terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Por que confiar na Bíblia?

Quando o assunto diz respeito à Bíblia, as pessoas costumam ter muitas perguntas e dúvidas. Frequentemente, a imagem que lhes vêm à mente é a de um livro místico e estranhamente incoerente, e às vezes até um pouco assustador. Existe também um sentimento comum de que as pessoas religiosas usam a Bíblia para defender suas próprias opiniões, interpretando-a conforme a conveniência de cada grupo. Afirmações desse tipo podem levar a pessoa a concluir: “Você usa a Bíblia para justificar o que você pensa! Como você pode esperar que eu a considere seriamente?” 
 
A grande questão que está por trás da quantidade cada vez maior de perguntas sobre significado e interpretação é se palavras e textos podem de algum modo, ter algum significado inerente. Afinal, não se trata apenas de uma questão de opinião? Toda interpretação é válida? Este texto transmite algum significado específico ou pode significar o que eu quiser? Meu marido, Francis (apelidado de Frog), entendeu claramente as implicações relacionadas a essa questão alguns anos atrás. Ele foi convidado, como pastor, para o casamento de um amigo, e eu o acompanhei. Depois da cerimônia na igreja, fomos para a recepção, juntamente com os demais convidados, e nos sentamos em mesas diferentes. Enquanto eu conversava com um jovem que estava sentado próximo a mim, meu marido conversava com a namorada do jovem, que havia se sentado perto dele. Falamos de vários assuntos, até que de repente o rapaz parou no meio de uma frase e subitamente me pediu desculpas, dizendo que, por alguma razão, ele não podia mentir para mim. Explicou-me então que antes de vir para o casamento ele e sua namorada haviam decidido trocar de papéis. Ele era um bem-sucedido consultor empresarial e ela era artista. Eles queriam descobrir se as pessoas os tratavam de acordo com seus status, e assim, resolveram trocar de papéis. Depois de conversarmos sobre o motivo que o levou a se sentir desconfortável em mentir para mim e outros assuntos espirituais, ele olhou para os nossos companheiros, na outra mesa, que também conversavam e disse: 
 
— Gostaria de saber se minha namorada conseguiu enganar seu marido...
 
Orei silenciosamente. Mais tarde, Frog me contou que a jovem também não fora capaz de mentir para ele. Eles também conversavam sobre assuntos espirituais até que em um dado momento ela disse:
 
— A razão pela qual eu não sou cristã é que, como estudante de literatura inglesa, não creio que as palavras tenham um “significado transcendental”, de modo que posso dar a Bíblia o significado que eu quiser.
 
Frog pediu a ela que explicasse melhor, e ela disse que acreditava que as palavras não tinham um significado real — a palavra escrita ou falada teria o significado que o leitor ou o ouvinte lhe atribuísse. Para ela, as palavras não tinham nenhum significado definitivo porque não há um Deus (o “elemento transcendental”) para dar significado definitivo às palavras. Meu marido olhou para ela e disse:
 
— Se for assim, ou seja, se as palavras não possuem significado, exceto aquele atribuído a elas pelo leitor ou ouvinte, você concorda se eu disser que entendo o que você acabou de me dizer como: “Eu acredito em Jesus e sou uma cristã”?
 
Ao ouvir isso, ela me pareceu um pouco perturbada, pois compreendeu que seu argumento não resistia ao seu próprio teste. O critério que ela estava empregando para julgar a Bíblia era um critério que escapava ao seu próprio raciocínio.
 
A linguagem como jogo de poder

Acima da rejeição da metanarrativa está a suspeita pós-moderna de que qualquer tentativa de atribuir às palavras um significado objetivo especial implica usar a força e declarar poder sobre outros. O escritor Michel Foucault argumenta que não há qualquer fundamento para o conhecimento, que não existe um “significado transcendental” (isto é, Deus) ao qual todos os “significadores” (seres humanos) possam recorrer definitivamente.1 Esta ideia tem consequências claras e diretas para os cristãos que procuram defender a possibilidade de se deparar com a verdade em Cristo. Mas isso não é tudo. Foucault continua argumentando que existe uma interação essencial entre conhecimento e poder. Lembrando a expressão de Nietzsche, “o desejo de poder”, Foucault chama a procura da verdade de um “desejo de conhecimento” que estabelece sua própria “verdade” arbitrariamente. Esta “verdade” pode então ser imposta a outros, concedendo poder ao orador ou escritor. Pensando desta maneira, o discurso e a busca do conhecimento são considerados uma busca de poder, e este poder é incorporado e expresso em uma linguagem
institucionalizada:2
 
O poder produz conhecimento [...] Não existe relação de poder sem a constituição correspondente de um campo do conhecimento, nem algum conhecimento que não pressuponha e determine ao mesmo tempo relações de poder.3
 
Isto sugere que ao lermos a Bíblia, devemos suspeitar dos escritores, pois eles estão exercendo poder sobre nós, e suspeitar mais ainda de qualquer pessoa que tente nos ajudar a interpretar a Bíblia. Qualquer tentativa de pregar ou explicar a Bíblia não passa de uma tentativa desastrosa de obter poder sobre outra pessoa. Isto me faz lembrar um pregador em Oxford que subiu ao púlpito em um domingo e pregou com todo o coração. À porta da igreja um jovem cumprimentou-o, um tanto constrangido. Ele havia detestado o sermão. Quando lhe perguntaram por que ele não havia gostado da pregação, ele respondeu que considerava ofensiva a maneira como o pregador havia pregado, isto é, com convicção, acreditando que tudo que dizia era verdade. Ele discordava do caráter persuasivo da pregação e desconfiava do poder envolvido. Esta é a objeção pós-moderna ao significado como sendo um poder, expressa em termos simples. Porém, esse raciocínio não resiste ao seu próprio teste. Afinal, alguém ficaria surpreso com o fato de Foucault ser capaz de falar a respeito de relações de poder e palavras sem cair em sua própria armadilha? Como ele pode usar palavras para nos explicar isso sem exercer poder sobre nós? Provavelmente ele seria uma exceção, a única pessoa capaz de nos dizer coisas sem exercer poder sobre nós!
 
