de Deus deve ser misericordioso, exercer a paciência ao máximo, suportando sem revidar as ofensas, mas perdoando-as. O perdão recebido de Deus foi muito maior em comparação ao que temos que conceder ao nosso próximo, dessa forma, segundo Hernandes Dias Lopes devemos perdoar porque fomos perdoados, devemos perdoar como fomos perdoados. Hernandes ainda completa afirmando que a Igreja é conhecida como a comunidade dos perdoados. Está comunidade de perdoados sabe o valor do perdão e tem o bom senso para não nutrir desafetos. A liberdade do perdão é a possibilidade de viver uma vida saudável para o perdoado e o perdoador.

Autor: Georgington Ribeiro
Edição e Revisão: Thiago Andrade

Referência 
 Lopes, Hernandes Dias, Colossenses: a Supremacia e  grandeza de Cristo, o cabeça da igreja. São Paulo: Hagnos, 2008
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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Quem estava na Cruz?

“Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo’ [...] Então Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo. [...] O Cristo, o Rei de Israel... Desça da cruz, para que o vejamos e creiamos!” Mc 8: 29, 32 ; 15:32

Ao percorrer o corredor da história da igreja a cruz de Cristo foi motivo de diversas discussões E os donos da pergunta, a saber, “Quem estava na cruz”, que provocou controvérsias têm endereço: os gnósticos. No entanto, meu objetivo não é tratar deles, mas meditar no cenário da cruz e enxergar ali judeus, romanos, gregos e questionar: para eles, quem estava na cruz?

O evangelho de Marcos não poupa o desentendimento dos discípulos acerca do propósito de Cristo, no qual “... a morte é o cumprimento da vida. Jesus veio para morrer.” Da mesma forma, ele não economiza nos escárnios dos personagens no relato da crucificação. Diante do ministério público e privado de Jesus, Marcos deixa evidente que “antes da ressurreição ele era o Messias na forma de servo, em uma forma que Sua dignidade como Filho de Deus estava escondida aos olhos dos homens.” 

O primeiro evangelista dilacera a visão de Rei imperial em Jesus, tornando-o um servo sofredor que ao invés de receber uma coroa dourada cintilante, recebeu uma coroa de espinhos pontiagudos. Os discípulos diante de Deus não o reconheceram (Rm 1: 20-23). Como assim? E as palavras de Pedro “Tu és o Cristo” (Mc 8: 29)? Naquela época “o Cristo”, não era considerado divino. Somente César podia ser chamado “filho de Deus”. Jesus assumindo o trono imperial seria a confirmação de que verdadeiramente ele era o “filho de Deus” e ninguém mais sofreria. 

Dessa forma, fica claro porque Pedro chama Jesus e o repreende em particular. O verso 31 deixa claro qual é a mentalidade dos discípulos em ver Jesus Rei, o Messias não pode sofrer. A palavra “repreender” (Mc 8: 32) no grego “é o mesmo verbo usado em outras passagens quando Jesus repreende demônios. Significa que Pedro condena a atitude de Jesus com a linguagem mais forte possível.” Pedro achava que sabia mais do ministério de Cristo do que o próprio Cristo. A atitude errada do discípulo ainda permanece atual, pois quantos de nós achamos que sabemos mais do que Deus, procurando respostas para as nossas aflições, esperanças, sonhos e tantas outras coisas fora das Escrituras?

Fora dos muros de Jerusalém, no Gólgota, está montado o palco para o maior espetáculo público: a crucificação do Rei dos judeus. O evangelista deixa evidente todos os grupos de pessoas na cena e nos mostra a seguinte realidade: ninguém busca a Deus. Inclusive os próprios sacerdotes, juntamente com os escribas (aqueles que deveriam “estar por dentro” do contexto messiânico), pedem um milagre: “Desça da cruz, para que o vejamos e creiamos”. No entanto, eles mentem, pois de acordo com Jo 11: 47 eles reconhecem os milagres de Jesus, mas acreditam que sua fonte é satânica (Mc 3: 22). Sendo assim, na concepção dos sacerdotes e escribas quem estava na cruz em Jesus era belzebu e, portanto, Jesus estava sem poder algum. O pecado cegou o entendimento dos sacerdotes e escribas, pois o milagre que pedem é justamente a vontade do Diabo: tirar Jesus da Cruz. Porque “se Jesus salvasse a si mesmo não poderia salvar a nós. Se Ele descesse da cruz, nós desceríamos ao inferno. Porque Ele não desceu da cruz, nós podemos subir ao céu.”, os mestres da lei não compreenderam isso. É na fragilidade de Jesus que somos salvos. 

Então o Diabo saiu vitorioso enquanto Jesus estava na cruz e na ressurreição Deus dá a cartada final e vence Satanás? Não. Segundo Franklin Ferreira esta ideia é profundamente errada. Na verdade, é na cruz que o diabo é derrotado. Na fraqueza de Deus, todos os nossos inimigos são vencidos. 

O Evangelho nos ensina que a morte foi morta pela morte de Jesus Cristo. E esta é toda a nossa esperança. Não foi pelo nascimento (de Jesus), mas pela sua morte que nós fomos reconciliados com Deus. Na Cruz houve derramamento de sangue para remissão de pecados (Hb 9: 22), na ressurreição houve justificação (Rm 4: 25) para nos relacionarmos com o Pai. 

Segundo os sacerdotes e escribas quem estava na cruz era belzebu, no entanto, este mesmo os cegou usando-os para a sua vontade: tirar Jesus da Cruz. A condição humana não compreende que o “verdadeiro perdão exige sofrimento.” Jesus deixou a intimidade que tinha na eternidade, para que pudéssemos desfrutar dela. E quantos de nós ainda temos atribuído uma obra que é Deus a satanás? Não compreender quem realmente está na cruz, é o mesmo que se igualar aos escarnecedores.


Autor: Thiago Andrade
Edição e Revisão: Thalyta Priswa


Referências:  Herman Bavinck. Teologia Sistemática. SOCEP. 2001.
 Timothy Keller. A Cruz do Rei. 2012.  
 Hernandes Dias Lopes. Marcos: O evangelho dos milagre. Hagnos. 2006. 
 Cl 2: 11-15 
 Franklin Ferreira. O credo dos Apóstolos: as doutrinas centrais da fé cristã. Fiel. 2015. (Cl 2: 11-15) 



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