A verdade

Outra consequência destas ideias sobre poder e manipulação é a negação do conceito de conhecedor imparcial, o que significa negar qualquer possibilidade de nos colocarmos além da história e da sociedade humana, em uma posição vantajosa, capaz de nos oferecer certo conhecimento. A verdade não é considerada como algo teórico ou objetivo — ao contrário, a verdade é algo “fabricado”, uma “ficção”, um “sistema de procedimentos ordenados para a produção, regulamentação, distribuição, circulação e operação de declarações”.4 Este sistema da verdade parece manter um relacionamento recíproco com os sistemas de poder que o produzem e sustentam. Assim, qualquer tentativa de afirmar a verdade sobre um evento histórico ou sobre qualquer tipo de realidade é vista como jogo de poder. A suspeita é a de que o escritor ou orador esteja tentando manipular ou controlar outros. De acordo com este ponto de vista, a Bíblia pode ser considerada um instrumento de manipulação, usado por pessoas poderosas para controlar outras.
 
Este argumento está sujeito ao mesmo tipo de questionamento. Como alguém que acredita em tal argumentação pode transmiti-la a outra pessoa? Se as palavras são ferramentas de opressão usadas pelas pessoas poderosas para controlar outras, Foucault não está fazendo exatamente a mesma coisa ao tentar convencer as pessoas através de seus livros de filosofia? Mais uma vez, um argumento falha no primeiro teste. Se os céticos pretendem usar essa linha de raciocínio contra a Bíblia, eles precisam ser alertados de que devem aplicá-la também à sua própria análise. Isso me faz lembrar a sogra de uma amiga, que está sempre criticando minha amiga e o marido por não ligarem para ela regularmente, quando ela mesma costuma passar alguns meses viajando sem ligar ou dar notícias para a família. A atitude que ela reprova no filho e na nora é exatamente igual à atitude dela para com eles. No contexto dos relacionamentos humanos, isto é chamado de hipocrisia. Nas discussões filosóficas, é chamado de “objeção especial”, ou seja, algumas regras só se aplicam aos outros, não a mim. Este tipo de abordagem precisa ser desmascarado exatamente pelo que é.
 
Artigo baseado no capítulo 01 de Por que confiar na Bíblia.

_____________
Amy-Orr-Ewing é diretora do Zacharias Trust, organização que procura explicar as boas novas da salvação em Jesus para pensadores céticos. É formada pela Universidade de Oxford e pelo King’s College, em Londres

Notas:
1. MEGILL, Allan. Prophets of extremity: Nietzsche, Heidegger, Foucault,
Derrida. Londres: University of California Press, 1987. p. 211.
2. FOUCAULT. “The Archaeology of knowledge” e “The order of discourse”. In: YOUNG, Robert, org. Untying the text: a post-structuralist reader. Londres: Routledge, 1981.
3. FOUCAULT. Discipline and punish: the birth of the prison. Trad. Alan Sheridan. Nova Iorque: Vintage Books, 1977. p. 27.
4. FOUCAULT. Truth and Power. In: Power/knowledge: selected interviews
and other writings, 1972-1977. Trad. Colin Gordon, Leo Marshall, John
Mepham e Kate Soper. Nova Iorque: Pantheon Books, 1980. p.133.

Leia Mais ►

Diferenças entre o Cristianismo bíblico e o Espiritismo Kardecista



Por Rev. Augustus Nicodemus
Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
Leia Mais ►

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Entendendo o Islamismo e suas diferenças do Cristianismo


Por Rev. Augustus Nicodemus
Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
Leia Mais ►

domingo, 29 de janeiro de 2017

Diferenças entre a IURD e as Igrejas Evangélicas


Por Rev. Augustus Nicodemus
Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
Leia Mais ►

sábado, 28 de janeiro de 2017

O Inferno em que Rob Bell se Meteu

Acabo de ler a entrevista que Rob Bell deu à revista VEJA desta semana (28/11/2012) com o título “Quem falou em céu e inferno?”. A entrevista provocou intensa polêmica nas redes sociais. Rob Bell se tornou uma figura polêmica quando passou a pregar a salvação de todos os seres humanos no final (universalismo) negando, assim, a realidade do inferno. Este ano ele deixou a igreja que fundou, a Mars Hill Bible Church – não confundir com a Mars Hill Church do Mark Driscoll, uma não tem nada a ver com a outra – para se dedicar ao ministério itinerante percorrendo, segundo a revista VEJA, “o mesmo circuito das bandas de rock”.
Inteligente, carismático, conectado e bom comunicador, Rob Bell tem atraído muitos jovens evangélicos no Brasil, especialmente após o lançamento de seu livro O Amor Vence no ano passado e seus vídeos muito bem produzidos no YouTube.
Achei a entrevista dele extremamente esclarecedora, mesmo considerando que estas entrevistas são editadas e por vezes amputadas pelos editores e raramente publicadas na íntegra. Se o que temos na VEJA é realmente o pensamento de Rob Bell, então declaro aqui que poucas vezes na minha vida vi uma figura religiosa de prestígio se contradizer tanto em um espaço tão curto. É por isto que esta entrevista é esclarecedora. Qualquer evangélico de bom senso, que tenha um mínimo de conhecimento bíblico e que saiba seguir um raciocínio de maneira lógica irá se perguntar o que Rob Bell tem que atrai tanta gente.
Vou começar reconhecendo o que não há de tão ruim na entrevista. Bell se posiciona contra o aborto e reconhece as limitações do darwinismo para explicar a totalidade da existência, embora aceite que Deus poderia ter usado o processo evolutivo como o método da vida.  
Bell também está certo quando diz que céu e inferno são “como dimensões da nossa existência aqui e agora”. Concordo com ele. Os ímpios já experimentam aqui e agora, alguns mais e outros menos, os sofrimentos iniciais do inferno que se avizinha. Da mesma forma, os salvos pela fé em Cristo, pela graça, já experimentam o céu aqui e agora, embora de forma limitada. Lembremos que Jesus disse que quem crê nele já tem a vida eterna. O Espírito em nós é o penhor da nossa herança e nos proporciona um gosto antecipado do que haverá de vir.
Surpreendente para mim foi ver que nesta entrevista Bell não nega o céu ou o inferno depois da morte, mas sim que possamos saber com certeza que eles existem depois da morte. Nas suas próprias palavras, “acredito que céu e inferno são realidades que se estendem para a dimensão para a qual vamos ao morrer, mas aí já entramos no campo da especulação”. A “bronca” dele é com a certeza e a convicção que as igrejas e os evangélicos têm de que após a morte existe céu e inferno. “Vamos pelo menos ser honestos. Ninguém sabe o que acontece quando morremos. Não tem fotografia, não tem vídeo”. É claro que, por este critério, também não podemos ter certeza se Deus existe ou que Jesus existiu, pois não temos nem foto nem vídeo deles – que eu saiba...
Nesta mesma linha, ao se referir ao fato de que acredita que Deus ao final vai conquistar todos, diz “não sei se isso vai acontecer, também não sei o que acontece quando morremos.”
Então, tá. Não sabemos o que acontece depois da morte. Mas é aí que começam as contradições de Rob Bell. Ao ser perguntado se Gandhi, que não era cristão, estaria no inferno, ele responde “acredito que está com o Deus que tanto amou”. Isso só pode ser o céu, certo? A resposta coerente e honesta com seu pressuposto seria “não sei”.
Da mesma forma, quando a revista pergunta sobre Hitler, se ele está no céu, Bell responde que Deus deu a Hitler o que Hitler buscou a vida toda, “infernos para si e para os outros”. E acrescenta “qualquer reconciliação ou perdão, nesse caso, está além da minha compreensão”. Se esta resposta não quer dizer que Hitler recebeu o inferno da parte de Deus depois da morte não sei o que mais poderia representar. A resposta coerente e honesta deveria ter sido esta: “não sei”, o que significa dizer que ele admite a possibilidade de Hitler ter ido para o céu.
À certa altura o jornalista perspicaz indaga acerca do livre arbítrio: “não existe escolha, então, ninguém pode dizer não ao paraíso?” E Bell retruca, “acho que você pode dizer não ao paraíso e neste caso talvez você fique em algum estado de rejeição ou resistência. Talvez seja esse o estado que as pessoas chamam de ‘inferno’”. Bom, parece por esta resposta que para Bell o inferno é na verdade o céu, só que os condenados no céu viverão em estado constante de rejeição e resistência a Deus. Mas, qual o céu disto e neste ponto, em que difere do inferno? Vá entender... e é claro, de onde ele tirou esta ideia? Se não temos na Bíblia informação suficiente para saber se o céu e o inferno existem, muito menos para uma teoria destas.
Não é difícil identificarmos as origens destas contradições tão óbvias no pensamento de Rob Bell.
A primeira e mais importante é que ele rejeita o ensino de Jesus Cristo nos Evangelhos sobre o inferno e o céu. Se Jesus era a personificação do Deus que é amor – e amor é, para Bell, o mais importante, senão o único, atributo de Deus – este é um fato que não pode ser desprezado. Eis alguns poucos exemplos:
  • Mat 5:22  Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.
  • Mat 5:29 Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.
  • Mat 5:30  E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.
  • Mat 10:28  Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.
  • Mat 11:23  Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.
  • Mat 16:18  Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
  • Mat 18:9  Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.
  • Mat 23:15  Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!
  • Mat 23:33  Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?
  • Marcos 9:43  E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível
  • Marcos 9:45  E, se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno
  • Marcos 9:47  E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno,
  • Lucas 10:15  Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno.
  • Lucas 12:5  Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer.
  • Lucas 16:23  No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.
  • Mat 13:42 e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.
  • Mat 3:12 A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível.
  • Mat 25:41 Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.
  • João 15:6 Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.
  • Mat 22:13 Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.
As referências de Jesus ao inferno, como o castigo eterno dos ímpios, formam reconhecidamente um dos temas dominantes do ensino dele, como pode ser claramente visto acima. Contudo, Rob Bell afirma contra todas as evidências que Jesus falou muito mais do sofrimento real que as pessoas têm aqui neste mundo. É claro que o Senhor Jesus se preocupou com o sofrimento presente, mas consistentemente, como pode ser visto nas passagens acima, ele nos avisa que o sofrimento eterno é muito pior.
O que espanta é o uso seletivo que Rob Bell faz das palavras de Jesus. Ele ignora por completo todas as passagens cima em que Jesus fala do inferno mas se refere à fala dele sobre os sofrimentos físicos. Bell fala várias vezes na mensagem de amor pregada por Jesus. Mas, de onde ele tirou estas informações acerca da pregação de Jesus? Só pode ter sido do Novo Testamento, o único documento que a preservou. Mas, então, por que ele ignora uma das maiores ênfases da pregação de Jesus, que foi o castigo eterno preparado para os ímpios?
Se Rob Bell diz que não podemos ter certeza de que o céu e o inferno existem, como ele pode ter certeza, então, que Jesus pregou sobre o amor e o sofrimento das pessoas neste mundo? Estas coisas todas estão no Novo Testamento. É evidente a interpretação enviesada, preconceituosa e selecionada que ele faz, conservando as passagens que lhe interessam e rejeitando as que o contradizem.
Outra razão para as contradições de Rob Bell é a sua base epistemológica. Ele declara: “nunca fiquei preocupado com sistema doutrinário, nunca me empenhei em ter confirmação de meu dogma.” Tudo bem. Mas, então, o que ela pensa sobre céu e inferno é o que? Para mim, é sistema doutrinário e dogma. É teologia. Mas, onde ele baseia suas ideias, enfim? A resposta é surpreendente: “tive alguns encontros meus, profundos, com o amor de Deus que tiveram sobre mim, digamos, um impacto pré-cognitivo.” Parece que ele teve algumas experiências que serviram para orientar a sua teologia. Aqui o ensino das Escrituras passou longe, como única regra de fé e prática. Bell é mais um daqueles hereges que apela para suas experiências como fonte de autoridade. Nada novo aqui.
E deve ser por isto que o conceito dele sobre Deus é tão equivocado. Deus é amor, diz Bell. Por isto, a salvação universal deve ser o ponto de partida. Para ele, é “incompreensível um cristão que não considera a salvação universal como a melhor saída, a melhor história”. O erro deste raciocínio, evidentemente, é não levar em conta que Deus também é justo, verdadeiro, santo e reto. Não se pode separar os atributos de Deus e não podemos considerá-lo a partir de um destes atributos somente. O amor de Deus deve ser levado em conta juntamente com a sua santidade e sua justiça. Portanto, um cristão verdadeiro não considera o universalismo como a melhor saída ou o melhor fim da história. O melhor fim da história é aquele escrito por Paulo:
Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? (Rom 9:22-24).
A melhor saída é aquela onde Deus expressa a plenitude do seu ser, o seu amor e a sua ira, nos que se salvam e nos que se perdem, no céu e no inferno.
Por fim, Bell faz uma inferência historicamente equivocada em suporte de seu argumento. Afirma ele que “as pessoas mais interessadas em discutir o inferno depois da morte são as menos interessadas em discutir o inferno sobre a terra”. Não há dúvida de que entre os evangélicos que acreditam no céu e no inferno há muitos que não se importam com as questões sociais, mas a afirmação de Bell é uma generalização grosseira. Calvino, Lutero e os demais reformadores criam no inferno e pregavam abertamente sobre ele. Contudo, poucos fizeram tanto para diminuir o sofrimento da Europa de sua época, abrindo escolas, hospitais, orfanatos, brigando contra leis injustas, o monopólio de alimentos e a corrupção do Estado. Outros muitos exemplos poderiam ser dados para contradizer esta falácia de Rob Bell.
Obrigado, revista VEJA, por ter exposto o pensamento de Rob Bell ao Brasil, as suas incoerências, sofismas e as origens de suas ideias estranhas. Como sempre acontece com as seitas, muitos os seguirão. Mas, como nos disse o apóstolo João,
Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos. (1Jo 2:19).

Autor: Augustus Nicodemus

Leia Mais ►

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Faleceu um entre os Santos: John R. W. Stott

Como Augustus escreveu semana passada, morreu Amy Winehouse, uma inglesa de grande influência no mundo pop. Morreu, supostamente, de overdose, aos 27 anos. Ainda não há um laudo, mas, pela sua vida, ninguém acredita que seja diferente disso. Muitas vezes apareceu em público sob a influência de drogas e pelo que vemos na televisão muitos de seus fãs encontram-se profundamente enlutados. O mundo lamenta uma morte trágica.

Morreu hoje*, aos 90 anos, John R. W. Stott, outro inglês de grande influência, mas na contra-cultura pop. Nascidos no mesmo país, no mesmo século mas em universos diferentes (lembrando do livro de James Sire, O universo ao lado no qual mostra que universos diferentes são concebidos de acordo com a visão de mundo do indivíduo). 

Amy celebrou o hedonismo do seu universo e espalhou aquilo que recebeu de seu tempo. Stott celebrou a santidade e uma vida simples, olhando para um universo completo e cheio da graça de Deus (Conheci a casa de Stott e ali fiz duas refeições simples e singelas, preparadas por ele mesmo. Ele mostrou, com grande entusiasmo, os slides de um esporte radical que praticava: ver pássaros in natura! Escreveu um livro chamado The Birds our Teachers, ilustrado com fotos que ele mesmo tirou).

Amy levou uma vida regrada a bebida, drogas e sexo pregando este estilo de vida pela sua música. Stott pregou a centralidade de Cristo, a vida de Cristo e a obra de Cristo. (Em 1985 estudei no London Institute for Contemporary Christianity e tive aulas de hermenêutica bíblica com Stott. Ele me ensinou que o pregador crente deve viver em busca de integridade hermenêutica, respeitando o autor divino e o autor humano das Escrituras.) 

A mídia noticiou incansavelmente a morte de Amy, mas duvido que a notícia da morte de Stott saia em mais do que alguns noticiários pontuais no exterior. Mais uma evidência de que este homem, capelão da rainha da Inglaterra, era contra-cultura. 

No dia 06 de outubro de 1985 fui participar do culto em All Souls Church, onde Stott era pastor emérito. Ele pregou nos primeiros versos de Hebreus, "Jesus, a palavra final". Lembro-me de ter vertido lágrimas diante da clareza, simplicidade e autoridade com que expôs a Escritura. Hoje ouvi novamente o mesmo sermão, lágrimas me vieram mais uma vez (http://allsouls.org/Media/Player.aspx?media_id=50218&file_id=53536). Eis o esboço:


1. Cristo e a Palavra: Ele é a Palavra de Deus, completa e final.


2. Cristo e a criação: Ele é o agente, o sustentador e o herdeiro, o Cristo cósmico, o alfa e o ômega.

3. Cristo e o Pai: Ele irradia a glória de Deus: idêntico em natureza e essência; Ele é o selo da natureza de Deus: distinto em pessoa.

4. Cristo e a Salvação: veio para lidar com pecados, purificar dos pecados e cumprir uma obra perfeita, a justiça perfeita de um Deus justo!

Aplicação: este é o seu Cristo? Ele é único ao revelar e salvar. Quem entende isto, sabe que não pode recorrer a mais ninguém. Esta era a tentação dos Hebreus que receberam carta. Nós precisamos voltar a esta visão bíblica de Cristo. É o caminho para este mundo sincretista e pluralista. Nunca esqueça, não há outra revelação. Não há nada que possa substituir, melhorar ou ser acrescentado à revelação no Verbo encarnado. Depois que vemos a Cristo, não há outra coisa no que possamos crer. Nunca esqueça, não há outra salvação: Ele é completo, singular. Não há outro em que se possa encontrar salvação. Ele também é salvador singular. Sem Cristo não há revelação e não há salvação. Ele é "hapax", de uma vez por todas... Deus não tem mais a dizer do que Ele já disse nesse salvador. Crer nisto é ser cristão evangélico.

Que o Senhor nos abençoe com homens abençoados como foi Stott para a glória dEle. Os céus celebram a chegada de um feito santo pelo sangue de Cristo.

Texto publicado em 27 de Julho de 2011
*John Stott morreu em 27 de julho de 2011, Lingfield, Reino Unido

Autor: Mauro Meister
Leia Mais ►

domingo, 22 de janeiro de 2017

Curso de Cristologia [6/16]

Os milagres de Cristo

Nesse vídeo trataremos dos relatos dos Evangelhos do Novo Testamento sobre os milagres de Cristo visando responder a pergunta: O que os milagres de Cristo testemunham sobre Sua Pessoa? Com uma ênfase panorâmica, nesta aula veremos a perspectiva dos Evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) e do Quarto Evangelho (João) a respeito do valor teológico dos milagres de Cristo.


Por Marcelo Berti
Fonte: Teologando
Leia Mais ►

Estudos no PENTATÊUCO 6/10

Leia Mais ►

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A origem da alma

Como estamos estudando, as questões mais difíceis em se responder são aquelas que dizem respeito às origens dos fatos. É comum observarmos as pessoas e afirmarmos com certeza: “Este homem, para que seja homem, com absoluta certeza tem uma Alma“.

Mas é muito complicado tentar responder a pergunta: “De onde veio a alma deste indivíduo?“. Tentar responder essa pergunta não é uma atitude recente. Cristãos antes de nós já o tentaram fazer, mas todos de maneira insuficiente. Assim, é importante reconhecer as diversas opiniões sobre o assunto.

A. Preexistencialismo

A teoria da preexistência é uma tentativa de responder a pergunta em pauta de uma perspectiva especulativa. Para os defensores do preexistencialismo, as almas dos homens já existiam em um estado anterior, e qualquer deficiência moral que demonstrasse neste estado, teria grande implicação na vida material desta alma (espiritismo, panteísmo). Alguns ícones teológicos desse pensamento são: Orígenes, Scotus Erígena e Júlio Muller.

Em alguns dos representantes da filosofia grega que adotavam esse ponto de vista, como Platão e Filo, pode-se encontrar razões diferentes. Platão tinha em mente explicar que a Alma possui informações e conhecimentos não derivados dos sentidos. Filo, pretendia compreender a prisão de sua vida, o corpo. Esses pensamentos acabaram por influenciar Orígenes, que tentou explicar a disparidade de condições em que os homens entram no mundo.

Nas formas mais modernas desse pensamento, podemos encontrar Kant e Júlio Müler. Para eles a depravação da vontade, ou sua deficiência moral, só pode ser real a partir de um ato pessoal de autodeterminação em um estado anterior ao da vida material. Assim, todos os homens que vivem materialmente, tem suas definições finais determinadas por esse ato pré-temporal.

Objeções à teoria da preexistência

Podemos fazer as seguintes objeções a este pensamento:
Em primeiro lugar essa corrente ideológica é vazia de bases bíblicas e filosóficas (Berkhof);
Esse pensamento tem origem na visão dualista entre matéria e espírito, ensinado pela filosofia pagã; (Berkhof)
Se a alma é preexistente, e apenas um ato consciente de autodeterminação poderia explicar as deficiências morais do homem, como não temos a menor lembrança desse estágio? (Strong)
Se a alma é preexistente, mas não é consciente de sua existência nem pessoal para tomar decisões, ela deixa de explicar as deficiências morais do homem; (Strong)
A existência anterior não tem qualquer fundamento escriturístico;
Conflitante com a perspectiva bíblica sobre punição eterna;

B. Criacionismo

A teoria criacionista afirma que Deus cria diariamente almas para acoplar em corpos que estão sendo gerados. A tentativa desta teoria é responder a pergunta em pauta de uma perspectiva filosófica, mas com fundamentação bíblica. Alguns teólogos que defendem tal posição são: Berkhof, Hodge, Jerônimo e Pelágio.

Os dois últimos são símbolos de uma geração antiga de pensadores cristãos, que influenciados pelos pensamentos de Aristóteles, chegaram a conclusão que Deus criou imediatamente a alma de cada ser humano e a uniu a um corpo, na concepção, no nascimento, ou em algum momento entre esses dois eventos.

Hodge e Berkhof tem pensamento semelhante ao demonstrado acima. Sobre isso Berkhof afirma que “cada alma individualmente deve ser considerada como uma imediata criação de Deus, devendo sua origem a um ato criador direto, cuja ocasião não se pode determinar com precisão“.

Argumentos a favor do criacionismo

Normalmente são encontrados três grandes argumentos em prol deste pensamento:
Na criação é demonstrada que existe diferença entre a origem do corpo e da alma. No decorrer das evidências bíblicas é possível notar que sempre existe algum tipo de separação entre esses dois aspectos (Z.21.1; Is.42.5, Nm.16.22; Hb.12.9);
Este pensamento esmera-se em manter una a alma, visto que é indivisível;
No tocante a Jesus Cristo, como homem completo, o pensamento responde de melhor maneira o fato de que Cristo não participou do pecado;

Objeções à teoria Criacionista

Como observado, o criacionismo é, em síntese, a declaração da criação direta de Deus para cada alma. Sobre isso pode-se objetar que:
Se Deus é o responsável pela criação das almas, e estas tem tendências depravadas, faz com que Deus seja diretamente autor do mal moral;
Se as almas são criadas absolutamente puras, Deus é culpado indiretamente pela criação do mal moral, pois permite que uma alma pura venha a se perverter em um corpo depravado que, com obviedade, a corromperia;
Se o pai natural é apenas responsável pelo corpo, os animais tem maior dignidade que os homens, pois reproduzem segundo sua própria imagem;
A atividade criadora de Deus parece ter sido interrompida após a criação do homem, completo com alma.
A criação de Eva é bem demonstrada pelo escritor bíblico. Nesta criação não se fala nada sobre a origem da alma da Eva;

C. Traducionismo

O traducionismo responde a pergunta em pauta a partir de uma perspectiva tanto bíblica como filosófica. Entretanto, as considerações do traducionismo encontram mais fortes evidências na literatura bíblica, ao contrário do criacionismo. Porém é valido demonstrar que o traducionismo e o criacionismo são opções encontradas na história da igreja, e em ambos lados é defendida por cristãos. O criacionismo foi a teoria grandemente aceita pelo oriente, enquanto o traducionismo, pelo ocidente. Segundo Chafer, “a questão sempre foi de opinião pessoal e não tem como base uma separação teológica” (Vol. II, pp.582).

O traducionismo afirma que “a raça humana foi criada imediatamente em Adão e, com relação tanto ao corpo como à alma, propagou-se a partir dele por geração natural, e todas as almas desde Adão são apenas mediatamente criadas por Deus, o sustentador das leis de propagação que foram originariamente estabelecidas por ele[1]“. Ou seja, a alma tem origem a partir do momento da concepção, em um processo natural, e são transmitidas de pais para filhos. Alguns dos representantes dessa corrente são: Tertuliano, Rufino, Apolinário, Gregório de Nissa, Lutero, H.B. Smith, Augustus Hopkins e Charles Ryrie.

Argumentos a favor do traducionismo

Vários argumentos poderiam ser demonstrados, tais como:
Está em harmonia com o relato da criação, pois Deus soprou uma única vez o fôlego da vida no homem, e deixou que ele se reproduzisse (Gn.1.28, 2.7); a criação da alma de Eva estava incluída na de Adão (Gn.2.23; cf. 1Co.11.8);
A bíblia afirma que os descendentes foram formados da carne de seus pais (Gn.46.26; Hb.7.9, 10; cf. Jo.3.6, 1.13; Rm.1.3; At.17.26)
Explica de maneira mais satisfatória a transmissão da depravação moral e espiritual, que é assunto da alma, e não do corpo;

Objeções à teoria Traducionista

Vários argumentos poderiam ser demonstrados, tais como:
Se Deus só age mediadamente em relação a sua obra criativa, após a criação, que será, então a regenereação?
“A teoria leva a dificuldades insuperáveis a cristologia. Se em Adão a natureza pecou globalmente, e esse pecado foi, portanto, o verdadeiro pecado de cada parte dessa natureza, não se pode fugir a conclusão de que a natureza humana de Cristo também foi pecadora e culpada, porque teria pecado de fato em Adão” (Berkhof, pp.183).

D. Um convite à Cautela

Como foi demonstrado, dentre as variantes consideráveis como resposta à questão que reporta-se à origem da alma, apenas uma é completamente descartável, a preexistência, visto ser repleta de falácias filosóficas e raízes lançadas em um panteísmo oriental, que em formas modernas atinge o espiritismo. Entretanto, o traducionismo e o criacionismo tem formas mais aceitáveis, embora sejam contraditórias entre si.

É notório que não existe respaldo bíblico suficiente e definitivo em favor nem de uma nem de outra teoria, e que logicamente ambas podem ser sustentados com louvor, o correto é apelar para uma tentativa de cautela no estudo destes fatos. Charles Swindoll, em seu livro “O mistério da vontade de Deus” afirma que “o problema dos jovens teólogos é que eles querem desvendar o inescrutável“. Uma vez que não temos tamanha clareza a partir dos relatos bíblicos, não devemos buscar sabedoria além do que por Deus foi dado a conhecer em sua revelação.

Entretanto, deve-se ressaltar que o traducionismo merece maior consideração visto que reporta-se melhor ao testemunho das escrituras a respeito deste fato. As explicações a favor do traducionismo são superiores às suas objeções. E suas objeções tem resposta bíblica, sem que seja necessário interpolação teológica para obtê-la.

[1] STRONG, Augustus Hopkins. Teologia Sistemática. Vol. II, pp.59
Autor: Marcelo Berti
Fonte: Teologando
Leia Mais ►

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Teologia é igual a kriptonita?

No círculo evangélico (não me refiro aqui às sérias Igrejas que vivem centradas na doutrina de Deus) algumas coisas são impensáveis. Se você não determina que algo aconteça, significa que não acredita no poder de Deus. Se não dá o dízimo crendo que Deus vai te dar mais do que você ofertou, significa que você não tem fé na providência e cuidado de Deus. Mas o que quero destacar nesse artigo é o seguinte ponto, se você é um estudante da teologia isso lhe faz um crente fraco se comparado àqueles que realizam tudo em nome da fé, sem base doutrinária é claro. Isso, de acordo com o consenso de muitos evangélicos, te mantém longe de Deus. Parece que a teologia é para o crente o que a kriptonita é para o super-homem.

Nos quadrinhos vemos que o homem de aço tem seus poderes devido a sua contínua exposição ao Sol e estada aqui na terra. Mas todas as vezes em que um fragmento de kriptonita é colocado ao seu lado, o grande e inabalável homem de aço é enfraquecido. De músculos duros e impenetráveis, ele se torna um homem comum, que pode sangrar e até mesmo morrer em combate. 

Esses grupos de evangélicos estão firmados naquilo que para eles é a verdadeira condição de poder, vitória e mover sobrenatural, uma visão deturpada em relação a centralidade das Escrituras na vida do povo de Deus. Estão alicerçados em interpretações falaciosas; em uma doutrina que tem tudo, menos a verdadeira e santa Palavra de Deus. Para eles o que os mantém firmes é a fé. Fé essa que está dissociada da Bíblia. Afinal, dizem eles, Deus fala comigo de outras formas, formas essas que vão contra o ensino sagrado. Assim, quando alguém lhes propõem um estudo da Bíblia em seu contexto, e com as regras de uma hermenêutica saudável eles logo se revoltam, pois, são fortes sem isso, e como diz a Bíblia “ a letra mata, mas o Espírito vivifica”. Assim, eles infelizmente se apoiam em algo contrário à própria Palavra. Querem seguir a Deus de acordo com a vontade deles e não da maneira que Deus lhes ordenou. Querem acima de tudo viverem livres dessa kriptonita chamado “letra”. 

Oro para que ao contrário desses grupos, possamos olhar cada dia mais e mais para as Escrituras como sendo ela, e somente ela, a fonte de nossa fé. Que a Palavra revelada de Deus possa ser o nosso Sol. Aquilo que nos dá força e nos mantém firmes nesse mundo. 

A Bíblia é e sempre será a fonte de nossa vida espiritual, e um estudo diário e apaixonado nos levará a conhecer a Deus e sua vontade se revelará a nós. Nela poderemos ver o amor do Senhor e as verdadeiras bençãos que decorrem da obra salvadora.

Então, para você á Bíblia é uma kriptonita que enfraquece sua vida com Deus, ou o Sol que lhe fortalece e permite caminhar?

Autor: Wellington Leite
Leia Mais ►

sábado, 14 de janeiro de 2017

Curso de Cristologia [5/16]

Os ensinos de Cristo: O Reino de Deus e Sua Ética

Nesse vídeo vamos examinar alguns dos ensinos de Jesus Cristo e verificar o que se pode conhecer de sua pessoa a partir dos seus ensinos registrados nos evangelhos do Novo Testamento. O objetivo dessa aula é responder a pergunta: O que Jesus Cristo realmente ensinou? Para responder a essa pergunta vamos observar dois aspectos centrais da mensagem de Cristo: Sua visão sobre o Reino de Deus e sobre a Ética Cristã.


Por Marcelo Berti
Fonte: Teologando
Leia Mais ►

Estudos no PENTATÊUCO 5/10

Leia Mais ►

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O "deus" de Kéfera não é o Deus da Bíblia


Nos últimos dias inúmeras opiniões tem sido postuladas a partir das palavras de Kéfera. Em seu canal no YouTube postou um vídeo que em determinado trecho dizia que Deus se masturbava. Esse texto visa desmistificar suas palavras e sua crença em Deus, e ao mesmo tempo dizer o que devemos fazer quando episódios desse tipo acontecem.
Vivemos dias em que as pessoas simplesmente dão suas opiniões sobre o que pensam sem levar em consideração se tais afirmações são verdades ou mentiras. A opinião pessoal se tornou verdadeira, mesmo que com um pouco de questionamento e aprofundamento do assunto em pauta seja revelado que tal pensamento subjetivo está terrivelmente equivocado. No caso de Kéfera ela tem uma visão de Deus em que tal ser divino é “seu brother”, como se isso fosse motivo suficiente de se dirigir a Ele sem nenhum respeito, assim como fica subentendido que ela faz com seus amigos. Falar palavrões, ou até mesmo pensar em Deus fazendo coisas pecaminosas como seus amigos fazem é algo normal, pois Deus não deve se importar, visto que seus amigos também não devem se importar, pois isso é normal nos dias de hoje. Como ela disse posteriormente, Ele está preocupado com o que sou e não com o conteúdo de minhas palavras e a forma que as profiro. 
Nesse ponto ela é um retrato de nossa sociedade de modo geral. Uma sociedade que trata o divino como profano, não se importando com suas ações e palavras, como se o Deus de amor nunca fosse julgá-los como pecadores, pelo contrário, vêem que Ele apoia essa manifestação pecaminosa, pois ela é uma expressão honesta, e se é honesta, é somente isso que importa. Acreditam no Deus de amor, mas se esquecem do Deus que também é justiça e julga de tal forma (Sl 9.8; Sl 7.11-13).
Ao contrário do mundo em que vivemos, nós cristãos defendemos as Escrituras e tudo o que ela fala, visto que é a infalível Palavra de Deus ( 2 Tm 3.16). A verdade de Deus é imutável sendo o pilar sobre quem é Deus e a maneira que devemos buscá-lo. Tanto à Kéfera como a nossa sociedade, o que as Sagradas Letras afirmam é que Deus é um ser completamente diferente de tudo e de todos, pois Ele é o criador e não a criatura. Aquele que habita em um alto e sublime trono, e seus anjos cantam de dia e de noite “Santo é o Senhor dos Exércitos toda terra está cheia de sua glória”(Is 6.3). Deus em sua Palavra define os limites que deve ser adorado, ou seja, não adoramos a Deus da forma que queremos, mas sim da forma que Ele requer ( Hb 12.14, 1 Pe 1.15; Lv 19.12; Lv 11.44; Ex 15.11 Ez 36.26). Sendo assim, de acordo com a Bíblia e não minha opinião pessoal, as palavras de Kéfera estão erradas e desse modo não devem ser levadas em consideração. Com certeza são heresias.
A falta de leitura da Bíblia bem como um estudo do contexto de cada livro leva as pessoas na maioria das vezes a pensar que a Bíblia foi escrita para ser interpretada de acordo com a visão de cada pessoa. Infelizmente isso é um equívoco. Sendo assim o que se conclui é que todos aqueles que deixam o texto Sagrado de lado e se apoiam em sua própria visão estão milhas e milhas distantes da verdade sobre quem é Deus. Todas as pessoas devem se apoiar no que a Bíblia diz e não no que pensam.
Mas vamos ao segundo ponto desse texto. Temos que fazer uma distinção entre suas palavras e pensamentos e quem ela é como pessoa criada a imagem e semelhança de Deus. As palavras de Kéfera devem em um certo sentido ser tratadas por nós como um reflexo de um coração que está longe do Deus da Bíblia. Sendo bem sincero não podemos esperar outra coisa, senão pessoas que não conhecem a Deus falarem coisas que não tem nada a ver com a fé cristã. Muito me surpreenderia se ela falasse de Cristologia, Escatologia, mas tais declarações me deixam triste, mas não surpreso. Devemos orar e pedir que assim como nós um dia fomos alcançados pela graça do Eterno ela também possa conhecer o Deus da Bíblia. Ao invés de inflamar nosso coração contra ela em ódio, pedindo que ela venha ser punida por Deus (vi pessoas postando isso nas redes sociais), devemos lembrar que nossa luta não é contra carne e sangue, mas sim contra as hostes infernais. Portanto, que nossa oração seja para que ela se converta e não para que seja lançada no lago de fogo. Que como seguidores de Jesus possamos aprender com Ele, alguém que nunca apoiou o pecado, mas nunca deixou de estender sua misericórdia para com os que estão longe Dele. Devemos sim nos posicionar todas as vezes em que pessoas ofenderem a Deus, mas jamais fazer isso de uma forma pecaminosa e com desejos pecaminosos, pois seremos iguais aqueles que estão blasfemando. Que venhamos rebater os erros teológicos, mas orar e buscar amar a vida que está por trás de tais palavras. Que assim como Deus mudou a minha vida, Ele possa mudar a sua também Kéfera.

Autor: Wellington Leite
SOLI DEO GLORIA
Leia Mais ►

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Jonas, muito mais que um grande peixe

O livro não tem como personagem principal os marinheiros, o grande peixe, Jonas ou os moradores de Nínive, muito pelo contrário,o grande e soberano personagem é o Deus de Israel.

No decorrer da narrativa vemos a justa ira de Deus sendo manifestada contra a maldade dos ninivitas, ao ponto de enviar o profeta para declarar que a cidade seria destruída devido a tal maldade. Podemos observar a soberania do Senhor sobre a criação tanto na tempestade sobrenatural que atinge o barco como também na salvação misericordiosa de Jonas quando esse é lançado ao mar e um grande peixe o engole. Sua misericórdia é visível no fato de que aqueles marinheiros reconhecem que só há um Deus verdadeiro, Aquele que fez o mar e a terra e por isso oferecem sacrifícios a Ele.
A fidelidade de Deus é demonstrada quando por três dias e três noites Jonas dentro da barriga de um grande peixe não morre, mas pelo contrário, permanece vivo. Com uma única ordem de Deus o animal vomita o profeta fujão que agora está novamente em terra firme e pronto, mesmo com relutância em ir a Nínive e pregar a mensagem dada por Deus.
O Deus que é grande em misericórdia e soberano na salvação utiliza uma pregação de seis palavras, palavras essas que são provenientes de um coração duro, irado e que quer o mal dos assírios. Sim, usa uma pregação aos olhos humanos fraca e sem“unção” para converter uma nação inteira. Do rei ao escravo, jovens e velhos, homens e mulheres são salvos através de tais palavras “ dentro de 40 dias Nínive será subvertida”.
A beleza dos atributos de Deus revelados no livro desse profeta nos fornece um relato de encorajamento sobre nossa vida nesse mundo. Podemos confiar e crer que os eventos da natureza estão debaixo do controle do Eterno. Podemos louva-lo que em sua graça e misericórdia Ele salva quem não merece. Ao olharmos para nossa própria vida podemos nos comparar com os ninivitas e louvar a Deus por através de fiéis ministros e de sua poderosa Palavra nos trazer das trevas para luz, da condenação para a justificação e salvação.
Que alegria podemos ter ao olhar para o livro e ver o Deus que criou o céu e a terra como personagem principal e não um grande peixe.O Senhor e Soberano dessa narrativa inspirada e infalível é o nosso Deus redentor.

Autor: Wellington Leite
Leia Mais ►
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...